O PT é famoso, desde sua criação, pelo poder de mobilização de seus seguidores durante campanhas eleitorais.
Com o passar dos anos o sectarismo se infiltrou tão profundamente na alma dos petistas que a capacidade de discernimento e autocrítica foi para o espaço. Se a liderança do partido disser uma coisa, logo aparece uma horda vermelha repetindo o que foi dito. Isso às vezes, ou muitas vezes, cria situações hilariantes quando, por exemplo, o presidente fala uma coisa e um outro cacique fala o inverso e aí ficam duas correntes do partido falando coisas diferentes sobre o mesmo tema, numa clara demonstração se acompanhamento cego das palavras dos capitães do comando central.
Se essa postura da militância é nociva ao debate político, uma vez que evita-se o debate racional quando este se fixa na repetição das palavras que “o mestre mandou”, como numa brincadeira de boca-de-forno, por outro lado tem sido ela a maior responsável pelo crescimento eleitoral do PT. Por décadas repetindo a postura de papagaio analfabeto, que fala, fala, fala, sem saber exatamente sobre e o que está falando, a militância petista vem arrebanhando outros seguidores da lei do menor esforço, o eleitor que não questiona, que não se esforça em conhecer o Brasil e seus problemas, que perdeu o poder de vigilância e cobrança de seus representantes. E assim vem elegendo mais e mais gente.
Desde que assumiu o comando do talão de cheques, a coisa tem ficado mais fácil para o PT e seus caciques. Se não arregimentam pelo convencimento, o fazem pelo poder da grana. A imprensa é o mais cobiçado representante da sociedade civil organizada. Depois que a lei eleitoral proibiu os showmícios, os artistas foram alijados do processo eleitoral de convencimento, dando lugar aos jornalistas. Não foi à toa que o governo federal ampliou em mais de 2000% a verba de veiculação de propaganda, com mais e mais veículos transmitindo as cascatas de Brasília. Rádios, Jornais e televisões, além de sites internéticos, são mais e mais cooptados pelo poder da grana, seja o legal do PT, seja o do erário expropriado pelos marqueteiros do partido/governo, que terminaram se fundindo, confundindo a coisa pública com as posses milionárias do PT e seus chefes, ou donos, como preferirem.
“A força da grana que ergue e destrói coisas belas” ajuda a calar bocas e mudar consciências. Troca o lay out e a postura da candidata do PT à presidência, ensina-lhe a sorrir, a vestir-se, a tentar parecer mais simpática e eleva seu índice de popularidade eleitoral. Enquanto isso a oposição e sua militância dispersa perde mais tempo em espinafrar os institutos de pesquisa do que em elevar seus candidatos.
Está na hora de aprendermos com os petistas a nos mobilizarmos uníssonos, a batermos sem ouvir as vaias da torcida, em focarmos em questões deveras importantes, além da aparência física da adversária. A verdade nem sempre importa ao eleitor, que não tem saco em pesquisar se o que ouviu é ou não verdade, produto de uma educação em que a pesquisa sempre foi relegada a uma postura de copia-cola. Talvez devêssemos copiar a postura petista de apenas repetir o que diz o candidato sem questionarmos demais se ele tem ou não razão, se fala a verdade ou divaga, se suas idéias são viáveis ou delírio de louco. Chega de falar mal das pesquisas e trabalhar sério para reverter esse crescimento da candidatura pseudo-vermelha petista.
Não precisamos mentir, roubar, comprar votos e consciências, como tornou-se prática do PT, uma reprodução da política de seus líderes Lênin, Stálin e Mao, mas podemos aprender a falar a língua do eleitor que não lê jornal e nem conhece seu país além do campo da visão.
©Marcos Pontes


