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domingo, maio 15, 2011

O PT aprendeu; a oposição, não

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Embora não queira admitir, a oposição tem muito o que a prender com o PT, a começar pela própria maneira de como fazer oposição. Nos seus vinte e poucos anos de principal partido de oposição, o PT jamais, ou quase nunca, apresentava uma proposta em qualquer campo da administração pública, resumia-se a criticar qualquer medida da situação e reivindicar aquele cabedal de absurdos da velha esquerda mundial, nunca atendida em qualquer lugar do planeta, nem mesmo nos países ditos socialistas, comunistas ou “populares”.

Após assumir o poder comprovou-se que o partido não tinha planos de governabilidade. Tirando o armengado programa de combate à pobreza, que vai deixar sequelas num futuro próximo, além do empobrecimento da “antiga classe média”, que é quem paga os benefícios dos pobres e os altos juros dos ricos, além da derrama da classe governante, todo o resto vem em medidas provisórias ou leis mal discutidas. Batendo de olhos fechados como uma criança que não sabe brigar e espana os braços em todas as direções querendo acertar o adversário, O PT conseguiu seu primeiro intento, a faixa presidencial e a maioria no Congresso, não apenas com os seus, mas com a ajuda anabolizada dos partidos amigos.

Deu sorte. Aliás, deu muita sorte.

Não bastasse a política econômica dos governos de Itamar e FHC que encararam crises mundiais como o “efeito merengue”, “o efeito tequila” e o “efeito saquê”, crises pelas quais o governo de Lula não passou, o PT herdou um país com inflação anual de um dígito, algo que havia tempo o Brasil não via, superávit na balança comercial, real valorizado, um esboço de equilíbrio nas contas públicas que, se os tucanos não executaram, o PT terminou de passar a borracha nele. Das crises internacionais o governo Lula só encarou o estouro da bolha imobiliária americana, que já mostrava que levaria algum tempo para chegar aqui, mas chegou.

Mantendo Henrique Meireles no Banco Central, homem forte do governo anterior, Lula deu uma grande cartada. Manteve parte da coerência da administração financeira, aos poucos desfeita por conta das farras com cartões corporativos, verbas desviadas, aumento dos benefícios sociais em detrimento do desenvolvimento, contratação a rodo dos antigos companheiros de sindicatos para cargos importantes de estatais, sem concurso público e diante dos olhos vendados da Justiça.

Sua incompetência em governar foi camuflada pelos números mágicos que hoje têm a senadora Gleise Hoffman, do PT-PR e esposa do ministro das comunicações, sua maior propaladora. A senadora, em seu primeiro mandato, é ferrenha defensora do governo Dilma e mais uma desavisada que vive de amores por Lula. De uma coisa não se pode acusá-la, de despreparada. Casada com um homem que vai completar 12 anos em ministério e alçada à condição de novas estrela da política paranaense, Gleise é formada em Direito e especializada em Administração Financeira. Por anos foi assessora parlamentar no Congresso Nacional e já foi secretária estadual e diretora da Itaipu, o que lhe dá um currículo considerável. A divulgação dos números mágicos não é, portanto, por ignorância, mas pela premeditada intenção de defender um governo que mantém sua popularidade, segundo institutos pagos por ele mesmo, sobre as pernas altas de palafitas de mentira. Mente quem diz que a mentira tem pernas curtas.

Esse tipo de defensor o PT sempre teve, mas o bomocismo de PSDB e a falta de rumo nato do DEM não permite que se repita na oposição de hoje o moleque brigador que foi a oposição petista. Não se vê, por exemplo, a pseudo-oposição de quem falo desde 2007, mostrar que o combate à inflação do Mantega é a cópia amarelada do combate de Sarney ou que o projeto Minha Casa, Minha Vida é o mesmo amontoado de erros, superfaturamento e burocracia que foi o BNH, ambos programas combatidos pelo PT-oposição. Não se vê a oposição mostrar que não faz sentido se pagar tanto seguro desemprego se o emprego formal bate recordes ou que o voto em lista fechada que o PT tenta nos enfiar goela abaixo é um arremedo facista do voto vinculado imposto pelos generais quando viram que perderiam sua última eleição.

