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terça-feira, abril 05, 2011

Discriminar é ordenar

Racismo-thumb

 

Maniqueístas que somos, culpa da educação primária que nos convence que só existem o preto e o branco, o bem e o mal, o certo e o errado, não nos habituamos a ver as nuances, as entrelinhas. Fazer análise de dados é para poucos, muito mais cômodo é aceitar, sem questionar, as interpretações alheias.

Três palavras têm-se tornado a base do novo raciocínio coletivo ocidental: discriminação, preconceito e igualdade, sem que as massas sequer procurem entender a morfologia delas, as palavras.

Discriminar nada mais é do que diferenciar, distinguir, descrever, especificar. Se elefante é elefante e formiga é formiga, para que você se faça entender não deve dizer que a formiga usa a tromba para banhar-se. Cada substantivo e adjetivo diferencia as coisas umas das outras e essa diferenciação é essencial para que haja ordem. No pensamento politicamente correto, não nascido hoje, apenas tido como a forma correta de pensar nessa nova ordem mundial, deu uma conotação negativa à discriminação, como se toda ela fosse nociva à dignidade humana. Se você me chama de Raimundo, não o atenderei, não por ter algo contra os Raimundos, mas por não chamar-me Raimundo. Seu nome e sobrenome ajudam a discriminá-lo, diferenciá-lo, dos seus homônimos.

Quem criou o conceito de raças humanas vermelha, branca, negra e amarela? Com finalidade científica essa classificação sempre foi aceita em todo o mundo ao redor do planeta sem jamais haver acusação de racismo contra seu autor. Hoje, cientificamente, já não há uma classificação de humanos por raça, mas por etnia ou cor da pele, todos pertencentes à mesma raça, a humana. Mas algum preconceituoso às avessas dá-se ao trabalho de conhecer a ciência, ela atrapalharia seus planos de criar um terrorismo social.

Igualdade, mais do que um conceito, é uma utopia. Mostre-me duas plantas, dois animais, duas nuvens, dois gêmeos univitelinos iguais. Não existem! Nem mesmo duas folhas de papel fabricadas pelas mesmas máquinas a partir do mesmo lote de celulose são iguais. Assim são os indivíduos, ou alguém gostaria de ser tratado igual ao seu irmão ou à velha louca do segundo andar?

Não há e nem deveria haver igualdade entre as pessoas. Os países tidos comunistas até tentaram tratar todos, pelo menos a ralé política, do mesmo modo, vide os uniformes sociais coreanos e chineses. Alguém poderia, em sã consciência, defender que isso fez bem àquelas populações?

Se todos fôssemos engenheiros, como viveríamos sem pedreiros? Se todos fôssemos médicos, quem seriam as enfermeiras?

Nesse discurso pela igualdade, como se a imposição por meio de leis mudasse o íntimo do indivíduo, chega ao ridículo de pregar tratamentos diferentes para se provar que somos todos iguais, como se cada pessoa se resumisse à cor da pele, ou à orientação/opção/determinação sexual, ou à classe social.

Para que haja igualdade de tratamento não há necessidade que sejamos pessoas iguais, muito menos legislação punitiva, senão educação. Não a educaçãozinha ideológica de regimes totalitários, mas educação analítica e questionadora. Educação, porém, não é o forte desses vermelhinhos que proliferam nos comandos mundo a fora.

Em relação à discriminação excludente pela cor da pele já existe a Lei Afonso Arinos há mais de 30 anos, aplicada incontáveis vezes, mas foi suficiente para acabar com essa imbecilidade? Não, e nem será enquanto as educações formal e familiar não tiverem compromisso com a cidadania. O resto é lavagem cerebral coletiva para a imposição de valores deturpados, algo mais doutrinador do que educativo.

 

Tema sugerido pela magnífica @BeatrizMMoura

 

©Marcos Pontes

12 comentários:

to-deolho disse...

CARO MARCO

PERFEITO E ESCLARECEDOR TEXTO MAIS UMA VEZ!!!!!! PARABENS!!!!! SUA FÃ

SE TODOS GOSTASSEM DO VERMELHO NÃO HAVERIA O ARCO-IRIS!!!!

Marisa Cruz

Ajuricaba disse...

Os modismos sempre foram prejudiciais ao Brasil. As mais novas manifestações são essas que você bem destacou. Essa maldição do politicamente correto é um saco.

Alexandre - Caçador de iMundos disse...

