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quinta-feira, setembro 10, 2009

Quinta arrumada

 

elvis

 

Nem tudo está perdido. Quase tudo, mas nem tudo.

O genro de Sarney, Jorge Murad está sendo processado pelo Tribunal de Justiça do Maranhão; O Ilusionista está arrolado como testemunha no processo do mensalão que corre no STF, algo inédito na história da República, ter o presidente como testemunha; Battisti, o terrorista italiano, está quase tendo seu refúgio cassado pelo mesmo STF... Uma semana auspiciosa em se tratando de resoluções da Justiça.

Escaldado, já espero pela absolvição em julgamento ou por decurso de prazo que levaria à extinção da pena por caducação dos possíveis crimes; que o depoimento do Ilusionista seja cheio de meias palavras e nenhuma verdade levando aos juízes tomarem como verdade absoluta e provas incontestes tudo o que ele disser, levando à extinção do processo contra Roberto Jeferson, Delúbio Soares, Marcos Valério e quem mais estiver sendo processado; e que Cesare Battisti ganhe liberdade e asilo político. Pessimista? Talvez. Mas ninguém pode negar que motivos tenho de sobra pra pensar assim.

Mudando de tema, mas mantendo o assunto, me perguntaram porque chamo o presidente de O Ilusionista. Pelos mesmos motivos porque chamo sua ministra da Casa Civil de A Terrorista Quase Humana: 1. Porque é verdade; 2. Para ensaiar uma possível fuga da censura caso a internet comece a ser censurada com a mudança das leis eleitorais ou seja aprovado o projeto de lei do Eduardo Azeredo.

Azeredo e meia dúzia de policiais ideológicos fantasiados de parlamentares querem que todo internauta se identifique. Até entendo, para desgosto de muitos amigos. Se o Artigo Quinto da Constituição Federal assegura o direito de opinião, ele também renega o anonimato. Quanto ao anonimato, não tenho problema, sempre me identifiquei, o que tenho medo é da censura das idéias. Por mais inocente que me considere, dado o direito que tenho de falar o que quiser, quando e como desejar, sei que alguns malucos podem tentar me calar, como vem tentando e até conseguindo amordaçar vários blogs e sites. Eu ter direitos não significa que não corro o risco de encarar advogados, promotores, juízes e muita aporrinhação apenas por abrir a boca.

Aprendi com os jornais e revistas da época da ditadura. Quando tinham uma matéria censurada, publicavam no espaço receitas de bolo ou poesias chinfrins ou não. Escamoteavam os nomes de autoridades e políticos com pseudônimos. Arrumavam maneiras bem humoradas de driblar a tesoura cega. Aliás, este substantivo tem duplo sentido. Cega por não ter fio, cortar errado, burramente, deixando pontas soltas e mal acabadas; cega também por não ver. Censores são burros por excelência. Só asnos se sujeitam à missão criminosa de censurar a opinião alheia por discordarem delas ou por não as compreenderem.

Azeredo, ao propor a censura, está fazendo o jogo do Ilusionista que mira-se em El Loco que fecha rádios, lacra jornais, cassa televisões que não aceitam seu autoritarismo bolivariano. O governo brasileiro tem calado a imprensa opositora com a compra de espaços publicitários, mas não consegue calar/comprar a todos, daí o risco de apelar para a cassação da palavra, o fechamento sumário, o processo penal fantasiado de legalidade. Azeredo não percebeu que está armando o inimigo. Até parece o Papaléo, o tucano de estrelinha no peito e Sarney na cabeça.

©Marcos Pontes

segunda-feira, setembro 07, 2009

E-mail aos senadores

senadores

Os amigos leitores já sabem que costumo enviar e-mail para os senadores, pois acabo de enviar outro. O texto está aí embaixo à disposição de quem quiser copiar e enviar também. estejam à vontade para modificar, acrescentar oi retirar, só não deixem de mandar aos nossos “representantes”. Lá embaixo está a lista com o e-adress de cada um. Sirvam-se e divulguem, por favor. Não podemos ficar calados para não corrermos o risco de sermos os próximos amordaçados.

Excelentíssimos Senadores,

Preocupa o constante cerceamento da liberdade de expressão pregado pela Constituição Federal em seu Artigo 5°.

