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terça-feira, maio 24, 2011

Revolução ofídica

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A Revolução Francesa tinha como objetivo destruir a monarquia e instalar a república, Isso qualquer estudante do ensino médio sabe, ou deveria saber, dada a péssima qualidade da educação nacional.

Para chegar lá, os republicanos teriam como primeira etapa destruir toda a simbologia monarquista. O propósito era o bem comum? Teoricamente, sim, mas o populacho foi o exército gratuito utilizado para levar a cabo os desejos da burguesia ambiciosa que jamais chegaria ao comando da nação.

Contra a monarquia também fez-se também a revolução bolchevique, em 1917, e várias outras revoluções em tempos e locais distintos ao redor do globo. Em alguns casos a figura imperial foi deveras substituída pelos presidentes e primeiros ministros, em outros o monarca de coroa foi substituído por oligarcas com faixa presidencial. Em comum havia a guerra civil e a mortandade de compatriotas. Em nome de uma causa, a manipulação dos insatisfeitos por meio de propaganda, promessas e uma imagem de sensíveis na luta contra a opressão, a miséria e a obsolescência da máquina estatal divulgadas pelos candidatos a assumirem o poder.

Os Estados Unidos e seus aliados, insatisfeitos com a postura do Eixo destruíram o Japão e o reconstruíram à sua imagem e semelhança, o mesmo na Coréia do Sul, Alemanha Ocidental, Vietnã do Sul, também em épocas diferentes, mas utilizando o mesmo método: a guerra.

Pacientemente, seguindo a nova tática gramsciana, a esquerda também preparava sua revolução, hoje em pleno curso, silenciosa e paulatina, sem sangria, mas com a semelhança da destruição de símbolos antigos e pré-estabelecido propósito de reconstruir o mundo ao seu jeitinho.

Todos os líderes mundiais estão de acordo com essa tática, têm conhecimento dos tentáculos vagarosos, longos e múltiplos que, à imagem dos filmes de terror B dos anos 50, passam por baixo da porta para estrangular suas vítimas na surdina? Não. A maioria deles são apenas instrumento de mentes bem mais argutas, preparadas e calculistas. Lula e Dilma, por exemplo, não têm a malícia e nem a prepotência de Putin, que restabelece mansamente a república soviética, sem comunismo, mas com todos os vícios que o antigo regime tinha em que havia uma pirâmide encimada pela casta política e economicamente privilegiada, algo completamente oposto à pregação de Marx.

Zapatero é outro exemplo de esquerdista ofuscado pelo brilho do poder, mas apenas uma ferramenta nas mãos daqueles que, à imagem de Greenhalgh, Mangabeira Ünger, Frei Betto e outros muitos cérebros pensantes da esquerda brasileira, mexem os cordéis que fazem seu títere andar, pular, falar ou fingir de morto.

Pregar contra as instituições religiosas seculares, levantando a bola das novas teologias e inúmeras religiões é uma faceta muda para as grandes massas desse avanço gramsciano da nova ordem que vem se estabelecendo calcada no politicismo correto.

As forças armadas, mundo a fora são outras vítimas de campanhas contumazes; o ensino tradicional é bombardeado pelas novas pedagogias como, por exemplo, o tão enaltecido construtivismo dos anos 90, hoje já demonstrado ser uma farsa. Destruir a escola tradicional ao invés de aperfeiçoá-la não é à toa, mas parte do plano.

Teoria conspirativa? Não, conspiração de fato.

Destruir as gramática, como o episódio amplamente divulgado e discutido dos livros espalhados pelo MEC em mais de 4000 escolas públicas em que se encontram erros absurdos de regras gramaticais também não é à toa. “Destruamos o que é velho para construirmos tudo novo, inclusive a gramática, que deve ser escrita pelo povo, não por letrados, cultos e acadêmicos estudiosos. O estudo é coisa pequeno burguesa, elitista, não serve para nós, povo oprimido e vítima dos senhores da indústria”, pode ser assim traduzido o discurso desses senhores e se os olhos e ouvidos lerem as entrelinhas, é exatamente isso que vai encontrar.

