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sábado, janeiro 30, 2010

A saúde mental de Lula

lula

 

Vaidade:

1  Valorização exagerada dos próprios atributos; PRESUNÇÃO; IMODÉSTIA: "...Pois grande foi a tua vaidade, Copacabana, e fundas foram as tuas mazelas..." (Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana)
  2  Preocupação com a própria aparência, por desejo de ser admirado: "...o que nem mesmo a morte conseguira, e que seria chocar e gelar aquelas pobres vaidades humanas..." (Lúcio Cardoso, Crônica da casa assassinada)
  3  Qualidade ou condição do que é vão, fútil, ilusório
  4  Vanglória, ostentação
  5  Presunção, fatuidade

Egocentrismo:

  1  Qualidade ou característica de egocêntrico; EGOÍSMO.
  2  Comportamento ou procedimento próprio de indivíduo egocêntrico; EGOÍSMO

[F.: egocêntrico + -ismo, seg. o mod. gr.]

Egocêntrico:

1  Diz-se daquele que toma a si próprio como referência para tudo ou que se preocupa unicamente consigo mesmo.; EGOCENTRADO
  2  Que denota egocentrismo (comportamento egocêntrico).

sm.
  3  Indivíduo egocêntrico (1).; EGOCENTRADO

Megalomania:

1  Psiq.  Mania de supervalorizar, engrandecer e embelezar tudo que diz respeito a si mesmo
  2  P.ext.  Gosto exagerado ou obsessão por tudo que é grandioso, valioso, imponente, majestoso, que leva o indivíduo a supervalorizar ou a idealizar as coisas de modo a perder a noção da realidade; mania de grandeza
  3  Ambição desmedida.

 

Não sou psicólogo e nem muito íntimo dos conceitos freudianos, embora casado com uma excelente psicanalista. Além de pesquisar nos dicionários, também andei caçando em outras literaturas alguns conceitos referentes às personalidades díspares dos indivíduos, tudo porque me deu um estalo de que Lula terá sérios problemas psicológicos depois que descer do trono do Planalto se não tiver a mesma frequência de flashs e câmeras ao seu redor.

Já que o presidente é tão chegado às metáforas futebolísticas, vou usar de uma para tentar me fazer mais inteligível nessa explanação.

Não são poucos os exemplos de ex-boleiros, assim como artistas de cinema, televisão e teatro, que entram em depressão, buscam caminhos autodestrutivos depois que somem das mídias, caem no ostracismo, somem dos olhos sempre curiosos e dispostos a aplaudir, mesmo sem motivo, quem torna-se famoso. Imagino que Lula passará por um processo semelhante, daí o risco de o vermos procurando as câmeras como a mariposa procura a luz, depois de 1° de janeiro de 2011, quando o novo presidente assumir o comando do país.

Desde 1980 que ele está no centro da mídia, quando nasceu o líder sindicar semi-analfabeto que guiava massas de seus iguais, até hoje, quando torna-se um dos mais populares líderes políticos mundo a fora, que ele fez de tudo para ser o umbigo do mundo e tem contado com um sem número de luas pardas ajudando-o nessa missão.

Se era importante ter um representante dos operários nas altas rodas de discussões político-econômicas do país na década de 80, depois que mostrou carisma passou a ser usado, ele próprio, como peça de manobra, do mesmo jeito que manobrava as massas. A semelhança maior é que, se as massas não percebiam que eram manobradas, a princípio para serem alcançadas melhoras para toda a classe, depois para a consolidação da liderança individual de Lula, ele próprio tornou-se, sem perceber, a marionete de indivíduos e grupos que alimentavam seu ego a pão-de-ló para que ele fizesse o que seus manipuladores queriam, mas sempre com a sensação de fora ele a peça que impunha respeito, o líder que conseguira tudo sozinho, que peitara os poderosos, que ele teima em chamar de elite. Ele, lula, era o exército de um operário só que mudava o Brasil e hoje deseja mudar o mundo em busca do Nobel da Paz que José Dirceu, um de seus titereiros, lhe prometera um dia.

Ao entregar a faixa presidencial a seu sucessor, sua estrela tende a apagar-se paulatinamente, como é praxe. Alguns preparam-se para o ocaso, outros acham que podem evitá-lo fazendo de tudo para que a luz não se apague. no futebol pode-se comparar Pelé a Romário. O primeiro soube aposentar-se e manter a majestade, o segundo teima em acender a lamparina depois que o querosene do lampião acabou.