Não bastassem os exemplos preocupantes que chegam diariamente dos nossos países vizinhos onde veículos de comunicação de massa são fechados numa constância nunca dantes vista e jornalistas e cidadãos comuns são presos e processados por terem exercido o direito natural de manifestarem-se livremente e exporem suas posições político-ideológicas, a prática vem acontecendo silenciosamente no Brasil.

O Judiciário tem dado cobertura aos processos, cassando a palavra, a voz do cidadão comum que quer apenas expressar-se, fazer-se ouvir pelas autoridades. Aos cidadãos de bem que lêem jornais e revistas, que assistem aos telejornais e entendendo as matérias veiculadas não é mais permitido discordar sem o medo de ver-se perseguido. Pior, com a anuência de nossos juízes, aqueles que deveriam defender os direitos do cidadão contra o autoritarismo.

Se vossa excelência é da base governista, deve lembrar-se que foi bandeira de sua geração a luta pela liberdade de expressão; se vossa excelência é da oposição, deve ter percebido que está sendo difícil se fazer ouvir mesmo gritando alto, muito pior quando não se tem a tribuna, as câmaras de televisão e os microfones das rádios. Se a propaganda governista é tão ruidosa eu abafa as vozes de vossas excelência, muito mais duro tem sido para o eleitor comum que ainda tem de combater a censura oficiosa do Judiciário.

Posso citar os exemplos da jornalista Alcinéia Cavalcante, do Amapá (http://www.alcinea.com/), do senhor Chico Bruno (http://www.chicobruno.com.br/), do senhor Correa Neto (http://www.correaneto.com.br/) . Mais gente tem estado na mira dos políticos que desmandam e fazem questão de manter-se sem serem importunados e apelam para a Justiça que tem visto apenas o lado dos mais fortes. Não é à toa que a imagem das instituições públicas e de seus homens e mulheres está desgastada, sem credibilidade. O cidadão já não sente-se representado e quando tenta levantar a voz é amordaçado. Excelências, isso não é democracia, mas uma ditadura disfarçada e nós, eleitores, estamos sendo calados paulatinamente, um após outro, enquanto que o governo aumenta seu alcance de propaganda através de blog, rádio on line e TV on line. Está se apoderando dos meios de comunicação em peso, seja comprando a opinião dos veículos privados através de patrocínio, seja montando sua própria rede de pseudo-informação, seja calando as vozes opositoras.

Fiquemos atentos, excelências. Não deixemos que os exemplos de países vizinhos se repita por aqui. Não pedimos muito, apenas que a Constituição Federal seja respeitada e possamos nos manifestar livremente, sem mordaça, sem autoritarismo. Pode-se calar algumas vozes por algum tempo, mas não todas as vozes para sempre e uma boca amordaçada torna-se símbolo para que todas as demais bocas gritem.

Espero ouvir manifestações de vossas excelências no plenário, nos jornais, rádios, sites e tevês contra esse desmando branco por parte dos políticos e dos juízes coniventes.

Saudações de um brasileiro preocupado.

E-adress de cada um dos senadores:

