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terça-feira, setembro 07, 2010

Empresa Brasil

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A analogia, de tão óbvia, não deve ser original, mas não consigo encontrar outra, então, vai ela mesma: O país é uma grande empresa de sociedade anônima e cada brasileiro é um acionista. Alguns têm mais ações, outros têm menos. Na hora de escolher o CEO, o gerente, o capitão dessa empresa, os acionistas majoritários o fazem. Não de maneira direta, mas comprando os votos dos minoritários, seja com promessa de promoção, seja de maneira mais grosseira, oferecendo dinheiro.

Os acionistas majoritários estão nos cargos de chefia dos diversos departamentos dessa empresa; nos bancos, que é a tesouraria, nos portos, estradas e aeroportos, que são as vias de transporte das mercadorias produzidas, vendidas ou compradas pela empresa; nos rádios, jornais, sites e televisões, que são o fluxo de informação entre os diversos departamentos para que as determinações dos acionistas cheguem à presidência e vice-versa; estão nas câmaras de vereadores, nas assembléias legislativas e distritais, na Câmara dos Deputados e no Senado, as diversas instâncias decisórias do conselho deliberativo da empresa; e estão no Legislativo, nas alçadas municipais, estaduais e federais (aqui vale o plural, já que existem as diversas áreas judiciais federais), que compõe o conselho fiscal da empresa.

Os pequenos acionistas, aqueles que têm o voto individual de peso igual ao de cada grande acionista, está pelos corredores, pelas vielas, não ligam para o que ocorre nos escritórios, apenas espera que a empresa enriqueça, mesmo que um ou outro meta a mão no caixa e tire uma cota maior do que a devida pela divisão do bolo, apoderando-se da quantia que seria de muitos iguais a si. Não lê os boletins informativos diários que a gerência imprime, não participa das reuniões dos conselhos deliberativos e fiscais, dando aos presentes o poder de decidir em seu nome. Se alijam, voluntariamente, da parte que lhes cabe nas decisões do rumo da empresa. Colocam-se sob a mesa do banquete e satisfazem-se desde que algumas migalhas caiam em seus pratos.

O presidente, pelo contrato assinado por todos os acionistas, sejam grandes ou pequenos, juntamente com o corpo diretório, por si escolhido por comungarem das mesmas idéias, pelo menos teoricamente, têm a obrigação de zelar pelo bom andamento da empresa, não esquecendo-se que a empresa é de todos, sejam os que o elegeram na sessão ordinária quadrienal, seja pelos que preferiam outro gerente. O presidente deve esquecer-se de suas paixões pessoais, de suas convicções e aspirações, para praticar aquilo que seja melhor para o todo, para o progresso da empresa. Deve zelar para que um ou outro sócio desonesto meta a mão na parte do bolo que seria de outro ou outros acionistas desatentos que se deixam furtar, seja por ignorância, seja por comodismo, seja por ter-se deixado enganar promessas mirabolantes.

O presidente tem a obrigação de dirigir a empresa pensando no bem estar geral, sem privilegiar seu vizinho, seu compadre, o amiguinho de infância em detrimento daquele sujeito que mora do outro lado da rua e lhe dá língua quando ele passa.

Para que seja assim, o presidente deve ser escolhido entre todos os acionistas, como sendo o mais equilibrado, mais competente para gerenciar, o que seja líder e não apenas chefe. O acionista a ser escolhido para tornar-se CEO deve zelar pela honestidade.

Nossa empresa-Brasil não anda bem das pernas (o número de falências decretadas em agosto aumentou 19% e os acionistas não sabem) como dizem os números oficiais (o número de salário-desemprego aumentou em 2010 porque os ditos novos trabalhos são apenas ocupações temporárias) e os pequenos acionistas, o povaréu pouco instruído, que se satisfaz com propagandas, sorrisos, esmolas e tapinhas nas costas, se deixa enganar pelo gerente-presidente safardana e sua camarilha policialesca, que mente, engana e sorri bonito.

