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segunda-feira, junho 06, 2011

O ministro 20 vezes, 20 saídas

tio_palocci

Que há algo de podre no Reino da Dilmamarca, tanto ou mais quanto havia no Reino de Lulamarca, não é novidade a não ser para os apaniguados que negam mesmo quando pegos com as mãos atoladas na botija e seus cúmplices alienados, dignitários das ditas bolsas sociais e sem nem mesmo a cartilha de aritmética capenga ou livros antididáticos que assassinam a concordância verbo-nominal, muito menos jornais e revistas, mesmo as minimamente informativas e que assistem a um ou outro telejornal e dizem-se bem informados.

O país mal parado por conta de um ministro do tipo palocciano, desculpe, palaciano de quatro costados que, pela segunda vez no mesmo cargo, pela segunda vez se encalacra. Na primeira por ter questionado cinqüenta mil reais que um caseiro de salário mínimo tinha em sua conta. Para desacreditar a testemunha, o caseiro, que afirmara o então ministro de estar em constantes reuniões na “mansão do lobby”, Palocci não se fez de rogado. Mandou ordem para o presidente da Caixa Econômica Federal para que este lhe enviasse o extrato da caderneta de poupança do pobre caseiro.

O Beócio, desculpe-me, presidente Lula até que se esforçou em fazer pouco caso do crime cometido pelo seu braço direito, mas não deu pra segurar. O demitiu, mas o manteve sob suas asas, prestigiado no partido, aquele mesmo partidinho que fez de conta que expulsou o tesoureiro mensalista, Delúbio, para, esfriadas as águas que o escaldaram, o readmitir com honras, pompas e circunstâncias. Deixaram Palocci mergulhado um pouquinho para logo em seguida o alçarem à deputadaria federal. Lá estava o amigo do Beócio, desculpem-me de novo, é o vício, o amigo do presidente nas esferas oficiais do poder.

Paralelamente às condições de deputado, assumia a carreira empresarial de lobista, consultor e palestrante, e coordenador político da campanha da candidata do Be..., ops!, presidente. O PT, Lula e os cardeais petistas mostravam, como mostraram quando do afastamento do antecessor de Palocci, o também lobistas, consultor econômico e palestrante José Dirceu, que seus quadros enlameados só são assim vistos pelos golpistas. Aliás, aqui cabe um parênteses: o PT é o único partido que não tem oposição, mas golpistas. Todos os que fazem alguma crítica às medidas governamentais merecem esse título, desde o cachaceiro do boteco da esquina até os mais renomados veículos de comunicação de massa, todos golpistas.

A cadeira de chefe da Casa Civil é maldita? Não, não existem maldições e Brasília é uma cidade muito nova para ter castelos assombrados. A maldição paira sobre a cabeça dos ocupantes desse cargo nos últimos oito anos e meio. José Dirceu, Palocci, Erenice e Palocci de novo. Até deu um refresco para a própria Dilma, aquela mais grossa do que papel de enrolar prego, como a define Cláudio Humberto. Dilma foi mantida na cadeira, a despeito de suas trapalhadas e mentiras, como o doutorado falsificado, o passado terrorista com especialização em explosivos bancado pelo feudo castrista caribenho, as traições aos companheiros de luta armada e ao marido-amélia que a endeusa ainda hoje, cicatriz de chifre à mostra na testa enrugada.

Ao ler nos jornais que a OAB, a mais populista-elitista entidade de classe nacional, os partidos de oposição e alguns da base assalariada, desculpem-me de novo, quis dizer base aliada do governo e, pasmem, até a Força Sindical, traduzida por Força Pelega de Associação de Sindicatos Venais, pedem a saída do ministro, fora o populacho, no qual me incluo, e a presidente fazendo de conta que não o conhece, deixando a pendenga se espalhar por semanas sem tomar uma atitude, me ponho a crer que Lula é mais macho que Dilma, embora as aparências não demonstrem.

