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terça-feira, outubro 31, 2006

O Ibama vai processar Lula por caçar "tucanos".


Heringer, A Charge On Line


  • Para quem gosta de uma boa leitura e ir a fundo nas informações, de preferência naquelas que não dão nos jornais ou que já caíram de moda, recomendo a revista piauí, assim mesmo, em minúsculas. Um timaço de ilustradores e escritores como Angeli, que fez a capa do número 1, Jaguar, Ivan Lessa, Rubem Fonseca, Roberto pompeu de Toledo e mais um montão de gente. A revista é mensal, o que é ótimo, assim a gente tem mais tempo para ler tudo com calma. Fica aí a indicação.

  • Não sei se a imprensa vai falar disso, mas um escândalo enorme está se armando nos bastidores dos partidos. O PMDB está comprando o passe de deputados dos pequenos partidos que não passaram pela Cláusula de Barreira por R$ 300 mi. Enquanto está todo mundo discutindo o novo governo, suas metas ou falta de, se vai haver mudança no ministério e coisas que tais, os caciques trabalham na surdina. Isso é muito grave!l

  • O papo dos "especialistas" agora é em torno do "terceiro turno". E o que seria o "terceiro turno"? As ações da oposição contra Lula e sua troupe. Continuarão investindo nos escândalos? Pressionarão a Polícia Federal? Pedirão impeachment? As análises estão divididas. Há quem ache que a oposição está muito enfraquecida e que 58 milhões de votos fortalecem o presidente a ponto de haver uma grande manifestação popular contra o afastamento do presidente. As previsões de Marquinhos de Ogum sobre a tentativa de golpe branco até junho de 2007 continuam de pé.

  • Eu ouvi dizer que houve um enorme partido no Brasil chamado PFL, também conhecido como "as hienas da democracia". Será que é verdade?

  • Para aqueles que não perceberam a tentativa do PT, Lula e seus amiguinhos em dividir o país, que leia com muita atenção essa matéria. Não vou nem comentar ou resumir. A coisa está mais feia do que imaginamos, nós, os pobres votadores ignorantes.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Machado, Charge On Line


Os cachorros conseguem "se lamber"; se os homens também conseguissem, a isso char-se-ia "autosuficiência".


  • Tá, então falemos da Embraer. Estatal, fabricava o Bandeirantes e mais uns dois teco-tecos; privatizada, tornou-se uma referência mundial na fabricação de pequenos jatos de passageiros e o maior exportador nacional de produtos de alta tecnologia. De novo, tudo é relativo, menos o sectarismo, que é absoluto.

  • Luís Henrique reeleito em Santa Catarina, o primeiro e talvez último se a reeleição realmente deixar de existir, como é proposta e vontade de muitos na próxima reforma política (se é que ela sai).

  • Cabral bateu Frossard. A meu ver, nada mau. A empáfia e a maneira nada esclarecida de como ela mudou de um dia para o outro depois de declarar que votaria em branco no segundo turno me causam asco.

  • Maguito perdeu para Rodrigues. Adorei! Estava se formando uma nova oligarquia em Goiás, depois do Iris Rezende. Sangue novo é sempre necessário.

  • Vilma e Garibaldi, tanto faz, não votaria em nenhum dos dois se fosse potiguar.

  • Jackson bateu Roseana. Que maravilha! Nem tanto pelo Jackson, que sequer conheço, mas ver os marimbondos descer as escadarias do palácio depois de 30 anos absolutos, é bom demais. Só persiste intocável a oligarquia paraibana dos Cunha Lima.

  • Yeda, produto do efeito "cagadas do PT", sem querer tirar os méritos da nova governadora gaúcha. Embora o PT esteja há três mandatos seguidos na prefeitura de Porto Alegre, no Estado se revezam PT, PMDB e, agora, PSDB. A alternância no poder é essencial e os gaúchos estão fazendo isso muito bem. Até onde sei, é uma mulher competente, sem falar no maravilhoso fato de ser a primeira a governar o RS. Atualmente são três as governadoras: Roseana, Rosinha e Vilma. Duas vão sair, Roseana e Rosinha, duas novas chegam, Yeda e Carepa. Pena que sejam só três, precisamos de mais mulheres mandando na política nacional.

  • Cássio? Preferiria Maranhão. Quem sabe na próxima os paraibanos não quebram essa oligarquia também?

  • Requião contra os irmãos Dias, espertos, cada um de um lado e ambos do mesmo lado, o seu.

  • Carepa? Hummm, sei não... Se bem que Gabriel já estava há muito no poder, uma mudança é sempre benvinda. Por falar nisso, saudade do Almirzinho, filho do governador derrotado, grande sujeito!

  • Lula provou mais uma vez que é maior que o PT. Quem diria? Conseguiu até ajudar a aumentar a bancada do partido no Congresso. Sem falar que até governadores da dita oposição conseguiram pegar carona na popularidade inexplicável de Lula e agora se dizem amiguinhos desde menininhos de fraldas. Se o presidente tinha apoio declarado de seis governadores, terá 16 do seu lado no segundo mandato, isso não é pouco. Lógico, aqueles que não são petistas nem coligados, espertinhos pongaram em Lula, franco favorito, para levarem o pleito.
    Que vengan los toros!, que são muitos e bravos e que tenhamos sorte, muita sorte. Vamos precisar dela.

  • Impressionante esse segundo turno. Lula aumentou o número de votos em todos os estados, inclusive naqueles em que teve menos votos que Alckmin, por outro lado, Alckmin, a despeito de não ter outros candidatos para atrapalhar, teve menos votos. Eram só os dois! Não havia HH ou Cristóvam para dividir o bolo, e o cara diminuiu sua votação. Mesmo em São Paulo, tido como favoritíssimo no primeiro turno, quase teve empate, uma diferença muito pequena e 2,5 milhões de votos a menos. Haveremos de ver e ouvir muitas explicações ainda.

  • Amarelinhos e amarelinhas, não se surpreendam se minha postura em relação ao governo federal mudar daqui para a frente. Tenho ojeriza a unanimidades, e essa eleição quase foi uma. Minha veia crítica está ali no esmeril sendo afiada.

domingo, outubro 29, 2006

Retirantes, Portinari


Longitude de vidas navegantes na seca
Ladeadas por fantasmas encardidos,
Levam pendurados nos ombros doentes
Lágrimas esturricadas. veias vazias, fome e suor seco.

Pés feridos, chagas, rachaduras nos calcanhos
Perambulam em falso rumo, quimeras,
Paraíso só existente nas noites desmaiadas
Pelos casebres de sapê abandonados no nada.

A secura que trinca a pele evapora o choro
Amargura ainda mais a fome persistente,
Amalgama no esqueleto a miséria persistente.
Acabam-se os dias intermináveis sob urubus.



Devagar, mas de volta, persistente e serelepe. Obrigados pelas muitas palavras de carinho e apoio. Depois de votar, os visitarei.

terça-feira, outubro 24, 2006

Aroeira, O Dia, RJ


A Vale do Rio Doce foi privatizada, para o desespero da esquerda estatizante, cresceu mais que o país, acabade comprar a Inco e se tornou a segunda maior mineradora do mundo. Isso significa que foi um grande negócio para a empresa, e por tabela para o Brasil, a privatização. Negócios em todo o mundo, trabalhadores trabalhando de verdade e não apenas um cabide de muitos empregos à moda soviética, impostos altíssimos, manutenção, quase que sozinha, de duas cidades em seu entorno, enfim, mesmo a contragosto, todos saíram ganhando.