A empresa-Brasil só não vai à bancarrota porque tem solo fértil, braços fortes e homens que produzem e levam o rebutalho humano e político nas costas. Se dependêssemos apenas das más intenções e incompetência de nosso gerente e seus asseclas, já teríamos fechado as portas.

©Marcos Pontes

domingo, setembro 05, 2010

o povo e a elite

elite

 

Vamos acabar com esse papo esquerdista de que “o povo”, uma entidade onírica com poderes superiores, é um coitadinho, inteligente, incompreendido e mal cuidado que precisa da tutela do Estado para que seus anseios sejam materializados, que tem apenas decisões sábias e superiores, que tudo o que ele pensa, fala e deseja é supremo, inteligente, inalterável.

Pode até ser que “o povo”não seja devidamente ouvido e que muitos de seus desejos não sejam satisfeitos pelos organismos públicos (ainda bem, já que muitos desejos populares são estapafúrdios, corporativistas, imorais e/ou ilegais), mas daí a deixar para ele todas as decisões, é bobagem.

“O povo” não tem escolaridade, não lê jornais, livros ou revistas, não acessa sites de notícias, mesmo “o povo” da classe média que fez do computador um telefone caro ou um Play Station barato, já que o usa mais para comunicar-se em sites de bate papo ou para os filhos jogarem. O computador tornou-se a “babá eletrônica”, conceito dado por León Eliachar à televisão, nos anos 70.

“O povo” é um bicho multitentacular, invejoso, acéfalo, contrário à meritocracia (algo que sequer sabe que existe) e que se deixa levar pelas vontades das elites a quem inveja. E quando falo em elite, não me refiro à elite popularizada por Lula que, de tanto repetir, criou no imaginário popular um outro monstro, voraz, enganador, que rouba dos pobres para dar aos ricos, um Dooh Nibor, o avesso de Robin Hood.

Lula, que era, como seu mentor ideológico Karl Marx – isso se ele tivesse lido Marx, apenas se deixou emprenhar pelas orelhas pelos marxistas letrados ao longo de sua trajetória política – é o mais bem acabado exemplar de sanguessuga social. Um sujeito que invejava os capitães de empresa, os donos dos meios de produção, os líderes que empurravam, e continuam empurrando, esse país para a frente. Até no governo Sarney, o mais despreparado na história de República, o Brasil andou para a frente, provando que o Estado apenas atravanca o progresso. Assim como Marx, Lula jamais produziu, era um raivoso que “encostou-se” ajudado pela legislação sindical/trabalhista, assim como Marx encostou-se na burrice de Engels, seu mantenedor e fiel seguidor milionário. Em sua ira invejosa, Lula chamou esses homens de “elite”, algo que realmente são, mas o fez com ranço, culpando-os por tudo o de errado que há na história da humanidade. Foi sua primeira investida segregacionista que repetiu-se muitas vezes durante seu mandato

“O povo”, desinteligente, desinformado e iletrado como seus pastor messiânico, Lula, repetiu à exaustão e os pastores secundários, as miniaturas de Lula, com barba mal traçada, língua presa e cérebro vendido ao Politburo petista, também falam sem analisar e continuam criticando a elite (pior, agora são elites, no plural, aumentando os alvos de ódio do PT, do governo e de seus seguidores cegos) sem perceber que Lula, Greenhalgh, Palocci, Dirceu, Delúbio, Garcia, Dilma, Mercadante, Dutra, Ünger e toda a direção petista, seus ministros, governadores e que tais também fazem parte da pequena e restrita elite.

O Aulete define elite: “Grupo de pessoas influentes numa sociedade, por estarem em posição de poder ou por serem altamente competentes em determinada área: Os times que formam a elite do futebol brasileiro. “ A bem da verdade, a direção petista é bastante competente. Não no que se refere À administração pública, mas no referente à sua própria aspiração, a despeito das vontades d’O Povo: perpetuar-se no poder, dar tetas da viúva para cada componente do alto escalão vermelho e seus componentes da arraia miúda que segue os chefes fies e cordeirinhos, repetindo e repetindo e repetindo o que o Comitê Central mandar.