Conhecendo a esquerda como conheço, ainda mais de braços dados com partidecos de meia tigela, como o PMDB do vice, o temerário Temer, imagino a pressão que Dilma sofre. Não para demitir Palocci. Uma coisa são as câmeras e microfones, utilizados para demonstrarem coesão entre os amiguinhos do cetro, outra bem diferente são as conversas e gritarias de bastidores.

Aliás, o temerário Temer e o próprio Palocci andaram batendo boca, quando o ministro exigiu que Temer obrigasse seus miquinhos amestrados, os deputados peemedebistas, a votarem contra o relatório de Aldo Rebelo sobre o Código Florestal, ou demitiria todos os ministros do partido de Temer. Quando que Temer, um highlander da política nacional, pendurado em qualquer palanque vencedor, deixar-se-ia dobrar por um sujeito que deixa o rabo à mostra cada vez que se mete numa falcatrua?

Temer deve não só pedir a cabeça de Palocci todas as manhãs em suas orações e todas as tardes em seus telefonemas para Dilma, como também aspirar poder indicar um homem seu para o lugar. Mataria muitos coelhos com uma porrada só: empregaria um amigo, teria um espião na antessala da presidente, ganharia reforço de cabos eleitorais na carona do ministro emplacado, aumentaria em alguns metros o balcão de negócios que é o governo federal e a Congresso... Enfim, presidiria mais do que Lula está presidindo.

Sabendo disso, o próprio Lula não perdeu a vigilância. Lembrem-se, leitores, que nos últimos dias de mandato ele falou que levaria a faixa residencial para casa. Levou. Não fisicamente, não de fato, mas de direito, em se tratando de assuntos políticos, a presidência ainda é dele. Na área econômica e estrutural nacional, não. Ele não comandava essas áreas nem quando era rei posto, por incompetência, inaptidão e desinteresse. Apenas reproduzia em seus discursos improvisados e desconexos os que os assessores e os presidentes de fato (Dulci, Dirceu, Berzoini, Greenhalgh, Ünger e alguns outros poucos sabidos por todos) lhe assopraram a respeito do que estavam fazendo com o país.

Quem Lula quer emplacar? A cada dia os jornais apresentam mais nomes: Gilberto Carvalho, Paulo Renato, Miriam Belchior, Padilha... e o próprio Palocci, claro. Como disse, sua podridão de caráter não assusta petistas, apenas enojam a oposição golpista.

Quem parece não ter qualquer candidato para o lugar é Dilma. A presidente não gosta de Palocci, mas teve que o engolir na cota de Lula, junto com Padilha, Paulo Renato, Lobão (num conluio entre Lula e Sarney) a Miriam Belchior e mais uns dois ou três. A saída dele seria um alívio para ela, mas ela não emplacaria um nome seu sem a aquiescência de Lula que, sabido, cantado e decantado, não abre mão de seu coronelismo.

Além de Temer e Lula, muito mais gente, com menos força e expressão, também tenta colar um nome nessa cadeira, mas nesse saco de gatos que é o governo, muito mais incompreensível e desarticulado do que o anterior, tudo é possível, inclusive nada. As fichas estão na mesa, mas as apostas ainda não se encerraram. A única certeza é que Palocci cai. Ou não.

Nem mesmo escândalos o governo/PT conseguiu produzir para fazer cortina de fumaça para esconder esse escândalo que para o país, o governo e o Congresso, sinal de que a substituição ou manutenção de Palocci é o que deveras interessa no momento. O resto é apenas cenário.

 

©Marcos Pontes

2 comentários:

nadiavida disse...

Sensacional... E o Patilocci mergulhando na sua fortuna tá impagável... É amigo, vamos ver até quando vai a "história da carochinha do palocci_pinóquio"....

Beatriz disse...

Muito bom. De duas uma: ou Chávez fica no lugar de Palocci (Dilma estava esperando o chimpanzé de bengala) ou Chávez leva o estorvo com ele. Pode ficar pior, Lula encasquetar com alguém do PMDB pra calar a boca de Temer? Ah, muita água suja vai rolar debaixo dessa ponte podre.