Na política poço citar os exemplos de FHC e de Collor. O primeiro, respeitadíssimo sociólogo e estadista, encara com parcimônia a sombra que cresce em seu palco; o segundo, ferido profundamente em seu ego, gasta seus milhões e dos amigos (diga-se lobistas) para voltar à cena nacional, mesmo sem o respeito da população – o medo que espira é maior . Um sabe retirar-se paulatinamente, o outro tenta perpetuar-se, assim como Pedro Simon, Michel temer, Paulo Maluf e muitos mais.

Lula, sem dúvida, fará parte do segundo time. Seu ego, muito maior que sua inteligência ou sua competência, não permitirá que fique quieto nos bastidores quando outro protagonista tomar a cena. Algo me diz que sua doença psicológica o fará dançar samba sobre uma bola na corda bamba, se for necessário, para aparecer mais nos jornais do que seu sucessor, mesmo ou talvez por isso mesmo, que seu sucessor seja sua candidata. Que Deus nos livre desse flagelo.

 

©Marcos Pontes

terça-feira, janeiro 26, 2010

De onde vem a fortuna do Lula?

prazer

 

Não são poucos os exemplos que deu, principalmente nesses últimos sete anos de discursos improvisados, vazios, autobiográficos, vaidosos, por vezes mentirosos, dúbios, impensados, mas todos muito transparentes. Vai ficar difícil lembrar de todas as vezes.

Aliás, desde quando candidatou-se à presidência pela primeira vez, várias vezes ex-colegas metalúrgicos falaram que Lula havia decepado o dedo para ganhar indenização e aposentadoria. Se é verdade ou apenas maldade dos ex-companheiros, não ouso dizer, mas lembro de ter ouvido histórias assim e, poucas vezes, lido em alguma mídia.

Se esse episódio é fato ou inveja, não vem mais ao caso, afinal de contas a indenização que recebeu e a aposentadoria como metalúrgico, profissão abandonada aos 27 anos graças às tetas do sindicalismo, que não obriga trabalhador a trabalhar, facultando-lhe o direito de ficar integralmente à disposição do sindicato a que representa, são apenas duas vantagens pecuniárias das muitas outras que deve ter recebido no decorrer de sua vida adulta.

Aposentadoria como metalúrgico, indenização por ter perdido o dedo, pensão vitalícia da bolsa-ditadura, esta já depois de rico, famoso e cheio de seguidores. A pensão veio também sucedendo a indenização de, se não me engano, R$ 100 mil. Ou seja, por ter passado 30 dias em cana e por ter insuflado a população metalúrgica contra o governo, Lula recebeu 100 mil de indenização e mais uma pensão vitalícia. Foi premiado pelo resto da vida por conta de uma prisão de um mês. Ele e seus fiéis seguidores acham isso justo e justificável, mesmo que quem pague por isso seja o mesmo povo que ele diz se encontrar na merda e dela ele a resgatará. Paradoxalmente, retira do povo atolado a dinheirama que o enriquece e promete a salvação eterna das almas daqueles a quem espolia.

Esses cem mil, mais os sete mil de pensão e mais a aposentadoria de metalúrgico não seriam suficientes, mesmo somadas, a dar-lhe a declarada fortuna de R$ 800 mil, constante na declaração de bens apresentada ao TSE quando da sua candidatura em 2002. A pergunta inevitável, portanto, é “de onde veio tanto dinheiro? Do trabalho todos sabemos que não foi.

Vejamos os bens declarados, não esquecendo que falta na lista o duplex em que vive em São Bernardo, avaliado em, pelo menos, R$ 250 mil, pela imobiliária Rudge Ramos:

Apartamento 102, no Edifício Kentuchy, em São Bernardo do Campo — R$ 38.334,67 mil
Apartamento 122, no Prédio Green Hill, em São Bernardo do Campo — R$ 189.142,50 mil
Apartamento 92, no Edifício Kentuchy, em São Bernardo do Campo — R$ 38.334, 67
Aplicação financeira no Banco do Brasil — R$ 86.794,73
Caderneta de Poupança na Caixa Econômica Federal — R$ 54.762,02
Caderneta de Poupança no Banco Bradesco — R$ 1.398,67
Caderneta de Poupança no Banco Bradesco — R$ 1.124,36
Six Especial Plus no Banco do Brasil — R$ 156.146,83
Fif Plus Di Banco Bradesco — R$ 111.055,40
Fundo de ações da Petrobras — R$ 1.866,39
Fundo de ações da Vale do Rio Doce — R$ 497,97
Fundo de ações do Banco do Brasil — R$ 1.108,87
Fundo de Investimentos no Bradesco — R$ 63.304,16
Participação em Cooperativa Habitacional (apartamento em construção no Guarujá, São Paulo) — R$ 47.695,38 — já pagos
S10 Cabine Dupla, diesel 98/99 — R$ 42 mil
Terreno no Sub-distrito de Riacho Grande, em São Bernardo do Campo — R$ 5.466,90

Diz o jocoso ditado popular, “quem trabalha não tem tempo de ganhar dinheiro”.Lula prova isso na prática.

