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sábado, agosto 07, 2010

Empáfia e egolatria

 

 

Três amigos, pelo menos, postaram hoje sobre o vídeo, de maio de 2009, em que Lula e Sérgio Cabral destratam um garoto de Manguinhos que se aproxima da dupla e da curriola puxassaquista inveterada, como diria o redivivo Odorico Paraguassú,  com o intuito de reivindicar que um centro esportivo, ou de recreação, não consegui precisar, fosse aberto como reza a propaganda e permitida a entrada da população.

O Aluizio Amorim, um dos mais profícuos blogueiros que conheço, sempre vai na ferida em seus textos. Dessa vez não foi diferente. Na sua precisão mostrou sua indignação.

Não concordei com o enfoque que o Ery Roberto, figura que conta com meu mais profundo respeito, amigo de blog e de Twitter, deu ao episódio. O tênis, que o Lula trata com desdém, como esporte de elite e blá-blá-blá recalcado, bem ao feitio de Marx, um invejoso incompetente que ansiava pelos bens alheios porque nunca se esforçou para conquistar seus próprios pelo trabalho e competência, é o de menos. Talvez por ser catarinense, conterrâneo de um dos maiores ídolos que o esporte brasileiro já produziu, o tenista Gustavo Küerten, o Ery tenha se chateado tanto com isso. Entendo e respeito.

Já o André Henrique deu show. Cientista político, jovem, muito bem articulado e inteligentíssimo, o André vai ao cerne da questão com uma precisão de bisturi a laser. Não há o que acrescentar ou retirar do texto do André. É um dos melhores textos que leio há tempos, daqueles que me deixa com inveja por não tê-lo escrito.

Um amigo uma vez definiu o funcionário público como “o empregado de todos que acha que é patrão” e isso, infelizmente, comprovamos aos montões cada vez que vamos a uma participação ou precisamos de algum serviço. Via de regra somos tratados como incapazes que precisam da benevolência do funcionalismo público, como se não fôssemos nós, cidadãos comuns, mortais e trabalhadores, que azeitamos a máquina com nossos impostos, embora o próprio servidor e seus chefes teimem em escangalhá-la.

Funcionários de carreira, na maioria das vezes sem plano de ascensão, sentem-se ultrajados pelos chefes políticos, na maioria das vezes totalmente ignorantes sobre o funcionamento dos órgãos que comandam, e aí batem o ponto apenas pelo salário, sem o compromisso de bem servir, o que deveria ser preceito para se exercer a função.

Os chefes, sabendo que estão no cargo apenas passando uma chuva, que na próxima administração podem ser mandados embora, preocupam-se mais em agradar os chefes, fazer campanha, maquiar índices insatisfatórios, empurrar o lixo para a frente da casa do cidadão.

Os chefes do executivo, prefeitos e governadores, como o caso atual, vestem-se de uma armadura de inatacabilidade, soberania impoluta, sentem-se quase um enviado divino, nada os fere, nada os suja, nada lhes diz respeito a não ser que sejam elogios, loas, enaltecimentos. Respaldam-se nos para-choques fantasiados de assessores, aqueles que triam as informações e só deixam chegar ao chefe o que ele, o chefe, gostaria de ouvir. Selecionam outros puxa-sacos a quem o chefe receberia com prazer, elevariam seu bem estar com o próprio ego, o tratariam como divindade.

E o chefe, no caso o Cabral, acusam todo e qualquer crítico de “mal intencionado”, “golpista”, “viúvo do governo anterior”... Destratam o acusador, a velha lição stalinista muito bem assimilada por políticos de qualquer matiz.

Ao partir para a ofensa contra o Leandro, Cabral se valia da empáfia daqueles que têm as costas guardadas por agentes de segurança (nesse episódio, os dele e os de Lula), os puxa-sacos profissionais assalariados a preço de ouro, a imprensa amiga e populares inertes que teimam em dar a essa gente o status de intocáveis que eles próprios acreditam ter.

©Marcos Pontes

2 comentários:

Bea - Compulsão Diária disse...

São abjetos- Cabral e Mula
Falam "porra" o tempo todo. Dois truculentos. É na mão desse tipo de governante que o Brasil se encontra. Dão mal exemplo e mostram a completa falta de valores. Lamentável.

@alephsouza disse...

A quem recorrer em tal situação? O presidente preocupa-se com o “prejuízo político” e o governador, de maneira preconceituosa, ataca a conduta do cidadão. Pouca importa a voz ou a sua realidade. Fica evidente que o importante é a perpetuação no poder, mesmo que isto signifique passar por cima do cidadão. Acusar, mentir, distorcer e manter as aparências: vale tudo nesse jogo.
Ao Leandro, autor do vídeo, ficam os agradecimentos pela coragem. Afinal, o seu ato é gigantesco: diante do Leviatã, ousou levantar sua voz. Que nos sirva como exemplo.