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domingo, agosto 07, 2011

Praxis lulensis: primeiro faz-se, depois analisa-se

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Posso estar errado? Sim, claro. Aliás, quase sempre eu acho que estou errado, mas não basta achar, espero as provas. Se eu não consigo provar que estou errado, que outro o faça, mas não na base do “eu acho”, quero provas e argumentos convincentes.

Politicamente me coloco mais à direita a cada dia, não por ser um direitista convicto, mas por não aprovar o esquerdismo puramente ideológico, sem a comprovação de que seria a melhor maneira de se governar o mundo. Não vou ficar repetindo ad aeternum que todos os países socialistas pioraram a vida de seus cidadãos, isso já é sabido, batido e rebatido, somente os cegos pelo ideologismo emocional não conseguem ver ou, se vêem, se deixar convencer ou admitir a derrota.

O comunismo pode ser a melhor forma de se administrar o planeta? Talvez o seja, até me permito pensar nessa possibilidade, mas antes ele teria que ser totalmente reformulado. Os atuais modelos socialistas e aqueles já reprovados pela história, definitivamente não trariam a melhoria global. Em seu relativismo, os esquerdistas argumentarão que o capitalismo também não provou ser o ideal, ainda mais agora nessa quebradeira generalizada. Também admito a possibilidade de achar o capitalismo falido e necessitando de reajustes sérios, sintonia fina entre os meios de produção e as aspirações sociais, a readaptação aos meios modernos de se viver. Quais seriam as mudanças? Não sei, deixo isso para os mais estudiosos e conhecedores do mundo, aos analistas científicos e aos globetrotters além do turismo de prazer, apenas posso afirmar que o socialismo marxista, stalinista, maoísta leninista, castrista, chavista ou petista não são a alternativa, simplesmente por se basearem na truculência, na mentira infinitamente repetida, na maquiagem de números e índices sociais, na lavagem cerebral gramscita, no apadrinhamento dos amigos do partido a despeito de sua competência questionável ou sua mais absoluta ignorância.

Esta semana leu-se muito sobre o descontentamento de Álvaro Uribe, ex-presidente colombiano, com a política externa lulista, sua incoerência, sua desfaçatez, sua megalomania alimentada por seres desprezíveis como Celso Amorim. E eis que Amorim volta ao ministério, embora em outra pasta, depois de oito anos dando conselhos estapafúrdios ao então presidente, aproximando o Brasil de regimes totalitários e ditaduras de décadas, desta feita na pasta da defesa, gerando descontentamentos dos militares, os mesmos a quem ele sempre agrediu, na velha postura rancorosa da esquerda que pegou em armas, mas condena as Forças Armadas por também terem pegado em armas. Aliás, depois de José Genoíno, outro sem caráter que combateu o Exército com arma em punho, ser agraciado com a Ordem do Mérito Militar.

Para a insatisfação dos generais, bem ao seu estilo, Lula, que deveriam não mandar mais em nada já que não tem cargo ou mesmo função oficial, tem a resposta nada conciliatória, o que deveria ser esperado de um sujeito que passou oito anos pregando a cisão nacional, escondido atrás da faixa residencial que ele disse que tinha vontade de levar para casa, e deve ter levado junto com o crucifixo do gabinete presidencial que furtou: "Não cabe aos militares gostar ou não gostar de uma indicação da presidente da República. Temos que aprender a trabalhar para depois ver se vai dar certo ou não".

Ora, quer dizer que na esquerda primeiro aprovam-se as medidas, fazem-se leis, indicam-se ocupantes de cargos para só depois analisar para ver se as medidas tomadas foram as corretas? Essa gente nunca ouviu falar em planejamento, análise, levantamento de custos e riscos? Nem ele, nem a presidente, nem o staff petistas pararam para pensar em perguntar aos generais quais seriam os bons nomes para presidir a pasta, par depois decidirem pelo melhor. Do ato da empáfia esquerdista, preferem impor um nome político, sabidamente despreparado emocional e ideologicamente para comandar as Forças Armadas e todo o sistema de defesa nacional.