Agora falam que Alckmin privatizaria a Petrobrás. Alckmin nega, FHC dá corda dizendo-se a favor. Só que a Petrobrás de hoje não é a Vale de ontem. Investe em pesquisa, mantém boa parte do Norte Fluminense, tem tecnologia de ponta e a exporta para o mundo, investe em pesquisas dando espaço para o surgimento de uma nova matriz energética para o Brasil, é recordista mundial em prospecção de petróleo em águas profundas e acaba de bater mais um recorde de produção. Se fosse privatizada hoje, propavelmente causaria mais danos que benefícios para o país. Trocando em miúdos, nada é absoluto, tudo é relativo, inclusive a privatização.




O mundo evolui (?), os gostos mudam, ou ouvidos passam a usar outros filtros... Até aí tudo bem, mas qual foi o último músico ou instrumentista que você viu como referência no mundo? As letras são cada vez mais pobres, os conjuntos da moda e os grandes campeões de vendas de disco são bonitos, estilosos, e meteóricos. Há quanto tempo não vimos alguém ser tratado pelo talento como Eric Clapton, Jimmy Page, Mark Knopfler, Keith Emerson, Karl Palmer, Santana, Naná Vasconcelos, Ayrto Moreira, Papete...?




Mais um pouquinho e voltaremos aos costumes romanos antigos, só mais um pouquinho... Os transexuais novaiorquinos agora podem utilizar tanto os banheiros masculinos quanto os femininos no metrô. Como tudo o que acontece na matriz logo, logo aparece aqui na filial, não se assustem, homens e mulheres, se ao entrarem no banheiro do restaurante se depararem com uma dama mijando de pé, do alto de seu salto vinte e com o vestido levantado. E ainda dá uma balançadinha no final.




Amigos da birita, vibrai! Pesuisadores do Beth Israel Deaconess, de Boston, acabam de publicar um estudo que diz que duas doses diárias de álcool ajudam o coração a se precaver de doenças. Lógico que isso só em pessoas saudáveis e que fazem exercícios físicos regularmente e não fumem, mas esse detalhe os maridos farão questão de omitir quando chegarem em casa trocando as pernas. Se a mulher reclamar, vão logo dizendo "calma, mulé, tava cuidando da saúde".

segunda-feira, outubro 23, 2006

Lute, Hoje em Dia, MG


  • Não seja tão academicista, Maucir. Lembre-se que no seu ramo de atuação a originalidade às vezes é muito mais valorizada que a cópia ou citação, mesmo que de gênios.

  • Última semana! Que passe rápido, ninguém tem saco de filó para agüentar tanta encheção, tanta repetição.

  • Assim no reino da estrela vermelha como no paraíso tucano. Se Lula tem o PT para atrapalhá-lo, Alckimin tem o FHC.

  • Uma análise dos especialistas ontem na Band me chamou a atenção para uma coisa na qual eu ainda não havia parado pra pensar, embora agora ela me pareça óbvia: o que causou o maior estrago na campanha de Lula no primeiro turno, não foram as denúncias do dossiê, mas sua ausência no debate da Globo. Hoje fui cortar o cabelo e o barbeiro, que sempre puxa conversa sobre política, me disse exatamente isso, votara em Alckimin por causa da ausência de Lula no debate, sentiu-se ofendido. E não acredito que esse barbeiro tenha ficado acordado até a meia noite de domingo assistindo ao programa de política da Band.
    Sendo isso verdade, fica explicada a ascensão meteórica (embora meteoros caiam, mas me refiro à velocidade) de Lula agora no segundo turno, uma vez que ele tem aparecido em todos os demais debates, inclusive no de hoje na Record. Campanha política sem showmícios virou de vez entretenimento televisivo.

  • FHC disse que Lula é fanfarrão. O sujo falando do mal lavado. Faz-me rir.

  • De um amigo lulista: "tomara que o PT não tente ajudar Lula nessa última semana, não existe terceiro turno".
    De um amigo alckmista: "só apelando pra Deus".
    Será que está todo mundo pensando do mesmo jeito? Se assim for, pobres alckmistas, Deus não foi pegar seu título de eleitor.

  • Acreditem, amarelinhos e amarelinhas! Ontem bateram à minha porta, era uma moça do Ibope. Fui pesquisado! E eu que achava que pesquisador de Ibope era que nem Saci Pererê, pura lenda.

  • ANIVERSÁRIO HOJE DA MINHA WEB-GURU, LELINHA. Parabéns, Amarela, receba minhas boas vibrações e que a vida lhe seja leve e prenhe de coisas boas em todos os campos para os quais olhar e por onde aventurar-se. Beijo.

domingo, outubro 22, 2006

Vasqs, Charge On Line


  • Não consegui assistir ao debate no Sbt. Ao fim do primeiro bloco já ficara evidente que seria um replay melhorado do que acontecera na Band, as mesmas promessas, as mesmas acusações de parte a parte, o mesmo vazio de idéias... De bom apenas a impressão, portanto altamente subjetiva, de que Lula recuperara a forma, estava mais à vontade, menos tenso e que Alckmin voltara a ser o Alckmin de antes, mais calmo, sereno, cavalheiro como ele é e não o "chuchu apimentado", como disse Simão. No mais, tudo igual.


  • O fato é que depois das mil e uma cagadas do Duda Mendonça, os grandes publicitários se afastaram das campanhas políticas e colocaram-se onde sempre estiveram, quietinhos, por trás das câmeras e não sendo as estrelas do espetáculo. Para falar a verdade, nem sei quem são os marqueteiros das duas campanhas nesse ano.


  • Por falar em Duda Mendonça, o sujeito deve ser um verdadeiro poço de pesquisas freudianas, sua infância ou foi violenta ou muito mimada. O sujeito adora ver animais sendo maltratados. Depois de ser pego numa rinha de galos pela Polícia Federal, agora o vejo numa vaquejada no Tocantins transmitida pela Tv Diário de Fortaleza. Essa vaquejada deveria ser probida como o foi a Farra do Boi em Santa Catarina, de bom só quando o cavaleiro cai do cavalo, assim ele sente o que o boi sente.


  • Essa charge do Vasqs combina direitinho com o que venho falando aqui da empáfia dos fanáticos que defendem uma candidatura sem analisar friamente sua própria campanha e as dos adversários. Ontem, por exemplo, li num blog o sujeito desancando os intelectuais que apóiam Lula. Para ele Oscar Niemeyer, Ariano Suassuna, Chico Buarque, o físico Pingelli Rosa, Wagner Tiso e Augusto Boal são intelectuais inexpressivos e ultrapassados, como se a intelectualidade tivesse prazo de validade.
    Nisso fica clara a nova polícia ideológica que tem voltado forte em ambos os lados da campanha e a imbecilidade fantasiada de sapiência que alguns tomam como verdadeiras.
    Para esse blogueiro devem ser intelectuais de verade apenas os que apóiam Alckimin como Fábio Konder Comparato, Marilena Chauí, Francisco de Oliveira, Aziz Ab'Sabere Octávio Ianni.
    Das duas uma, ou o sujeito é um grande imbecil ou um gênio daqueles a quem a humanidade ainda não deu seu devido valor. Eu fico com a primeira alternativa.


  • José Dirceu de novo? Se ficarem comprovadas as denúncias, será a comprovação também de que os verdadeiros bandidos sempre reincidem.


  • Já viram Ben Aflleck bebum e passando a mão na repórter? Se bem que a mocinha não fez cara de quem nãos gostou. Essas celebridades...