O PT aprendeu a como não governar, mas a oposição de hoje não aprendeu com o PT como se faz oposição.

 

©Marcos Pontes

segunda-feira, maio 09, 2011

Paralaxe, burrice e má fé

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Quem usou máquinas fotográficas analogias, coisa do século passado, não aquelas que chamávamos de “profissionais” porque eram flex – que eram as que só tinham um visor e um sitema de espelhos direcionava a luz que entrava pelo diafragma diretamente para o olho do fotógrafo – vai entender, se já não souber, o que é paralaxe.

Pois bem, os fotógrafos caseiros enquadravam o objeto a ser fotografado, davam o click e ao revelar as fotos viam que elas ficavam muito à direita, muito à esquerda ou cortavam a cabeça ou os pés do modelo, lembram disso? O visor e o diafragma não eram centralizados, havia uma diferença de alguns centímetros entre eles, o que gerava a descentralização do objeto. Isso é paralaxe. Em óptica, seria, portanto, a diferença entre a posição de um objeto visto por observadores em locais diferentes.

O filósofo Olavo de Carvalho desenvolveu a teoria da paralaxe cognitiva, que seria uma discrepância entre a realidade teórica e a experiência prática. Dispensando aqui os termos técnicos e explicações aprofundadas da dita teoria, por não ser eu um versado em filosofia, cognição e nem íntimo da psicologia, me prenderei no pouco que assimilei das aulas do mestre e sua relação com a práxis esquerdista.

Nesses tempos politicamente corretos em que a esquerda vem afundando o mundo, levando de roldão os direitistas desavisados, os analfabetos políticos e os incautos crédulos, a paralaxe cognitiva fica clara nos discursos, principalmente os ecológicos e os ditos “progressistas”.

Todos os dias vêem-se políticos e pongados – termo baiano referente aos que pegam carona sem querer saber para onde o bonde o levará – criticando as fontes de geração de energia, condenando as usinas hidrelétricas e as nucleares e pregando o uso da energia limpa. Sem conhecimentos técnicos defendem a energia eólica e a solar, sem saberem que são elas muito mais caras do que as que utilizamos. A ignorância é tanta que o ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, defendeu as termelétricas, sem se aperceber que elas utilizam combustível fóssil, desprendem carbono à exaustão na atmosfera, causando mais males ambientais que benefícios à população.

Pelo prazer de que criticar o que está estabelecido quem vai na carona desse discurso sem nexo quer mais energia, mas não quer usinas.

Um deputado Felipe Bornier, do PHS fluminense, apresentou um Projeto de Lei que prevê feriado nacional nos dias de jogos do Brasil na próxima Copa. Esse mesmo deputado é adepto da exigência da criação de empregos, mas defende o aumento de feriados, como se já não houvesse um número absurdo de dias não trabalhados. Mais uma discrepância entre a prática e sua defesa de ideais. A exemplo de muitos de seus pares, Bornier tem seu universo paralelo.

Em época de discussão do novo Código Florestal e, paralelamente, o discurso do combate à fome, a esquerda não quer mais que se plante ou se crie gado, mas quer acabar com a fome. Vamos voltar ao velho extrativismo? Mas, como, se, para construir algumas taperas do Minha Casa, Minha Vida o governo federal permitiu a derrubada de 130 castanheiras que davam alimento e renda para 100 famílias? Quer dizer que para plantar arroz, feijão, milho e soja é proibido desmatar, mas para plantar casas pode-se destruir uma mata protegida por lei? Pior, sem que o Ministério público tome qualquer atitude em busca da condenação do Estado.

A propósito, se um serralheiro derrubar uma castanheira sofre multas impagáveis.

A mesma esquerda gasta fortunas para combater o tabagismo, o que a princípio estaria correto por se tratar de prevenção contra doenças respiratórias e cânceres provenientes do cigarro. Mas, em nenhuma discussão sobre o tema foi-se falado sobre alternativas para as centenas de famílias que vivem da agricultura tabaqueira e dos milhares de empregados da indústria do cigarro. Por outro lado, aparece um deputado bicho-grilo propondo o plantio “de subsistência” de maconha. O usuário poderia ter sua hortazinha de fundo de quintal para produzir para seu uso, como se isso não viesse a criar um tráfico legalizado.