Talvez por esse despreparo, esta cegueira ideológica, que tenham caído tantos ministros em oito meses de governo. Primeiro empossam-se os amigos, para depois perceberem que os nomes eram péssimos, mas aí o estrago está feito. Se isso traz ônus para a nação e desgaste para a imagem da presidente, pouco importa. O que conta é que eles detêm o poder, seu primeiro objetivo logo seguido pela riqueza. Povo, nação, gastos, roubos, falcatruas, justiça... Essas coisinhas são apenas percalços facilmente transponíveis pela máquina vermelha.

©Marcos Pontes

segunda-feira, agosto 01, 2011

Socialismo, filho da inveja

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O desejo de posse é inerente à condição humana, tentar mudar isso é, antes de política partidária, uma violência generalizada contra a espécie.

Deixando o primeiro assassinato bíblico de lado para evitar atrito desnecessário com os pseudo-historiadores que não vêem nO Livro um documento histórico (uma aberração na formação de nossos professores, o que deixa clara a intenção obscura dessa revolução cultural que nos cerca silenciosa e que poucos percebem), mas tentando ater-me na antropologia, os primeiros desentendimentos surgidos entre humanos não foram meramente territoriais, o que por si já seria uma demonstração da sensação de posse de uma área geográfica, mas por sobrevivência.

O líder da tribo sabia que naquela área havia alimento e seu grupo se apossava dali, expulsando ou matando quem invadisse em busca de comida. Esgotados os mantimentos, fosse pela extração abusiva, pela própria escassez ou por razões climáticas, a tribo se mudava e, volta e meia, entrava em conflito com outro grupo que havia ocupado terras adiante.

Depois que aprendeu que podia plantar e criar animais, nada mais natural que se sentisse proprietário da terra que trabalhara e dos frutos que plantara e se armava contra quem quisesse levar sua criação. Os conflitos agrários são mais antigos que os títulos agrários. Estes criação dos Estados, encarnados pelos poderosos que mantinham exércitos para defenderem os rincões tomador para si, muitos e muitos anos depois.

Alguns grupos aprenderam a plantar e tornavam-se donos de seus frutos, outros a domesticar animais e tornavam-se donos do leite, da carne e das peles, mais uns a represar rios e se apoderavam dos peixes que recolhiam. Os que continuavam extrativistas e caçadores nômades que não haviam descoberto tais ciências, prenhes de inveja tal qual Caim, para não morrerem à míngua, saqueavam. Hoje seriam os socialistas.

Pregar a divisão equitativa das produções, um mundo sem fronteiras, a não ser as naturais como rios, montanhas e oceanos, o pluriculturalismo, são ocupações de quem não aprendeu a produzir, que não consegue desenvolver seus próprios territórios e, por isso, vestem-se de vítimas históricas, taxando de algozes aqueles que investiram séculos e séculos em ciência, pesquisa, produção e ascensões sociais.

Respeitar as culturas alheias e uma coisa, aceitar calado que essas culturas alienígenas lhe sejam impostas goela abaixo, destruindo seus próprios valores e costumes e conivir com o crime de que se é vítima, enquanto é pichado de algoz, é covardia.

Os países socialistas não deram certo porque não souberam produzir para todos, uma contradição à própria definição de socialismo. Foram utilizados artifícios mil na enrolação e quando esses artifícios não surtiam efeito, que se aplicasse a força bruta, o argumento da baioneta. Propagandas, maquiagem de índices sociais e econômicos, inchaço da máquina pública e empregos artificiais onde deveria haver trabalho que gerasse renda. Riqueza e bem estar era apenas para as elites políticas, como as dachas, carros com chofer e viagens ao exterior, como tinham os líderes soviéticos, por exemplo.

Para manterem seu status social, mentiam do alto de seu status político. Tinham despensa suprida enquanto seus concidadãos entravam em filas por batats e papel higiênico, ou por leite, como ocorre hoje em Cuba.

O capitalismo surgiu quando o homem tomou posse daquilo que produzia; o socialismo, quando um incompetente preguiçoso achou que tinha direito a apossar-se da produção alheia. Isso bem antes de Karl Marx mamar nas tetas de Engels.

 

©Marcos Pontes

domingo, julho 31, 2011

Políticos, muito salário para pouco trabalho

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Recebo convite para fazer parte de um grupo que reivindica a redução dos salários dos políticos, logo em seguida leio no Jornal do Brasil a notícia de que 20 novos partidos pedem registro no Tribunal Superior Eleitoral.

