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segunda-feira, setembro 19, 2011

Por que a esquerda não vota distrital?

Voto Distrital e bipartidarismo1

 

O nome diz muito e fala pouco: democracia representativa. Já que nem todo cidadão pode expressar suas carências e aspirações aos ouvidos de seus deputados, até pela impraticidade, elege seus representantes. Isso teoricamente, porque na prática nossos pseudo-representantes legislam ou executam de acordo com os ditames de suas lideranças partidárias, dos interesses pessoais ou desejos corporativos.

A esquerda adora pregar a democracia participativa, mas não se furta em ignorar os pedidos dos eleitores, mesmo quando esses se juntam aos milhares em praça pública reivindicando isso ou aquilo.

Ademais, a esquerda também tem memória curta. Esquece-se, entre tantas bandeiras anteriores, dos tempos em que pedia liberdade de imprensa uma vez que passou a interessar às suas lideranças calar a pequena, mas barulhenta, parte da imprensa que lhe faz oposição; olvida-se dos tempos em que pregava o fim da corrupção da esquerda porque pedir o fim da corrupção nos dias atuais passou a ser golpismo contra sua presidente; não lembra-se mais dos tempos em que pregava a mesma democracia participativa citada acima, afinal de contas isso diminuiria o poder dos que seus mandatários absolutistas esperam deter em sua posse, diante do silêncio obsequioso da massa.

A participação popular resume-se ao voto, às gritarias insatisfeitas e inaudíveis dentro dos gabinetes Ou aos apupos de apoio amplamente audível e bem aceita. O resto é ilusão política.

Pegando-se o exemplo da Bahia, dividida em 9 regiões administrativas, algumas das quais muito pouco ou nada representadas no legislativo estadual e nenhuma federal. Como pode-se dizer que essa gente é representada? Seria a multidão dos Sem Políticos. E como dar-lhes alguma representatividade? A resposta é simples: pelo voto distrital. Seria tão simples se não houvessem interesses inconfessáveis como empecilho.

Uma justificativa da esquerda, a mim apresentada pelo tuiteiro @Jack_LeiteP, é que o voto distrital enfraqueceria os partidos uma vez que os eleitores votariam em candidatos, não em partidos. Isso até poderia ser verdade se fosse justificativa para não acabar com o voto ptoporcional, uma aberração que fortalece os partidos, muitas vezes elegendo gente com menos voto em detrimento de mais bem votados, porém necessitados de maior percentual, no mais, não passa de falácia. Ainda vota-se mais em candidatos do que em partidos. Além disso, talvez o voto distrital viesse justamente a fortalecer os partidos que se veriam obrigado a abrir diretórios em maior número de cidades.

De fato, independentemente de ser direita, centro ou esquerda, o que elege a arraia miúda é um ou dois dos seguintes fatores: apadrinhamento político forte, muito dinheiro para a campanha ou carona no percentual dos campeões de voto.

Quem conta com duas dessas três variáveis consegue votos em qualquer distrito. Isso explica porque o senador Walter Pinheiro, do PT, ou o deputado federal ACM Neto, do DEM, políticos que raramente saem da capital, local de nascimento de ambos, conseguem votos em praticamente todas as cidades baianas. Seja lá qual for o seu estado, caro leitor, exemplos semelhantes poderão ser encontrados.

No PT, um verdadeiro saco de sublegendas, a corrente majoritária, aquela comandada por Zé Dirceu, Lula, Greenhalgh, Barzoini, Vaccarezza, Mercadante, Dutra e outros xerifes diariamente dando as cartas na imprensa, além de ser contra o voto distrital, defende o voto em lista, que a memória seletiva da esquerda não lhes permite lembrar que seria nada menos que a reedição do voto vinculado instituído pela ARENA e tão condenado pela esquerda de outrora que hoje o defende.

O voto distrital, o voto não em lista e o fim do voto proporcional não enfraquecem os partidos, enfraquecem seus donos, por isso os totalitaristas da esquerda reprovam os três. Para apoiá-los, aos donos, existe uma massa acéfala que os segue como carneirinhos, ignorada nas verdadeiras decisões partidárias e que não se permite perceber que também não é representada.

 

©Marcos Pontes

6 comentários:

Velvet Poison disse...

Fim do feudo. #EuVotoDistrital. E sonho com voto facultativo, mas creio ser um nível de civilização que não estamos prontos para ele, ainda....

Sonia disse...

Também sonho com o voto facultativo, isso há vários anos, já. Mas devo admitir que a Regina está certíssima em dizer que o nível ainda é assaz elevado pra nossa pouca civilização... rsrs
Assim, vamos num passo de cada vez. #EuVotoDistrital

PoPa disse...

A verdade é que o sistema atual deixa os partidos com forças que eles não deveriam ter. Deixa presidentes reféns dos ditames de caciques que nada mais querem que se locupletar, conseguir cargos para afilhados e enriquecer. Voto distrital tira poder dos partidos, sim. E é bom que o faça, para que os partidos tenham o poder que precisam ter. Para que os políticos tenham o poder que precisam ter. E para que o povo tenha o poder que precisa ter.

Belíssimo texto!

Aluizio Amorim disse...

Está perfeito seu artigo.
E nesta terça TODOS JUNTOS CONTRA A CORRUPÇÃO às 17 horas na Cinelândia, no Rio!
abs

AGUIA DOURADA disse...

Infelismente para os vermelhinhos caro Marcos o Brasil do Bem está reagindo e mostrando nas ruas sua indiganção, o projeto deles jamais passara no congresso, a pressão é tão grande que os aliados vão cair fora desta arapuca, sou voto distrital que para o momento politico é uma boa alternativa.

Blog do Cabanas disse...

Mais um tiro na mosca.
E como aqui foi ressaltado, infelizmente nossa cultura política não nos permite ainda o voto facultativo então, já passa da hora de se adotar o distrital e, contamos com avanço do aculturamento politico para o VOTO CERTO.