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terça-feira, março 08, 2011

Há vida depois de cotas e bolsas?

esmola1

 

O IFBA, Instituto Federal de Educação da Bahia, antigo Cefet, antiga ETFBA, Unidade de Eunápolis, tem 50% das vagas destinados a bolsistas oriundos de escolas públicas, negros, índios e filhos de funcionários. Coincidentemente ou não, este ano contou com 50% de reprovação no primeiro ano dos cursos básicos. O concurso vestibular destinava-se ao preenchimento de 40 vagas para cada curso (Edificações, Meio Ambiente e Enfermagem), mas teve que chamar 60 aprovados. Ou seriam montadas turmas com 60 alunos, o que é impraticável do ponto de vista de qualidade de assimilação dos conteúdos, ou duas de 40, chamando 20 alunos a mais, mantendo turmas do tamanho proposto. A segunda proposta foi vencedora.

Embora se diga ao contrário nos jornais, em relação aos cursos superiores nas universidades federais que usam o dispositivo de cotas, em se tratando de números oficiais, é de se duvidar da veracidade do que nos é apresentado. Faço um paralelo entre a realidade do sistema de cotas com as vidas dos brasileiros que resolvem se aventurar em subempregos na Europa, Estados Unidos ou Japão: só ouvimos falar dos bons resultados, sabendo que muita gente termina se prostituindo, ficando pelas ruas sem renda para poder voltar ou voltam escorraçados. Os jornais e universidades só nos falam dos cotistas que estão entre os primeiros colocados de suas turmas, jamais ouvimos falar dos reprovados, dos desistentes e dos jubilados, se é que há jubilação na maioria das universidades.

Em se tratando de cotas, o caso mais antigo que me lembro é da obrigatoriedade de 20% de mulheres nas coligações partidárias em eleições. Existem 20% de mulheres em cargos eletivos? Dos 27 governadores, 2 são mulheres, menos de 10%. São 12 senadoras, entre os 81, 14,81% do total. Prefeitos das capitais contam com apenas 2 mulheres, o mesmo percentual das governadoras. Entre deputados estaduais e federais e vereadores o percentual de mulheres eleitas também está nesse intervalo. As cotas servem para a candidatura, mas a vontade popular não concorda com a vontade dos legisladores, que criaram as cotas num rasgo de politicismo correto.

Me vem à cabeça as bolsas sociais. Quem está na miséria e tem filho tem direito a Bolsa Família. A contrapartida seria a necessidade desses filhos menores estarem matriculados e frequentando a escola. Mas quem fiscaliza isso? E mais, quanta gente que não teria direito a esse benefício o recebe por conta de mandraquiagens dos órgãos municipais? Até filhos de vereadores Brasil a dentro aparecem entre os beneficiários. Em nome da justiça social, uma falácia esquerdista que dá em nada, a desonestidade latente toma forma e cada brasileiro paga por isso.

E o que acontecerá com essas crianças depois que fizerem dezoito anos? Sabendo que as escolas que elas freqüentam, via de regra, são sucatas cheias de livros doados pelo Estado, com professores desmotivados e mal preparados, mobiliário e equipamentos aos cacos e aprendizado comparável ao que há de pior pelo mundo, essas crianças que viraram fonte de renda de famílias despreparadas podem aspirar destino melhor que a de seus pais ou já contam com um casamento precoce, filhos prematuros e bolsa social hereditária?

Quem precisava de dinheiro para comprar gás, recebia sua cota. Quem tinha filho pequeno, recebia ajuda para comprar leite. Quem vivia em favela recebia grana para a energia e para a água. Quem tinha filho em idade escolar, recebia a Bolsa Escola. Jogaram todas essas esmolas numa bolsa só e todo mundo recebe. Não vou insistir no meu ponto de vista já cansado de explicitar nesse blog, mas, pela última vez, espero, declaro que não sou contra as bolsas desde que sejam medidas emergenciais, mas completamente contrário à idéia de que seja benefício permanente.

Esperaremos quantas gerações para analisarmos os efeitos negativos de cotas e esmolas sociais no desenvolvimento sócio econômico do raiz, a começar pelas regiões mais pobres em que tais benefícios viraram fonte de sustento? Já passou da hora de universidades e ONG não comprometidas com as mentiras oficiais pesquisem a fundo os efeitos que essa política de passar a mão na cabeça trará para os filhos dos esmoladores de hoje.