©Marcos Pontes

segunda-feira, agosto 30, 2010

somos iguais a eles

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Há meses vemos, principalmente na internet (Facebook, Twitter, Orkut e blogs) uma campanha pela não reeleição dos que hoje exercem cargo eletivo. A campanha começou, salvo engano, com a insatisfação que os homens e mulheres politizados demonstraram com os desmandos de José Sarney no Senado.

Não bastasse o imperador dos feudos do Maranhão e Amapá fazer e desfazer, a seu bel-prazer, as leis, usar de tráfico de influência e nepotismo, chantagens e coação, negociatas e os mais diversos tipos de corrupção ativa e passiva para manter seu status de intocável da República, a ação nefasta do presidente Lula e seus sequazes, de Renan Calheiros a seu arquiinimigo pró-forma Fernando Collor, do passivo-venal Crivella ao irrevogável amoral Mercadante, do ex-xerife e atual capo Tuma, pai, ao insignificante João Pedro, em defesa do indefensável Sarney gerou no populacho insignificante o descontentamento com os legisladores federais e seus tentáculos estaduais.

A reeleição dos quadros do Executivo talvez tenha sido a pior medida dos tucanos no governo de FHC. Para reeleger o presidente, a então situação premiou crápulas como o próprio Lula e outros tantos incompetentes Brasil a dentro. Sérgio Cabral, Jaques Wagner, Marcelo Déda, Zezinho do PT são exemplos de maus gerentes da coisa pública que se mantiveram ou manter-se-ão na cadeira por conta dessa medida impensada e fisiológica do PSDB que, óbvio, contou com a adesão de gatos e ratos.

A insatisfação popular com os desmandos de Sarney gerou um coro fraco, mas persistente, pela não reeleição de qualquer parlamentar. Mas não passou disso, um gritinho tímido no fundo da gaveta em que se encontram os eleitores.

Os mesmos que pregam o fim da reeleição – talvez você mesmo, caro leitor, ou eu, que agora dou meu gritinho tímido – não hesitarão em votar num desses que há anos ou mesmo décadas vivem do erário, seja de forma legal ou com acréscimos ilegais e/ou amorais de seus vencimentos. Seja por convicção de que são bons nomes, seja pelo medo de eleger um novato que pode surpreender negativamente no exercício do mandato, seja por interesses particulares, seja por preguiça de pesquisar ou, vergonhosamente, apenas para “não perder o voto”, a pior das justificativas que se pode dar.

Olhando os candidatos de cada estado, difícil ver um nome realmente novo que tenha reais chances de se eleger. Nós, ditos eleitores consciente, abrimos o verbo contra nossos pares ao acusá-los de não saberem votar; insistimos na tese que há a necessidade de mudança e de renovação na política nacional, xingamos todos aqueles que já exercem mandato, como se fossem todos iguais (e talvez o sejam), mas não titubeamos ao justificar nosso voto numa dessas figurinhas desbotadas que não largam o osso com a nossa conivência.

Perdemos toda a moral de acusar políticos que não cumprem as promessas de campanha quando nós mesmos não cumprimos nosso discurso de necessidade de renovação. Somos iguais aos políticos que elegemos, aqueles que prometem e não cumprem, que não partem do discurso renovador para a prática.

Conclamar à luta e ao enfrentamento é fácil, difícil é encontrar quem colocará o guiso no pescoço do gato.

©Marcos Pontes

terça-feira, agosto 10, 2010

Destrinchando a dilma

 

Copiei do blog Blog do Paulinho a transcrição da entrevista da candidata do PT ao Jornal Nacional.Confesso que por intolerância à candidata, ao seu partido e ao que ambos significam e defendem, não assisti até o final. Prefiro ler, assim poupo meus ouvidos da sua voz, de seus cacoetes verbais, de sua gagueira do tipo de quem tenta ganhar tempo para pensar na resposta a dar ou para dissimular o nervosismo da mentira e do despreparo.