  • Gripado e sem qualquer disposição para ir à farra, caí na besteira de assistir à novela das oito, que começa depois das nove, na Globo. Nem em teatrinho escolar vitanto ator ruim junto de uma só vez. O que está acontecendo com a direção artística da emissora? Nunca mais!

sábado, outubro 21, 2006

quinta-feira, outubro 19, 2006

Há dias venho me segurando para não falar disso (vejam o post do dia 13 de outubro). Os comentários ainda são piores que o texto. Até entendo a ira e a indignação da Shirlei, embora discorde diametralmente de seus argumentos, mas seus amigos, que se dizem cultos e inteligentes... São daqueles a quem me referi no post do dia 16, os que acham imbecis todos os que não votam como eles, que não pensam como eles, que não ouvem as mesmas músicas que eles, que não gostam dos mesmos pratos deles ou comem coisas que eles jamais comeriam. IMBECIS! Hitler também era um sujeito inteligente e culto.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Il Dolore, Gabriela Bernales


O Matador


Selestério, com seu cabelo sempre na gomalina, óculos escuros de lentes enormes, camisas quadriculadas de mangas curtas dobradas duas vezes para mostrar os bíceps avantajados, um indefectível palito entre os dentes quando não estava mascando fumo de rolo, era o homem mau do lugar. Nem mesmo os poucos que o conheciam desde menino e conseguiram viver até a fase adulta lembravam-se de terem visto um sorriso sob seu nariz.

Era o Capiroto encarnado, diziam as beatas. Quando sabia que Selestério estava na cidade, o delegado e seus samangos inventavam uma missão em uma roça distante. O jiz mandava um bedel procurá-lo para pedir permissão para qualquer coisa, até casamento.

Diziam que matara mais de cem. Mesmo os que viam exagero nesses números, não duvidavam.

Matara o ceguinho que sujara seu braço com lama de caranguejo ao lhe pedir uma esmola; matara o padre porque seu afilhado chorara ao receber a água benta fria na moleira durante o batismo; matara Godiana, a prostituta, por ela ter espalhado que fingira um orgasmo para deixá-lo feliz; matara o motorista da cata-nica semanal porque o ônibus levantara poeira sujando suas botas sempre lustradas; matara um vira-lata que se deitara na porta da bodega impedindo sua passagem, e assim e mais era composta sua lista desconhecida até o final.

Matava também por aluguel e não mostrava escrúpulo, era rápido e profissional nas missões. Matava homens, mulheres, velhos, crianças, cavalos, tartarugas... Lhe pagando o combinado, matava. O procuravam, ofereciam o trabalho, acertavam o preço, ele executava e parecia para receber.

Por duas vezes contratantes tratantes tentaram lhe passar a perna. O primeiro, valentão, simplesmente dissera que não pagaria, olhos nos olhos de Selestério. Não teve a chance de repetir o calote. O segundo encomendou o serviço. Selestério saiu por um lado em busca do encomendado, o encomendador saiu pelo outro rumo à saída da cidade. Ao voltar para receber seu dinheiro, ainda com sangue nos olhos, ao não encontrar o comprador ocasional, na mesma passada seguiu seu rastro. Reapareceu dois dias depois com o chapéu do, dizem, morto - nunca mais o viram - e no bolso muito dinheiro, mais do que o triplo do que pedira antes.

Ao passar todos se levantavam. Não tinham coragem de lhe dirigir a palavra sem que ele falasse primeiro, não ousavam não lhe responder quando ele solicitasse, se bem que ele nunca solicitava, um olhar por trás das enormes lentes escuras eram uma ordem.

Certa noite, numa roda de cachaça, alguém ousou cometer a indiscrição de comentar que Selestério estava diferente, já não tinha mais a mesma coluna ereta e cabeça em pé.

Caliostro, um gazo magrelinha de dentes podres, puxa-saco declarado do matador em troca de meia dúzia de moedas, ouvindo aquilo saiu em disparada para contar a Selestério que alguém falava mal dele. A cidade andava muito monótona, uma mortezinha poderia dar uma animada nas coisas.

Ao ouvir o relato do cagoete, sequer levantou uma sobrancelha para a decepção do dedo-duro.

Agora eram dois sujeitos sem brilho andando pelas ruas. Selestério que definhava dia após dia e Caliostro que perdera a fonte de suas seis moedas, alguns passos atrás.

Já não arregaçava as mangas, não escondia mais os olhos agora cheio de olheiras, nada mais de gomalina, suas botas antes pretas já se mostravam marrons de poeira, arrastava os pés.

Cresciam as especulações sobre tais mudanças. Era câncer; não, remorso; seus fantasmas voltavam para cobrar suas vidas; não, se convertera e era adventista; que nada, era apenas a velhice chegando...

As dúvidas e especulações tiveram fim na noite em que Belenilda, crioula enorme, peitos enormes, bunda enorme, voz num volume enorme, arrancou Selestério pelas orelhas do tamborete onde se aboletara tomando pinga.

- Já pra casa, vagabundo! - gritava - Isso lá é hora de hômi casado ficá nos buteco encheno a cara? Passa já!

E pelas ruas foi levando Selestério, tabefes na cabeça, tamancada no lombo, murro nas costelas, empurrão, tudo isso ao mesmo tempo que xingava o cordeirinho, a mãe do cordeirinho, a madrinha do cordeirinho...

terça-feira, outubro 17, 2006

Fantasias d'água

O pequeno Agnobaldo, depois de alimentar as galinhas e os porcos e de ordenhar as vacas, pegava o caniço, a linha, o anzol, o embornal sempre carregado com a faquinha afiada, um rolo de barbante, chumbadas, um rolo extra de linha de nylon e mais algumas poucas tralhas que poderiam ser úteis na pescaria, ia para a beira do rio, sentava-se à sombra do ingazeiro e se divertia enquanto sonhava.

Na preguiça do meio da manhã lançava a isca que às vezes era minhoca, outras minhocuçu, tapuru de coco ou nacos de broa de milho que não fora consumida no dia anterior.

A canção das águas alimentava os sonhos. Não precisava dormir para viajar nos desejos, as melhores fantasias. Olhando as nuvens ou com o chapéu de palha cobrindo os olhos enquanto repousava a cabeça na pedra lisa, via-se pescando um bagre duas vezes seus tamanho, lutava para tirar o bicho da água, barbatanas abertas e afiadas como a espada do pirata que combatia, o homem mau, barbudo e fedorento que invadira a roça, a terrinha em que nascera, para roubar as galinhas, beber os ovos feito doninha, peiar os porcos e jogá-los num enorme saco de estopa e levar para a farra dos marujos embarcados. Agnobaldo, valente, lutava com o homem sem coração armado apenas com sua faquinha de pesca, salvava os bichos e expulsava o pirata com um pontapé na bunda. Sorria sob o chapéu vendo a fuga do bandido.

A cantiga do rio e o som da passarada eram a melodia que acompanhava seu namoro com Rosenilma, tão bonita em seu vestido de algodão florido, a fitinha verde prendendo os cabelos num rabo de cavalo que balançava suave como o pêndulo do relógio que tiquetaqueava na sala, hipnotizando-o por horas, ele olhando o ir e vir, contando sem saber contar.

Carregava a amada no colo para atravessarem o córrego e nem cansava; subia com a agilidade de um sagüi até o olho do pé de fruta-pão para pegar o fruto que ela insistia em querer; galopava mais rápido que as águas da cachoeira, a tomava pela cintura antes que a sela com a barrigueira solta que Rosenilma montava a jogasse ao chão. Pelas provas de seu amor, recebia um beijo apaixonado na boca da noite, a lua redonda e amarela saindo enorme do boqueirão.

No soninho acordado descia o rio até o mar, enfrentava as ondas gigantes que seu Olavo contava que vira quando viera da Europa, vencia a grande serpente que engolia barcos inteiros, vomitava seus móveis e nunca devolvia os homens e mulheres de volta à luz. Com o couro da serpente enchia os vagões do trem num enorme rolo furtacor; espalhava o couro por toda a praça, cortava em grandes quadrados e doava para os homens cobrirem suas casas, para as mulheres fazerem seus vestidos, para os pescadores construírem suas velas e para Rosenilma costurar as roupas dela e dele para suas núpcias.

