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segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Uma coisa é uma coisa, outra coisa não tenho a mínima idéia do que seja.


E arte estrangeira também.

Carnaval II


O que você gostaria que fosse feito com o dinheiro dos impostos que você paga? Imagino que a resposta deva ser unânime. Todos nós queremos que seja investido em educação, saúde, manutenção de estradas, benefícios aos aposentados, segurança pública, habitação, financiamento para pequenas e médias empresas que geram milhões de empregos permanentes, enfim, que seja revertido em bem estar para toda a população.

Infelizmente boa parte desses impostos é desviada e não usada naquilo a que é destinada. E o maior responsável por esse desvio são justamente aqueles que deveriam zelar pela sua aplicação.

Inadmissível a quantia milionária que os governos do Rio/Rio, São Paulo/São Paulo e Salvador/Bahia, por exemplo, dão de presente para as instituições carnavalescas.

Só na construção da Cidade do Samba, no Rio, foram aplicados mais de R$ 5 milhões, o suficiente para se construir 250 casas populares; as escolas de samba recebem, a fundo perdido, mais alguns muitos milhões; os cachês dos artistas são inflacionados nessa época do ano e pagos, em boa parte, pelos governos estaduais e/ou municipais.

Os blocos de carnaval soteropolitanos faturam milhões só com a venda de abadás. Imagine o faturamento de um bloco quetenha 2 mil participantes e vende cada fantasia por R$ 1.200. Só aí são quase 2,5 milhões de reais na receita. Esses blocos realizam festas durante todo o ano, assim como as escolas de samba, ou seja, são empresas bem organizadas e, como qualquer empresa, devem ser responsáveis pela sua renda ou prejuízo.

A importância cultural e social do carnaval é inegável. Para se ter uma idéia, em Salvador 7% de população economicamente ativa ganha seu sustento na indústria das festas e micaretas, no carnaval são empregados 50 mil cordeiros, aqueles rapazes que levam as cordas de isolamento dos blocos; no Rio, milhares de pessoas são empregadas pelas escolas de samba durantetodo o ano. Centenas de milhares de estrangeiros vêm ao Brasil inteiro e deixam mais de R$ 2,5 bilhões no país. A maior parte desse dinheiro fica na economia informal e não paga impostos, uma outra parte considerável sonega os tributos que deveriam ser pagos à União, aos estados e municípios, não compensando, portanto, a quantia que o estado dá de graça àquelas entidades.

Aos governos cabe a obrigação de divulgar a festa aqui dentro e no exterior por meio de suas agências de turismo, dar segurança para os brincantes, iluminar e limpar as vias públicas por onde ocorrerão os cortejos, guiar e informar os turistas, mater os portos e aeroportos em boas condições de funcionamento, mas bancar a festa deveria ficar por conta de quem fatura diretamente com ela: escolas de samba e blocos, hotéis, cervejarias, associações comerciais, companhias de transporte aéreas e terrestres, bares e restaurantes...

Não é pra isso que pago impostos.

domingo, fevereiro 26, 2006

Se for para morrer de batida na estrada ou no carnaval, que seja de limão.


Pelo menos faz-se alguma arte

Carnaval I


Se o sujeito é um classe média remediado ou de casta inferior - não me venham com o papo politicamente correto de que no Brasil não existem castas, por favor - e não lhe resta grana para viajar para um hotel fazenda ou para Marte, se não gosta de carnaval, está ferrado nos dias momescos.

É o único assunto das conversas no país. Se você resolve ficar em casa assistindo à televisão, invariavelmente terá que ver carnaval. Em um canal mostram-se os desfiles das escolas de samba, em outro mostram-se os cachorrinhos amestrados correndo atrás de caminhão e obedecendo todos os comandos do batedor de tambor que ganha uma boa grana para gritar em seus ouvidos pelas ruas de Salvador, num terceiro canal mostram-se os caquéticos, caducos e sem graça bailes de salão iguaizinhos àqueles em que nossas avós balançavam os esqueletos pelos meados do século passado. Em todos, a programação é interrompida para mostrar "flashes" até da ressaca dos bêbados que dormiram na areia e sequer lembram onde moram.

Por não gostar de carnaval, o pobre mortal não pode fugir para o exterior, fica condenado a ver gente suada semi nua (nada contra, pelo contrário), gente se amontoando, carros gigantescos com esculturas coloridas e inexplicáveis ou caixas acústicas monstruosas, celebridades e falsas celebridades, propaganda de cerveja e muito repórter puto da vida porque está trabalhando, mas tendo que manter pendurado no nariz aquele sorriso amarelo de aeromoça após fazer perguntas imbecis a foliões imbecis. Uma repórter de Salvador perguntou ao Ziraldo, qual era asensação de um carioca ao acompanhar o carnaval de Salvador. A pobre coitada é a única no país que não sabe que Ziraldo é mineiro. E bundas, muitas bundas, bundas de todas as cores, formatos e idades. Se bobear, verá até a bunda mumificada da Dercy Gonçalves.

