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sábado, maio 05, 2007

Acre e Petróleo




Quando quiseram fazer o tombamento de Jericoaquara os nativos se rebelaram. Com o tombamento, tudo deveria continuar como estava. Moradias eram taperas, não havia e nem haveria energia elétrica, rede de esgotos, pavimentação das ruas, construções em alvenaria, enfim, esses confortos da vida moderna.

Com razão, os moradores apelaram. Por que haveriam eles de viver no século 19 enquanto todo o mundo caminhava a passos largos para o século 21? Isso ocorreu nos anos '80. O tombamento foi feito, mas com concessões. Hoje o que se vê é uma desorganização generalizada, uma verdadeira bagunça urbana. A vila de pescadores cresceu desordenadamente, como cresciam os povoados do século 19, ruas viraram vielas por serem estranguladas pelas construções que as invadem. Pousadas e restaurantes são erguidos de qualquer jeito, a especulação imobiliária supervalorizou as terras, impedindo que os nativos consigam terrenos sequer para suas residências, por não terem como enfrentar o capital europeu que explora aquelas praias. A Europa comprou um pedaço do litoral cearense.

Não existe fiscalização do Ibama, como de resto não existe no restante do Brasil. O Estado brasileiro se intromete em tudo e não tem capacidade de gerir aquilo de que se apossa.

Vejo algo parecido acontecer na Amazônia hoje. Organismos internacionais reportam que a soja plantada em Santarém e vendida para a Cargil, que é a maior fornecedora do McDonald's, explora mão de obra escrava, não respeita o meio ambiente com o uso de agrotóxicos pesados e derubando a floresta para o plantio de grãos. Logo surgem as ONGs de todo o mundo pedindo a proibição da agricultura naqueles rincões.

Num dos lugares mais pobres do país, quando surgem ocupações para os nativos conseguirem emprego e renda, os radicais pedem a expulsão da indústria sem propor alternativas para empregar aquele povo, ajudando-o a sair da miséria. Para quem não conhece a Amazônia, o amazônida deve viver de peixe e frutas silvestres, que se mantenham excluídos do progresso, é mais romântico, bucólico e atraente para os turistas estrangeiros que adorariam visitar povos rústicos vivendo em toda sua rusticidade.

Enquanto isso, no mesmo Pará, os madereiros que destruíram a Mata Atlântica na Bahia e no Espírito Santo, praticam seus desmandos, comprando guias falsas de funcionários do Ibama para explorarem a florestas, escravizam mão de obra, grilam terras e só são notícia uma vez por ano quando aparecem no Jornal Nacional.

No Acre, outro canto esquecido do Brasil, pobre e mais empobrecido com a derrocada dos seringais, depois que a África passou a produzir borracha em maior quantidade e mais barato, há anos a construção de uma hidrelétrica no Rio Madeira estanca nos diversos recursos impetrados por ambientalistas. Numa terra cheia de rios, não se pode gerar hidroenergia. Alegam que a usina impediria a reprodução de um bagre, mesmo depois de ser projetado um canal paralelo que permitiria que o peixe subisse o rio em época de reprodução e que o lago formado destruiria terras até a Bolívia, mesmo os estudos técnicos da companhia mostrarem o contrário. Existem alternativas, o que falta é boa vontade.

Paralelamente a essa discussão, a Petrobrás encontra uma reserva de petróleo, rica em gás, no mesmo rio, mas está sendo impedida de fazer a prospecção por conta de dezenas de ações judiciais impetradas pelas mesmas ONGs. Ou seja, no lugar há energia de sobra, mas não se pode explorar nem a hridro e nem a mineral.

O petóleo ainda é a maior riqueza mundial, essencial para que o mundo gire e sua exploração causa bem menos danos ambientais do que a construção de uma hidrelétrica ou a derrubada da mata para se fazer pastos ou plantar grãos ou cana. A população é apenas um detalhe. Que pesque seus peixes e coma suas pupunhas e viva no bucolismo de dois séculos passados.

Não vejo nenhum movimento ecologista tentando a proibição da extração de petróleo na Bacia de Campos. Talvez por ser um sítio mais exposto para o restante do Brasil, talvez por estar na costa fluminense, segundo estado mais rico, talvez por a Marinha gerir os negócios e não largar o osso desde os tempos de Getúlio.

No meio da discussão, ainda aparecem uns imbecis defendendo a tese de Evo Morales que o Brasil deveria devolver o Acre aos bolivianos. Engraçado, metem o malho no governo federal por se sujeitar às exigências bolivianos no tocante ao gás natural, mas defendem a tese de que devemos entregar parte do noso gás para o mesmo país; engraçado esses brasileiros criticarem o governo pela pobreza nacional, pelo crescimento pífio do nosso PIB, mas defendem a tese de que nossas riquezas devam continuar em baixo da terra, independentemente da pobreza do povo que vive nas mesmas terras dessas riquezas. Dizem estar defendendo o país de prováveis desastres ambientais, ou seja, alegam, como justificativa, algo que não acontece no Brasil há mais de uma década, com o grande vazamento de óleo ocorrido no litoral do Rio de Janeiro.

