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quarta-feira, setembro 14, 2011

Mentiras à mancheia

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“Um iPad para cada aluno”, Fernando Haddad, um governo depois de ter prometido um note book para os mesmos estudantes.

“Quero ser julgado logo”, Zé Dirceu.

“Não me venham com novos impostos para a saúde”, Dilma.

“Eu não sabia de nada”, o ex, imortalizando a desculpa perfeita.

“O PIB vai crescer 3%, mas vou me esforçar para chegar a 4%”, Dilma, de novo.

“Eu não sabia que haviam desvios de conduta no ministério”, Pedro Novais, o virtual ex-ministro do Turismo, repetindo seu ídolo em não deixar rabo preso à mostra (mas deixou).

“Uma legenda não pode se comprometer por causa de uma pessoa”, Waldir Raupp, colocando a cabeça de Pedro Novais numa bandeja de latão para tentar salvar a imagem putrefata do PMDB, já comprometido por milhares de pessoas.

“Vou trabalhar pelo povo”, geral.

“Diminuiu a violência no estado”, Jaques Bêbado Wagner e Sérgio Mitômano Cabral, em uníssono.

“Você são verdadeiros heróis e heroínas. Cada meta atingida é um crime a menos e um cidadão salvo a mais “, o Mitômano na solenidade que deu prêmio de 50% aos policiais pela diminuição mentirosa da criminalidade, meses depois de rejeitar aumento por heroísmo real dos bombeiros.

“Aquecimento global”, Al Gora numa mentira recorrente, como se um dia a Terra tivesse temperatura e clima estáveis.

“A corrupção não é maior no governo petista, apenas passou a ser mais combatida pela Polícia Federal”, um mantra entre todos os vermelhinhos da base acéfala.

MST, uma das mentiras que vem ruindo aos poucos. Percebe-se, devagar, mas constantemente, que esses terroristas rurais querem renda e não terra.

Não são poucos e nem possíveis de serem elencadas sequer pela metade as mentiras da esquerda, dos incolores seus comparsas imóveis e da imprensa que reproduz os releases das assessorias de imprensa sem checarem os dados. Pior, muitas das mentiras proferidas são tidas como verdades pelos seus emissários.

Já dizia Chesterton, “nunca discuta com um louco, ele sempre tem razão”. Não entenda mal, sábio leitor. A razão do louco está em sua própria loucura e não se sustenta na realidade. O filósofo Olavo de Carvalho chama a isso de paralaxe cognitiva.

A diferença entra as “razões dos loucos”, de Chesterton, e a paralaxe cognitiva, de Carvalho, está na intenção. As mentiras de nossos dirigentes e seus asseclas vermelhos podem ser razões de loucos, se o sujeito deveras acredita nas mentiras que fala e aí há uma intercessão com a paralaxe cognitiva. Porém, quando a mentira tem o propósito de enganar, é um engodo previamente planejada e tem propósitos escusos para a massa privada do poder de análise e interesse, deixa de ser razão de louco, mas safadeza de sãos.

Mentir sobre uma prática ideal, como por exemplo a lisura no exercício da atividade pública, enquanto se beneficia da fortuna da viúva é a paralaxe cognitiva em sua essência. E assim se comporta a quase totalidade da esquerda.

Os caras ignoram a realidade, o senso crítico exterior, as diferenças entre o discurso e a prática e tentam proliferar suas mentiras pelo país e pelo mundo – vide Barak Obama, Al Gore, Zapatero, Fidel Castro...- contando com a ignorância coletiva. Pior, conseguem.

Gramscianamente criaram o politicamente correto, levando a massa ignara a tratar aqueles que saem dos trilhos traçados por esse mundo certinho de Hollywood ou das novelas globais, dos democratas americanos e dos petistas brasileiros, da revista Caras e das entrevistas das celebridades nescafé, aquelas que são feitas em três minutos e consumidas de um gole, de maneira mais cruel do que eram tratados os leprosos nos tempos de Cristo. Aliás, não existem mais leprosos, agora são apenas hansenianos.

O grande legado de Maluf, maquiavelicamente justificado, foi o “rouba, mas faz” e esta práxis generalizou-se de cima para baixo e o rebutalho humano que é roubado repete a defesa dos ladrões que o presenteia com uma rua asfaltada ou uma escola pintada de branquinho.

Na era lulista e, queira Deus, pós-lulista em andamento, o “rouba, mas faz” foi substituído por “mente, mas acaba com a pobreza” e o terrível “farinha pouca, meu pirão primeiro”.