A contradição é pré-requisito par ser esquerdista, mas daí a criar projetos sem estudos a longo prazo sai-se do campo dos projetos futuros para entrar na inconsequência das medidas propostas. Cada vez afundamos mais no universo criado pela aberração de mentes despreparadas e não há questionamento profundo sobre nada, deixando claro que o populacho acha muito difícil pensar e, sabendo disso, os vermelhinhos incutem novos conceitos irresponsáveis e criminosos sem  questionamento ou, pelo menos, a discussão ampla.

 

©Marcos Pontes

domingo, maio 08, 2011

Judislativo ou Legisciário?

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Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;

...

VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;

...

Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União

...

Art. 59. O processo legislativo compreende a elaboração de:

II - leis complementares;

Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis.

...

Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição

Não sou jurista e, antes que me perguntem quem sou eu para dar pitacos, pergunta que tenho ouvido e lido muito ultimamente, sou um cidadão com direito a livre manifestação de minhas idéias, como reza a mesma Constituição Federal citada acima.

Na semana em que o Supremo Tribunal Federal determinou aos casais homossexuais o direito ao reconhecimento legal das uniões estáveis, com todos os direitos assegurados aos casais heterossexuais, a discussão rolou solta ao redor do Artigo 5º e sobre o STF ter ou não legislado. Na opinião desse humilde cidadão, sim, o Artigo 5º deveria ser respeitado, mas, também, sim, o Judiciário legislou e admitiu isso na defesa do voto do ministro Gilmar Mendes, culpando a inépcia do Legislativo que, por anos, desde a última vez que Marta Suplicy foi deputada federal e criou o projeto de lei que reconhecia o direito dos homossexuais de formarem casais legalmente reconhecidos.

O projeto da hoje senadora jamais foi votado, permitindo que o Judiciário interferisse na questão e a determinasse. Não bastasse essa interferência de um dos Poderes nas atribuições de outro, ainda contou com o silêncio obsequioso e conivente dos senadores e deputados. Sarney, o eterno, preferiu culpar a imprensa pela má imagem dos parlamentares quando bem poderia manifestar-se contra a metida de focinho dos juízes nas atividades que ele, Sarney, e seus pares deveriam fazer.

Não vou entrar na questão moral ou religiosa, prefiro me ater nos pontos legais.

O Parágrafo I do Artigo 5º foi escrito em 1988, época em que sequer suscitava-se em público o casamento gay. Por ser essencial que a legislação adapte-se aos novos rumos e carências sociais, cabe ao Legislativo ampliar ou não as leis, trazer a público a discussão, regulamentar cada artigo da Constituição, algo que não fez. Aliás, mais da metade da Constituição jamais foi regulamentada, nesses 23 anos de sua existência.

Se Ulysses fosse vivo e se os parlamentares não estivessem lá apenas de olho em seus próprio negócios, provavelmente parte da Carta Magna seria rediscutida. Pormenorizada, prolixa e toda remendada como está, o Parágrafo I poderia ter sido acrescentado com “homoafetivos masculinos e femininos”, bem a gosto do politicamente correto Ulysses. Os mais pessimistas com os rumos sociais que a decisão do STF trará, já vêem os pedófilos também alegarem que o STF lhes deu direito, por opção, idealismo e convicção, a molestarem crianças. Caberiam eles também no Parágrafo I do Artigo 5º?

Psicólogos, religiosos e pais tradicionalistas já se preocupam com as crianças que serão adotadas por esses casais com o aval dos juízes legisladores. O medo não é que tais crianças “se tornem” gays por “influência” dos pais/mães. Mas que haverá confusão mental, lá isso acontecerá e, daqui a 14, 15 anos é que saberemos os reflexos dessas adoções. E não me digam que será tudo igual a como é hoje porque essa eu não engulo.

As lideranças gays, de vítimas tornaram-se xerifes e já se arvoram o direito do casamento civil. E lá vem mais briga.