acmjr@senador.gov.br <acmjr@senador.gov.br>,  adelmir.santana@senador.gov.br <adelmir.santana@senador.gov.br>,  almeida.lima@senador.gov.br <almeida.lima@senador.gov.br>,  alvarodias@senador.gov.br <alvarodias@senador.gov.br>,  antval@senador.gov.br <antval@senador.gov.br>,  arthur.virgilio@senador.gov.br <arthur.virgilio@senador.gov.br>,  augusto.botelho@senador.gov.br <augusto.botelho@senador.gov.br>,  cesarborges@senador.gov.br <cesarborges@senador.gov.br>,  cicero.lucena@senador.gov.br <cicero.lucena@senador.gov.br>,  cristovam@senador.gov.br <cristovam@senador.gov.br>,  crivella@senador.gov.br <crivella@senador.gov.br>,  delcidio.amaral@senador.gov.br <delcidio.amaral@senador.gov.br>,  demostenes.torres@senador.gov.br <demostenes.torres@senador.gov.br>,  ecafeteira@senador.gov.br < ecafeteira@senador.gov.br>,  eduardo.azeredo@senador.gov.br <eduardo.azeredo@senador.gov.br>,  eduardo.suplicy@senador.gov.br <eduardo.suplicy@senador.gov.br>,  efraim.morais@senador.gov.br <efraim.morais@senador.gov.br>,  eliseuresende@senador.gov.br <eliseuresende@senador.gov.br>,  expedito.junior@senador.gov.br <expedito.junior@senador.gov.br>,  fatima.cleide@senadora.gov.br <fatima.cleide@senadora.gov.br>,  fernando.collor@senador.gov.br <fernando.collor@senador.gov.br>,  flavioarns@senador.gov.br <flavioarns@senador.gov.br>,  flexaribeiro@senador.gov.br <flexaribeiro@senador.gov.br>,  francisco.dornelles@senador.gov.br <francisco.dornelles@senador.gov.br>,  garibaldi.alves@senador.gov.br <garibaldi.alves@senador.gov.br>,  gecamata@senador.gov.br <gecamata@senador.gov.br>,  geraldo.mesquita@senador.gov.br <geraldo.mesquita@senador.gov.br>,  gilberto.goellner@senador.gov.br <gilberto.goellner@senador.gov.br>,  gilvamborges@senador.gov.br <gilvamborges@senador.gov.br>,  gim.argello@senador.gov.br <gim.argello@senador.gov.br>,  heraclito.fortes@senador.gov.br <heraclito.fortes@senador.gov.br>,  ideli.salvatti@senadora.gov.br <ideli.salvatti@senadora.gov.br>,  inacioarruda@senador.gov.br <inacioarruda@senador.gov.br>,  j.v.claudino@senador.gov.br <j.v.claudino@senador.gov.br>,  jarbas.vasconcelos@senador.gov.br <jarbas.vasconcelos@senador.gov.br>,  jayme.campos@senador.gov.br <jayme.campos@senador.gov.br>,  jefferson.praia@senador.gov.br <jefferson.praia@senador.gov.br>,  joaodurval@senador.gov.br <joaodurval@senador.gov.br>,  joaopedro@senador.gov.br <joaopedro@senador.gov.br>,  joaoribeiro@senador.gov.br <joaoribeiro@senador.gov.br>,  jose.agripino@senador.gov.br <jose.agripino@senador.gov.br>,  josenery@senador.gov.br <josenery@senador.gov.br>,  jtenorio@senador.gov.br <jtenorio@senador.gov.br>,  katia.abreu@senadora.gov.br <katia.abreu@senadora.gov.br>,  leomar@senador.gov.br <leomar@senador.gov.br>,  lobaofilho@senador.gov.br <lobaofilho@senador.gov.br>,  lucia.vania@senadora.gov.br <lucia.vania@senadora.gov.br>,  magnomalta@senador.gov.br <magnomalta@senador.gov.br>,  maosanta@senador.gov.br <maosanta@senador.gov.br>,  marco.maciel@senador.gov.br <marco.maciel@senador.gov.br>,  marconi.perillo@senador.gov.br <marconi.perillo@senador.gov.br>,  maria.carmo@senadora.gov.br <maria.carmo@senadora.gov.br>,  marinasi@senado.gov.br <marinasi@senado.gov.br>,  mario.couto@senador.gov.br <mario.couto@senador.gov.br>,  marisa.serrano@senadora.gov.br <marisa.serrano@senadora.gov.br>,  mercadante@senador.gov.br <mercadante@senador.gov.br>,  mozarildo@senador.gov.br <mozarildo@senador.gov.br>,  neutodeconto@senador.gov.br <neutodeconto@senador.gov.br>,  osmardias@senador.gov.br <osmardias@senador.gov.br>,  papaleo@senador.gov.br <papaleo@senador.gov.br>,  patricia@senadora.gov.br <patricia@senadora.gov.br>,  paulo.duque@senador.gov.br <paulo.duque@senador.gov.br>,  paulopaim@senador.gov.br <paulopaim@senador.gov.br>,  raimundocolombo@senador.gov.br <raimundocolombo@senador.gov.br>,  renan.calheiros@senador.gov.br <renan.calheiros@senador.gov.br>,  renatoc@senador.gov.br <renatoc@senador.gov.br>,  robertocavalcanti@senador.gov.br <robertocavalcanti@senador.gov.br>,  romero.juca@senador.gov.br <romero.juca@senador.gov.br>,  romeu.tuma@senador.gov.br <romeu.tuma@senador.gov.br>,  rosalba.ciarlini@senadora.gov.br <rosalba.ciarlini@senadora.gov.br>,  sarney@senador.gov.br <sarney@senador.gov.br>,  sergio.guerra@senador.gov.br <sergio.guerra@senador.gov.br>,  serys@senadora.gov.br <serys@senadora.gov.br>,  simon@senador.gov.br <simon@senador.gov.br>,  tasso.jereissati@senador.gov.br <tasso.jereissati@senador.gov.br>,  tiao.viana@senador.gov.br <tiao.viana@senador.gov.br>,  valdir.raupp@senador.gov.br <valdir.raupp@senador.gov.br>,  valterpereira@senador.gov.br <valterpereira@senador.gov.br>,  webmaster.secs@senado.gov.br <webmaster.secs@senado.gov.br>,  wellington.salgado@senador.gov.br <wellington.salgado@senador.gov.br>,  zambiasi@senador.gov.br <zambiasi@senador.gov.br>