 

©Marcos Pontes

quinta-feira, setembro 08, 2011

Do grito dos excluídos ao protesto contra a corrupção

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Não só a esquerda, também os famigerados incolores minimizam os atos de protesto que ocorreram em todo o país contra a corrupção que grassa em todos os poderes. Os primeiros por motivos óbvios, os segundos por terem medo de assumir qualquer postura e, para isso, arrumam as mais estapafúrdias e insustentáveis desculpas.

Tirando o PSOL, mais conhecido como o PT-de-ontem, toda a esquerda está apoiando a presidente e sua pseudo-faxina, inclusive parte da que deveria ser oposição, o PSDB. Por estar alinhada com a presidente, participar dos protestos significaria que não está satisfeita com a maquiagem que o governo federal está fazendo enquanto finge que combate os corruptos. Seria o equivalente a dizer que quase nada foi feito. Antes ficar bem com os corruptos do que indispor-se com a falsa faxineira.

O PSOL até tentou, em Brasília, desfraldar suas bandeiras vermelhas, intento frustrado pelos demais participantes. O movimento nasceu suprapartidário e assim deverá manter-se, demonstrando que era um movimento deveras popular e não manipulado por siglas. Os vermelhinhos fizeram beicinho e não desfilaram.

Há nove anos a UNE desfilaria, mas a pensão milionária que recebe dos cofres públicos não desapontaria sua comandante-em-chefe. Fingiu-se de morta e até torceu os dedos para que sua ausência não fosse notada. Não deu certo a reza, se é que comunista reza. Quem tem mais de 30 anos tinha certeza que veria os barbudos e cabeludas, de camisetas fantasiadas com a cara do assassino platino-cubano Che ou batinhas indianas, as indefectíveis bolsas a tiracolo e as sandalhinhas de couro de bode empunhando faixas e esgoelando-se em palavras de ordem. Pouparam-nos desse espetáculo démodé.

As desculpas dos incolores: ah, isso vai dar em nada (pode ser, mas só as pitonisas podem adivinhar); isso é coisa de políticos (e é mesmo, políticos com as melhores intenções, pelo menos até o momento. A melhor espécie de políticos que pode existir, aquele que faz política civil, sem o uniforme maculado dos partidos); eu vou lá deixar de curtir meu feriado pra pegar sol na moleira? (A vida é feita de prioridades. Se sua prioridade é chocar jacaré em casa ou encher o rabo de cerveja à beira d’água enquanto os ratos saqueiam o erário, problema seus, mas não chore mais tarde); isso é coisa de reacionários de direita (esta é dos incolores que fingem-se de vermelhos ou que acreditam que toda a direita é conservadora ou vice-versa. Costumam ser emprenhados pelos ouvidos com uma tendência fortíssima, se não já comprovada, de politicamente corretos). E la nave va...

E já que foi mencionada a direita, parte dela recusou-se a comparecer. A mais bem explicada razão que li foi o artigo do Felipe Moura Brasil, no Mídia Sem Máscara. Alega o nobilíssimo autor que afirmou que ficaria em casa, embora refira-se à manifestação marcada para o dia 20 de setembro, no Rio (imagino que tenha ficado em casa no dia 7).

Para Felipe, o movimento popular, para ser mais incisivo, deveria ter alvos nominados, do tipo Jaqueline Roriz, Renan Calheiros, José Sarney, José Dirceu, ou mais amplo como o PT, o governo federal, toda a classe política... Me permito discordar. Desejando apontar seus petardos para alvos específicos cairia a marcha justamente no erro que ele aponta ter sido cometido: acertar uns, deixando outros bandidos de fora.
Para se começar a tal “primavera brasileira” (anotem aí, se ela vier a ocorrer, a imprensa cunhará este epíteto), primeiro tem que se levar o problema diante dos olhos do populacho desinformado para, só então, combater seus agentes. A verdadeira faxina é paulatina, não esse arroubo presidencial de faz de conta que limpou a Esplanada dos Ministérios, populista e de boa imagem para a mídia genuflexa.

©Marcos Pontes

terça-feira, setembro 06, 2011

Carta aberta às autoridades

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Convido os nobres leitores a copiarem em seus blogs, enviarem por e-mail aos políticos que conhecem, colarem em seus blogs, enfim, levar ao conhecimento de nossas autoridades. Estejam à vontade para melhorarem o texto, algo que sei que são capazes, só lhes resta desejarem.

Cada um de nós pode ajudar com sua forma de fazer pressão e mostrar às nossas autoridades que estamos cansando de tantos desmandos e de sermos ignorados fora dos períodos eleitorais.