Que o Legislativo fique esperto e comece a discutir a questão, não com um faz de conta, mas ouvindo a sociedade como um todo, todas as vertentes, sejam éticas, religiosas, legais, psicológicas e o que mais houver. Se deixar que os juízes togados criem a ampliação dessa lei, melhor fazerem o que muitos dos brasileiros gostariam que ocorresse: fechem o Congresso, voltem para suas casas e profissões e poupem-nos de sua inoperância, escândalos e queima do erário.

 

©Marcos Pontes

quinta-feira, maio 05, 2011

Ainda “yankees go home”?

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Cada vez que um daqueles crimes que arrepiam até médico legista acontece, de mães a delegados,, de vendedor de picolé ao bispo, todos se revoltam contra os defensores dos direitos humanos que aparecem para exigir respeito aos acusados. Assim foi, para citar dois exemplos de casos de maior repercussão popular, no assassinato da criança Nardoni e no do menino João Hélio, arrastado por bandidos que roubaram o carro da família.

Com a mesma fúria e grita, exigem a presença dos defensores dos direitos humanos para defenderem as vítimas quando um indefeso é vítima de crime violento, como se só os malfeitores fossem defendidos. Se bem que nesse país injusto não são raras as vezes em que os bandidos são melhor atendidos do que as vítimas, mas essa é outra história.

Quando o algoz são os Estados unidos, o antiamericanismo paranóico de que é vítima o brasileiro faz com que esse sentimento de revolta se inverta. Lógico, me refiro especificamente sobre a execução de Bin Laden, assunto do qual venho evitando falar devido à quantidade e enorminade dos absurdos e achismos que tenho lido, ouvido e sabido a respeito.

O brasileiro – tanto os esquerdistas quanto os conservadores de direita -, via de regra, rendem-se à argumentação politicamente correta de condenar o governo ianque, defendendo o bandido Bin Laden e enfiando o dedo no olho da administração Obama, representante legal das vítimas do terrorismo contra as embaixadas americanas na Síria, no Iêmen, no Quênia e na Tanzânia, dos passageiros dos três aviões derrubados em 11 de setembro de 2001, da 3000 pessoas mortas enquanto começavam a trabalhar no World Trade Center, inclusive alguns brasileiros, e no Pentágono, dos bombeiros que sacrificaram-se para resgatar as vítimas daqueles ataques e dos muitos soldados mortos enquanto caçavam os talibãs e os Al-Qaedas no Oriente Médio.

Nas muitas reportagens a que tive acesso sobre a morte do terrorista-mor, em apenas uma vi entrevista com parentes de uma de suas vítimas, os pais de um jovem bombeiro morto no WTC, como se fosse raro ou fictício encontrar gente que sofre por ter perdido parentes e amigos entre os milhares que Bin Laden e seus terroristas executaram friamente. Por outro lado, o que tem de “especialistas” em operações militares, diplomacia, direito internacional, direitos humanos e palpiteiros dando pitacos e fazendo analises que condenam a ação militar, é uma enormidade.

Teorias de conspiração, essas eu já esperava, mas não tantas e tão absurdas como a que diz que Bin Laden já estava morto e congelado há anos, esperando um bom momento político para ser apresentado ao público. No domingo, quando o Manhattan Connection foi interrompido, falei para minha mulher “pode esperar que daqui a pouco aparecerão mil versões e teorias sobre essa morte”. Não precisa ser pitoniza, basta conhecer um pouquinho a mente doentia das massas.

Óbvio que os maus leitores alegarão que estou defendendo a tortura, a “execução sumária” ou a mentira oficial, uma vez que Bin Laden não está morto, e sim fumando charutos na Bodeguita Del Medio, num bate papo animado com Hitler, Gardel e Elvis. Não é disso que se trata, mas da superficialidade argumentativa (quando há argumentação e não apenas a reprodução do “ouvi dizer” com ar de interpretação e conhecimento profundo dos noticiosos que se vê por todas as partes); da hipocrisia de quem curte rock, toma Coca-Cola, veste jeans, calça All Star, passou ou quis passar as férias juvenis na Disneylândia e as adultas fazendo compras na 5th Avenue, não perde os blockbusters hollywoodianos, mas, por inveja, desinformação, má vontade, ideologismo esquerdista ou pura desonestidade intelectual não perde a oportunidade de espinafrar o american way of life.