Amando a paz da roça, o som veludoso das águas que nunca acabavam, descendo lá da serra, amando Rosenilma, seu pai Jedimar, a mãe Celinéia a quem ainda presentearia com a caixinha de música de madrepérola que vira no armazém do carcamano, salvando o mundos dos perigos, fazendo mil duzentos e cinqüenta e quatro gols na pelada de domingo, acertando a lata de querosene no outro lado da praça na primeira tentativa com o estilingue, Agnobaldo foi chamado à realidade. O caniço dá-lhe um puxão, o piau mordera, luta rápida, nem dá pra suar.

Retira o bicho do anzol, pendura por um barbante atravessando a guelra e passando pela boca, volta na mesma tranqüilidade, assoviando pela picada rumo a casa, o almoço balançando na ponta do caniço.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Clauro, O Imparcial, SP


Alguém aí já percebeu que gosto de política? Pôxa, como vocês são perspicazes... Pois é, gosto de política, de discutir política e para discuti-la procuro me informar. Se informar não significa simplesmente ler jornais e revistas, assistir aos telejornais, ouvir rádio... É necessário aprender a triar as informações que nos chegam.

Confesso que às vezes sou enganado, mas desde a adolescência, sob a influência do maior guru que tive, Cláudio Barradas, meu professor de teatro, que venho exercitando a leitura do subtexto e do pretexto. O texto é apenas a formas, o que se diz ou se quer dizer de verdade, está escondido nas entrelinhas.

A mesma notícia recebe enfoques às vezes até antagônicos de um veículo para outro. O que sai de um jeito na Veja, por exemplo, pode sair de outro na Isto É. A notícia é a mesma, mas sutis palavras mudam a interpretação, mister se faz de se ficar atento às armadilhas da língua.

Em tempos de eleição todo eleitor que se diz "consciente" procura informações e tende a acreditar em tudo o que lê. Com o acesso maior à internet, maior poço de meias verdades e mentiras fantasiadas de seriedade, os boatos eleitoreiros se espalham com a facilidade de fofca em aldeia pequena.

Sujeitos ditos intelectualizados, cultos, estudiosos, graduados em grandes universidades, utilizam-se de seus currículos para darem ar de verdade nas inseguranças, maldades, desinformações que disseminam, todas com a intenção de fazerem críveis as propostas dos candidatos que defendem.

Os que não se dão ao trabalho de analisar o que lêem, a maioria de nós, a bem da verdade, lêem, copiam e espalham como se fossem fatos irrefutáveis.

Esses criadores e/ou disseminadores de mentiras depois que seus candidatos são derrotados passam a ofender os eleitores chamando-os de burros, desinformados, imbecis e coisas piores, muitas vezes beirando a discriminação social, racial, regional. Eles, os mentirosos, sim, são os sábios, os bem informados, os donos da verdade, os únicos certos.

Semana passada, conversando com dois amigos, um veterinário muito bem conceituado na região e o outro fazendeiro, grande exportados de frutas para o exterior, ambos defendiam seus candidatos mais falando mal do candidato adversário do que mostrando as vantagens daquele a quem pretensamente defendiam.

Lá para as tantas, o veterinário confessou "voto em fulano porque ele vai ser melhor para a minha atividade profissional". Ah, bom! E não é assim que quase todos os eleitores , inclusive os "conscientes", escolhem seus candidatos? Poucos de nós analisam o todo, o comum é nos restringirmos ao nosso microuniverso. Pouco se nos dá se o vizinho ou outro estado vai sair ganhando ou perdendo, se os demais profissionais dar-se -ão bem; farinha pouca, meu pirão primeiro. Exatamente aquilo que condenamos nos políticos. Se está certo ou errado? Cada um que julgue segundo seus princípios.

O fazendeiro todo santo dia envia dezenas de mensagens via Orkut ou via e-mail, todas sobre o candidato adversário ao seu. a maioria delas são falácias, mentiras, falsas notícias, distorções dos fatos e da verdade. Vem se justificar dizendo que faltam informações aos eleitores, que está ajudando a conscientizar seua amigos eleitores. É assim que essas pessoas pensam: "informação boa é informação que me interessa", nem que seja informação falsa.

Tire a dúvida. Quando receber uma mensagem do tipo, cheque o link e verá que muitos deles são falsos ou são de origem indubitável e declaradamente defensora de uma das candidaturas, não há imparcialidade, como, por exemplo, CUT por um lado, ou Clube Militar do outro; MST de um lado, Fiesp de outro; Carta Capital de um lado, ou Veja do outro; sem falar nas dezenas de blogs compromissados com um dos candidatos.

Leiam, triem, analisem. Não se deixem emprenhar pelos ouvidos ou pelos olhos.

Na verdade, minha intenção com esse texto era falar de uma situação específica que me decepcionou e irritou na blogosfera esses dias, mas deixa pra lá, talvez outra vez.

sábado, outubro 14, 2006

Aroeira, O Dia, RJ


Por duas vezes eu já havia comentado sobre isso aqui: agressões de candidatos contra concorrentes são contraproducentes. O povão dá risada de candidatos bisonhos, gosta de ver bate-boca, adora uma baixaria, mas, de eleição para eleição, tem deixado de fora das urnas aqueles que baixam o nível das campanhas. A última prova foi o que aconteceu com Alkmin depois do último debate.
Não é postura pessoal do tucano falar grosso, dar porrada, agredir quem quer que seja, muito pelo contrário. Alckmin é um homem polido, bem educado, inteligente, um verdadeiro cavalheiro, mas cometeu um erro estratégico que está saindo caro. Com uma postura mais digna das hienas pefelistas do que dos letrados tucanos,partiu para a luta franca, deixou seus partidários e torcedores com a impressão de que havia massacrado Lula, mas aí vieram as pesquisas. Não colou e, pior, arranhou a imagem do Geraldo.
Se Lula foi motivo de chacota depois que assumiu a postura paz e amor na última eleição, mas ganhou a presidência, Alckmin está tentando seguir o caminho contrário. De homem da boa paz partiu para a postura beligerante e está perdendo valiosos pontos por causa disso. Mais uma prova que sua coordenação de campanha tem cometido mais erros que acertos desde o começo da campanha. A própria disputa novelística do partido para decidir-se qual seria seu candidato causou desgaste na imagem tucana, para encerrar, parte para uma praia que não é a sua e totalmente desconhecida pela elite do partido.
FHC baixar o malho a torto e a direito era de se esperar, faz mais sua cara, mas bastava ele, o Arthor Virgílio, que é chegado a um barraco e até ameaçou de morte um cidadão amazonense que entrou em pendengas com seu filho, mas Alckmin e Serra não são íntimos dessa tática, agora estão num dilema: voltar às origens e mostrarem-se como sujeitos cordatos ou continuar ouvindo as hienas correndo o risco de pegar o elevador rumo ao térreo. Esperemos para ver.



Por falar em Alckin e contradições, o tucano foi ao Santuário de Aparecida e deu de cara com Suplicy. Sentados à mesma mesa, Suplicy aproveitou a oportunidade para contradizer algumas afirmativas de Alckmin sobre o governo Lula. Alckmin disse que não responderia a Suplicy porque religião e política não devem se misturar e aquele não era o fórum adequado para esse tipo de discussão. Teria ganhado a simpatia de milhares de pessoas presentes se, logo em seguida, não gastasse mais de cinco minutos falando de sua plataforma eleitoral. Acertou o martelo no próprio dedo.



Quer dizer que em plena crise com as possíveis explosões atômicas da Coréia do Sul a capenga ONU elege como Primeiro Secretário um sul coreano... Sei... Os Estados Unidos, mais uma vez, fazem besteira.




Não sei se isso está acontecendo em todos os lugares, mas uma coisa estranha tem acontecido aqui em Eunápolis. Segundo turno correndo solto, governador eleito no primeiro turno e as únicas propagandas que vemos nas ruas, principalmente em carros de som, são lulistas. Parece que tucanos e hienas botaram as respectivas basbas em molho de salmoura.