Senhores políticos,

Teoricamente vivemos numa democracia representativa, de fato, eleições não fazem uma democracia, a partir do momento vossas excelências não nos representam de fato, salvo raríssimas exceções.

Teoricamente vivemos num sistema republicano presidencialista, mas uma república faz-se com liberdade, igualdade e fraternidade de fato e não apenas no papel. A partir do momento em que vossas excelências elevam-se ao patamar de uma classe privilegiada, a igualdade deixa de existir; se colocam os interesses particulares, corporativistas e partidários acima dos interesses públicos, a fraternidade torna-se apenas um conceito; quando vossas excelências ao menos ventilam a possibilidade de selecionar as informações que devem ser veiculados pelos órgãos de comunicação de massa, limitar o uso de internet pelos cidadãos, a liberdade fica ferida.

Não contem, excelências com a ignorância coletiva e o esquecimento dos eleitores brasileiros. A cada dia cresce o número de cidadãos desgostosos com os rumos dados ao país, matando-se a idéia de pátria, condenando as classes privadas de poder aquisitivo e poder do conhecimento, condenando populações inteiras à ignorância pela péssima qualidade de nossas escolas públicas, matando-se milhares por ano pela falta de equipamentos, profissionais e boa vontade dos nossos agentes de saúde. Este desgosto coloca a classe política no front de uma batalha social que prepara-se aos poucos, paulatina e lentamente. Não subestimem nossa capacidade de união, organização e poder de reivindicações.

Não os ameaço, excelências, apenas os alerto. Não estranhem se um dia as praças encherem-se de brasileiros desgastados em sua dignidade e paciência e não adianta, insisto, em arrumar ferramentas ilegais para nos calar. Saiam às ruas sem seus cabos eleitorais e não tardarão a perceber que a panela de pressão está aquecida e cada brasileiro tem muitas reclamações sobre suas atuações. Não se surpreendam se vossas excelências passarem a receber dedos na cara daqueles a quem sempre trataram apenas como mais um voto na urna eletrônica.

Mudem suas práticas, respeitem àqueles que pagam extorsivos impostos desejando apenas serem tratados como homens, mulheres, jovens e crianças que merecem receber em troca de seu suado dinheiro depositado nos cofres do Estado serviços de qualidade e respeito das instituições.

Não continuem tratando a segurança pública como uma ferramenta eleitoreira. Ao permitirem que o banditismo, seja do ladrão de galinhas, seja do ladrão do erário, cresça com punições amenas, quando elas ocorrem, estão mandando a mensagem que ser bandido vale a pena, que nada ocorrerá a quem desrespeitar a lei e este desrespeito pode bater às suas portas pelas mãos e pela insatisfação daqueles que hoje se sentem agredidos pela sua inépcia.

Parem um pouco de olhar apenas para as caras dissimuladas de seus líderes e olhem nos olhos de seus patrões: o povo que lhes paga os salários, as mordomias, as benesses, as viagens de primeira classe, as diárias em viagens internacionais, os hotéis cinco estrelas, os carros luxuosos, os jantares nababescos, as moradias gratuitas e confortáveis, os planos de saúde ilimitados e extensivos às suas famílias. Na surdina, pelos becos, nos bares ou nas portas da peixaria, já se fala que todos merecemos isso. A tal igualdade de que fala a Constituição Federal, aquela mesma Carta Magna que nossos dirigentes, vossas excelências, desrespeitam como se mandassem cada patrício calar-se e resignar-se.

Respeitem-nos, excelências, antes que percamos de vez o respeito por vossas excelências. Respeitem esta pátria rica que empobrece diante de tanto desvio de verbas, leis casuísticas, desvios de verbas, de princípios éticos e morais, dos furtos impunes à coisa pública.

Somos pacíficos, mas estamos perdendo nossa paciência o que pode nos levar a perder a passividade e cabe aos senhores evitarem traumas sociais. Não a oposição armada que nossos mandatários pregaram um dia e que hoje acham antidemocrática, mas antes da terra assentar-se, excelências, há o terremoto. Este abalo cabe a vossas excelências evitarem.

Não somos poucos e nosso número aumenta na mesma proporção que cresce nossa indignação.

Se de fato vossas excelências nos representam, algo em que não cremos mais, façam de suas atividades aquilo que esperamos que façam: justiça social, segurança jurídica, responsabilidade, eficiência, bom senso, honestidade. Tudo em nome do bem comum e não dos bens seus e dos seus.