Voltando ao Bin Laden. Eu que não sou santo e nem Jesus Cristo, que deu a outra face, se tivesse um parente morto por uma ação terrorista orquestrada por aquele monstro, teria ficado muito feliz ao vê-lo destroçado por obuses americanos, russos ou paraguaios. O resto são baboseiras de jornalistas ou reprodutores da imprensa que ouviram o galo cantar mas, por não saberem aonde, inventam suas historinhas de terror.

 

©Marcos Pontes

domingo, maio 01, 2011

Resposta a um leitor vermelho

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No meu último post, sobre a volta do Delúbio à ativa partidária, já que, pelo menos oficialmente ele estava inativo, me referia à sem vergonhice de um partido que expulsa um de seus quadros por conta de suas comprovadas falcatruas quando tesoureiro do partido e o readmite poucos anos depois como se nesse período de exclusão houvesse se regenerado, algo que a revista Época desta semana mostra que não ocorreu. Não me referi, em qualquer momento, à interferência do governo na reinclusão de Delúbio nas hostes petistas, mas um leitor, numa demonstração clara de que saber ler não significa entender o que se lê, na ânsia de defender o governo e encobrir suas responsabilidades, inabilidades e enganações deixou o seguinte comentário:

Lamentável! Qualquer pessoa que se baseia em qualquer assunto pelo o que a mídia publica não merece credibilidade, pois é uma pessoa que demonstra não ter nenhum critério. Você repete que nem um papagaio o que a mídia enfatiza portanto...
Acreditar no que a mídia diz é uma coisa, entender o que Há por trás das matérias que ela veicula é outra. Isto é coisa para sábios, não para você: um mero reprodutor.
Qual a moral que tem você pra falar do 'povão' se você próprio se mostra uma 'maria vai com as outras' do que lê e vê?
Olha, amigo, sinceramente, viver na posição de crítico do governo é uma maravilha, pois nos abstemos da responsabilidade. Agora fazer acontecer como fez este governo (em alguns setores) com responsabilidade é outra coisa. Se você, critico severo, se acha dono de uma proposta para o Brasil (que eu não acredito que tenha) e se acha capaz de fazer este páis andar para melhor, seja o próximo presidente da nação. Vagas para a função não falta, afinal a atual oposição precisa de alguem competente. Vai lá, cara! Para de reclamar e encara o osso! Melhor do que ficar remoendo nos blogs e se sentindo um "doutor" - sem nada saber.
(Os erros de digitação e de português são do autor do comentário).

Esse canavial de sandices merece uma resposta por tópicos, bem explicadinho, para que, talvez, esse senhor consiga entender. Não desenharei porque sou péssimo desenhista, usarei as palavras, embora também não seja lá grande coisa na escrita. Se o senhor Roberto voltar, pode criticar mais argumentativamente, embora não vou querer fazer deste blog um fórum de discussões. Pois vamos lá:

1. A mídia, caro Roberto, tem a função precípua de informar, seja o que for e de que corrente ideológica for. Mais aceitável omitir-se do que mentir, a isso chama-se liberdade de imprensa, algo que o governo de seu ídolo Lua tentou, por três ou quatro vezes, calar, tendo seu ministro Franklin Martins sido o cabeça de ponte nesse intento, graças a deus infrutífero. Leio vários jornais e revistas sempre que o tempo permite e citei no referido post uma reportagem da revista Época. Ah, a Época, para o senhor, deve ser apenas um veículo golpista, imprensa de verdade é a Carta Capital, a Brasileiros e congêneres. Então, tá.

2. Sou qualquer pessoa, realmente, como cada um dos 194 milhões de brasileiros o é, com exceção do coronel Sarney, uma pessoa especial e extraordinária, como o definiu Lula. E como qualquer pessoa tenho o direito de comentar o que quiser do jeito que eu quiser e este é um outro conceito que o senhor, se conhece, provavelmente não respeita, sequer aceita: liberdade de expressão. Mas isso também não é uma coisa muito querida pela esquerda. A liberdade de expressão só é bem vinda quando manifesta apoio ao governo e seus satélites.