Lendo esta transcrição, fico pensando no que os adversários poderiam rebater com dados, com ironia ou, simplesmente com o dedo em riste acusando a mentira. Não transcreverei a íntegra das perguntas e respostas, algo que quem tem algum interesse já deve ter lido, mas, se não leu, pode fazê-lo no Blog do Paulinho. Me prenderei apenas em alguns pontos, aqueles que mais me irritaram e acrescentarei meu descabido e intrometido comentário.

Dilma Rousseff: Boa noite.

William Bonner: E informamos também que o tempo de 12 minutos da entrevista começa a contar a partir de agora. Candidata, o seu nome como candidata do PT à Presidência foi indicado diretamente pelo presidente Lula, ele não esconde isso de ninguém. Algumas pessoas criticaram, disseram que foi uma medida autoritária, por não ter ouvido as bases do PT. Por outro lado, a senhora não tem experiência eleitoral nenhuma até este momento. A senhora se considera preparada para governar o Brasil longe do presidente Lula?

Dilma Rousseff: Olha, William, olha aqui um pouquinho de gagueira mental para ganhar tempo para pensar em algo lógico, Fátima, eu considero que eu tenho experiência administrativa suficiente. Eu fui secretária municipal da Fazenda de onde? Qualquer pessoa, ao se apresentar formalmente, deve dar as informações mais corretas e completas possíveis, (…)e fui coordenadora do governo ao assumir a chefia da Casa Civil, que, como vocês sabem, é o segundo cargo mais importante na hierarquia do governo federal talvez ela tenha razão, mas eu pensei que fosse a vice-presidência. Então, eu me considero preparada para governar o país. E mais do que isso, eu tenho experiência, eu conheço o Brasil de ponta a ponta lá no final da entrevista ela deixa claro que não conhece tanto assim, ao colocar a Baixada Santista no Rio de Janeiro, sem falar que já confundiu Juiz de Fora com Governador Valadares, não sabia o que é maracatu, numa visita a Pernambuco e nem o significado de “axé” e nem mesmo sua pronúncia (ela disse “axê”), em Salvador, conheço os problemas do governo O principal problema do governo é gastar sem programa, aleatoriamente, investir mais em propaganda do que em infraestrutura. Resta saber se ela conhece os problemas do povo brasileiro brasileiro.

William Bonner: Mas a sua relação com o presidente Lula, a senhora faz questão de dizer que é muito afinada com ele. Junto a isso, o fato de a senhora não ter experiência e ter tido o nome indicado diretamente por ele, de alguma maneira a senhora acha que isso poderia fazer com que o eleitor a enxergasse ou enxergasse o presidente Lula atualmente como um tutor de seu governo, caso eleita?

Dilma Rousseff: (…). Eu quero te dizer o seguinte: a minha relação política com o presidente Lula, eu tenho imenso orgulho dela. Eu participei diretamente com o presidente, fui braço direito e esquerdo dele nesse processo de transformar o Brasil num país diferente, num país que cresce, que distribui renda, em que as pessoas têm a primeira vez, depois de muitos anos, a possibilidade de subir na vida. Então, eu não vejo problema nenhum na minha relação com o presidente Lula. Pelo contrário, eu vejo que até é um fator muito positivo, porque ele é um grande líder, e é reconhecido isso no mundo inteiro. Foi braços direito e esquerdo do presidente, mas com esse discurso em que faz questão de se atrelar à imagem dele, demonstra que não tem pernas para andar sozinha.

Fátima Bernardes: A senhora falou de temperamento. Alguns críticos, muitos críticos e alguns até aliados falam que a senhora tem um temperamento difícil. O que a gente espera de um presidente é que ele, entre outras coisas, seja capaz de fazer alianças, de negociar, ter habilidade política para fazer acordos. A senhora de que forma pretende que esse temperamento que dizem ser duro e difícil não interfira no seu governo caso eleita?