Passei a pesquisar a quantidade de partidos políticos, o salário médio de um parlamentar e comparar com o tamanho da economia de alguns países, tentando achar uma relação que ligue esses três fatores ao desenvolvimento sócio-econômico dos diversos lugares, mas não foi possível determinar com clareza essa interdependência.

Na França, que conta com 19 partidos políticos, um parlamentar ganha o equivalente a 16 mil reais mensais; a Dinamarca conta com 6 partidos e cada parlamentar recebe 13 mil reais; o Japão tem apenas 5 partidos e cada parlamentar tem salário de 28 mil reais; o deputado sueco tem salário de 14 mil reais e o país conta com 14 partidos; o deputado americano tem vencimentos na ordem de 23 mil reais e o país tem 76 partidos, com a diferença de que muitos desses partidos são estaduais, não têm, portanto, atuação nacional. Os partidos Democrata e Republicano, aqueles dois de que o mundo ouve falar, são os dois com representatividade em todos os estados da confederação; a Inglaterra, o país sem constituição federal, tem apenas três partidos políticos e, embora seja uma das maiores economias mundiais, cada parlamentar recebe 14 mil reais mensais. O Brasil conta com 27 partidos oficializados e tem salário médio de R$ 26.723,00.

Será que somos tão mais ricos que os mais ricos? Nossos parlamentares trabalham mais e melhor que os parlamentares dos campeões econômicos mundiais para justificarem ganhos tão mais altos? Óbvio que ambas as respostas são “não”. Por outro lado, esses senhores que dizem nos representar têm a liberdade de determinarem seus ganhos (não só os salários, mas todos os penduricalhos extras adicionados ao salário básico, como verbas de representação, auxílio moradia, transporte, décimo terceiro, décimo quarto e décimo quinto salários, “auxílio paletó”, previdência parlamentar e sabe-se lá quantas outras mordomias), suas punições, seus muitos direitos, suas atribuições legais...

Se todos fôssemos iguais perante a lei, como determina a Constituição Federal, cada trabalhador teria o mesmo direito de determinar quanto a empresa em que trabalha deveria pagar-lhe ao final do mês. Ou, o que seria melhor, nossos parlamentares deveriam seguir o regime determinado pela Consolidação das Leis do Trabalho, seus descontos fiscais e obrigações de carga horária.

Neste momento, em plena crise por que passa a economia americana, em busca de uma solução para a economia do país e, consequentemente, a salvação da economia mundial, os deputados e senadores americanos fazem serão, sábado, domingo e quantos dias forem necessários, em busca de uma proposta positiva para o país. Já os nossos representantes legais (não significa isso que sejam representantes de fato), ausentam-se todas as segundas-feiras, não comparecem ao Congresso nas sextas-feiras, presenteiam-se com férias e recessos, que são férias com outro batismo, duas vezes ao ano, faltam quando querem porque sabem que não terão as faltas descontadas nos vencimentos... Enfim, agem como donos da empresa e não empregados de todo e cada cidadão da nação.

Já ouvi muitas vezes e, se bobear, também já disse isso: o dia em que eu estiver na lona, sem dinheiro e sem perspectiva, crio uma igreja, um sindicato ou um partido político. Essas três instituições contam com as benesses da lei, a complacência da justiça e os beneplácitos que o Poder Executivo dá àqueles que podem ajudá-lo em questões espinhosas que por ventura aparecerem. Tirando as igrejas, pelo menos as sérias e seculares como a Católica, a Batista, a Presbiteriana, a Adventista, a Seicho-No-Ie e mais algumas poucas, as outras duas agremiações – Partidos e sindicatos, que nadam mais são do que parte do braço arrecadatório dos partidos e seus figurões – tornaram-se balcões de negócios escusos e inconfessáveis. Seus componentes, via de regra, fazem mais dinheiro com suas atividades paralelas e “para-legais” – para não dizer criminosas – do que com o próprio salário, salvo aqueles poucos honestos ou sem poder de regatear, não merecem, portanto, mais do que uma ajuda de custo para dedicarem-se à vida político-partidária ou sindical.

O país paga caro para se deixar lesar.