Estudo, ciência, tradicionalismo, mérito, ética, moral, religiosidade e o que mais houver de estabelecido na cultura mundial há de ser arruinado, assim, sem valores, metas e lideranças, os esquerdistas revolucionários aparecerão em cena fantasiados de salvadores do planeta, braços dados com as minorias que vêm cooptando, sejam negros, gays, evangélicos, ecologistas, feministas e qualquer outra classe ou categoria que aceite vestir a carapuça de vítimas e oprimidos históricos. Não será de estranhar que a nova revolução francesa nasça em França, esquerdista de longa data e primeiro refúgio de ditadores depostos no decorrer das várias décadas do século 20, e de comunistas banidos por ditaduras de direita.

Como a primeira revolução francesa, a revolução bolchevique, a reconstrução japonesa, a nova revolução começa pela destruição dos símbolos dos regimes atuais, a diferença é que não se faz isso pela força das armas, mas com a força da pena, que é muito mais forte e permanente do que a força da espada, como já ensinara Voltaire e Gramsci assimilara muito bem, transmitindo essa assimilação e seu emprego prático e paciente aos dissimulados que aplicam isso ideologicamente hoje. Se o sangue jorrar, será no final do processo, quando a maioria de hoje estará tão fragmentada que as “minorias” unidas a esfacelarão facilmente.

O novo não significa necessariamente o melhor, aliás, muita coisa nova é infinitamente inferior em qualidade e conteúdo do que seus similares de algumas décadas atrás. Toda a vigilância contra a manipulação individual e das massas é porca diante da ardilosa revolução tácita que avança sorrateiramente.

 

©Marcos Pontes

domingo, maio 22, 2011

Mudar para ficar igual

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O que será mudado na reforma política? Muito pouco e somente aquilo que não prejudique os políticos, em primeiro lugar; seus partidos, na sequência; o governo federal, que tem o apoio da maioria do parlamento; os governos dos estados, porque assim os políticos poderão discursar que ajudaram seu estado quando na verdade estarão ajudando seus governadores; e, se sobrar tempo, argumento e alguma pouca vergonha, os eleitores.

Ricardo Berzoini colocou-se contra o voto distrital. Por que? Porque na capital, onde ele está domiciliado politicamente, a concorrência eleitoral é enorme, uma briga de foice no escuro. Aí ele pode ir pedir votos no terreiro do vizinho, lá pelos interiores, onde a concorrência se dilui e candidato que não tem grana não consegue fazer campanha. Com a máquina petista se alastrando e ele, Berzoini, galgado à condição de um dos cardeais do partido, lhe sai barato fazer campanha em todo o estado, do litoral a Lins, da fronteira com Minas à divisa como Paraná. Passando o voto distrital, Berzoini teria que ficar restrito à capital e seus trezentos mil candidatos, diluindo sua influência.

Citei Berzoini, mas o mesmo vale para todo coronel político de qualquer estado. Na Bahia, por exemplo, José Carlos Aleluia, deputado federal não eleito senador na última campanha e hoje sem cargo eletivo, jamais colocou os pés no sul do estado, salvo como papagaio de pirata de ACM, vez por outra, mas, mesmo derrotado, teve muitos votos na região entre Camacã e Teixeira de Freitas. A força da televisão, números fáceis de decorar e cabos eleitorais espalhados fazem com que a propaganda fixe-se na cabeça do eleitores mais desavisado, aquele que não pesquisa sobre o passado dos candidatos,e assim Berzoini e Aleluia são votados por eleitores que sequer sabem que apito eles tocam.

Explica-se porque PT e DEM defendem alguns mesmos pontos que em nada ajudariam o cidadão. Podem não ajudar o eleitor, mas não arranha o status quo dos políticos e é isso que vale, no final das contas.

O mais absurdo dos absurdos é o ressuscitamento do voto vinculado, tão criticado pelo PT, MDB e as oposições do final da ditadura. Percebendo que perderiam as eleições nos últimos estertores dos generais, a situação de 82 criou o voto vinculado que consistia na obrigatoriedade do eleitor em votar em candidatos do mesmo partido, do rabo às tetas, de governador a vereador. Se não procedesse assim, o voto seria cancelado. O PDS contava com o grande número de anulações como aliado para não levar a lavagem que, mesmo assim, ocorreu. Pois o mesmo PT, em mais uma demonstração de sua arrogância, dissimulação e falta de moral política, lançou a idéia do voto em lista e a defende na reforma política. Pois o tal voto em lista nada mais é do que o voto vinculado em sua versão muito piorada.