Dilma Rousseff: Fátima, estava respondendo justamente isso, eu acho que têm visões construídas a meu respeito. Eu acho que sou uma pessoa firme. Acho que em relação aos problemas do povo brasileiro, eu não vacilo Tanto que não vacila que mudou o programa registrado no TSE meia hora depois de tê-lo registrado, sem falar nas inúmeras vezes em que o dito por ela ficou pelo não dito por outro ministro ou pelo presidente. (...)você nunca vai ver o governo do presidente Lula tratando qualquer movimento social a cassetete Isso nós sabemos, trata a pão de ló, como o faz com o MST que, mais que um movimento social, é um movimento terrorista. Nada de ilegalidade nós compactuamos mensalão, invasões, tráfico de influência, comissão em negócios internacionais....

Fátima Bernardes: Agora, no caso, por exemplo, a senhora falou de não haver cassetete, mas talvez seja a forma de a senhora se comportar. O próprio presidente Lula, este ano, em discurso durante uma cerimônia de posse de ministros, ele chegou a dizer que achava até natural haver queixas contra a senhora, mas que ele recebeu na sala dele várias pessoas, colegas, ex-ministros, ministros, que iam lá se queixar que a senhora maltratava eles.

Dilma Rousseff: Olha de novo a pausa estratégica, Fátima, é o seguinte, no papel… gagueira mental Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo é meio como se a gente fosse mãe segunda tentativa sexista, dessa vez também emocional no esforço já declarado de conquistar as mulheres. Tem uma hora que você tem de cobrar resultado. Quando você cobra resultados, você tem de cobrar o seguinte: olha, é preciso que o Brasil se esforce, principalmente o governo, para que as coisas aconteçam, para que as estradas sejam pavimentadas, para que ocorra saneamento. Então tem uma hora que é que nem… Você imagina lá sua casa, a gente cobra(...) rocambolesco raciocínio

Fátima Bernardes: Como mãe eu entendo, mas, por exemplo, como presidente não tem uma hora que tem que ter facilidade de negociar, por exemplo, futuramente no Congresso, futuramente com líderes mundiais, ter um jogo de cintura ai?

William Bonner: O presidente falou em maltratar, não é, candidata?

Dilma Rousseff: Não, o presidente não falou em maltratar, o presidente falou que eu era dura. E lá vem o desmascaramento. Bonner foi firme

William Bonner: Não, ele disse isso. A senhora me perdoe, mas o discurso dele está disponível. Ele disse assim: as pessoas diziam que foram maltratadas pela senhora. Mas a gente também não precisa ficar nessa questão até o fim da entrevista, têm outros temas.

Dilma Rousseff: É muito difícil, depois de anos e anos de paralisia, e houve isso no Brasil. O Brasil saiu de uma era de desemprego, desigualdade e estagnação para uma era de prosperidade. Nós tínhamos perdido a cultura do investimento…a fantasiosa prosperidade bancada pela classe média em esmolas para os pobres e incultos e os juros altos para os capitães de empresas financeiras

William Bonner: Vamos falar de alianças políticas, o que é importante…

Dilma Rousseff: …(...)fala totalmente desnecessária

William Bonner: A senhora tem agora nessa candidatura, além do apoio do presidente, a senhora também tem alianças, né?, formadas para essa sua candidatura. Por exemplo, a do deputado Jader Barbalho, por exemplo, a do senador Renan Calheiros, por exemplo, da família Sarney. A senhora tem o apoio do ex-presidente Fernando Collor. São todas figuras da política brasileira que, ao longo de muitos anos, o PT, o seu partido, criticou severamente. Eram considerados como oligarcas pelo PT. Onde foi que o PT errou, ou melhor, quando foi que ele errou: ele errou quando fez aquelas críticas todas ou está errando agora, quando botou todo mundo debaixo do mesmo guarda-chuva?

Dilma Rousseff: Eu vou te falar mais uma pausa pra pensar em algo convincente. Eu perguntava outra coisa: onde foi que o PT acertou? O PT acertou quando percebeu que governar um país com a complexidade do Brasil implica necessariamente a sua capacidade de construir uma aliança ampla o PT aprendeu isso justamente com Collor que caiu não por conta de seus crimes, mas por não ter comprado o Congresso.