 

©Marcos Pontes

8 comentários:

PoPa disse...

A coisa toda tomou um tamanho que vai ser muito difícil retornar. Algo parecido com a libreta dos alimentos, em Cuba. Apesar de torpe, seu provável fim deixa os cubanos apavorados.

Anônimo disse...

escrevi uma série de artigos sobre o Bolsa Família em Irecê. Minha cidade de coração.

- Aqui, pelos números apresentados, das 20112 familias, 6778 famílias recebe BF.

Escrevi: Coisas estranhas no BF de Irecê

Sem falar da prima de minha esposa que recebe. O marido trabalha na construção civil, ela é empregada no comércio.

Outra é auxiliar administravia na maior distribuidora de SKOL da região.

Outra aqui em frente, a mais necessitada de todas, recebe alugueis, e trabalha como auxiliar de serviços gerais na loja da VIVO.

É assim o BF de Irecê!

Velvet Poison disse...

Ai, ai... meu mantra: pago meus impostos (muitos e caros) em dia. Quem quiser solidariedade com bolsistas-cotistas que vá pedir ao PT...

@Filonescio disse...

Ótimo texto!
Compartilho de sua opinião. As cotas e bolsas-tudo estão nos levando a uma situação de esmola governamental, instituída e compradora de votos. Manter crianças, negros, famílias inteiras nessa situação de dependência eterna é amputar-lhes mãos e pernas, embora o politicamente correto não veja nada de errado nisso.

CALEIDOSCÓPIO disse...

Penso que as cotas e o bolsa familia desempenham um papel social muito importante aos menos favorecidos: a igualdade social. As cotas favorecem o acesso as universidades àqueles que jamais teriam oportunidade de frequentá-las; o bolsa, o prato de comida.
Abraços,
Artur

Zinha_09 disse...

Este assunto é terrivelmente difícil! Lembro-me de ter lido há algum tempo,qdo D.Rute (essa sim, uma verdadeira 1ªdama),ainda vivia, que ela teve uma divergência c/a equipe e tb c/ o Pres.FHC por não estarem preparando ainda,a "Porta de Saída" para a Bolsa Escola.

Lembro-me bem da frase dela:"Não achar a Porta de Saída é permanecer em puro clientelismo!"

Por aí vc pode ver,amigo, como é uma questão de "cabeça pensante",a cabeça que resolve,que procura soluções!

Mas,o que fazer,não? Estamos nas mãos de alguns calhordas,como o "Zé Desceu" que disse que através da "Bolsa-Preguiça",eles teriam votos para ainda permanecer no governo por mais vinte anos!

Isso é Brasssssiiiiillll!

RAYMUNDO JOSÉ disse...

Olá Marcos.
Volto a renovar a proposta de parceria, e se não for possível mesmo assim aguardo o seu posicionamento.

Repito:


Parabéns pelo seu trabalho.

Ele já faz parte da nossa fonte de matérias e comentários para com a nossa rádio.

Por isso, estou te propondo uma parceria: uma troca de links de nossos blogs.

Será um prazer estar na sua lista de blogs, o que farei o mesmo com o seu link na minha lista.

Vamos fechar esta parceria?

Meu Blog:
Raymundo José - Sinal Verde pra você
http://www.raymundjose.blogspot.com
meu e-mail:
silvar7770@globo.com
MSN: raymundojose10@hotmail.com

Nossa Rádio
Sinal Verde FM
www.fmsinalverde.com.br

Veja lá que já sou seu seguidor, agora conto com a sua participação e efetivação nesta parceria, seguindo o meu blog.

Também: sermos parceiros nos blogs

Segue meu código HTML(Copie e cole no seu blog):


Estou aguardando contato com posicionamento ref. esta proposta

abraço

Raymundo José

Zamenhof disse...

Mas, o que sempre tirei das leituras que faço dessas esmolas governamentais, são as mesma: A incompetência e o despreparo dessa petralhada, para gerir a coisa pública e o desejo de perpetuar-se no poder.