A Justiça de Santa Catarina obrigou Lusimar Souza a pagar uma indenização de R$ 40, 5 mil reais à família de um homem a quem ele surrou violentamente e que veio a falecer por conta dos ferimentos sofridos. Gostei disso. O sujeito, além da cana dura, ainda terá que pagar à família em dinheiro. Essa é uma daquelas medidas judiciais que poderiam tornar-se lei e senso comum. Parabéns ao juíz.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Johann Heinrich Füssli


Tédio

Já contei todas as telhas do meu teto irregular. Já decorei as goteiras e as teias geométricas tentando enganar o tédio.
Sobra tempo e falta espaço no caminho entre a cama e a cozinha, já decorado de olhos fechados.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Sombras del sueño


Sombras


Sombras assombradas procuram a luz e acham vaga-lumes apagados circulando bêbados ao redor da lua nova.
Sombras sem luz assustam mariposas e morcegos, bichos do escuro, que fogem loucos atrás de suas próprias sombras escondidas nas copas, entre raízes de samaumeiras.
Tudo escuro à meia-noite...

terça-feira, outubro 10, 2006

Bello, Tribuna de Minas, MG


  • Dossiê: S. m. Coleção de documentos referentes a certo processo, a determinado assunto, ou a certo indivíduo, etc. (Dicionário Aurélio Escolar da Língua Portuguesa).
    Aos poucos que ainda não entenderam. Fazer dossiê, não é crime. A maioria de nós já fez algum dossiê na vida. Vender dossiê também não é crime. Por exemplo, o sujeito estuda a possibilidade de comprar uma fazenda, contrata um corretor de imóveis e pede para que ele faça um levantamento sobre a propriedade, a qualidade das terras, a quantidade de água, a vizinhança... O corretor faz um dossiê e o vende ao contratante. Qual é, então, a celeuma dessa história toda de Dossiê "Tabajara" que mudou o curso da eleição presidencial? Na origem dos R$ 1,7 milhão. Simples assim. Existe prova de que o dinheiro é ilegal? Ainda não, apenas fortes suposições. E o que falta? Falta a Polícia Federal determinar a origem da dinheirama. E por que ainda não o fez? Porque quem tramou toda a negociação não é novato nesse tipo de coisa. Pelo tanto de notas miúdas de reais, boa parte dessa grana veio da circulação só que, segundo a própria PF desconfia, circulação por círculos ilícitos, como jogo do bicho, cassinos, sonegação... Assim sendo, fica quase impossível determinar dua origem pelo dinheiro em si. Outras pistas, como anotações, cifras, carimbos, documentos, caligrafias e coisas que tais é que poderão ajudar ou não nas investigações.

  • Qual é o partido que tem sempre gente envolvida em quase todos os escândalos recentes da República juntamente com o PFL e o PMDB? Um doce para quem respondeu PTB. E não é pra lá que o Collor está se mudando de mala e cuia depois que seu minúsculo PRTB não ultrapassou as exigências mínimas da Cláusula de Barreira? Igualzinho a '89, quando ele se elegeu pelo hoje finado PRN. Pelo visto, pau que nasce torto, morre torto mesmo.

  • Tolinhos, não acreditem em tudo o que lêem, por favor. Quando vocês virem alguém falando que o PMDB está rachado, desconfiem. Como é que pode o maior partido brasileiro sequer lançar candidato próprio à presidência? Simples. Assim ele se divide propositadamente, uma parte apóia Lula, outra apóia Alckmin. Ganhe quem ganhar, o PMDB continua pongado no poder, sacaram?

  • Sessão Marquinhos de Ogum: Clodovil não completará seu mandato. Em entrevista ele já adiantou que se venderá dependendo de quanto oferecerem pelo seu voto para a aprovação de um projeto de lei. Que por pouco não se sujará. Essas declarações já causaram furor em parlamentares sérios, como Suplicy. Os demais, lógico, fizeram de conta que não ouviram nada, não sabem de nada, que o papo não é com eles.
    Clodovil já enrolou uma corda no próprio pescoço, na primeira oportunidade um espertinho abrirá o cadafalço.

  • Há tempos eu não via um cara tão chato na televisão brasileira quanto aquele tal "Doutor Bactéria" do Fantástico. Um sujeito daqueles jamais me teria como amigo.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Benett, Diário de Campos, PR

  • Alckimin chegou agressivo, como qualquer eleitor minimamente atento sabia que viria. A primeira pergunta dele para Lula, foi exatamentye a última pergunta dele para Lula: "De onde vieram os 1,7 milhão para a compra do dossiê?". Da primeira vez, Lula foi inteligente na resposta: "Eu também quero saber de onde veio o dinheiro, mas, mais que isso, quero saber quem pagou, quem foram os mandantes e quem preparou essa armadilha. O maior prejudicado nesse episódio fui eu. Sua candidatura cresceu com ele". Não deixa de ter razão nessa conclusão.

    Lula, com essa resposta, deixou no ar uma desconfiança de que o tal dossiê, que ninguém viu, mas que todos dizer ser vazio, idiota, que não tem nada de mais, poderia ter sido uma armadilha de seus opositores. Isso é plausível, ou alguém esqueceu dos milhares de dólares encontrados no cofre do marido de Roseana Sarney, quatro anos atrás, justamente quando ela ensaiava sair como candidata do PFL à presidência da República. Quem lembra desse episódio, deve lembrar-se também que naquela ocasião ela estava disparando ladeira acima, ameaçando a posição de Serra, que se encontrava em segundo lugar nas pesquisas. Se já fizeram uma vez, quem duvida que seriam capazes de fazer de novo?

    Voltando ao debate. Lula entrou tenso, sabendo que viriam bordoadas e acusações. O tom agressivo de Alckimin tentava inibir Lula e conseguia, porém não muito. Enferrujado em debates, uma vez que sequer tem dado entrevistas. Nos últimos quatro anos deu apenas uma coletiva e algumas exclusivas esporádicas, Lula se esforçava para manter a linha. À vontade, Alckimin atacava. Ambos desvirtuavam as perguntas mais capiciosas, esquivavam-se, não respondiam e mudavam de assunto, muitas vezes sem nenhuma sutileza.

    Nos terceiro e quarto blocos do debate, acabou o gás de Alckimin, demonstrando que ele havia chegado com meia dúzia de denúncias, suposições e ataques ensaiados. Havia batido, mas não conseguira encurralar Lula no corner, longe de conseguir um knock-out. Aí foi a vez de Lula se reerguer e partir para o ataque. Sagaz, depois de ter sido chamado de mentiroso, pedir direito de resposta e não ser atendido, Lula sentiu-se à vontade para também xingar o adversário, sabendo que não seria admoestado pela produção do programa. Eu esperava que Lula, a qualquer momento, pedisse explicações de Alckimin sobre as denúncias contra a esposa e a filha do tucano. Uma envolvida no caso dos 400 vestidos e em má aplicação de verbas de programas sociais, a outra envolvida no escândalo da Daslu. Mas Lula, fazendo jus ao que ele próprio afirma de que não faz acusações levianas, não envolve as famílias dos adversários, suas vidas privadas em campanha, deixou esses episódios de fora. Não vi qualquer jornalista comentar sobre isso até o momento, assim como Alckimin não fez referências aos negócios suspeitos do filho do presidente ou dos gastos pessoais excessivos da primeira dama. Talvez um não quisesse que o outro apelasse como resposta. Melhor deixar as famílias de fora.

