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sexta-feira, novembro 18, 2005

- Alô. Eu gostaria de falar com o Kennedy...
- Ele está no bar, aquele vagabundo, cheio de homens na mesa.
- Quem está falando?
- Marcos, o namorado dele.
- COMO É QUE É?
O probre Kennedy, seja lá quem for, deve estar sofrendo hoje.



Gúliver e as Aranhas

O garoto tinha pavor de aranahas. Não era medinho, frescurinha, mas verdadeiro pavor, fobia em último grau. Seu Ariosvaldo, vizinho do menino Gúliver, apontador de jogo do bicho e exotérico auto-didata, tentava convencer o pequeno que não havia por quê ter merdo. Tirando algumas espécies mais venenosas e mortais, na sua maioria eram benéficas, tinham até seu lado de boa sorte. Sonhar com aranha era sinônimo de dinheiro chegando, dizia Ariosvaldo.

Nada adiantava. Seu pânico não diminuíra. Quando sonhava com aranhas acordava gritando e com o pijama molhado. Evitava o jardim por saber que lá estavam, se visse uma pequena papa-mosca na parede de um cômodo da casa só voltava ali depois que a mãe garantisse que já havia eliminado o bicho que ele chamava de polvo, por conta de tantas pernas, apenas para evitar a palavra "aranha".

Convidado por um amigo de seus pais, foi passar férias em João Pessoa. Sociável, logo enturmou-se com a gurizada da vizinhança e passavam os dias em mil brincadeiras. Como o casal anfitrião não tinha filhos, paparicavam o ativo Gúliver e o deixavam à vontade para fazer o que bem quisesse.

Certo final de tarde a molecada bateu à porta dos Alvez, apavorada: Gúliver havia sumido. Estavam brincando de esconde-esconde, mas há mais de duas horas a turma tooda o procurava e nada, nenhum sinal do amiguinho.

A preocupação foi-se espalhando pela vizinhança, todos à caça do guri, amiguinhos, pais, tios, rebuscavam cada canto, telhados, fundos dos quintais, altos das árvores, sótãos e porões, cada buraco da rua era revistado e nenhuma pista encontrada.

Anoitecia quando a polícia apareceu, tomou depoimento dos Alves, dos vizinhos, dos guris, pegaram foto. O Alves já ligara para os pais de Gúliver que se apressaram em comprar passagens de avião. Um pandemônio.

Tarde da noites, exaustos e só lhes restando as orações, todos voltaram para suas casas e o silêncio tomou conta da rua.

Enquanto rezavam baixinho antes de dormir, os Alves ouviram um choro baixinho, quase um sussurro. Vinha de fora. Um misto de esperança e euforia fez com que eles, pé ante pé, abrissem a porta do quintal e seguissem de leve, como que com medo de assustar o chorinho, a direção dos soluços fraquinhos.

Vinha do quarto de despejo. Abriram a porta bem devagar, o choro mais berto. Dentro de uma caixa de fogão estava Gúliver todo encolhidinho, banhado em lágrimas, já sem forças.

Telefonemas dados, polícia liberada, toda a vizinhança reunida novamente, agora na casa dos Alves comemorando alegremente a reaparição do garoto, o interrogava. Por que Gúliver não respondera a seus chamados? Por que ficara dentro da caixa esse tempo todo?

- Quando entrei na caixa vi uma aranha enorme lá dentro e fiquei com medo de me mexer e ela se jogar sobre mim.

quarta-feira, novembro 16, 2005

Quem pede para ser enganado, merece ser enganado

"Três Contos no Conto da Loteria"


Seu Vilson sustentava dona Bena e os onze pimpolhos sem luxo, mas sem carências, com as vendas de sua bodega lá nos confins de Coquinhos.

Feijão de corda, rapadura, querosene pra fifó, miss pro cabelo, carmim pros beiços das moças, cachaça pros da roça, jerimum do quintal, fumo de corda pra seu consumo e dos camaradas, jornal de ontem vindo da capital, arroz com casca e descascado, Q-Suco de morango, chope da fruta com água da torneira, pilhas Ray-O-Vac amarela pros radinhos de todas as casas do arraial, corda pra laço e esporas... de tudo tinha na bodega.

Vidinha pacata de gente pacata. Mas os filhos cresciam e Waldomiro, o mais velho, já sonhava em estudar na capital; Jeisane se encantara com Zé dos Dentes, o retratista, e queria casar; Ariosvaldo queria comprar a picape do compadre Tinzim e fazer frete na feira. Os sonhos eram muitos e o pequeno conforto dado pela renda da mercearia estava virando aflição. Pai zeloso seu Vilson não podia frustrar os desejos da filharada, mas não tinha estudo, não tinha ciência de como melhorar os ganhos, não tinha capital para ampliar o negócio. Os santos da igreja de dona Bena não atendiam aos pedidos de melhoria, fora a carestia do dia a dia.