O voto vinculado da ditadura era mais democrático que o voto em lista do PT que, graças a Deus, ainda conta com a discordância de parte dos seus aliados. No voto vinculado o eleitor poderia escolher seus candidatos, desde que fossem do mesmo partido; no voto em lista defendido pelo PT, o candidato não escolheria os candidatos, mas a lista. Por gostar do candidato A, teria de levar todos os demais na carona da lista em que o candidato A se encontra. É muito pior do que o tal suplente a senador, um sujeito que não recebeu um voto sequer, mas pode assumir o cargo se o titular for impedido. A propósito, isso também não deverá ser mudado. Por que? Basta dar uma pesquisadinha em quem são os suplentes dos manda-chuvas do Senado atual: o senador João Pedro (PT-AM), suplente do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), voltou a exercer o mandato no lugar do titular, que assumiu o Ministério dos Transportes; os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) assumiram os Ministérios de Minas e Energia e da Previdência Social, respectivamente. Assim, Edison Lobão Filho (PMDB-MA) exercerá o mandato do pai por ser o primeiro suplente da chapa e Paulo Roberto Davim (PV-RN) substituirá Garibaldi Alves; Aloizio Mercadante (PT-SP) assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia e Ideli Salvatti (PT-SC), o Ministério da Pesca e Agricultura. O suplente de Ideli, Luiz Carlos João (PT-SC), tomou posse na última segunda-feira (3) para completar o mandato da senadora. Já o suplente de Mercadante, José Giácomo, ainda não entrou em contato com a Mesa Diretora para tomar posse (texto retirado do site do Senado). Aqui citados apenas os suplentes que assumiram a titularidade no início dessa legislatura, mas a quase totalidade dos senadores tem um parente, marido, filho, como suplente. Por que eles quereriam mudar as regras em que sempre saem ganhando?

O financiamento de campanha, outro ponto que deverá passar, poderia até ser uma solução para a corrupção, se: 1. Os políticos fossem honestos; 2. Não fosse criado um imposto ara esse financiamento. A bem da verdade, tal imposto ainda não foi cogitado publicamente, mas conhecendo a esquerda, ávida por dinheiro como ela é, não me surpreenderá se o governo, aprovada o financiamento público, crie essa taxa; 3. Não sejam desviados recursos para privilegiar os candidatos que corromperem os responsáveis pela liberação dessa verba ou para privilegiar os próprios responsáveis pela liberação que farão fortuna por conta da candidatura dos outros. Ah, mas aí estou sendo pessimista demais. Sim, estou, mas isso porque já sou vacinado contra a imoralidade e a desonestidade crônicas na administração pública do Brasil, independentemente de quem o esteja administrando.

O financiamento público, que passaria a ser o único financiamento legal, não impediria que algum “amigo” de candidato lhe desse o presentinho de alguns out-doors, uns milhares de panfletos e cartazes, a “simpatia” de algum apresentador de televisão famoso ou um cantorzinho brega e bem popular. Como um dos maiores problemas da máquina estatal é a falta de fiscalização, os desmandos com dinheiro público e caixa dois longe dos olhos dos fiscais tornariam ainda mais podre a política mal cheirosa com que temos que conviver.

E quantos candidatos apareceriam sem qualquer esperança de elegerem-se, principalmente dentro dos municípios, apenas de olho na bolsa-corrupto? E quem proibiria qualquer cidadão filiado de candidatar-se se até fichas podres se elegem sem qualquer empecilho?

A proporcionalidade de votos para vereadores e deputados é outra coisa incompreensível para o eleitor comum e sem explicação democrática. Como explicar que um sujeito que teve um voto se eleger enquanto um outro com 100 votos não? Casos assim não são raros. A cada eleição vemos relatos do tipo. E um voto não é exagero, isso ocorreu com uma vereadora de, não lembro que cidade, de Sergipe. Outro exemplo é o do Tiririca, para pegar um caso bem conhecido. Do alto de seus mais de um milhão de votos, o deputado federal levou mais cinco com ele, candidatos que não teriam se elegido se fossem computados somente os votos absolutos.