    No quarto bloco, quando quatro jornalistas tiveram direito a perguntas, Lula se saiu melhor. Alckimin persistiu na estratégia de ser vago nas respostas, não ser direto, como, por exemplo, Joelmir Betting perguntou sobre os cortes de gastos que Alckimin disse que faria. Apenas se referiu aos altos impostos, mas não se comprometeu em baixá-los, e sobre o corte de cargos comissionados, coisa que Aldo Rebelo já fez no Congresso. São medidas necessárias e louváveis, mas são cortes pífios em se tratando do total de gastos do governo federal.

    No quinto bloco, quando das considerações finais dos candidatos, Lula foi sóbrio, quase lacônico, enquanto Alckimin foi mais incisivo, mas cometeu um erro que os eleitores já se cansaram de ouvir, pediu "seu voto de confiança". Todos os candidatos pedem isso, de senador de São Paulo ao prefeito de Quixeramobim. No subconsciente do eleitor isso martela como um apelo desesperado, ele faz paralelos com os parlamentares e governantes em quem já votou e não corresponderam às suas expectativas.

    Minha conclusão é que ninguém mudou seu voto, apenas conheceu melhor as características dos candidatos, mais de Alckimin, desconhecido da maioria dos brasileiros, do que de Lula, conhecido por todos desde 1980. Minhas impressões se solidificaram hoje, conversando com os colegas de trabalho. Suas impressões dos candidatos não mudaram. O que apóiam tinham sua simpatia e haviam ganhado o debate, o adversário foi fraco, não disse coisa com coisa. Esperemos as próximas pesquisas e vejamos se mudou alguma coisa.

domingo, outubro 08, 2006

Ique, Jornal do Brasil, RJ


  • São todos iguais... Os tucanos vivem falando dos excessos de gastos, do inchaço do estado, do número excessivo de funcionários públicos, da Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada no governo FHC e uma grande conquista para o Brasil, mas no calor da disputa do segundo turno, Alckimin garante que não diminuirá o número de funcionários caso seja eleito, mesmo dizendo que "o Estado é dominado pelos amigos do PT". Ué, e deveria ser diferente? Não sei se ele percebeu, mas o presidente é do PT. Trocando em miúdos, nada muda.

  • Pré debate: tudo indica que os dois candidatos evitaram responder às perguntas no debate de hoje. Enrolarão e falarão mal um do outro. Programa, que é bom, pouca coisa será dita.

  • Fidel está mesmo morrendo? Muito provável. Raul conseguirá manter a linha fidelista? Provavelmente. Os EUA ficarão quietos e deixarão a história seguir seu rumo naturalmente? Duvido. Vai ser Fidel morrer e Bush e seus abutres começarem a mexer os pauzinhos para um golpe. Se houver derrammento de sangue, eles poucos se importarão. Estou começando a temer pelo cidadão cubano.

  • O astronauta Marcos Pontes agora tem um blog. Bom ler de seus próprios dedos certas explicações. Confiram e julguem.

  • Hoje é dia de Círio de Nazaré, uma das maiores festas católicas brasileiras, em Belém. Eu adorava participar dos festejos que demoram dias. Nada religioso, eu gosto mesmo é da festa pagã. O arraial montado perto da Basílica e, principalmente, a maniçoba que tem em todas as casas, ricas, pobres ou remediadas. A maniçoba está para o Círio dos belenenses, assim como o peru está para o Nata dos demais brasileiros. A cidade ferve, as pessoas se comportam de maneira mais solidária. A procissão em si acontece hoje, mas antes já aconteceu o translado da imagem que é levada do Colégio Gentil Bittencourt até a Catedral; já aconteceu a procissão marítima; a imagem já foi levada até o distrito de Icoaraci. Não é, portanto, uma única procissão. A de hoje é o encerramento da "peregrinação" da Santa, que será levada da Matriz para a Basílica, onde fica o restante do ano. Belém está em festa e isso aumenta minha vontade de passear por lá um dia. Parabéns aos paraenses e vida longa.l

sábado, outubro 07, 2006

Aroeira, O Dia, RJ


  • Sonhei que eu assassinava o senador ACM dentro de seu gabinete no Congresso com um tiro na cabeça, depois fazia sexo com minha namorada sobre a bancada de um senador em plena sessão do Senado. Os parlamentares e a assistência nem prestavam atenção em nós. Nõa sei o que colocaram na minha cerveja ontem à noite, mas quero mais.

  • Sou do tempo em que os telefones faziam trrrriiiiiimmm.

  • Como eu previra, a Bolívia, antes de ser destruída por Evo Morales já está se auto-destruindo. Das duas uma, ou vai acontecer uma guerra civil ou os militares voltarão a dar um golpe de estado. Aliás, os EUA estão doidinhos que isso aconteça.

  • Há trinta e três anos m0rreu nos Estados Uninos, depois de ser atropelado por um carro na Carolina do Norte, o homem que criou o rocesso de separação dos componentes do sangue, processo comumente usado na medicina e que salva milhares e milhares de vidas todos os anos. O cientista, de quem não consigo lembraro nome agora, foi levado a um hospital, mas não foi atendido. Morreu de hemorragia. Irônico, não? Detalhe, o hospital se recusou aatendê-lo porque o hospital era somente para brancos e o homem era negro. Deprimente, não?

  • O Datafolha divulgou pesquisa ontem dando 7% de vantagem para Lula, mas essa pesquisa estará velha na segunda-feira depois do debate.

  • O PFL, partido das hienas, estuda a possibilidade de punir Roseana Sarney, que apóia Lula. O que eles não perceberam é que Roseana não é do PFL, mas do Partido da Oligarquia Familiar Sarney.

  • Uma ONG estadunidense pede que a polícia brasileira não participe das investigações do choque do Legacy com o Boeing da Gol. Péraí, deixa eu ver se entendi direito. Se a polícia não participar das investigações, quem o fará? O FBI? Estão de brincadeira conosco. E a Condoleezza Rice já está mexendo os pauzinhos em defesa dos pilotos. Vou ficar desapontadíssimo se as autoridades brasileiras se curvarem à sujeita e sua troupe.

  • Por que os jornais sempre estampam a manchete "Récorde Histórico na Bolsa de Valores"? Histórico? Ninguém sequer lembra que récorde foi esse no dia seguinte.

  • O que ou quanto será que ofereceram à ex-juíza Denise Frossard para que ela voltasse atrás na sua intenção de não apoiar Alckimin? Depois de quatro horas de reunião com os líderes do PPS ela aparece diante das câmeras e diz que voltou atrás e que apoiará o tucano. Não tem gente séria mesmo nessa política brasileira...

  • Leiam isso e divirtam-se com a pseudo-ciência e seus inúteis hilariantes.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Zope

Antes que alguém veja alguma parcialidade no fato de eu postar essa charge, melhor explicar. Anteontem eu falei justamente da falta de charges mostrando o Alckimin de saltos altos, reflexo de sua confiança renovada, como fizeram dezenas de vezes com Lula. Para queimar minha pena, o Zope saiu com essa hoje.

Santiago, Jornal do Comércio, RS

Pra completar, o Santiago termina de ilustrar meu penúltimo post, por conta da bronca que tenho com a imprensa parcial que tenta se passar por veículo de informação, apenas. Até parece que os chargistas lêem esse blog... Quem dera o fizessem.

Na verdade fiquei até bem impressionado com algumas das charges apresentadas no Charge On Line hoje. Tem desenhos lulistas, desenhos alckimistas e desenhos neutros. Há tempo não via isso. Vale a pena conferir.



Os homens-bomba contam com a recepção de 70 virgens no Paraíso. E aqueles que se explodem e não matam ninguém, como são recepcionados? deveriam levar 70 bifas na orelha para deixarem de ser incompetentes.



O casal Garotinho faz caca até quando não quer. O buchicho que está dando esse apoio deles ao candidato tucano não é pouca coisa.
A juíza Denise Bossal, ou melhor, Frossard, disse que votaria nulo ontem, mas hoje já voltou atrás, disse que não anulará o voto, mas ainda não aderiu a nenhuma candidatura. Pronto, depois de Brizola, César Maia e os Garotinhos, o Rio de Janeiro criou mais uma política chegada a criar factóides. Tudo bem, o Brizola não é carioca, mas sua ressurreição depois do exílio ocorreu ali.