©Marcos Pontes

sábado, setembro 05, 2009

Post requentado

AUTO_solda

Como venho fazendo há algumas semanas, aqui vai o post de quatro anos atrás, quando o blog passava pela fase de crônicas. Infelizmente, o mal citado continua atual:

"O demônio pode citar as Escrituras para justificar seus fins."

(Shakespeare).

Pensar dói

Artistas e intelectuais (uns destroem ou eternizam o que outros criaram, mas esse é outro papo) são seres diferenciados.
Se é estrangeiro, é bom.
O presidente da República é o mandatário da nação.
Se é louro(a), alto(a) e de olhos claros, é bonito(a).
O Sul é melhor que o Nordeste.
O Nordeste é melhor que o Sul.
Argentinos são uns malas e brasileiro é legal.
Não sei quem é pior, se quem cria essas máximas como verdade absoluta ou quem as repete como uma verdade divina.
Já dizia o Millôr, "livre pensar é só pensar", mas para a maioria dos humanos esse é um exercício muito doloroso, mais fácil copiar as verdades alheias, mesmo que isso contradiga todo seu modo de viver.
Poucos se dão ao direito de questionar o que engolem no dia a dia, contestar, então...
Aproveitando-se disso que, dia a dia, são-nos empurradas goela abaixo zilhões de coisinhas que muito bem poderiam passar em branco em nossas vidas. Não fariam falta a ninguém, desde idéias até descacador de batatas a laser, de governadores a presonal trainers eletrônicos, de Paulo Coelho a dança da bundinha e outros bondes malucos. A gente engole sem mastigar e ainda lambe os beiços depois de nos "deliciarmos" com tantas fezes.

 

©Marcos Pontes

quinta-feira, setembro 03, 2009

Carta aberta a Lula

Lula

Excelentíssimo senhor presidente, muito tenho me controlado em não lhe enviar sequer uma linha escrita, a simples idéia de me comunicar com v. exa. Me dá vertigem, raiva e nojo, uma miscelânea de sentimentos nada nobres ou agradáveis.

Não é à toa que sinto o que sinto e não são poucos os motivos para que esses sintomas desagradabilíssimos de repulsa se ampliem. Nesses trinta anos que sei de sua existência vi sua trajetória mudar radicalmente, embora jamais tenha saído do campo da mediocridade mental e comportamento social duvidoso. Suas ações de governante máximo do país nos últimos seis anos e meio apenas multiplicaram as evidências do pouco trato que vossa excelência tem com a verdade, a honradez, a honestidade, a moral, o respeito a terceiros e às instituições públicas nacionais.

Por anos a fio vossa excelência bateu na tecla de que era o último defensor das virtudes. Tanto bateu nessa tecla que terminou convencendo aos desavisados que estava certo. A velha máxima de Göebbels – tantas e tantas vezes seguida pelos e seus asseclas – que uma mentira repetida tantas vezes acaba virando verdade, mostrou que é uma verdade per si. Aliás, excelência, seus amigos Zé Dirceu e Franklin Martins, os mentores da propaganda de seu governo, demonstram diariamente que são excelentes alunos do líder da propaganda hitlerista. Desde antes de sua primeira vitória nas urnas, Dirceu e Martins, além de Greenhalgh e alguns outros da corrente mandante do PT, têm demonstrado que seguiriam à risca os mandamentos de Göebbels.

