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domingo, setembro 11, 2005

Apresentando

Um layout novo em folha.
Estou aqui, sem palavras e ele ainda me diz que eu sou boa com elas que, fogem de mim.
Levei uma hora pra digitar esse testículo e estou sendo prolixa demais.
Sei que ninguém vai entender o dito acima, mas nem foi mesmo pra ser entendida que estou digitando.
Prometido há muito tempo. Espero que tenha ficado ao gosto do dono do blog.
Eu juro que outro dia eu volto com muita calma e deixo por "acá" palavras inefáveis e invejáveis!

[Cara de paisagem!]

Beijocas

Lelinha, a doninha da canetinha.
Muito bonita a casa nova, a madrinha aqui aprovou!

Karina

sábado, setembro 10, 2005

- Tô com reiva desse ômi!
- O que ele lhe fez?
- Me ofendeu.
- Como?
- Me deu um diçonáro de presente.




Mozart, Paciência e Traição


Gostei desse título.

Pero, não se enganem, incautos leitores. O texto nada tem a ver com o músico austríaco, muito menos com a decantada virtude da paciência.

Mozart, pronuncia-se mozár, é um daqueles serzinhos invisíveis em qualquer cidade, mas de tanto o vermos indo e vindo não se sabe de ou para onde, acaba por atiçar nossa curiosidade.

Esse senhor, sempre bêbado a ponto de nos dar a impressão de que anda trôpego mesmo quando sóbrio (se é que algum dia nos últimos anos andou nessa condição), veste-se com a elegância simples de um funcionário público de quinto escalão. Sapato de couro, camisa de algodão e indefectível calça de tergal. Não anda sujo ou maltrapilho, o que me levou a deduzir que havia alguém em casa tomando conta dele. Mais tarde vim a saber que é a mãe.

Mozart é um daqueles mecânicos natos. Diz nossa lenda urbana que o infeliz senhor, que aparenta ter entre 45 e 50 anos, consertava desde relógio de pulso a motor de carreta sem nunca ter tomado qualquer curso.

Outra figura lendária no centro de Eunápolis é o Paciência. Ninguém sabe ao certo seu nome.

O rapaz é querido e alimentado pelos lojistas. Nas últimas eleições apareceram até cartazes lançando sua candidatura a prefeito. Trata todos com a educação que sua timidez permite. Veste-se com roupas velhas doadas e as enfeita como faria o Falcão, caso fosse mendigo, pendurando qualquer tralha no pescoço ou no peito da camisa, à guisa de broche.

Ao contrário de Mozart, Paciência tem um ponto fixo. Passa o dia sentado na calçada em frente a uma loja de CD's (não gosto dessa grafia. O correto seria CC.DD., mas encontra-se em desuso, por isso poucos sabem disso) tocando bateria em latas e pratos velhos.

Alguém um dia o reconheceu como ex-baterista de uma banda de Belo Horizonte no final dos anos 70 e início dos 80.

O que mais esses dois têm em comum além de suas vidas heterodoxas? Ambos despirocaram de vez depois de serem traídos por suas mulheres amadas.

O amor só é lindo quando é novo e/ou quando correspondido.

sexta-feira, setembro 09, 2005

Filho, a trepada que dura uma vida.



Crise de Vida


Em busca, sempre, de explicações simplistas que no final das contas não explicam nada, mas que satisfazem os pouco exigentes, é comum as pessoas se tranqüilizarem com justificativas cabalísticas, metafísicas, astrológicas ou simplesmente inexplicáveis para seus problemas.

A Micha propôs como tema para seu post comunitário "A Crise dos 20". Para ser franco, não entendi sequer o tema, quanto a haver crise numa idade específica é a coisa mais boba que posso imaginar.

Crise por crise, vamos lá:

- Crise do nascimento: tava tão bom dentro do útero quentinho, protegido e alimentado 24 horas por dia... Oh, Deus, por que me fizeste nascer?

- Crise do jardim da infância: estava tão bom em casa, o rei (ou rainha) do lar; dormir, comer, brincar e, ainda por cima, ser paparicado(a). Por que, Senhor, inventaste compromissos para mim, quando estava tão bem sem nenhum?

- Crise de filho mais velho: era só eu, estava tudo muito bem, o centro das atenções, ninguém com quem dividir meus brinquedos, meu chocolate e os carinhos, agora nasce essa verruga pra encher o saco. Oh, Pai, por que não esterelizaste meu pai depois que eu nasci?