45% de renovação do Congresso é um número razoável, mas, em compensação, cada sujeito que arrumaram... Hilariante, para não se chorar, a entrevista de Clodovil.
Repórter: O que o senhor pretende fazer na Câmara dos Deputados?
Clodovil: Sei lá!
E aposto que seus eleitores nem se arrependeram.



Uma coisa é de se admirar na imprensa estadunidense, ela defende seus cidadãos a todo custo.
O jornalista que estava a bordo do Legacy bombardeou o controle de tráfego aéreo do Brasil. Não se deu sequer ao trabalho de ver as estatísticas. Na América Latina há 3,1 acidentes em 1000 acidentes, no Brasil esse índice é de 0,8. Ou seja, estamos 4 vezes melhor que o restante do sub-continente, o que não é pouca coisa.
Hoje vem um jornal os Estados Unidos levantando a suspeita de que os transponder do Legacy, fabricado pela Embraer e não por uma empresa deles, estaria com defeito. Cá pra nós, como uma das empresas líderes mundiais na fabricação de jatos de pequeno porte, exportadora para dezenas de países, não teria testado ítem por ítem, como é norma internacional, do avião antes de entregá-lo aos seus compradores? É possível? É. Mas praticamente improvável. Irresponsabilidade de quem divulga uma notícia dessas sem checar primeiro.
As análises já mostraram que a torre de controle tentou entrar em contato 4 vezes com o jatinho e não obteve resposta. estaria o rádio tambpém com defeito ou não tinha ninguém na cabine para atendê-lo?
Essa imprensa ajuda os cidadãos estadunidenses a criarem repulsa pelos cidadãos dos outros países, não livram nem a cara de aliados europeus ou mesmo o Canadá, e depois dizem não entender porque seu país é tão odiado no exterior.

quarta-feira, outubro 04, 2006

Poetas y Pintores


Guardanapos de Papel


Na minha cidade tem poetas que chegam sem tambores nem trombetas e sempre aparecem quando menos aguardados, guardados entre livros e sapatos em baús empoeirados. Saem de recônditos lugares, nos ares, onde vivem com seus pares e convivem com fantasmas multicores de cores que te pintam as olheiras e te pedem que não chores.

Suas ilusões são repartidas, partidas entre mortos e feridas, mas existem com palavras confundidadas, fundidas ao seu triste passo lento pelas ruas e avenidas. Não desejam glórias nem medalhas, se contentam com migalhas de canções e brincadeiras, com seus versos dispersos, obcecados pela busca de tesouros submersos. Fazem quatrocentos mil projetos que jamais são alcançados, cansados.

Nada disso importa enquanto eles escrevem o que sabem que não sabem e o que dizem que não devem.

Andam pelas ruas os poetas como se fossem cometas, num estranho céu de estrelas idiotas e outras cujo o brilho sem barulho veste suas caudas tortas.

Na minha cidade tem canetas esvaindo-se em milhares de palavras retorcidas e confusas em delgados guardanapos, feito moscas inconclusas. Andam pelas ruas escrevendo e vendo que eles mesmos vão dizendo, e sendo eles poetas de verdade enquanto espiam e piram, não se cansam de falar o que eles juram que não viram.

Olham para o céu esses poetas como se fossem lunetas lunáticas, lançadas ao espaço e o mundo inteiro fossem vendo pra depois voltarem ao Rio de Janeiro.




Como eu gostaria de ter criado isso... Mas Leo Masliah escreveu primeiro, Milton Nascimento traduziu e gravou no álbum Tambores de Minas. Quem não conhece, não sabe o que perde.

terça-feira, outubro 03, 2006

Bessinha, Charge On Line


  • Já diz o velho ditado, "quem fala o que quer, ouve o que não quer". Sabedor e aplicador disso, não costumo me importar com as opiniões contrárias ao que escrevo aqui. Esse blog é minha boca, extensão da minha voz e o que falo aqui é o mesmo que falo aos meus amigos no trabalho, na mesa de bar, no churrasco de final de semana, seja lá onde for. Se tenho minha opinião, me cabe respeitar a opinão de quem não concorda comigo, e o faço de coração aberto. Se for para discutir, discutiremos até o sol raiar. Uma boa discussão me dá mais ânimo que guaraná em pó.
    Como sei que quem me lê é gente inteligente e bem informada, mesmo aqueles que não gostam de política, como a Gueixa, estou preparado para ler opiniões discordantes da minha. Mais que preparado, acho-as ótimas, quanto mais opiniões e pontos de vista diferentes, melhor poderemos ver a realidade que nos cerca. A Magui, por exemplo, quase sempre discorda de mim e me corrige, certas vezes com fatos, outras tantas com sua opinião pessoal, e nunca reclamei ou achei ruim isso, muito pelo contrário.
    Contudo, algumas coisinhas eu gostaria de deixar bem claro:
  • Desde que Lula assumiu o governo, falei que não gastaria linhas batendo nele ou em seu governo desnecessariamente. Que para muitos isso pareceria partidarismos, mas expliquei que já havia muita gente para massacrá-lo. Gente mais inteligente, informada e ideologicamente contrária ou não. Que eu prefiro criticar os críticos e suas batatadas; prefiro bater nos que se dizem paladinos da justiça, defensores dos reais interesses populares. Prefiro pisar nos calos da imprensa tendenciosa, seja ela de que matiz for, que pinta-se de justiceira e distorce informações a seu bel-prazer e interesses.
  • Se por vezes pareceu que eu pendia, politicamente, para um lado ou para outro, foi por falha nas palavras certas. O único voto que declarei aqui foi para senador, votei em Juca Chaves e justifiquei meu voto. Algumas vezes fiz comentários favoráveis a Lula, ou a Alckimin, ou ao Cristóvam e até mesmo à Heloísa Helena, de quem discordo em quase tudo, e isso, sim, é uma postura declarada. Alguns entenderam isso e recebi elogios certas vezes de leitores que comentavam não ter visto a coisa da maneira que eu vira. Ótimo! Isso paga meu ingresso.

  • A única figura política sobre sempre comentei baixando o tacape foi ACM. Aliás, não foi a única, me referi nos mesmos termos mal educados a todos os que se tornaram vaquinhas de presépio dele. Não gosto desse senhor, não gosto de suas mentiras, não gosto de sua sede imensurável por poder, não gosto de sua praxis política que se utiliza de dossiês que jamais alguém viu, senão os repórteres dos jornais e revistas que o omitem como fonte. Não gosto da chantagem que faz contra prefeitos, governadores, vereadores e parlamentares para conseguir o que quer. Bati palmas e vibrei sozinho, deitado em minha cama, assistindo aos noticiários, quando foi declarada a vitória de Jaques Wagner e João Durval, respectivamente ao governo e ao senado. Não tanto pelas duas figuras vitoriosas, a despeito de conhecer o senador João Durval pessoalmente e ser amigo de muitos de seus familiares, mas pela derrota daquele que se julga dono da Bahia, um dos últimos senhores feudais brasileiros, o manda-chuva da maior oligarquia ainda existente no país.


Isso tudo para dizer que, pela primeira vez, vou justificar um texto por conta de um comentário recebido, aliás, de um dos meus blogueiros prediletos. Ainda estou em dúvida se o identifico, afinal não quero polemizar com ele ou deixar uma idéia errada.