 

©Marcos Pontes

terça-feira, julho 26, 2011

Dos sindicatos aos ministérios, o roubo

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Onde as máfias sempre brigaram, volta e meia com assassinatos registrados, é nos sindicatos ligados ao transporte urbano. Os casos mais notórios ocorrem, volta e meia, em São Paulo, como o assassinato de Sérgio Ramos, do Sindicato dos Motoristas em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo, em outubro de 2010 (vídeo), depois de ameaças a outros dez componentes da diretoria do sindicato; o assassinato de Jair Donizeti de Paula Assis, presidente do Sindicato dos Transportes Alternativo de Mogi das Cruzes, em fevereiro de 2004; assassinato de Paulo Roberto Colombiano dos Santos, tesoureiro do Sindicato dos Rodoviários de Salvador, em junho de 2010; assassinato de José Carlos da Silva, do mesmo sindicato de Sérgio Ramos, em novembro do ano passado.

Não são raros também os casos de fraudes em sindicatos e empresas, públicas e privadas, atuantes na área dos transportes: perueiros piratas no aeroportos de Confins, em BH; fraudes na licitação de radares no RS; fraude nos bilhetes gratuitos de idosos, em SP; fraudes no sistema de transporte alternativo, no AM; “anistia” de multas no Ciretran de SP; venda de CNH no Ciretran de Itapevi; fraude no Detran do RJ.

Esse tipo de safadeza acontece em todos os estados, nuns mais, noutros menos, mas o mal é epidêmico e nacional.

Bom, diriam os que não se ofendem com essa roubalheira a varejo, mas isso acontece desde que inventaram o transporte no Brasil, nada tem a ver com as recentes “suspeitas”, como gostam os politicamente corretos, de falcatruas quilométricas recentemente reveladas no Ministério dos Transportes.

Continuemos, pois, em nosso rápido e magro dossiê, um degrau acima das canalhices das ruas.

Nove delegados investigados por fraude em licitação; irregularidades no uso do DPVAT; desvio de verbas no Detran-RS; desvio de verbas no Detran-DF; fraude em licitação de estrada de ferro no Amapá; roubo de verbas do DNER em Tocantins; Operação Gautama e corrupção nas estradas; os aeroportos também sofrem com a corrupção há anos; e, por incrível que pareça, em 2007, Pagot falava em combater corrupção no Denit. Nesse tópico também o que não falta, para a infelicidade do contribuinte e esvaziamento do erário, são notícias e fontes de pesquisa.

Deduz-se, então, que, em se tratando de transporte o que não falta é corrupção, desvio de verbas, negócios ilícitos. No governo anterior a ANAC foi alvo de incontáveis denúncias e não se pode esquecer dos policiais rodoviários federais e fiscais das receitas estaduais que fazem vistas grossas em troca de alguns trocados para excesso de cargas, mercadorias sem notas fiscais, carros roubados ou com alguma irregularidade física ou documental, tráfico de drogas, armas, bebidas, cigarros ou mercadorias estrangeiras.

Se os sindicatos são antros capitaneados por ex-profissionais que entram na política classista e colocam entre seus negociantes bandidos das mais diversas especialidades, ministérios e secretarias estaduais e municipais são dirigidas por amigos e correligionários dos chefes dos Executivos que também montam esquemas criminosos sem sequer o pudor de manterem seus familiares afastados de suas sujeiras. Basta ver os filhos, irmãos, esposas e outros parentes compondo as quadrilhas.

A devassa que ora ocorre no Ministério dos transportes é apenas um carnavalzinho para mostrar à mídia e, por extensão, os cidadãos-palhaços-contribuintes, algo de sério e saneador está sendo feito, que a moralidade está vencendo a guerra contra o roubo constante. Gatos escaldados, como este que lhes escreve, não crêem.

Como a safadeza não está apenas no Ministério dos Transportes, ainda mais em tempos petistas, é de se imaginar o panavueiro em que outros ministros se meteram e transformam suas pastas para esconder o que ocorre de podre no reino da Dilmamarca. Muita gente escondendo os podres e fazendo de conta que se preocupam.

 

©Marcos Pontes

sábado, julho 23, 2011

Educação é a saída. E daí?

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Educação, esta é a saída e todos sabem disso desde tempos imemoriais. Sempre se soube que quem detém o conhecimento tem o poder, talvez e provavelmente por isso ela jamais foi prioritária, a não ser nos discursos de campanha.