Valdirene e Valenciane, mocinhas bonitas e siligristidas, já chamavam a atenção dos rapazes e careciam de roupas novas, berloques e maquilagem. Tava ficando difícil...

Passou a desviar uma moeda por dia da féria para ir a Ibicaraí no sábado e fazer uma fezinha nos treze pontos da loteria. Sua salvação estava no cartão perfurado. Passara a sonhar com os milhões de cruzeiros do prêmio.

Venderia a venda, compraria uma casinha em Ibicaraí, mandava os meninos estudarem onde quisessem, compraria a picape pro Ariosvaldo e uma Rural para ele, trocaria o radinho de pilha por uma televisão Telefunken das que vira na loja em Itabuna, compraria aquele jogo de sofá de napa vermelha que dona Bena tanto gostara... Surrupiava a moeda e sonhava.

Todo domingo ligava o rádio no final da tarde e conferia os treze jogos, mas nunca passava de sete acertos. Na segunda-feira via a notícia de que um apostador de São Paulo ganhara a bolada. Na outra semana, um de Minas e um do Rio de Janeiro. Na terceira, um de Curitiba, dois de São Paulo e um de Fortaleza. E pensava, Deus só gosta dos ricos, para ele capital era lugar de ricos com todos aqueles automóveis, cinema, teatros, lojas, gente bem vestida.

Talvez Deus fosse o segredo para ganhar na loteria.

No domingo surpreendeu dona Bena vestido, cedinho, com sua melhor roupa. Iria à missa com ela naquele dia, coisa que não fazia havia anos. Passou na venda, pegou um pacote de velas e, de braço dado com a esposa, foi de linho branco rumo à catedral, que nada mais era que uma igrejinha branca com uma torre.

Assistiu a todo o serviço, ajoelhou, ficou em pé, cantou os hinos e se benzeu, tudo diretinho. Queria que Deus o notasse.

Terminado o culto religioso, foi até o altar, abriu o pacote de velas e acendeu todas as dez enquanto rezava e prometia a Bom Jesus da Lapa que se ganhasse na loteria contrataria um pau-de arara e levaria todos os velhinhos de Coquinhos para a romaria do santo em sua cidade no mês de agosto.

À noitinha, ouvido no rádio, conferiu o volante. Coração a mil a cada ponto conquistado, quase enfarta quando chega ao último e percebeu que não errara um jogo. Chamou dona Bena e cochichou na cozinha que estavam ricos, que ela não contasse nada a ninguém para evitar olho grande.

Na manhã seguinte colocou uma placa de "vende-se" na fachada da bodega. Iniciava ali a concretização de seus planos. Mandou as meninas tomarem conta do negócio e pegou a primeira cata-nica para Ibicaraí. Comprou uma casa e foi a Itabuna de onde voltou com a Telefunken.

Aos pouquinhos as coisas foram se arrumando. Vida nova para toda a família.

Não cumprira, porém, o pacto que fizera com o santo.

Os filhos foram saindo de casa até o dia que se viu sozinho com sua velha. O dinheiro acabou, não tinha mais bodega e passou a viver com a mesada que os fihos mandavem de longe.





Esse conto participa do concurso interno da comunidade dos blogueiros malditos no Orkut.

terça-feira, novembro 15, 2005

Não costumo postar textos alheios, mas li esse lá na Ostra e ela convocava todos a postarem-no também. Levando-se em conta a indignação do autor, por eu concordar com todos os pontos, por ser urgente que mudemos nossos atos se queremos que o país melhore, por ter consciência que o Brasil só se tornará um país de verdade quando seus cidadãos se derem conta que quem faz a pátria não são os governos, mas cada um de nós, aceitei a sugestão da Ostra e resolvi repetir aqui esse texto. Convoco-os agora a lerem-no por completo.



No blog do Pedro tem coluna nova.




Precisa-se de Matéria Prima Para Construir Um País


A crença geral, anterior ao governo atual, era que Sarney e Collor não serviam, bem como Itamar e Fernando Henrique. Agora dizemos que Lula não serve. E o que vier depois de Lula também não servirá para nada. Por isso estou começando a suspeitar que o problema não está no ladrão corrupto que foi Collor, ou na farsa que é o Lula. O problema está em nós. Nós como povo.

