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domingo, julho 31, 2011

Políticos, muito salário para pouco trabalho

PartidosPolíticos

Recebo convite para fazer parte de um grupo que reivindica a redução dos salários dos políticos, logo em seguida leio no Jornal do Brasil a notícia de que 20 novos partidos pedem registro no Tribunal Superior Eleitoral.

Passei a pesquisar a quantidade de partidos políticos, o salário médio de um parlamentar e comparar com o tamanho da economia de alguns países, tentando achar uma relação que ligue esses três fatores ao desenvolvimento sócio-econômico dos diversos lugares, mas não foi possível determinar com clareza essa interdependência.

Na França, que conta com 19 partidos políticos, um parlamentar ganha o equivalente a 16 mil reais mensais; a Dinamarca conta com 6 partidos e cada parlamentar recebe 13 mil reais; o Japão tem apenas 5 partidos e cada parlamentar tem salário de 28 mil reais; o deputado sueco tem salário de 14 mil reais e o país conta com 14 partidos; o deputado americano tem vencimentos na ordem de 23 mil reais e o país tem 76 partidos, com a diferença de que muitos desses partidos são estaduais, não têm, portanto, atuação nacional. Os partidos Democrata e Republicano, aqueles dois de que o mundo ouve falar, são os dois com representatividade em todos os estados da confederação; a Inglaterra, o país sem constituição federal, tem apenas três partidos políticos e, embora seja uma das maiores economias mundiais, cada parlamentar recebe 14 mil reais mensais. O Brasil conta com 27 partidos oficializados e tem salário médio de R$ 26.723,00.

Será que somos tão mais ricos que os mais ricos? Nossos parlamentares trabalham mais e melhor que os parlamentares dos campeões econômicos mundiais para justificarem ganhos tão mais altos? Óbvio que ambas as respostas são “não”. Por outro lado, esses senhores que dizem nos representar têm a liberdade de determinarem seus ganhos (não só os salários, mas todos os penduricalhos extras adicionados ao salário básico, como verbas de representação, auxílio moradia, transporte, décimo terceiro, décimo quarto e décimo quinto salários, “auxílio paletó”, previdência parlamentar e sabe-se lá quantas outras mordomias), suas punições, seus muitos direitos, suas atribuições legais...

Se todos fôssemos iguais perante a lei, como determina a Constituição Federal, cada trabalhador teria o mesmo direito de determinar quanto a empresa em que trabalha deveria pagar-lhe ao final do mês. Ou, o que seria melhor, nossos parlamentares deveriam seguir o regime determinado pela Consolidação das Leis do Trabalho, seus descontos fiscais e obrigações de carga horária.

Neste momento, em plena crise por que passa a economia americana, em busca de uma solução para a economia do país e, consequentemente, a salvação da economia mundial, os deputados e senadores americanos fazem serão, sábado, domingo e quantos dias forem necessários, em busca de uma proposta positiva para o país. Já os nossos representantes legais (não significa isso que sejam representantes de fato), ausentam-se todas as segundas-feiras, não comparecem ao Congresso nas sextas-feiras, presenteiam-se com férias e recessos, que são férias com outro batismo, duas vezes ao ano, faltam quando querem porque sabem que não terão as faltas descontadas nos vencimentos... Enfim, agem como donos da empresa e não empregados de todo e cada cidadão da nação.

Já ouvi muitas vezes e, se bobear, também já disse isso: o dia em que eu estiver na lona, sem dinheiro e sem perspectiva, crio uma igreja, um sindicato ou um partido político. Essas três instituições contam com as benesses da lei, a complacência da justiça e os beneplácitos que o Poder Executivo dá àqueles que podem ajudá-lo em questões espinhosas que por ventura aparecerem. Tirando as igrejas, pelo menos as sérias e seculares como a Católica, a Batista, a Presbiteriana, a Adventista, a Seicho-No-Ie e mais algumas poucas, as outras duas agremiações – Partidos e sindicatos, que nadam mais são do que parte do braço arrecadatório dos partidos e seus figurões – tornaram-se balcões de negócios escusos e inconfessáveis. Seus componentes, via de regra, fazem mais dinheiro com suas atividades paralelas e “para-legais” – para não dizer criminosas – do que com o próprio salário, salvo aqueles poucos honestos ou sem poder de regatear, não merecem, portanto, mais do que uma ajuda de custo para dedicarem-se à vida político-partidária ou sindical.