3. Eu falo do povão da mesma maneira como falo do povinho que o comanda. Eu posso, o senhor pode e qualquer cidadão pode, para isso Deus me deu voz e o mínimo de inteligência. Mas, se o senhor quer argumentar, mostre-me onde cometo engano ao afirmar que o “povão” não é o alienado político que afirmo ser. Não só o governo petista, mas todos os governos que por aqui passaram desde os tempos do Brasil Colônia contaram com essa alienação popular para fazer seus desmandos sem que a massa-rebanho o incomodasse, salvo raras exceções como a Marcha Pela Família e os caras pintadas, regidos pela imprensa insatisfeita, mas devidamente sem razão, foram às ruas exigindo que o país voltasse aos eixos e seus comandantes mal intencionados fossem afastados.

4. O que “há por trás das matérias que ela (a mídia) veicula” ? Que explicações o PT e seus 42 comandantes que votaram pela volta de Delúbio poderiam dar e a imprensa não divulgou? Por que eu, papagaio de pirata, como o senhor me define, não encontrei nenhuma explicação plausível, moral e eticamente aceitáveis, para a readmissão de um sujeito que fez o que fez com dinheiro público e tráfico de influência?

5. “Viver na posição de crítico do governo é uma maravilha, pois nos abstemos da responsabilidade”. Nisso o senhor tem razão. O próprio Lula falou isso no seu primeiro ano de mandato, lembra? Lembra que ele disse que fazer oposição é fácil, mas governar é bem diferente? Lembra-se que, desde 78 até sua eleição, Lula chutava todas as canelas a ponto de não assinar a Constituição que ele ajudou a escrever como deputado constituinte, embora não tenha dado qualquer contribuição efetiva? Lembra-se que ele criticou o Plano Real, única medida que deu resultados eficazes no combate à inflação? Lembra-se que ele, depois de eleito, tentou derrubar a lei de Responsabilidade Fiscal e o conseguiu informalmente, fazendo com que voltasse a farra com o dinheiro público que havia antes do Plano real? A, mas pelo seu crivo provavelmente somente seu partido, seu eterno líder (a esquerda adora líderes eternos em todo o mundo, talvez por isso esses três governos petistas tenham dado tanto apoio a ditadores) e apaniguados podem criticar, se a grita vem da oposição logo é taxada de golpismo, elitismo e outros substantivos criados pelas mentes gramcianas do comando do partido que o rebutalho humano que as segue repetem sem análise ou autocrítica. Entendo.

6. Senhor Roberto, não se esforce muito para mostrar sua imbecilidade. A presidência da nação não é cargo de técnico de futebol, usando a velha analogia que seu eterno líder gosta tanto de usar. Não me candidatei à presidência por saber de minha incapacidade para tal, o que me difere diametralmente de Dilma e Lula, além de um monte de ministros e correligionários colocados em cargos de comando. Mas posso discernir sobre o que está certo e errado na administração petista, como também fiz muitas e duras críticas quando FHC e seus ministros cometiam erros que eu considerava nocivos ao país. A diferença entre essas duas administrações, a de FHC e a de Lula, é que a primeira colocou o país nos trilhos e fez um esforço danado para colocar a pesada locomotiva em marcha. Se entender um pouquinho de física poderá entender o que quero dizer. Enquanto que o segundo sucateou a locomotiva, entortou os trilhos e faz um esforço grande para que o comboio não descarrile, o que seria resultado da própria atuação do governo.

A propósito, gostaria muito de aprender. Se o senhor diz que nada sei, provavelmente remoendo o ódio que sente ao ler um opositor ao seu governo, agradeço muito se me ensinar, mas sem ideologismo baratos, reprodução de propagandas governamentais ou palavras de ordem enviadas pelo Politburo petista. Até lá, dou-lhe duas opções: afaste-se deste blog, porque ele continuará opositor ao governo, ao PT, a Lula e a qualquer coisa minimante danosa ao Brasil, e aprenda que sem oposição a ditadura vermelha que Zé Dirceu e os poucos que pensam dentro do seu partido gostariam de implantar no país faz muito mais bem do que seu fígado e seu pouco discernimento conseguem assimilar.

 

©Marcos Pontes