Igualdade juridica a todos é o que almejo. Não quero tratamento igul se, por exemplo, estudar mais que outro. Mas, na justiça, isso deve ser , sim, primordial.
Já que o texto fala de "raça", há, sim, racismo no Brasil. Pior, o pior racismo, o racismo velado. Este é aquele que te pega sem defesa em situações que te deixam pra baixo, muito pra baixo.
Pena que este paisinho de m* não respeite a própria CF nos arts. 3º e 5º, tudo sria resolvido.

Anônimo disse...

Marcos

Ótimo seu texto.
O Universo é muito rico.Basta percebermos que Deus não se repete em absolutamente nada.
A beleza da vida está na diversidade de idéias e formas.
A pobreza está em nossas mentes.É a tal "coisa" do copo meio vazio.
Um "viva"!!! às diferenças.
Aline_lfa

Anônimo disse...

Todos os problemas seriam minimizados se houvesse educação decente, como havia antes. Infelizmente, demoraremos para ter essa felicidade. Opcao_zili

RHÔ disse...

Eu concordo com vc, Marcos...
Para que haja igualdade de tratamento, basta educação (lembrando que ela começa sempre em casa)!!!

Velvet Poison disse...

O estado forma gerações de pessoas que não conseguem pensar por si.A uniformização é parte disso...

Somos exceções, dentro da exceção.

Br1000 disse...

Excelente texto. É para ficar pensando, pensando, pensando... E ficar triste com as constatações. Pobre povo.
Milton Schwartzmann

Beatriz disse...

Sem diferenças não há ordem. A desigualdade é obrigatória à realidade. Igualdade, Fraternidade, Liberdade...a moda romântica altamente sedutora que se espalhou pelo mundo, deu nesse caos! A bagunça, pós Revolução Francesa entre as guerras levou a Hitler e Stalin.
A Revolução Francesa, assim como todas as revoluções, torceram, torcem e torcerão a realidade para fazê-la de acordo com as idéias utópicas delirantes dos revolucionários. Vide Castro, Cháves, Lula etc...ideologias que obrigam a realidade a se adaptar a elas. Contradições de mentes psicóticas que geram atos psicopáticos.
em nome da igualdade, nossas crianças terão a tal cartilha que as incita a questões como a homossexualidade cedo demais. Os pais não podem disciplinar seus filhos mas o Estado pode abusar da população.
Tema que dá pano pra manga, Marcos.

Ery Roberto Correa disse...

Marcos, aprendi há muito tempo que a verdadeira democracia só existe em um cenário de diversidade. Somos diferentes, todos, mas temos potencial capaz de nos levar a qualquer lugar, em qualquer atividade, desde que queiramos, que tenhamos força de vontade.

Em se tratando de Educação, quando a Escola estiver dentro de um sistema ampliado, totalmente acessível e, principalmente, reformada de maneira a ser condizente com novos tempos e eficaz, teremos vencido parte dos nossos problemas sociais. Em um cenário saneado para que ficaremos gastando energias para discutirmos cotas, por exemplo?

A propósito do tema, lembro do período 64-85. Era lá que tínhamos uma insuportável 'igualdade': ninguém tinha direito a nada. Nem sequer de falar.

Joe_Brazuca disse...

gozado, né...tá todo mundo muito preocupado com a "igualdade" (ninguem conseguiu definir o que seja isso...),altos paus são quebrados quando alguem ousa( como agora voce o fez e bem...)em esclarecer que igualdade inexiste, e é a verdadeira utopia...A Natureza NÃO É igual !

Mas pouco se fala, ou melhor, se encara de frente na hora da VERDADEIRA fraternidade,caridade, reciprocidade (não faça a outrem, o que não quer que te façam...) e solidariedade (ensine a pescar, antes de dar o peixe...) sem ver a quem, e sem interesses terceiros...

Aliás, tem algumas palavras que já deveriam ser tiradas do dicionário, por total obsolescência tais como, lampião de gás, locomotiva a vapor,câmera vhs, moral, ética, humanismo,as já mensionadas acima etc etc etc...
Mas isso é só um gancho pruma outra estória...

Rui Carlo disse...

Muito bem colocado, Mano Véi...
As questões relacionadas com as diferenças devido à cutis e a cultura sçao muitas vezes manipuladores e se prestam à promoção de outras violências.
A raça humana foi dividida em inúmeras outras raças quando do escravismo patrocinado, protegido e por Roma definiu que se podria escravizar aqueles que não eram da mesma raça que os cristãos.
Abç
Rui