Ao declarar, ontem, em São Paulo, que gostava de enchente para não ter que ir trabalhar, Lula, além do péssimo exemplo, mais um, dado às gerações que aspiram por um posto de trabalho numa época em que a violência gratuita grassa solta, é de uma insensibilidade absurda vinda justamente da autoridade máxima da nação castigada. O mesmo homem que manda R$ 375 milhões para o Haiti, mas que até então não havia dado as caras no estado que vem sendo castigado com chuvas e mortes há mais de um mês.

 

©Marcos Pontes

domingo, janeiro 24, 2010

A guerra do Guerra

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Tudo começou com a declaração impensada de Sérgio Guerra afirmando que o PSDB acabaria com o PAC, que este não passa de propaganda eleitoreira do governante-mor em prol da candidatura de sua pupila, que se transforma à sua imagem e semelhança feminina, ou o mais perto disso que consegue chegar.

Todo o mundo já percebeu que o PAC é uma propaganda gigantesca, uma mistura entre a mentira que se repete até virar verdade, máxima eternizada com a política de Göebels para o III Reich, e o Brasil Grande criado pelos militares pós-golpe de 64, pegando carona nos 50 anos em 5, do Kubitscheck. Até mesmo os jornais ingleses, que vivem paparicando Lula, já começam a listar as propagandas políticas extemporâneas da dupla Lula/Dilma. Até a Velhinha de Taubaté, se fosse viva e de carne e osso, perceberia, desde o Fome Zero até o filme fracassado do Fábio Barreto, o que mais esse governo tem feito, é propaganda. Quando não são apenas divulgação do tamanho do ego presidencial, necessária para que os verdadeiros presidentes do país trabalhem na sombra do ego inflado de Lula, são propagandas de programas furados (Fome Zero, Primeiro Emprego, Minha Casa Minha Vida, Espetáculo do Crescimento, Bolsa Escola (que não melhora a educação e nem diminui a evasão escolar) e tantos e tantos mais), para fazer cortina de fumaça para que o eleitor menos informado, característica da maioria dos eleitores de Lula não consiga ver a nudez dessa administração calamitosa, incompetente, irresponsável e mentirosa.

Guerra errou. Não por mostrar a mentira que tem sido o PAC, como menos de 10% das obras propostas, executadas. Mas por alegar que o PSDB acabaria com essa farsa. Tem certas coisas que político não deve falar nem no leito de morte ao ouvido da pessoa amada, uma delas é dizer que irá desfazer o que seu adversário pode até não ter feito, mas que o populacho acredita ser a salvação da pátria.

Isso parece ser falta de escrúpulos, mas não o é. Não dizer que vai acabar não obriga o sucessor a manter. O problema é que depois que fala, o eleitor espera que seja cumprido e o adversário anota em seu caderninho para cobrar mais tarde. Depois de falado, Guerra autorizou a turma petista e seus aliados a cobrarem o fim do PAC se os tucanos ganharem a presidência. Guerra colocou, portanto, uma possível administração de José Serra entre a cruz e a espada.

Imaginemos Serra vencedor da eleição. Se ele acabar com o PAC (parece contraditório acabar com o que não existe, mas, queiramos ou não, vivemos num mundo virtual, onde a propaganda tem mais peso que a realidade), o PT e sua gang poderão fazer o maior estardalhaço, e farão, cobrando do governo a destruição de um dos maiores e promissores programas sociais jamais imaginados no Brasil; se Serra não acabar com o PAC, PT e asseclas alardearão a falta de compromisso com a verdade, com os compromissos assumidos e blá-blá-blá. E qual a saída? Mudar de papo.

Serra terá que fazer de conta que o dito não o foi e conversar sobre outras coisas, inventar outras promessas e atacar com força aquilo que não deu certo – e o que não deu certo nesse governo dá pra encher cadernos e cadernos.