A maior mentira, embora possa parecer a mais inocente para os desavisados, é a desculpa tantas vezes repetida que já poderia ser estampada por carimbo nos comunicados oficiais cada vez que eclode um escândalo: “eu não sabia” ou “eu não sei de nada”, apenas uma pequena adaptação no tempo do verbo saber.

Assim foi no caso do mensalão. Sua palavra bastou como desculpa, explicação, defesa e mote para a absolvição. Vossa excelência disse que não sabia, que os aloprados (a quem o senhor não nominou, demonstrando que escondia nomes na covardia típica de quem não quer se comprometer já estando comprometido) o haviam apunhalado pelas costas. Nas entrelinhas, ao se dizer apunhalado por seus companheiros, mesmo sendo um iletrado orgulhoso dessa condição, vossa excelência deixa transparecer sua megalomania, sua egolatria, ao comparar-se com Júlio César.

Outras tantas vezes, muitas vezes, o senhor presidente fez uso da mesma desculpa. Dentre seus cacoetes verbais do tipo “sabe?”, “quer dizer”, “nunca na história desse país” a desculpa foi repetida à exaustão, como um vício incontrolável. Tantas e tantas vezes repetida que ninguém sequer dá mais importância. Virou verdade.

Verdade tão absoluta e desculpa tão forte, mesmo sendo completamente vazia de argumentação e dados, que passou a ser repetida também por seus camaradas. Os parlamentares comprados não sabiam do mensalão; Delúbio não sabia do caixa dois; Sarney não sabia dos atos secretos; Palocci não sabia da conta do caseiro; Zé Dirceu não sabia dos mensaleiros; seus ministros e assessores não sabiam que os cartões corporativos não deveriam pagar despesas pessoais; dona Mariza não sabia que a cadela Michele usava carro oficial para ir ao cabeleireiro; nós não sabemos onde foram parar os mais de R$ 42 milhões arrecadados para o natimorto Fome Zero... Esse último não foi uma desculpa, apenas uma ignorância coletiva.

A mentira, excelência, assim como a mudança de princípios e de convicções, são constâncias em seu governo e em sua personalidade.

Me lembro que no início dos anos 80 o senhor e sua curriola ensaiadinha, os lulinhas amestrados – alguns, ridiculamente prendem a língua de propósito e usam barba até hoje – pregavam o fim do assistencialismo de estado, que isso era compra de votos e montagem de curral eleitoral. Hoje a Bolsa-Família é seu maior cabo eleitoral; lembro que o senhor falava mal da direita, eram eles o próprio capeta de terno e gravata, hoje anda de braços dados com Collor, Sarney (embora esse não saiba o que é ideologia política, apenas financeira), Calheiros (idem); que o senhor pregava a urgente necessidade de reforma agrária e apoiava a invasão de latifúndios improdutivos e cobrava dos governos, de Geisel a FHC, a dita reforma, mas que mantém a postura e assentou menos famílias que o governo anterior e continua fazendo vista grossa e até financia os terroristas rurais (mais um ato de assistencialismo de estado, pior, a terroristas). São muitos os exemplos. Minha memória não é suficientemente boa para eu listar todos os casos e nem o espaço aqui é suficiente.

De mentira em mentira, insistentemente repetidas, vossa excelência terminou firmando-se como um estadista para o povaréu que engole as informações saem mastigar, sem questionar. Pensar dói, mais fácil aceitar a versão oficial. Nisso o senhor é bom, percebeu essa fraqueza nos milhões de despreparados intelectuais. Reconheceu-se entre eles, identificou-se com os que não pensam. Soube manipular suas consciências e senso crítico, firmou-se como líder dos beócios. O beócio-mor.

Suas duas últimas e mais insistentes mentiras têm nome: Dilma e pré-sal. A primeira é mentira completa com nome, sobrenome e currículo. Ela fez da mentira sua escada. Mentiu e traiu companheiros de luta, dissimulou dentro da célula de que participou, dissimulou até sua biografia para parecer-se mais do que é ou que me faz pensar que é ela é muito menos do que é de fato.

Como Dilma, a Terrorista Quase Humana, o pré-sal corre o risco de se tornar verdade.