O fato é que seu comentário deu a entender que no texto de ontem, no primeiro tópico, eu propunha que se esquecessem os erros de Lula e de seus partidários. Não foi essa a intenção. O que comentei, agora com outras palavras, é que já que vai haver segundo turno, que os debates sejam em cima de idéias e não apenas de denúncias criminosas, dossiês, lavagem de dinheiro, saguessugas e coisas que tais. Não é mais hora de vermos os denuncismos ocuparem mais espaço que a discussão sadia sobre aquilo que interessa ao total da população, não que os desmandos e prováveis crimes não devam ser apurados, julgados e punidos, caso se comprovem. Não sou eu quem pensa assim, mas o Direito Romano: todos são inocentes até que se prove o contrário. E para investigar, julgar e punir, comprovando-se a culpa, são órgãos capacitados para isso, pelas leis e pelos profissionais responsáveis pela sua aplicação. Não vão ser candidatos, diretamente interessados nos resultados das investigações que o farão.

Nós, eleitores, poderemos nos convencer ou não pelos argumentos apresentados por ambas as partes, mas, depois do voto, excluída uma das partes, o assunto voltará à alçada da Justiça e o vencedor estará com o país nas mãos para governá-lo por quatro anos. Valerá a pena elegê-lo sem ouvir suas propostas? Valerá a pena nos deixarmos governar apenas porque o sujeito era inocente nos episódios escabrosos apresentados, seja qual dos dois for, e não pelas suas idéias?

A imprensa já está, em boa parte, envolvida na campanha direta da oposição, veladamente, fazendo de conta que está prestando o seviço da informação. Tenho dois exemplos para mim bem claros do que estou falando:

Na entrevista coletiva com os diretores da ANAC e o brigadeiro responsável pelo resgate das vítimas do avião da Gol caído no Mato Grosso, uma repórter de um grande jornal de São Paulo perguntou ao presidente da ANAC; "não foi irresponsabilidade do presidente Lula decretar luto de três dias pelos mortos se nem sabemos ainda se há sobreviventes?". A meu ver, pura maldade da jornalista. Mesmo que tivesse morrido apenas uma pessoa, coisa que nem o mais alienado ser humano poderia imaginar, apenas um morto num acidente daquela proporção, já seria motivo mais que suficiente para ser decretado luto. Grave seria se o presidente se omitisse, o que demonstraria que estava fazendo pouco caso, que só tinha olhos para a campanha eleitoral.

O segundo é altamente repetitivo. Há semanas os chargistas de todo o país, salvo raras excessões, têm feito desenhos do presidente Lula de saltos altos, como que menosprezando os adversários. Também acho que a confiança do presidente estava exagerada, mas havia um fundamento inquestionável: todos os institutos de pesquisa apontavam para uma vitória dele no primeiro turno. Do ponto de vista psicológico, isso tem algum efeito sobre o eleitorado ou sobre seus adversários? Claro que sim! Heloísa Helena, mesmo na última semana, quando seus números começaram a cair e, abertas as urnas, no final mostraram ser menores do que os institutos mostravam, demonstrava confiança que iria para o segundo turno. O eleitor quer votar em alguém que lhe transmita confiança. Alckimin mudou de postura, ficou mais agressivo, mais sorridente, mais comunicativo, mostrou-se renovado quando seus números começaram a crescer. Nenhuma charge foi feita com ele sobre saltos altos ou menosprezando qualquer adversário. Essa mensagem dos chargistas é intencional? Não sei. É subliminar? Sem dúvida.

Nunca discuto futebol. Religião e política, adoro discutir, mas nunca o faço com paixão, mas com argumentos, nem sempre fortes, nem sempre aceitos, mas argumentos.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Amorim, Correio do Povo, RS


  • Segundo turno, ótimo! Há meses eu já comentava aqui o descaso que o eleitor está sentindo por aqueles candidatos que pautam sua campanha nas agressões aos adversários. Isso se comprovou. Os agressivos sem argumentos caíram por terra. Que esse segundo turno se baseie nas propostas e projetos. Quem quer ver casos de polícia que ligue na Band ou na Record às seis da tarde. Chega de sanguessugas, dossiês, dólares nas cuecas ou em outros orifícios, de trapalhadas do PT e dos amigos do presidente. Que haja discussão limpa, idéias na mesa e convencimento dentro da ética. E tenho dito!

  • Quércia se ferrou! Maravilha!
    Siqueira Campos se ferrou! Ótimo!
    ACM se deu mal! Fantástico!
    Crivella não vai para o segundo turno! Deus existe!
    Amazonino Mendes e Gilberto Mestrinho levaram chumbo na asa! Há esperança!
    Mas nem tudo são flores. O brasileiro vive pedindo cadeia para os bandidos, mas elegem Maluf como o deputado federal mais votado. De bunda de bebê e cabeça de eleitor a gente sempre sabe o que vai sair, só não sabe quando.

  • Por falar em se dar mal, mais uma vez o Ibope comeu grama em alguns estados, como a Bahia e o Rio Grande do Sul. Aliás, no Rio Grande do Sul é a segunda vez seguida. Acho que a gauchada está sendo mais mineira que os mineiros na hora de revelarem seus votos.

  • Orgasmática a vitória de Jaques Wagner para a governadoria da Bahia. Não tanto pelo próprio Wagner, mas por ter enfiado mais um jiló ao molho de kiwi garganta de ACM a baixo. Depois de César Borges perder a prefeitura de maneira espetacular há dois anos, Paulo Souto teve sua vez. Para fazer barba e bigode, a oposição ainda fez o senador. João Durval, ex-governador, pai do atual prefeito de Salvador, e ex-carlista aplicou uma surra em Rodolfo Tourinho. A bem da verdade, as vitórias de Wagner e Durval consolidou-se em Salvador. No interior ACM e gang ainda tiveram maioria, produto da chantagem que fazem com os prefeitos e funcionários públicos, mas já é alguma coisa.

  • Alagoas perde a senadora extrema-esquerdista HH e ganha um senador extrema-direitista, Collor. Mais maduro, escaldado e depois de pagar sua quarentena de ilegibilidade, 14 anos depois o ex-meio-presidente volta. Não deve mudar seus modos, o exemplo ficou delineado com a prisão do filho do senador ontem, fazendo boca de urna. Espero que Collor tenha realmente aprendido e deixe um pouco seu ego hipertrofiado um pouco de lado e trabalhe sério pelo povo de Alagoas e do país como um todo. Mais uma vez se elegeu por um partido de aluguel, o PRTB, que deverá ser extinto por conta da Cláusula de Barreira. Com quem será que o partidinho se fundirá? O PL? Bem provável.

  • Sensacional a virada de Yeda Crusius no Rio Grande do Sul! Além de dar um a zero nos institutos de pesquisa, ainda deixou o boquirroto Rigoto de fora do segundo turno.

  • Suplicy suou frio. As primeiras urnas paulistas a serem apuradas eram do interior, onde Suplicy não tem grande penetração. Guilherme Afif Domingues, representante da FIESP, dos patrões, portanto, quase deixa um dos três melhores senadores brasileiros de fora do Congresso. Suplicy não costuma fazer campanhas milionárias, sua presença, sua seriedade e seu senso de ética são suficientes para elegê-lo repetidamente, mas, dessa vez, as cagadas do PT respingaram nele. Acredito que o senador será um dos idealizadores do novo PT que necessita surgir para substituir o que está mais nas páginas policiais que nas políticas.

  • 85% dos congressistas sanguessugas dançaram, isso é bom. Só não é ótimo porque ainda sobraram 15%. Quem sabe na próxima...?

  • O crime só não compensa se você não tiver padrinhos políticos fortes. Que o diga Arruda, safadinho e descarado, que depois do escândalo do painel do Senado voltou como deputado federal e agora virou governador do Distrito Federal.

  • Triste conclusão: as mudanças no Congresso Nacional e nas governadorias foram pífias. Os próximo quatro anos serão a repetição dos últimos 506. Nada de relevante acontecerá no legislativo, principalmente. Pena.