William Bonner: Errou lá atrás?

Dilma Rousseff: Não. Nós não… Ora, se acertou ao se comungar com capetas de todas as espécies, então, pela sua lógica, errou em não fazê-lo. Por conta de suas coligações espúrias foi que teve uma debandada geral de petistas de primeira hora (...)blá-blá-blá Para fazer isso, quem nos apoia, aceitando os nossos princípios e aceitando as nossas diretrizes de governo, a gente aceita do nosso lado O PMDB não tem outra ideologia do que cargos, poder e dinheiro e para fazer parte do governo chantageou Lula e o PT. Se bem que faz sentido, esses também são os princípios da tropa majoritária do PT. (...)

William Bonner: O resumo é: o PT não errou nem naquela ocasião, nem agora.

Dilma Rousseff: Não, eu acho que o PT não tinha tanta experiência se um garoto de dezoito anos dirigir alcoolizado e bater o carro, pode alegar em sua defesa que não errou, apenas não tinha experiência, sabe olha a pausazinha pra pensar, de novo, Bonner, eu reconheço isso. Ninguém pode achar que um partido como o PT, que nunca tinha estado no governo federal, tem, naquele momento, a mesma experiência que tem hoje. Acho que o PT aprendeu muito, mudou, porque a capacidade de mudar é importante ou seja, se não se igualasse aos a quem condenava de pedras nas mãos há uma década não conseguiria galgar o poder e tomar conta da chave do cofre.

William Bonner: Vamos lá. Candidata, vamos aproveitar o tempo da melhor maneira. O PT tem hoje já nas costas oito anos de governo. Então é razoável que a gente tente abordar aqui alguma das realizações. Vamos discutir um pouco o desempenho do governo em algumas áreas, começando pela economia. O governo festeja, comemora muito melhoras da área econômica. No entanto, o que a gente observa, é que quando se compara o crescimento do Brasil com países vizinhos, como Uruguai, Argentina, Bolívia, e também com aqueles pares dos Brics, os chamados países emergentes, como China, Índia, Rússia, o crescimento do Brasil tem sido sempre menor do que o de todos eles. Por quê?

Dilma Rousseff: Olha, eu acredito que nós tivemos um processo muito mais duro no Brasil com a crise da dívida e com o governo que nos antecedeu a velha desculpa. Ela esquece que quem antecedeu esse governo foi esse mesmo governo.

William Bonner: Mais duro do que no Uruguai e na Bolívia, candidata?

Dilma Rousseff: Acho que o Uruguai e a Bolívia são países, sem nenhum menosprezo, acho que os países pequenos têm que ser respeitados, do tamanho de alguns estados menores no Brasil não responde à pergunta, não teve argumentos. Demos refinarias, gás e óleo para a Bolívia e ela cresceu mais que nós. Demos meia Itaipu para o Paraguai e ele cresceu mais que nós. O Brasil é um país de 190 milhões de habitantes. Nós tivemos um processo no Brasil muito duro. Quando chegamos no governo, a inflação estava fora do controle MENTIRA! Quando Lula assumiu a economia estava estabilizada desde 1994, quando, no governo de Itamar Franco, foi implantado o Plano Real. É fato que vários ajustes foram necessários no decorrer do governo FHC, mas não havia inflação descontrolada. Nós tínhamos uma dívida com o Fundo Monetário ainda temos a dívida externa crescente, a diferença é que deixamos de pagar apenas os juros e passamos a pagar o principal, mas essa dívida vem crescendo e o governo e nem a imprensa noticiam devidamente. Aliás a imprensa não dá mais notícias, apenas repete o press release enviado pelo Planalto, que vinha aqui e dava toda a receita do que a gente ia fazer.