Para doenças crônicas, remédios amargos. No governo FHC criou-se o PDV, Programa de Demissão Voluntária, que visava desinchar a máquina, a começar pelo Banco do Brasil e estendido a outras estatais e empresas de economia mista. Retiravam-se da ativa funcionários descontentes, ineptos, cansados pela repetição da rotina (desculpem, mas a redundância aqui se aplica). Através de prêmios pecuniários, afastavam-se quem não mais produzia e a informática ajudava a cobrir a diminuição dos quadros. Bom, funcionou até o governo assumir a presidência e os cargos foram preenchidos “emergencialmente” por “companheiros” despreparados, mas aí é outra novela de quinhentos capítulos.

Programa semelhante ao PDV seria minha proposta para a educação pública. Estados, municípios e União poderiam oferecer prêmios, como um ano de salário e mais todos os direitos trabalhistas para quem desejasse se afastar das salas de aula. Aqueles desestimulados que persistissem, por insegurança ou pela facilidade de ganhar sem trabalhar, que fossem afastados das salas de aula e colocados em serviços burocráticos, cantina, secretaria, biblioteca, zeladoria, o que fosse, mas longe da educação formada das crianças e adolescentes.

O segundo passo seria ir às portas das universidades contratar, com salários maiores e melhores condições de trabalho, jovens cheios de gás, dispostos a trabalhar de verdade e sem a terrível estabilidade. Ao fim de cada ano os professores seriam avaliados e aqueles que não cumprissem metas seriam enviados a recapacitação, teriam uma segunda chance. Na terceira reprovação, seriam definitivamente afastados.

Seria um programa caro, demorado e controverso? Sim, seria, e talvez nem tivesse o resultado que eu e os pais e cidadãos preocupados com a má formação dos nossos jovens desejamos que fosse alcançado, mas seria uma chacoalhada na mesmice, na inoperância e na falsificação de índices oficiais.

Japão e Coréia são exemplos citados à exaustão no que se trata de investimento em educação e lá também não foi fácil e nem barato, mas o resultado todo o mundo conhece, os dois países tornaram-se referencial em educação e potências econômicas que tremem de vez em quando, mas não quebram.

Os jovens professores seriam a garantia de melhoria na qualidade? Talvez não. Há poucos dias tive uma discussão com um professor de história (ah, sempre os vermelhinhos...) que alegava que não se pode aprender história através de vídeos. Um outro nega a Bíblia não apenas como guia religioso, algo que respeito, é um direito dele, mas também como documento histórico. Um sujeito que não reconhece todas as referências a costumes, personagens, geografia, organização política e tudo o mais a que a Bíblia se refere jamais daria aula a um filho meu. E, como disse antes, nem são senhores velhos e desestimulados, mas dois jovens com menos de trinta anos. Num programa como o que proponho corriam o risco de serem jubilados, mas não invalidam a idéia da proposta. A jubilação de professores levaria, ou deveria levar, à reestruturação também do ensino de terceiro grau e formação de professores. A partir do ensino fundamental a reforma qualitativa poderia chegar à pós-graduação.

Chega de casuísmos populistas, como a proposta inconstitucional de Cristóvam Buarque de obrigar homens públicos a matricularem seus filhos em escolas públicas. Não conheço a família do Buarque, mas fica a pergunta: se ele tem filhos, esses filhos estudaram em escolas públicas? Hummm...

Chega de cotas, de ENEM ideológico, de ENADE desrespeitado e todos os artifícios e artimanhas que a esquerda vem experimentando sobre nossos jovens sem resultados palpáveis. Chega de currículos politicamente corretos e escolas sucateadas. Chega de professores faltosos, diretores coniventes e fiscalização capenga. Chega de educação politizada em favor de prefeitos, governadores, deputados e presidentes. Procure nos jornais ou na memória nomes de homens e mulheres eu tornaram-se boas referências em suas áreas, seja política, científica ou empresarial, faça uma pesquisa e veja em que tipo de escola estudaram. Aposto dez contra um que a maioria vem de escolas conteudistas e tradicionais, sem essas invenções experimentais construtivistas, Nova Escola e sabe-se lá quantas outras mais. A vida não vive de modas e o sucesso está diretamente relacionado ao conhecimento e não à habilidade em tocar tambor, trançar drads nos cabelos, tatuagens, peladas em campo do bairro, endeusamento de personalidades duvidosas e politicismo correto.

 

©Marcos Pontes