E qual o interesse em se manter esse sistema? Simples. Os partidos mais populares, como PT, PMDB, DEM e PSDB elegeriam mais gente, uma vez que os votos em legenda, além do efeito Tiririca, colocariam nas assembléias estaduais, na Câmara Federal e das câmaras municipais os caronistas, gente que se pendura na popularidade de uns e na força da legenda para se elegerem. Não fosse a proporcionalidade, muita gente que está empossada sequer teria chegado perto da legislatura.

Os velhos vícios manter-se-ão e novas aberrações, como o voto em lista, serão incorporados à nova legislação eleitoral. Mexe-se na lei para manter privilégios, aumentar o balcão de negócios e afastar ainda mais o desejo popular das realizações fisiológicas dos eleitos. Muito carnaval para pouco samba é o que se delineia na reforma política que se desenha e que todos discursam ser premente.

 

©Marcos Pontes

quinta-feira, maio 19, 2011

O silêncio dos milicos

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Uma das funções constitucionais das Forças Armadas é garantir a segurança nacional de inimigos externos; outra é fiscalizar o cumprimento das leis federais sendo, logicamente, a maior delas a própria Constituição.

Em relação à primeira, fica a desconfiança de que as FF.AA. não estão cumprindo seu papel. As fronteiras estão abertas e os militares de braços cruzados esperando ordens do ministro, conivente com a invasão da Amazônia por ONG e organizações internacionais pseudo-científicas e falsos religiosos.

Afirmações desse tipo poderiam ser tomadas como paranóia ou teoria conspirativa, tais afirmações, porém, são ratificadas pelas muitas evidências e provas cabais de tráfico de espécimes da fauna e flora para estudos no exterior, tráfico de riquezas minerais, cooptação ideológica de povos indígenas, mineração ilegal, contrabando de entrada de drogas e armas e de saída de carros roubados, ouro, diamante e mogno, apenas para citar alguns crimes corriqueiros e ignorados pelas autoridades.

Inadmissível que o Exército, para ter acesso a áreas indígenas tenha que ter autorização da FUNAI, caracterizando a divisão do país em dois Brasis, um físico e outro das instituições civis que tutelam índios e invasores, como se fosse cidadãos privilegiados em direitos, colocando sob as asas corruptas do governo federal os intocáveis das nações dentro da nação.

Manter a integridade do território nacional é uma das atribuições das Forças Armadas, mas apenas nas letras pequenas da lei. Quando essa missão depende do humor de um ministério burocratizado e inoperante comandado por um ministro prepotente e, ao que tudo indica , inepto para as funções executivas, além de comprometido com esse politicismo correto, as mãos dos militares ficam algemadas e suas funções legais truncadas.

No campo interno, a Constituição vem sendo estuprada quase diariamente há oito anos e meio e os generais matem-se amordaçados, seja por medo, seja por cumplicidade. O último bastião de moralidade com que poderíamos contar está mudo e acuado nos quartéis desaparelhados, Aliás, desaparelhados e sucateados propositadamente por um governo formado por inimigos históricos das Forças Armadas.

Dia desses um general reformado me desabafou: “o mal do Exército é que é legalista demais”. Assim, fora do contexto, tal afirmativa reflete um golpismo velado por considerar que a legalidade pode, em alguma circunstância, ser excessiva. Mas, entendendo-se o ponto de vista desse general, que pediu a reforma por não conseguir ser comandado por um civil despreparado e ex-terrorista revanchistas, com o qual concordo, esse legalismo refere-se à determinação de que o militar só deve agir sob as ordens do comandante geral, o civil de esquerda, sem qualquer vínculo anterior com a caserna. Exigir dele decisão ou descumprir ordens estapafúrdias é insubordinação grave punível pelo Código Disciplinar Militar.

Enquanto o governo e seus miquinhos amestrados rasgam a Carta Magna, Jobim convive com os desmandos e os generais, brigadeiros e almirantes se acovardam atrás de suas estrelas com medo de serem apedrejados pelo esquerdismo que se alastra mais como burrice em acampamento do MST.

No meio desta selva, sem cão e sem espingarda, perdidos, vemos a parada passar em surdina, sem ver qualquer vontade civil ou militar de se colocar a tropa em ordem unida e o país em ordem constitucional, tudo em nome de um progresso de mentirinha.