Não se acovardem, excelências, mostrem que são homens e mulheres com algum resquício de consciência e levem este nosso sofrido Brasil ao rumo seguro do crescimento calcado na qualidade dos serviços públicos; ressuscitem os princípios republicanos de fato, além do discurso fácil e ensaiado; pensem na honra de seus filhos que devem sofrer por verem seus pais acusados de bandidos na escola, no clube, na lanchonete, dêem-lhe motivos para orgulharem-se de vossas excelências; esforcem-se para entrarem na história como aqueles que colocaram o país na linha e não como coniventes com os bandidos que pouco ligam para os rumos da nação, antes vêem seus egos, seus bolsos e o enriquecimento sub-reptícios dos seus pares.

Estamos vivos, excelências, e inchando de raiva e indignação, mas não precisam temer, desde que não nos dêem motivos, embora até o momento motivos não nos faltem e aumentam a cada dia.

As páginas políticas dos jornais e revistas se confundem com as páginas policiais e é como bandidos ou cúmplices que querem ser lembrados no futuro? Não cabe a nós mudarmos o futuro, mas vossas excelências, eleitas para nos representar. Pois representem, mas com a conduta que desejamos e não com a que têm nos mostrado.

©Marcos Pontes

domingo, setembro 04, 2011

E-mail à Repórteres Sem Fronteiras

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Não recebendo, até o momento, resposta da OEA ao e-mail que lhe enviei sobre o maldito “controle externo da imprensa”, mais uma vez proposto pelo nosso governozinho stalinista mitim e petista, escrevo agora para o Repórteres Sem Fronteiras. Me direcionando diretamente aos jornalistas, talvez venha uma resposta mais rápida não para mim, mas para o país.

Dos nossos quase duzentos milhões de cidadãos, quatos têm noção do perigo que é para todos calarem a imprensa? Temos que nos assustar e ficar atentos ou, próximo passo, proibirão a nós, comuns mortais, de nos reunirmos num boteco para falar de política. Quem cala um jornal e uma revista, pode sonhar em calar cada pessoa. Aliás, a história está cheia desses maus exemplos.

Esperaremos a criação das milícias dos bairros, dos arapongas civis, dos dedos-duros recompensados pelo Estado para darmos conta que nosso silêncio pode ser nossa sentença de subdesenvolvimento eterno ou de morte?

O e-mail:

 

O Brasil já conta com vasta e séria legislação contra crimes de calúnia, injúria, difamação e danos morais, ao alcance de todos os cidadãos e o direito de livre manifestação está assegurada na Constituição Federal, isso, porém, parece ser ignorado pelo nosso governo federal desde 2002 e, volta e meia, o partido da atual presidente, o mesmo do ex-presidente, lança a proposta de censurar a empresa com o nome eufêmico de “controle externo da mídia” ou “marco regulatório da mídia” ou alguma outra forma pomposa de se fantasiar a intenção institucional de calar os meios de comunicação de massa que veiculem notícias contrárias aos interesses desses governos e seus aliados.

Sentimos exaurirem-se paulatinamente as forças de combate a essas propostas imorais dentro do país, daí a necessidade de buscarmos a atenção de organismos internacionais. E-mail neste mesmo teor já enviei para a Organização dos Estados Americanos, OEA, não tendo, porém, qualquer resposta até este momento. E-mails semelhantes foram enviados por centenas de outro brasileiros como mesmo silêncio como resposta.

Sei que não é interesse do Repórteres Sem Fronteira intrometer-se em questões internas de qualquer país, mas seria de muito bom alvitre uma declaração de vossas senhorias dando conta de que estão informados do que ocorre por aqui e das reprováveis intenções de nossos governantes. Uma declaração desta prestimosa entidade talvez fosse suficiente para inibir manobras políticas que tenham a intenção de privar os cidadãos das informações que precisamos saber.

Não lhes enviarei links de notícias para não dar a aparência de que estou sendo parcial, preferindo sugerir-lhes que façam sua própria pesquisa e entrem em contato com órgão de imprensa não governamentais como a Associação Brasileira de Imprensa e Associação Brasileira de Jornais.

Peço-lhes, respeitosamente e com urgência, que nos ajudem a fazer com que as autoridades mudem de idéia nas suas intenções de calarem a boca de nossos jornalistas e taparem olhos e ouvidos de nossos cidadãos. Historicamente sabemos o que acontece depois que o Estado desarma a população e silencia a imprensa, por isso precisamos tomar atitude decisiva agora antes que seja tarde e irreversível.

Saudações democráticas.