Depois da declaração de Guerra, a guerra ficou franca. Lula, com discurso fácil, embora vazio, xinga daqui, fala palavrão de lá e promete jogo limpo, de alta classe. Impossível crer, afinal, o que menos Lula sabe é o que é alta classe. Hospedar-se em hotéis 5 estrelas (ao invés de nos palácios que são as embaixadas brasileiras na Europa), andar de avião-hotel para cima e para baixo, jantar no Palácio de Bukingham ou andar nos tapetes vermelhos da Casa Branca não são demonstrações de que ele tem classe. Isso ele não tem. Nem classe, nem traquejo, nem educação e nem respeito aos miseráveis a quem diz que vai “tirar da merda” enquanto gasta absurdos em despesas secretas com seus cartões corporativos, com direito a cartões-dependência para seus filhos.

Que o Guerra aprenda: Pior do que malhar o malfadado PAC seria prometer o fim das bolsas-esmolas. Que ele não caia na besteira de prometer isso.

 

 

©Marcos Pontes

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Dilma mente e eu já sabia

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A política eleitoral brasileira tem uma característica nada agradável: a constante campanha. Basta um vencedor assumir seu cargo, que logo começa a campanha para a próxima eleição de quatro anos no futuro, ou oito, no caso dos senadores.

Enquanto vemos o presidente Obama convocar seus dois antecessores, um do mesmo partido e outro a quem fez dura oposição, para formarem uma frente de combate às mazelas provocadas pelo terremoto do Haiti, e ver atendidos seus pedidos, numa demonstração de civilidade e compromisso de homens públicos com a melhoria da qualidade de vida de seus concidadãos e dos seus vizinhos globais, por aqui costumamos ver a mesquinharia, o egocentrismo e o vale-tudo para perpertuar-se no poder, mesmo que por vias indiretas, como é o investimento de Lula nesse momento.

Ao verem naufragar os planos de petistas e lulistas, hoje quase opositores, de lhe darem um terceiro mandato imediato, o presidente investiu na ilustre desconhecida das massas, sua ex-ministra de Minas e Energia e atual ministra chefe da Casa Civil. Precisava fazer de tudo para emplacá-la no incosciente popular e no consciente coletivo de seus potenciais eleitores. Tem suado um bocado.

Os meios usados nem sempre são lícitos, pelo contrário. Começa-se entortando a legislação eleitoral e vedando os olhos dos juízes das istancias superiores. Para piorar, conta com uma oposição medrosa, excessivamente cautelosa, que não é agressiva na mesma proporção com que a campanha extemporânea do PT agride o país acintosamente, nos enfiando, goela, olhos e ouvidos, à força, a imagem e a pré-fabricada por mentiras e marqueteiros biografia da ex-terrorista.

Começo a desconfiar, aliás, que terrorista é como pedófilo, não existe “ex”. Uma vez terrorista, sempre terrorista. Ela nos aterroriza com sua agressividade, com suas mentiras, com a faísca revanchista e vingativa que emite no olhar furioso. Até sua simpatia, seus constatntes choros em palanque e inaugurações, são emntirosos.

Os eleitores da oposição, principalmente dos tucanos, acham um erro estratégio a lentidão do lançamento oficial de sua campanha. Eu sempre achei a estratégia correta. Num país em que o palanque é mais importante e constante que a autoridade que os cargos determinam, lançar a candidatura com muita antecedência, além de ser ilegal (coisa que a dupla Dilma/Lula fez sem constrangimento moral ou legal) expõe o candidato a toda sorte de ataques, verdadeiros ou fictícios. Esperando o tempo certo, Serra previne-se de ataques mais virulentos e inescrupulosos. Aliás, PT e Lula já demonstraram que seus escrúpulos perderam-se na campanha de 1989. Por outro lado, Dilma deixou à mostra suas mentiras constantes, sua transformação marqueteira.

Além das mentiras citadas, enfim, por Sérgio Guerra, na nota lançada no último dia 20, outras são mais sutis e com efeito mais profundo no inconsciente coletivo. Sabendo que ao falar errado e besteiras aos montes Lula atingiu o eleitorado menos letrado que espera por um Messias com sua mesma biografia do miserável, Dilma passou a imitá-lo, provavelmente orientada por algum marqueteiro rasteiro. Ela, que mentiu sobre seus diplomas de pós-graduação, passou a falar errado, assassinar a gramática e deslizar nas concordâncias, e a usar de analogias comparáveis às metáforas futebolísticas de seu chefe. É a eterna campanha eleitoral em seu curso imoral.

Que a oposição não fique batendo no peito orgulhosa depois da nota de Serra, muito há para ser feito para desmascarar a Terrorista, não se pode dormir no ponto. Lançada o primeiro contragolpe, que seja dada continuidade à altura. PT/Lula/Dilma não terão escrúpulos, por isso não será crime atacá-los À altura.