William Bonner: Correto, candidata. Mas a Rússia. A Rússia também teve dificuldades e é um país enorme…

Dilma Rousseff: Mas, só um pouquinho só um pouquinho de dificuldades ou só um pouquinho enorme?. Mas o que nós tivemos que fazer, Bonner o quê? Ora, dar continuidade à política econômica de FHC. Nós tivemos que fazer um esforço muito grande para colocar as finanças no lugar a Lei de Responsabilidade Fiscal já sofreu investidas contrárias do governo, ou seja, uma das maiores realizações do governo tucano não caiu de direito, mas sofreu sérios arranhões de fato e depois, com estabilidade, crescer. E isso, este ano, a discussão nossa é que estamos entre os países que mais crescem no mundo, estamos com a possibilidade !!! Possibilidade e necessidade o país tem, se ocorrerá é outra coisa. Chutar a possibilidade como realização governamental é discurso especulativo e embromation de ter uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto de 7%.

William Bonner: Mas abaixo dos demais.

Dilma Rousseff: (...)

William Bonner: A senhora, de alguma maneira…

Fátima Bernardes: Vamos falar agora… Só um minutinho.

Dilma Rousseff: Criamos quase 1,7 milhão nas estatísticas do governo, ocupação temporária é emprego. O cara que é contratado para servir canapés no camarote de Daniela Mercury durante o carnaval não se considera empregado, acabou a festa, bau-bau emprego. O mesmo ocorre com um pedreiro após terminar de construir uma escola ou um viaduto de empregos no ano da crise.

Fátima Bernardes: Candidata, vamos falar um pouquinho de outro problema, que é o saneamento. Segundo dados do IBGE, o saneamento no Brasil passou de 46,4% para 53,2% no governo Lula, um aumento pequeno, de 1 ponto percentual mais ou menos, ao ano. Por que o resultado fraco numa área que é muito importante para a população?

Dilma Rousseff: Porque nós vamos ter um resultado excepcional a partir dos dados quando for feita a pesquisa em 2010 novamente especulação, chute no futuro, naquilo que ninguém checará depois das urnas fechadas. (...)

Fátima Bernardes: Mas, candidata, esses são dados de seis anos. Quer dizer, esse resultado que a senhora está falando… vai aparecer de um ano e meio para cá?

Dilma Rousseff: O que aconteceu olha a pausazinha estratégica novamente. Nós lançamos o Programa de Aceleração do Crescimento, para o caso do saneamento, na metade de 2007. Começou a amadurecer porque o país parou de fazer projetos, prefeitos e governadores Arrá! Quando nós, opositores (golpistas, na linguagem petista) dizemos que não há projetos, nos chamam de maledicentes. (...). A Baixada Santista, no Rio, eis a grande pérola, o motivo principal para que esta entrevista entre nos anais da história e a Baixada Fluminense aqui no Rio de Janeiro, ela teve um investimento monumental em saneamento.

Fátima Bernardes: A gente gostaria agora que a senhora, em 30 segundos, desse uma mensagem ao eleitor, se despedindo então da sua participação no Jornal Nacional.

Dilma Rousseff: (...): o meu projeto é dar continuidade ao governo do presidente Lula mais uma vez os braços direito e esquerdo de Lula mostra que não tem pernas. Mas não é repetir. É avançar e aprofundar, é basicamente esse olhar social, que tira o Brasil de uma situação de país emergente e leva o nosso país a uma situação de país desenvolvido desde quando esse tipo de fantasia numérica, engodo social levam um país ao desenvolvimento? O que leva esse país a se forjar grande é o espírito empreendedor de milhões de empresários e pais e mães que suam o macacão diariamente, nem essa corja comunista de butique e seus discursos demagógicos, com renda, com salário decente, com professores bem pagos e bem treinados é fato que os salários dos professores melhoraram, mas por que nossos indicativos internacionais de qualidade caíram? Porque não há fiscalização, não há contrapartida e os números são fantasiosos. Num governo que tem Mercadante, Palocci e Mantega, maquiar números é o de menos. Eu acredito que o Brasil… olha a gagueira mental novamente É a hora e a vez dele. (...)

Fátima Bernardes: Muito obrigada, candidata, pela sua participação aqui na bancada do Jornal Nacional. Amanhã, a entrevistada ao vivo aqui no Jornal Nacional será a candidata do PV, Marina Silva.

©Marcos Pontes