 

Marcos Pontes

 

©Marcos Pontes

sábado, setembro 03, 2011

E-mail à OEA

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E-mail enviado hoje para o senhor Paulo Rogério Cavalcanti, Oficial Administrativo da OEA no Brasil. Quem desejar fazer o emsmo, o e-mail é oeabra@terra.com.br . Se não fazemos nada e nossos clamores são solenemente ignorados pelos aprendizes de ditadores que são nossos governantes, comecemos a apelar aos organismos internacionais.

A OEA não tem demonstrado muito respeito pela opinião pública, é verdade, além de andar fantasiada de arauto do esquerdismo latinoamericano, mas de alguma maneira podemos começar a chamar a atenção das autoridades internacionais para o risco de censura institucionalizada.

 

Excelentíssimo Senhor Paulo Rogério Cavalcanti,

Prefiro dirigir-me ao senhor do que diretamente à Secretaria Geral da OEA por ser Vossa Excelência brasileiro, sem dúvida um democrata e atinado com as questões nacionais e, assim como este que lhe escreve, sem preferência político-partidária, senão o bem estar dos cidadãos brasileiros, a defesa da soberania nacional, a independência dos poderes e, principalmente, os direitos dos cidadãos, independentemente de sua coloração ideológica.

Não tenho a mínima pretensão de dar-lhe aula de história, matéria que, indubitavelmente, Vossa Excelência deve dominar bem mais do que eu, mas apenas usá-la para ilustrar as preocupações que me levam a escrever-lhe esta missiva, o passado e mesmo o presente, em alguns países como a Venezuela, Irã, Líbia e Coreia do Norte, que quando o primeiro direito do cidadão é violado, o direito de expressar-se livremente, ficam escancaradas as portas do autoritarismo, das ditaduras, da supressão pelo estado de todos os demais direitos individuais e coletivos sempre que o governo se achar no direito de fazê-lo.

Mesmo às custas de altíssima carga tributária, boa parte da qual dissolve-se sob a pressão da corrupção, o brasileiro comum, honesto e trabalhador, já tem tolhidos seus direitos constitucionais a educação, saúde e moradia, não pode ficar à mercê da vontade de um partido e seus quadros superiores no tocante à liberdade de expressar-se.

Infelizmente, nos últimos oito anos, o governo federal vem demonstrando a intenção de calar as vozes discordantes de suas diretrizes, a começar pela imprensa, a porta voz civil de toda a população. Esta imprensa, aliás, quem vem descobrindo mais desmandos e desvios de conduta e de verbas do que deveriam fazer as polícias; a imprensa que vem exercendo um dos papéis do Poder Legislativo no tocante à fiscalização de atos do governo e à exigência do cumprimento das leis por parte das autoridades; a imprensa que analisa a aplicabilidade das leis, estuda os impactos sociais, ambientais e econômicos das medidas tomadas ou sugeridas por nossos legisladores sem que estes, porém, se reocuparem antecipadamente em realizar esses estudos e análises.

Há uma necessidade urgente que organismos internacionais, como A OEA, Anistia Internacional, organizações internacionais de imprensa e quem mais defenda a liberdade de expressão, alertarem o governo brasileiro, os partidos políticos e a população em sua totalidade dos riscos que correremos se a prática da censura e da retaliação contra jornais, revistas, sítios internéticos e blogs não apócrifos for implantada, como demonstram ser sua vontade autoridades federais nessas duas últimas administrações federais.

Em pleno século 21, é inadmissível que homens públicos, partidos políticos e governos, como o atual governo federal, defendam controle de mídia. Já existe legislação para punir ataques à honra, crimes de calúnia, ofensas, acusações infundadas ou seja lá que abuso for por parte de qualquer veículo de comunicação de massa ou indivíduos, não há, portanto, num estado republicano e democrático, espaço para qualquer tipo de censura, ainda mais que não existe censura leve. Qualquer censura é censura e como tal deve ser condenada.

Rogo, respeitosamente, que a OEA faça estudos e levantamentos das tentativas do governo brasileiro em calar a imprensa e manifeste-se publicamente contra isso. O Brasil e os brasileiros precisam da ajuda da OEA preventivamente porque depois de instaurada a censura, somente uma revolução social para fazer com que o governo e os organismos a ele aliados retrocedam dessa prática absurda e abusiva. Será de suma importância, portanto, que a OEA antecipe-se às celeumas e advirta nosso governo dos riscos que poderão concretizar-se em traumática realidade se o autoritarismo for levado adiante.

Respeitosamente,

Marcos Pontes

 

@Marcos Pontes