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sábado, julho 02, 2011

Itamar: morre uma era, sobrevivem os ratos

Itamar

“Folheando” as páginas do Senado percebi que restam uns três ou quatro que sabem exatamente o que é ser senador, quais suas atribuições legais e seus compromissos constitucionais. A maioria está para negociar e alguns apenas eram suplentes sem votos que assumiram por este ou aquele motivo. De todos, apenas um é dos tempos em que a proporção era inversa, quando a quase totalidade tinha compromissos com a legalidade, mesmo que em período de exceção, Pedro Simon.

Como não gosto da política atual, solitária e boquirrota de Simon, todos podem não gostar de um ou outro ou de todos, mas foi-se o tempo em que havia Paulo Brossard, Jarbas Passarinho, Saturnino Braga, Marcelo Alencar, Marco Maciel, Teotônio Vilela, Franco Montoro, Gustavo Capanema, Mauro Benevides, Ney Braga, Nelson Carneiro, Virgílio Távora e tantos outros, inclusive o duplamente imortal Sarney, que deixou a legislação de lado para dedicar-se a negócios, tanto que raramente assume a cadeira de presidente durante as seções da casa.

Itamar foi o último de uma dinastia. Afastou-se dos cargos eletivos por um tempo na geladeira das embaixadas, longe das loas e críticas, amordaçado por um cargo em que não tinha voz ativa nos jornalísticos diários.

Sérgio Cabral vai à televisão e diz que Itamar “era um político antiquados, com hábitos arraigados, mas com quem sempre havia um bom diálogo”, logo em seguida elogia seu bom caráter e sua honestidade. Fiquei aqui matutando com meus botões... Hábitos antiquados e arraigados são os mesmos bom caráter e honestidade, uma vez que Cabral colocou tudo na mesma frase? Provavelmente, sim. Me dou a liberdade de reescrever a frase do governador fluminense: “Itamar era um velho ultrapassado que colocava o bom caráter e a honestidade como valores, coisa que não temos o hábito de fazer hoje em dia”.

Logo em seguida vejo o mais novo imortal da ABL, Merval Pereira, entre gaguejos, típico de quem procura as palavras certas para não se trair, cometer o mesmo ato falho de Cabral: “Itamar era... hã... um político exótico... há... quer dizer... tinha jeito próprio de fazer política... hããã... honesto...”. Como é que é, seu imortal? Honestidade é exotismo?

Esses são os novos valores da república, unindo as vozes de Cabral e Merval, a dupla sertaneja: ser ético, bom caráter e honesto é exótico, antiquado e ultrapassado. Tudo a ver com a nova república vermelha.

Morre uma era, a dos bichos exóticos, aqueles com personalidade e não mimetismo. Extinguem-se os animais éticos e que tinham como a palavra de honra seu bastião. Desaparecem os bichos estranhos que mantém suas posições até serem convencidos do contrário com argumentos e não com cargos e/ou dinheiro. Na floresta senatorial, os mais fortes, confirmando a comprovação darwiniana, sobreviveram, entre eles, Sarney e Simon, as duas vozes respeitadas, um pela força da taca, outro pela senilidade, que com sua flauta mágica conduzem os ratos em seu rastro.

 

©Marcos Pontes

4 comentários:

Lucas Fernandes disse...

Muito bom o post. Não sei como esse Merval Pereira esta na academia de letras, assim com o Sarney. Isso reforça ainda mais a falta de crença na cultura nacional nos últimos tempos. Além disso temos o Cabral, que ultimamente vem mostrando cada vez mais a sua verdadeira face, elaborando códigos de "éticas" entre o empresariado e governos estaduais.

Alexandre - Caçador de iMundos disse...

Falou tudo: ser honesto é ser "exótico, antiquado " etc.
Pra vc ver, a família de Itamar se recusou a usar avião da FAB para o traslado do corpo, preferiu fretar um jato comercial. Já o Cabral iMundo... ah, esse gosta de jatos modernos e helicópteros de seus de sua gangue.
Há um deputado que está sendo motivo de chacota por se recusar a usar toda a verba de gabinete, contratar apenas uns 3 assessores entre outras coisas. O deputado é chamado de Dom Quixote, demagogo e , pasme, arranjou inimigos por zelar pelo dinheiro do povo. VEJA -> http://noticias.uol.com.br/politica/2011/04/15/deputado-do-pdt-que-rejeitou-beneficios-cria-inimigos-na-camara.jhtm

APACONT www.apacont.org.br ou ligue para 021-3472-1785 disse...

Infelizmente, no Brasil se aplica a política de que mais vale um corrupto de carrão que um honesto a pé. Mas na hora do descanso em paz, ser honesto faz a diferença, nem tudo termina com a morte. Que ele siga com Deus.

CHUMBOGROSSO disse...

Caro Marco

Como dizia o provérbio latino: Mortuis nihil nisi bene...(Dos mortos só se fale bem) e assim contribuo.
ITAMAR ERA HONESTO. PROBO.
E só....