 

©Marcos Pontes

segunda-feira, janeiro 18, 2010

O Capoeira

capoeira

 

A capoeira, segunda dança brasileira mais conhecida mudo a fora, nem sempre teve o glamour com que conta hoje. Ao redor do mundo, principalmente na Europa, a capoeira brasileira prolifera com a exportação de “mestres”, alguns sem o reconhecimento dos mestres de verdade, que montam suas escolas na Holanda, Dinamarca, Fraca, Espanha, além de EUA, Japão e Canadá. A luta-dança é conhecida e admirada pela sua plasticidade.

Já é por demais conhecida a história da capoeira no Brasil. Veio com os escravos, era dançado nas senzalas como um balé para esconder dos capitães-do-mato e dos senhores seu caráter marcial, depois da abolição foi proibida e perseguida pela polícia e tudo o mais. A clandestinidade, criou mitos, ídolos e heróis, como Mestre Pastinha e Mestre Bimba, os dois maiores expoentes.

Característica associada aos capoeiristas desde sempre, é a malandragem, o jogo de corpo, a ginga. Não era à toa a perseguição por parte da polícia. Os “capoeiras” não se valiam só dos pés, cabeça e mãos para se imporem e ganharem as lutas, usavam também de armas brancas (navalha praticamente fazia parte do uniforme), de cassetetes e de comparsas. Romanticamente o capoeirista é desenhado como o bom malandro que se vestia de branco, cor do santo, e encarava sozinho dez inimigos, colocando todos no chão. Mas a verdade é um pouco diferente. Os capoeiristas gostavam de grupo, de gangue.

Estamos falando, lógico, do período pós-escravatura até os anos 60 do século passado, quando a capoeira começou a ser aceita nos salões da classe média, conseqüência da baianização da música popular brasileira, obra de Os Ticoãs, Vinícius de Moraes, Dorival Caymmi e de “baianos” de outros estados, como João do Vale, Luiz Gonzaga e muitos outros. A malandragem, porém, mantinha-se associada à figura do atleta-dançarino.

Aliás, o próprio disfarce de uma luta como sendo uma dança é o maior exemplo da malandragem que envolve a capoeira.

A tal malandragem, traço fixo na personalidade nacional brasileira, deixou, há tempos, de ser uma qualidade para tomar um caráter pejorativo. Desassociando a malandragem esportiva da capoeira da malandragem cotidiana dos espertalhões que atravessam o sinal vermelho, furam a fila do banco, vendem terrenos que não são seus, compram e não paga... A malandragem já não é mais coisa de quem precisava enganar pra sobreviver e melhorar de vida, tornou-se a quintessência da vagabundagem de caráter.

O fato do presidente dizer-se um capoeirista, nos leva a associá-lo à idéia de quem tem jogo de cintura, algo que ele mostrou que tem, já que saiu da esquerda assustadora que ameaçava FEBRABAN e FIESP e tornou seu maior aliado; à combatividade, algo que não podemos negar, uma vez que esteve em todas as campanhas para a presidência desde o fim do regime militar, insistiu até eleger-se; e à malandragem.

Aí eu preciso de outro parágrafo.

A boa malandragem, aquela da sobrevivência, ele nuca teve. Quando era sindicalista, não se sujeitava à negociação, prática controversa, mas legal, que levou figura como Tancredo Neves à imortalidade. Não transgredia, independentemente de concordar ou não com suas idéias e ideais, é inevitável a admiração pela sua postura firme na defesa do que pensava. Seu PT não admitia coligar-se fosse com que partido fosse, precisava manter puras suas características esquerdistas. Isso mudou. Duda Mendonça mudou isso. Não foi a idade e a sabedoria que ela traz, a experiência, o reconhecimento dos próprios erros, foi o marketing político e seu marqueteiro contratado a seu peso em dólares.

Das características histórias e lúdicas do capoeirista, a Lula só restou a malandragem ruim dos que levavam a navalha escondida nas dobras dos dedos para atacar a jugular do adversário no susto, a surpresa; a vagabundagem de quem se fia na pantinha de malandros que o acompanha para atacar em bando, por todos os lados, covardemente; a malandragem da dissimulação para mostrar a boa cara enquanto cutuca o adversário com “tostão” na coxa ou dedo nos olhos.

Embora pudesse ser ofensivo aos capoeiristas que mostraram-se indiferentes com a comparação, dessa vez Lula acertou ao dizer-se um capoeirista, embora encampe em sua personalidade apenas o lado desoneste, mordaz e traiçoeiro dos capoeiristas punguistas de antanho.

©Marcos Pontes