Nós como matéria prima de um país. Porque pertenço a um país onde a "esperteza" é a moeda que sempre é valorizada, tanto ou mais do que o dólar. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família, baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nas calçadas onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando os demais onde estão.

Pertenço ao país onde as "empresas privadas" são papelarias particulares de seus empregados desonestos, que levam para casa, como se fosse correto, folhas de papel, lápis, canetas, clipes e tudo o que possa ser útil para o trabalho dos filhos... E para eles mesmos. Pertenço a um país onde a gente se sente o máximo porque conseguiu "puxar" a tevê a cabo do vizinho, onde a gente frauda a declaração de imposto de renda para não pagar ou pagar menos impostos. Pertenço a um país onde a impontualidade é um hábito. Onde os diretores das empresas não valorizam o capital humano. Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e depois reclamam do governo por não limpar os esgotos. Onde pessoas fazem "gatos" para roubar luz e água e nos queixamos de como esses serviços estão caros. Onde não existe a cultura pela leitura (exemplo maior nosso atual presidente, que recentemente falou que é "muito chato ter que ler") e não há consciência nem memória política, histórica nem econômica. Onde nossos congressistas trabalham dois dias por semana para aprovar projetos e leis que só servem para afundar ao que não tem, encher o saco ao que tem pouco e beneficiar só a alguns.

Pertenço a um país onde as carteiras de motorista e os certificados médicos podem ser "comprados", sem fazer nenhum exame. Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no ônibus, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não dar o lugar. Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o pedestre. Um país onde fazemos um monte de coisa errada, mas nos esbaldamos em criticar nossos governantes. Quanto mais analiso os defeitos do Fernando Henrique e do Lula, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem "molhei" a mão de um guarda de trânsito para não ser multado. Quanto mais digo o quanto o Dirceu é culpado, melhor sou eu como brasileiro, apesar de ainda hoje de manhã passei para trás um cliente através de uma fraude, o que me ajudou a pagar algumas dívidas. Não. Não. Não. Já basta.

Como "matéria prima" de um país, temos muitas coisas boas, mas nos falta muito para sermos os homens e mulheres que nosso país precisa. Esses defeitos, essa "esperteza brasileira" congênita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até converter-se em casos de escândalo, essa falta de qualidade humana, mais do que Collor, Itamar, Fernando Henrique ou Lula, é que é real e honestamente ruim, porque todos eles são brasileiros como nós, eleitos por nós. Nascidos aqui, não em outra parte... Me entristeço. Porque, ainda que Lula renunciasse hoje mesmo, o próximo presidente que o suceder terá que continuar trabalhando com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada... Não tenho nenhuma garantia de que alguém o possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá. Nem serviu Collor, nem serviu Itamar, não serviu Fernando Henrique, e nem serve Lula, nem servirá o que vier. Qual é a alternativa? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror? Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa "outra coisa" não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... Igualmente sacaneados!!! É muito gostoso ser brasileiro. Mas quando essa brasilinidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como nação, aí a coisa muda... Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias.

Nós temos que mudar, um novo governador com os mesmos brasileiros não poderá fazer nada. Está muito claro... Somos nós os que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda nos acontecendo: desculpamos a mediocridade mediante programas de televisão nefastos e francamente tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente decidi procurar o responsável, não para castigá-lo, senão para exigir-lhe (sim, exigir-lhe) que melhore seu comportamento e que não se faça de surdo, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro que o encontrarei quando me olhar no espelho. Aí está. Não preciso procurá-lo em outro lado.

- João Ubaldo Ribeiro -

segunda-feira, novembro 14, 2005

Respeito é bom? Não sei, nunca comi.



Adolescência e Inconseqüência

Adolescentes rimam com inconseqüência, estão sempre à disposição de uma zoação, de uma alegria qualquer, seja lá no que der depois. Curioso como agem como se "o mundo fosse acabar à meia noite" enquanto os idosos estão sempre sonhando com o amanhã.

Quando se juntam mais de dois dispostos a uma diversão qualquer, imprevisível o resultado, mas haverá sempre uma vítima em potencial.

Zé, Amadeu e Ariston, inseparáveis amigos, aprontavam mil e uma, mas, garotos bem educados, não se metiam em confusão, não provocavam vítimas, não causavam danos à coisa pública ou alheia.. Divertiam-se entre si, mesmo que a vizinhança se incomodasse, eram suas próprias vítimas. Colegas de classe na escola, nos finais de semana reuniam-se para estudar, daí as notas excelentes para a incompreensão dos colegas e dos professores. Como aquele tri que vivia aprontando, gazeava aula, era constatemente expulso das aulas, poderia ter aquelas notas? Como poderiam ser os melhores da turma?