- Crise da puberdade: que vergonha! Pêlos na púbis, pêlos nas axilas, pêlos nas pernas e braços, mudança de voz, interesse pelo sexo oposto, polução noturna, crescimento dos seios... Socorro! Estou virando um monstro.

E por aí vai. A cada etapa da vida, cria-se mais uma crise. Essa dos 20 eu nunca havia ouvido falar, de repente, em menos de três meses, parece que é uma teoria proposta e comprovada por todas as áreas da ciência.

Não existem crises cíclicas e, sim, fases naturais do desenvolvimento tanto físico quanto psíquico do indivíduo. Aquilo por que uma pessoa passa aos 22 anos, outra pode encarar aos 25, um terceiro aos 18 e mais uma nunca enfrentar.

A genialidade está na simplicidade, não no simplismo.

quinta-feira, setembro 08, 2005

Administrar dinheiro é fácil. Difícil é administrar a falta dele.




Culpa por outros


Ele me contou que em 1982 trabalhava numa empresa de telefonia em Belém. Vale lembrar que era plena ditadura militar e que todas as "teles" eram estatais.

As centrais telefônicas digitais eram novidade, pouquíssimas estavam funcionando no país. Nas analógicas então em operação era necessária uma manutenção diretamente nos juntores, as peças eletro-eletrônicas-mecânicas cheias de relés e fios, pelas quais passavam as ligações. Para cada conversa em curso um cursor era ocupado. Era comum um relé "colar" e a ligação cair. Quando isso ocorria uma luzinha ficava acesa, acusando um possível problema naquele juntor.

Um funcionário com um fone introduzia um plug no juntore ouvia parte da conversar para verificar se havia ou não alguma falha ocorrendo.

Vamos à segunda parte da história. Depois a gente junta as duas.

Naquele ano o presidente da república era o general João Batista Figueiredo. Apoiando os candidatos do PDS, partido dos ditadores e seus asseclas, ele iria a Belém no dia 14 de novembro, véspera das eleições. Na antevéspera de sua chegada o país vira pelo Jornal Nacional que um deputado estadual, de quem não consegui descobrir o nome nos arquivos d'O Liberal e que ele também não lembra, do MDB, único partido de oposição, morrera afogado em Santarém quando a lancha em que viajava naufragou em um igarapé.

No dia da chegada do general-presidente a Belém, encontraram o corpo do deputado.

Juntando as duas histórias e formando uma.

Imagine, caro leitor, o inferno que era a telefonia há 23 anos. Imagine agora o panavueiro que era quando um presidente, ainda por cima general e, ainda pior, no meio de uma ditadura, chegava a uma cidade com apenas o mínimo de estrutura no setor. Os técnicos ficavam com o fiofó na mão e passavam o dia inteiro dentro da central, prontos para resolver qulauqer anormalidade antes mesmo dela acontecer.

Lá pras tantas acendeu uma luzinha em um dos juntores. Ele correu pra lá e enfiou o plug na tomada. O que ouviu o tirou do chão.

Era uma conversa de alguém de Santarém com alguém de dentro do Palácio do governo. O homem da capital estava preocupado com as marcas no crânio do cadáver do deputado ao que o se Santarém o tranqüilizava, as marcas seriam tidas como machucados nas pedras do fundo do igarapé. O governador podia ficar seguro?, perguntava o do Palácio. Sem qualquer problema, o legista é nosso. E os caras que estavam com o governador na lancha? Já estão longe de Santarém.

Assustado ele chamou um colega para ouvir a conversa ao que o outro deu de ombros, como que dzendo esquece isso, não te mete. Mas há 23 anos ele não consegue esquecer.

Ao chegar em casa ele ligou para a Polícia Federal para comunicar um assassinato. O agente que o atendera disse que não recebiam denúncias anônimas, que ele deveria ir lá pessoalmente para formalizar a sua. Tá louco?

Escreveu uma carta anônima para o então ministro da justiça, hoje deputado federal por Minas Gerais, Ibrhim Abi Ackel. Nessa carta ele detalhava oteor da conversa que ouvira, sem dar maiores detalhes que pudessem levar a polícia até ele. Ao que tudo indica, nada adiantou.

Há 23 anos ele se tortura por saber que um homem fora morto e que seus algozes jamais foram punidos.