Não temos tecnologia para retirar óleo daquelas profundezas em menos de 20 anos. Os materiais utilizados têm-se rompido à grande profundidade e não há previsão para que as falhas sejam superadas. Daqui a vinte anos, quando e se o óleo brotar, muito provavelmente boa parte dos motores a combustão de combustíveis fósseis em todo o mundo terá sido substituída por motores de combustão de combustíveis renováveis e energia limpa (solar, eólica...). A urgência de aprovar o “pacote pré-sal” no Congresso esconde coisas inconfessáveis e que a oposição faz de conta que não sabe. Ao transferir recursos do FGTS para o pré-sal, demonstra-se que a empresa não tem recursos próprios para investir na aventura. A falta de dinheiro, aliás, ficou evidente quando a empresa pediu empréstimo à China e pagará a dívida em óleo por décadas.

Fora a falta de recursos, há a campanha eleitoral. Vossa Excelência, sob orientação do “goebeliano” Franklin Martins, colocou a oposição contra a parede. Se os opositores baterem nas intenções de seus camaradas, na campanha serão acusados de antinacionalistas, de privatizadores celerados. Por outro lado, se caírem na esparrela de aprovarem o pacote, o senhor ficará com a faca, o queijo e a empresa nas mãos. Terá a empresa como cabo eleitoral.

Vossa excelência continuará mandando e desmandando enquanto não tiver oposição organizada e limpa, além de poder comprar votos sem que a Justiça Eleitoral abra os olhos. Tenho medo que faça seu(ua) sucessor(a), o que nos condenará a mais quatro anos, pelo menos, de mentiras, manipulação, corrupção galopante e inatacável, Judiciário vendido, Legislativo inoperante e população ludibriada, idiotamente cega.

Medo, excelência, muito medo de que o que vossa excelência fez desse país se perpetue e sejamos eternamente condenados à imbecilização coletiva e à esmola institucionalizada em troca de votos e favores.

 

©Marcos Pontes

terça-feira, setembro 01, 2009

Passeata pela paz

passeata 2

Há poucos dias fiz um post sobre o assassinato de um ex-aluno e um protesto por causa da violência que toma conta do país, inclusive do interior. Nem a zona rural, antes sinônimo de inocência e paz, está sendo invadido pelas hordas criminosas.

Dias depois escrevi o artigo abaixo no site local Radar 64. O retorno foi imediato.

Com quase 200 comentários de apoio, o artigo levou os clubes de serviço, entidades de classe, sindicatos e escolas se unirem num tempo recorde e formar a passeata mostrada aqui em algumas fotos que fiz com meu celular.

passeata 4

Me colocaram em cima de um carro de som discursando durante o trajeto. Com tantos políticos presentes, preferi tomar conta do microfone do que deixar que imbecis tentassem capitalizar politicamente sua parca e oportunista participação.

A imprensa local, mais a Record News e a sucursal da Globo em Itabuna estiveram cobrindo a manifestação e logo poderei mostrar mais fotos e notas. Por enquanto fica a torcida para que nossas reivindicações cheguem aos ouvidos do governador e atitudes positivas sejam tomadas pelo sindicalista incompetente que nos governa em Salvador.

Chego em casa à meia noite, mas não posso entrar. Tenho que fica dentro do táxi esperando que os quatro adolescentes terminem de cheirar sua cocaína e desobstruir o portão. Ainda dentro do táxi telefono para a polícia. Um policial sonolento diz que não pode mandar uma viatura porque a corporação só conta com dois carros e que ambos estão em diligência.


No quarteirão onde moro, no centro iluminado da cidade, um bar dá festa. Uma pequena multidão se concentra ao redor das mesas. Álcool legalizado e drogas ilegais juntos são potenciais pavios para a explosão de violência, mas não há um policial sequer por perto. Aliás, há um, mas este está se embriagando em sua hora de folga.