sábado, fevereiro 25, 2006

Não sou cachorro para correr atrás de caminhão


Me permitam um recadinho para meu amigo Maucir.
O texto sobre o Pelourinho, caro Maucir, referia-se ao Pelourinho soteropolitano mesmo. O texto e os personagens eu criei a partir de uma conversa que tive com um morador dali há dez anos. Ele me falou que muitos daqueles que eram proprietários dos imóveis históricos foram afastados para a periferia pelo governo do estado na época em que aconteceu a grande reforma e modernização do Centro Histórico.
Haviam muitos roubos e assaltos na região, mormente de turistas desavisados. Os imóveis foram doados - na verdade, vendidos ou arrendados, mas por valores muito inferiores aos de mercado - para pessoas amigas de políticos.
Os roubos e furtos reduziram-se drasticamente com a iluminação e o policiamento efetivos, mas o tráfico de drogas - maconha e cocaina, principalmente - aumentaram e, nas palavras daquele morador, "é muito mais seguro porque quem compra são pessoas das classes média e alta, além de turistas". Como não acontecem brigas ou qualquer outro tipo de violência, a polícia faz vistas grossas.
Como nossa conversa ocorreu há dez anos e você hoje tem apenas dezenove, não deve ter convivido com essa realidade, além do que, o governo baiano detém a grande imprensa sob suas asas, além dos artistas da música, mais influentes (de)formadores de opinião do estado. Não convém expor a verdade dos fatos para a grande massa.
Não se indigne com meu relato, mas com quem faz com que fatos assim aconteçam.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

"LAPTOPspirose é um vírus transmitido pela urina do MOUSE."


Você sabe o que é um pelourinho?


Comércio no Pelô


Bându e Bêngue nasceram no mesmo dia no mesmo cortiço na ladeira do Pelourinho.

Os pais de Bându, Leôndia e Lucivaldo, eram lavadeira e guarda noturno; os pais de Bêngue, Carmêndia e Clodimir, eram empregada doméstica e apontador do jogo do bicho.

Infância feliz tanto quanto a pobreza permitia. Baba nas ladeiras, um ou outro dólar de turista desavisado que arriscava um passeio pelo sítio histórico.

Os serviços da casa saiam de graça ou na base do escambo. O eletricista, o encanador, o carpinteiro, a costureira... Todos vizinhos, compadres e amigos, quando não, irmãos. Se não havia perspectiva de riqueza, havia o conforto da casa própria e a solidariedade entre pobres iguais.

Bêngue e Bându desde pequenos freqüentavam o Colégio Central com suas calças curtas de tergal e a camisa branca sempre engomadinha por mãinha Leôndia.

Rapazinhos, carregavam caixas e mercadorias no Mercado Central e estudavam à noite no Central cada vez mais decaído.

O governo, de olho grande nos visitantes estrangeiros, desapropriou os casarões e casinhas, expulsou os moradores para o subúrbio longínquo e rifou os imóveis entre seus amigos. A vendedora de acarajé, amiga de artistas famosos, ganhou um restaurante e virou estrela nacional; o sobrinho do deputado da situação que morava na Barra, ganhou o sobrado e montou um bar; o sapateiro, sem padrinhos importantes, foi afastado para um casebre na Federação.

Lucivaldo e Clodimir, sem amigos influentes, preferiram voltar para Feira de Santana. Bându e Bêngue, já maiores de idade, ganhando seu próprio sustento, embora pouco, suficiente, viraram garçon e guia turístico no próprio Pelourinho.

Iluminaram as ruas, pintaram as fachadas, fizeram propaganda na tevê e no exterior e os turistas apareceram em hordas. O policiamento eficaz inibiu os roubos e assaltos. Mais seguro cobrar caro no côco, no abará e na cerveja.

Insatisfeitos com seus salários no lugar onde corriam euros a rodo, Bêngue e Bându partiram para o comércio seguro e protegido pela lei, o tráfico de drogas.

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

A bigorna dura mais que o martelo.


Eu?

Remorso


Qual a pior coisa que você já fez? Me perguntaram isso hoje.

Como não acredito em pecado, Céu e Inferno e mais esse montão de coisas que colocam em nossas cabeças desde antes do surgimento das leis estatais e universais, com o único propósito de nos matarem na linha de comportamento social desejado por quem mantinha o poder, excluo qualquer resposta que endosse esses conceitos.

As melhores e piores coisas que já fiz são aquelas que me fazem bem e as que me deixam péssimo.

A princípio pode soar como um tratado de defesa do egoísmo, mas, pensando em minha resposta, cheguei à conclusão de que não é bem assim.

Se me fosse perguntado qual a melhor coisa que fiz na vida, teria dificuldade de responder. Menos porque tenha feito tantas boas ações que fique difícil escolher a melhor, mais por não tê-las feito em quantidade suficiente. Faço as coisas instintivamente, sem analisar se me farão bem ou se farão mal a quem quer que seja. Basta não magoar, não ferir ninguém, não lesar outras pessoas e nem ser lesado. As alternativas são suficientemente diversificadas para que sejam tomadas as decisões menos dolorosas, mesmo que sejam as menos fáceis.

Talvez por isso não tenha muito do que me arrepender. A vida é fácil e leve, não necessita de pesos extra.

Peso na consciência tenho apenas do soco que dei no estômago do Rogério, quando tínhamos onze anos, por ciúmes da Soraya. Nesse dia aprendi que amor nenhum compensa uma agressão física, muito menos a concorrência. Nesse expediente sou nada competitivo.