 

©Marcos Pontes

quarta-feira, maio 18, 2011

Dia Mundial de Combate à Hepatite C


A gente ouve falar, sabe que existe, mas não tem consciência de certas coisas até ter contato próximo com elas. A partir desse contato tomamos a devida, ou a mais real, noção de sua magnitude, sejam coisas boas ou más.
O Nei é amigo de longa data e embora moremos na mesma rua, nos vemos pouco. Trabalho, família, poucos amigos comuns e as muitas viagens que ele faz não nos permitem contato mais próximo, mas sempre que isso ocorre a conversa rola fácil e, até uns três anos atrás, sempre ficava o convite de parte a parte para um churrasco e uma cervejinha, que nunca se concretizava.
Passamos dois anos sem nos ver, o que parece incrível dada a distância entre nossas casas. Com a filha estudando no interior, o filho no interior de São Paulo, empresa em Porto Seguro, espírito aventureiro e uma boa condição financeira fazem e permitem que esteja sempre dentro de seu jipe nas estradas do país ou em algum avião.
Em meados de 2010 nos encontramos casualmente na rua. Ele magro, envelhecido, muitas olheiras e um tremendo ar de cansaço. Depois dos cumprimentos efusivos, perguntei pela cervejinha que já deveria ter congelado dado o tempo em que a colocamos no freezer e jamais arranjávamos tempo para bebermos juntos. Meio sem jeito, disse que não bebia mais, havia contraído hepatite C e estava havia mais de um ano num tratamento doloroso, cansativo e interminável.
Aquela doença de que já havia ouvido falar me mostrava na aparência abatida do Nei que ela existe,  machuca, abate.
Hoje, Dia Mundial de Combate à Hepatite C, sob sugestão http://www.meglon.blogspot.com/ , resolvi falar do assunto.
Telma e Sônia capitaneiam o blog que trata do assunto com depoimentos, artigos, entrevistas com especialistas, sempre alertas e alertando para os riscos da doença, sua prevenção, as leis que se aplicam ao tema, apoio aos portadores do vírus, enfim, uma cruzada particular que se espalha para a sociedade sem os recursos desviados que as ONG costumam superfaturar para colocarem em prática seus intentos nem sempre nobres.
Estas senhoras fazem uma campanha permanente que deveria caber ao Estado, mas que não recebe a devida atenção, afinal de contas, existem coisas muito mais urgentes com que os governos devem se preocupar e ocupar seu tempo e recursos, como trem bala, lei da palmadinha, kit gay, campanha antitabagismo em contrapartida à legalização da maconha, acobertamento da riqueza instantânea e mal explicada de seus componentes, emprego dos partidários sem concursos públicos, enfim, uma gama de preocupações mais urgentes e necessárias para o bem estar da população.
A hepatite do tipo C não tem vacina, sua prevenção é sanitária e sua principal causa de transmissão é a transfusão de sangue, embora possa ocorrer por meio de outras secreções corporais. Será que uma campanha pelos veículos de comunicação seria tão mais cara do que o José de Abreu anunciar a vacinação contra a gripe? Ou menos importante do que os cinco filmes que a Matisse Planejamento e Comunicação fez para elevar a confiança do brasileiro nas ações do governo federal? Ou não teria espaço entre as 138 licitações abertas pelo governo federal para propagandas somente nesses 5 primeiros meses de 2011?
É, talvez não seja mesmo importante. Depois que a campanha para a doação de medula e sangue veiculada por tuiteiros fez subir mais de 50% as doações, sem sequer a unha do dedo mindinho do pé esquerdo do Ministério da Saúde e nenhum centavo do dinheiro público, as campanhas particulares, boca a boca, e-mail a e-mail, Twitter a Twitter, blog a blog seja mais eficaz e crível.