passeata 6


De manhã abro os sites de notícias locais e o sangue escorre pelo monitor do computador. Um técnico químico é assassinado, traficantes são assassinados, estudante dá tiro dentro de ginásio de esportes, empresária é morta na estrada, ônibus urbano é assaltado mesmo tendo câmara de segurança, balconista de livraria é assaltada, criança é assaltada e tem o celular furtado às dez horas da manhã, as viaturas da Polícia Militar estão sem combustível, grupo de bandidos de Sergipe é preso no perímetro da cidade... Os jornais tornaram-se páginas policiais. O crime é o que acontece de novo a cada dia na cidade e ficamos presos em casa, calados, sem nos manifestar, sem cobrar das autoridades.
Passou a hora dos clubes de serviço (maçonaria, Lions, Rotary...), das entidades de classe (CDL, OAB, CREA, CRM, CUT, CGT...), dos veículos de comunicação (rádios, jornais, sites, revistas...), Conselho Municipal de Segurança, partidos políticos, Câmara de Vereadores, escolas, igrejas (Católica, Batista, Presbiteriana, Adventista, Messiânica,...), faculdades, Ministério Público, enfim, toda a população fazer alguma coisa em conjunto e parar de reclamar à boca pequena, de falar mal em pequenas rodas. É necessário gritar, nos fazermos ouvir.


Peço, encarecidamente, como cidadão e educador, que os clubes de serviço se reúnam e organizem um abaixo assinado a ser enviado ao secretário de segurança pública do Estado da Bahia, César Nunes, exigindo mais policiais civis e militares, mais viaturas, mais combustível, mais armas e mais treinamento para os policiais da cidade e da região. Que este abaixo assinado seja levado aos bairros, às empresas, em praça pública.


A entidade Cidadania em Ação, que em 1997 recenseou toda a cidade num trabalho voluntário que durou semanas e depois caiu num viés político-partidário o que a levou ao ostracismo, está na hora de voltar à ativa. Pode ser uma voz importante a ser ouvida. Com sua experiência de mobilização, poderia dividir-se em equipes e cobrir toda a cidade num tempo curto e conseguir assinaturas em massa para pressionarmos o governo estadual que esquece que Eunápolis existe quando não são tempos de eleições.

passeata 7


Há dois anos as autoridades apareceram nos jornais para alardear a entrega de motos para os policiais fazerem as rondas. Onde estão essas motos? Onde estão essas autoridades? Que fim levou o curso de formação de soldados? Onde estão os deputados, senadores e governadores que em tempos de campanha apareceram aos montes pedindo votos e desapareceram depois de eleitos? Onde está o prefeito que não se manifesta publicamente, nem ao menos com uma declaração sobre o momento assustador pelo que a cidade passa? Onde estão os pais que trancam os filhos em casa cercados de pavor, mas que não se manifestam exigindo o direito à segurança que nossos impostos nos dão?


Termos segurança, policiais que a garantam, condições para que eles executem essa nobre missão a contento, não é presente de nenhum governo, é direito que a Constituição Federal nos dá e o dinheiro que botamos nos cofres públicos compra. Nós pagamos para termos esse direito assegurado, por isso podemos cobrar por ele. Pois cobremos! Não fiquemos reféns da vontade ou falta de por parte do senhor Jaques Wagner ou do secretário César Nunes, exijamos que eles nos devolvam nossos impostos em forma de serviço.


Senhor prefeito, senhores conselheiros, mexam-se! Coloquem o bloco na rua! Mobilizem a cidade como elemento de pressão contra a pasmaceira do governo estadual! Senhora secretária da Educação e senhora gerente da Direc, coloquem estudantes e professores reunidos num bloco uníssono, grande e barulhento gritando pelo respeito às nossas vidas e nosso direito de ir e vir sem o perigo de termos nossos caminhos interrompidos pela vontade de algum bandido! Senhores padres e pastores, chacoalhem o ânimo de suas ovelhas, levem-nas em procissão rumo ao palácio, ao Fórum, aos governantes!


Cidadãos, não somos empregados e nem subservientes ao Estado; ele, o Estado, é que tem que estar aparelhado para nos servir naquilo de que precisamos e que as leis determinam ser obrigação dele. Não podemos nos deixar capitanear por autoridades inoperantes e bandidos sanguinários.


Reunamo-nos, pois!


Os que lideram alguma coisa, telefonem-se, proponham-se um encontro e juntemos toda a cidade em volta de uma bandeira branca de paz e um estandarte de reivindicações urgentes e justas.


É só marcar data e local que eu serei dos primeiros a me apresentar.

passeata 1

Atualização:

A Marcha Pela Paz já aconteceu e pode ser vista nos sites abaixo:

G1

Jornal A Tarde

Radar 64

Site Popular

Atlântica News

Eunanotícias.com

O Xarope

Agência O Globo

Blog do Zé Simpatia

Geovane Viana

Bahia Notícias

Imprensa Livre

 

©Marcos Pontes