O país paga caro para se deixar lesar.

 

©Marcos Pontes

10 comentários:

Ajuricaba disse...

No golpe militar de 64, uma das metas foi limpar o congresso e fazer novas eleições com regras mais sérias. Castelo Branco era ferrenho defensor dessa idéia. Como os demais acharam que era melhor ficarem no poder, mataram o cearense.

Beatriz disse...

Marcos, mais uma vez, um excelente e vibrante texto. Atual e bem articulado. Ontem escutamos Olavo de Carvalho sobre a confusão mental de Maquiavel...por isso, meu caro, quando você fecha com chave de ouro seu artigo :O país paga caro para se deixar lesar..eu acrescento, com respeito e humildade: todos nós sempre pagamos um preço altíssimo pra mantermos os sintomas de nossas doenças.

Tuca/Marilda disse...

Sócrates ensinava a Platão: Ou você escolhe o Poder ou o Dinheiro. O Brasil Parlamentar conseguiu suplantar os ensinamentos do filósofo e promove PODER COM DINHEIRO e ponto final.
Como vai acabar essa história? Alguém pode dar o THE END? Ficha Limpa e ...

Augusto Alexandre disse...

Ser um parlamentar no Brasil é como ser aquele filho do tipo ovelha negra, cujo pai por amor o coloca como vice-presidente de sua empresa, paga-lhe um salário exorbitante, da-lhe um poder enorme, mas o custo benefício é desproporcional ao que o "executivo" pode oferecer. Assim também são nossos políticos, em sua grande maioria, apenas marionetes, massa de manobra para a minoria "esperta".

Rose disse...

Aparentemente a índole do brasileiro reflete o caráter de seus eleitos e creio que alimentamos isso quando projetamos e até banalizamos esse padrão de comportamento que poucos, num universo de milhões de pessoas, ousam se indignar.
Isso deve facilitar a manutenção dessa situação, pois consolida-se a ideia de que não adianta querer mudar.
Poderíamos fazer uma experiência de tentar valorizar e destacar os poucos que tentam fazer a diferença, e não me refiro aos falsos éticos, incoerentes com o discurso, falo daqueles que mais acertam do que erram, entendendo que são humanos falíveis como todos nós.

marciagrega disse...

Você tem razão o povo paga pra se deixar lesar...Vota de qualquer jeito, em quem não deve e ainda dá risada...Acha que está fazendo bonito ou que está mandando um recado...Bando de mal informados e incautos!!!

Nanda disse...

Marcos; temos tantos problemas. Talvez a impunidade seja um dos maiores. Os políticos aprontam tudo; quando descobertos, somem de cena por um tempo e; meses depois, reaparecem como se nada tivesse acontecido. A sociedade não se impõe e, certamente, muitos estão aproveitando esses esquemas. Aumentam os partidos, os estados e a roubalheira. Um abraço.

opcao_zili disse...

Meu amigo, o Brasil chegou ao fundo do poço e agora chafurda na lama. O pior é presenciarmos boa parcela da população amando a lama, ou fazendo-se de morta. Quando acordarem será tarde demais.Os cristãos também estão no mesmo barco. Todos a la Paulo Betti -- enfiados na M****

Anônimo disse...

Em minha cidade, Santos/sp politicos e seus apadrinhados mandam e desmandam, ganham muuito bem e nós... os servidores de carreira amargamos baixos salários, perseguição.
Para ter uma idéia um cargo em comissão vale 8.000,00 mês e os caras nem vem bater o ponto! é o fim!

Anônimo disse...

voce ja viu esse partido PRVP ? é muito boa a ideia , vale a pena ver .
tem o site .
e so pesquisar no google.