©Marcos Pontes



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segunda-feira, maio 16, 2011

Montenegro e Palis X Collor e Dilma

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1. Quando o Brigadeiro Montenegro voltou dos Estados Unidos, para onde havia sendo enviado pelo Ministério de Guerra, Comando da Aeronáutica, com a missão de trazer aviões que o Brasil comprado, veio com a vontade de montar aqui um centro tecnológico nos moldes do MIT, Massachussets Institute of Technology, centro de excelência que mais deu prêmios Nobel no mundo. Não foi fácil. Teve que encarar a resistência dos incrédulos e das mais altas patentes militares e políticas da época, sendo o maior de seus entraves nada menos que o Brigadeiro Eduardo Gomes, um dos muitos heróis nacionais pouco conhecidos e, pouco tempo depois, candidato à presidência da República. Note-se que Montenegro era apenas capitão. Não desistiu. Procurou os maiores cientistas do mundo dispostos a virem para o calor tropical dos anos 50/60 e terminou trazendo gênios russos, húngaros, americanos e sabe-se lá de que muitos outros locais. Venceu a quebra de braço e criou o ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica, em São José dos Campos, um oásis de ciência, estudo e pesquisa cercado pela ignorância Nacional;

2. Ao assumir a presidência, munido de uma só bala para matar a inflação, muitas idéias na cabeça e um canhão chamado Zélia nas mãos, Collor, no auge de sua louca prepotência, criou a reserva de mercado para cientistas nas universidades federais. Muitos dos cientistas estrangeiros que aqui militavam vieram na carona do ITA. A pensar que sabia tudo sobre tudo, Collor não ouviu a comunidade científica, causando a demissão, cassação de vistos de trabalho e conseqüente “deportação branca” de cientistas e pesquisadores das mais diversas áreas. Se por um lado ele acertou ao abrir os portos para as nações amigas, fazendo com que nossa indústria corresse atrás de melhorias tecnológicas para encarar em melhores condições os produtos estrangeiros que poderíamos importar com mais facilidade, embora ainda caros, por outro, ele nos deu um tremendo prejuízo, sabe-se lá em quantos anos isso pode ser contabilizado, ao nos livrar de grandes cérebros pensantes e formadores de outros grandes cérebros. A grita foi geral, levando-o a reconsiderar algumas demissões, mas o estrago já estava feito. Cientistas foram embora, outros aposentaram-se e mais alguns partiram para a iniciativa privada. Sem muito esforço e de uma só penada, Collor empobreceu enormemente nossa área científica;

3. Em seu discurso na abertura do ano letivo de 2011, Dilma, entre várias baboseiras, declarou sua intenção e a importância de enviar 75 mil estudantes para intercâmbio no exterior “principalmente os da área de ciências exatas”, incentivar a pesquisa, área sempre fraca e esquecida em nossas academias e mais blá-blá-blás. Confesso que não dei muita importância aos demais blá-blá-blás, mas o propósito de mandar nossos estudantes aprimorarem-se no exterior me deixou encafifado. Que é um ganho para o país especializar nossos cientistas no que há de mais moderno no exterior (se bem que nesse governo petista, aprimorar no exterior pode significar universidades de Angola, Irã ou Cuba), não resta dúvida, mas, e depois? Depois de especializados, serão absolvidos pelo Estado? Bons como alguns de nossos engenheiros e matemáticos são, como comprovam as Olimpíadas Internacionais de Física e Matemática que os vem premiando ano após ano e dando prêmios internacionais, como o Prêmio Balzan a Jacob Palis, entrevistado da semana nas páginas amarelas da Veja, receberão esses estudantes salários dignos e condições técnicas e ambientais satisfatórias para se fixarem no país ou cederão às propostas internacionais?

A entrevista de Palis me deu a idéia desse post. Não só por ser daqueles homens admiráveis pela sua genialidade, espírito científico no mais completo sentido do termo, mas pelas coincidências com o discurso de Dilma. Teria a presidente um informante dentro da revista ou tem mesmo tal propósito de investir mais do que os parcos 1,2% do PIB atuais em ciência, pesquisa e tecnologia nas universidades? Estariam Haddad, a maior vergonha que o Ministério da Educação já hospedou desde seu ano criação, e Mercadante, o ministro paraquedista e boquirroto da Ciência e Tecnologia, preparados e cientes da importância de maiores investimentos na área? Teria Mantega, o ministro que cuida do dinheiro nacional como um miserável que ganhou na loteria e não sabe se primeiro compra uma casa própria ou dá a volta ao mundo, disposição de retirar dinheiro das bolsas-votos para investir nessas áreas de eleite?

Algo me diz que Palis está para Montenegro assim como Dilma e Collor estão para Eduardo Gomes. Esperemos, torçamos, mas não acreditemos muito para não levarmos mais um tombo doloroso do cavalo da esperança.

©Marcos Pontes