Suas atitudes e notas causavam inveja, desprezo, admiração e paixões, eram os líderes naturais. Quando algo sério atrapalhava a relação entre professores e alunos ou entre esses e a admnistração, sempre tomavam a frente do movimento, negociavam em nome dos colegas, mesmo sem terem sido eleitos para isso. Bons em argumentos, quase nunca perdiam uma questão e suas argumentações eram acatadas por todos os discentes.

Os professores, mesmo os que se enciumavam por verem o trio mais importante do que eles na admiração dos alunos, os respeitava. Sabiam que se o desafiasse fora dos problemas e questões propostos, teriam problemas em dar suas aulas. Um professor, porém, os tinha como xodós e a recíproca era verdadeira, Alfredo, Fred para o trio, mestre em literatura.

Gordinho, baixinho, com gestos efeminados, sempre vestindo calças de tergal e camisas de algodão muito coloridas e espalhafatosas, nada disso chamava mais a atenção para figura yão única do que sua peruca. Beirando os sessenta anos, Fred não dava-se ao trabalho de atualizar seu ornamento capilar sintético para que esse combinasse com os fios brancos naturais que apareciam na faixa inferior do couro cabeludo. Por ser um senhor respeitável, ninguém ousava fazer piada sobre isso com o mestre, mas pelas costas era motivo de gozações.

Ariston, aquele que tinha que ser contido por sempre desejar uma aventura mais perigosa,, não podia evitar pensamentos cruéis sobre aquela peruca.

No último dia de aula do último ano deles na escola, resultados da aprovação nas mãos, mais uma etapa concluída, professores e alunos no pátio em confraternização, lágrimas, sorrisos, abraços e despedidas. Ariston, coração acelerado e pernas trêmulas, aproxima-se por trás do mestre Alfredo, arranca-lhe a peruca e atira para o alto como um capelo.

Ali acabou-se a festa com o grito estridente, feminino, desesperado de Fred, o olhar de pena de todos para o professor, de ódio e reprovação para Ariston que, depois de anos como ídolo, fizera, enfim, uma vítima com suas brincadeiras.

quinta-feira, novembro 10, 2005

Lua de mel é bom, mas dá um suadouro...




Por motivos nobilíssimos estarei me ausentando até segunda-feira, mas nem pensar para quem acha que vou explicar os motivos aqui...



Já mandei minha próxima coluna para o site do Pedro. Pra quem reclamava que o velho Esculacho era melhor, eis uma oportunidade de comparar.




Tim Maia de Boteco


Lhe deram o apelido de Tim Maia, começando o texto dessa maneira evita-se a necessidade da descrição física de tão insólito personagem. Quem era, de onde vinha, o que fazia... todos desconheciam e nunca lhe perguntaram.

O Tim era pontual. Todos os dias chegava à Adega do Rei, que não era uma adega, mas um boteco, e onde não havia nenhum rei, mas um aviador aposentado, às sete de cada noite. Não tinha preferência por qualquer mesa. Sentava-se sempre sozinho, pedia uma cerveja e ali ficava, por horas, bebendo, comendo bolinhos de bacalhau ou outro petisco, obsevando o movimento das pessoas,, os músicos, os garçons, os choros e gargalhadas, carinhos e porradas dos demais freqüentadores. Não se via em seu semblante qualquer expressão de alegria ou tristeza, satisfação ou reprovação. Apenas estava ali. Com tantos bares pela área poderia estar em qualquer um, mas estava ali todas as noites, sinal de que gostava ou pouco se importava.

Como cada ser humano se destaca dos demais por alguma característica única, o Tim tinha a quietude. Era único e por isso se destacava. A maioria dos freqüentadores da Adega eram velhos conhecidos entre si ou do comandante-botequeiro. Se cumprimentavam, se divertiam e brigavam para depois fazerem as pazes naqueles cômicos abraços e choros bêbados no lugar que escolheram por ser cômodo e agradável para todos. O Tim era diferente, não pertencia a nenhum grupo, pertencia ao bar e por isso se destacava.

Como a intimidade sempre leva ao relaxamento comportamental, o mesmo aconteceu com o velho Tim. Passou a embriagar-se, dormir sentado e cair da cadeira. Depois levantava-se, sacudia a poeira, pagava a conta e ia embora. Isso passou a repetir-se diariamente.

A coisa ficou tão contumaz que algum comerciante nato, gozador de qualquer coisa ou qualquer alguém ou apenas espertinho, criou um bolão. Por uma moeda cada pessoa poderia fazer um palpite do horário exato em que o calado Tim cairia da cadeira.