A meu ver, o petróleo deveria, sim, ser explorado no Acre. O que não se pode deixar de haver, é firme, séria e competente fiscalização das ações da Petrobrás. O resto é papo de xiita.


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sexta-feira, maio 04, 2007

Organização


Imagem daqui.




O post da Úrsula me deu a idéia desse meu.

Não é a pimeira vez que ouço alguém falar que o brasileiro é alienado e passivo, aliás, ouço isso desde menino, mesmo com luta armada defendendo, mais que o fim da ditadura militar, a ditadura do proletariado, guerrilha do Araguaia, marcha de um milhão, TFP e o escambau colorido.

Mesmo quando eu e alguns amigos, no escuro da madrugada, saíamos pichando muros pedindo diretas já, esculhambando o governador e os governos, pedindo o fim do bipartidarismo ou apenas sacaneando com "quem ama não mata, trepa!".

Ouvi isso quando milhares de velhinhas de Taubaté encararam os donos de supermercados para evitarem a remarcação de preços, que aconteciam duas, três vezes ao dia.

Eu mesmo repeti essa ladainha quando subi em palanque para cobrar dos vereadores medidas mais efetivas e menos fisiológicas na defesa dos interesses da coletividade, o que me custou um quase processo que foi engavetado porque alguém convenceu os edis que eu não mentira e provavelmente não perderia a causa.

De tanto ouvir e repetir isso, quase me convenço que é verdade. Hoje penso de outra maneira. Se eu conversar com o vendedor de abóboras na feira, às seis da manhã, ele, mesmo sem aprofundamento teórico, vai me contar exatamente o que estou vendo nos jornais. Meu carteiro tem opinião formada e argumentos para defender a diminuição da maioridade penal. A minha diarista pode me fazer um discurso inflamado sobre a vergonha que é a troca de partidos de um parlamentar eleito. Meu aluno de 14 anos sabe exatamente o que pode ser feito para evitar a monocultura do eucalipto em nossa região.

O brasileiro não é alienado, nem desinformado, ele é disperso e incrédulo. Foi ensinado aos seus pais, e para eles por extensão, que quem toma as decisões do país são os fuzis - para seus pais, os fuzis dos militares; para ele, os fuzis dos marginais -, os ricos, os patrões, os poderosos... E todos esses, os militares, os políticos, os banqueiros, os bancários, os jogadores de futebol, os bicheiros, os comerciantes, os comerciários, os professores, advogados, os juízes, policiais, fonoaudiólogos, cardiologistas, garis... Tods têm uma associação, clube, câmara, sindicato ou seja que que agremiação for, para defender seus interesses. O cidadão, o sujeito que porta apenas uma carteira de identidade, não tem.

Quem deveria defender seus interesses, não o faz. Primeiro o corporativismo da classe, depois a coletividade. Isso quando não coloca seus próprios intereeses pessoais adiante dos outros dois.

Os parlamentares e governantes são eleitos para nos representarem, mas não o fazem. Representam lobbies, a exemplo dos parlamentares catarinenses presos essa semana que vendiam leis para permitirem empreendimentos privados em áreas de preservação ambienal. Isso faz com que o brasileiro comum sinta-se sem respaldo, sem ter a quem recorrer senão ao bispo, que também pões os interesses da igreja antes dos da comunidade sob risco de punição - Frei Leonardo Boff e D. Pedro Casaldáliga que o digam - ou ao amigo inconformado como ele na mesa do boteco.

Senta-se na cadeira do barbeiro e mostra tudo o que sabe, o que gostaria que fosse feito, quem são os culpados. O próprio barbeiro também sabe tudo isso e tem lá seus argumentos concordando ou não com o cliente inconformado. Mas discutem, trocam informações, mostram que acompanham o que se passa a seu redor.

O brasileiro não é alienado e nem passivo, é apenas desorganizado. O efeito é o mesmo, concordo, mas as coisas não o são.


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quinta-feira, maio 03, 2007

Untitled










Ok, eu disse que não ia fazer, mas fiz de novo. O que? Uma assinatura no UOL. Na grande esperança que ele tivesse melhorado.

Estou utilizando o serviço Voip do Terra e até bastante satisfeito, mas agora quero colocar um aparelho ATA na minha linha, para poder usar o Voip sem ter que ligar o computador.


Com vou ter que trocar meu modem, resolvi assinar o UOL, que também tem Voip,

sem falar que muito dos meus contatos lá foram usam o UOL também.


Depois do primeiro teste ruim, liguei para a central de atendimento.


- Disque isso, disque aquilo, finalmente caí na espera pelo atendente.

- Boa Noite, aqui é Rodrigo Lemos em que posso ser útil?
- Bem, eu estou usando o Voip do UOL mas não consigo cadastrar meus contatos.
- Um minuto!
........................
- O senhor está usando o software da UOL?
- Claro!
- Quando o senhor puxou da internet?
- Ontem.
- Um momentinho.......
...................................
- O senhor vai na opção contatos
- Sim
- O senhor está vendo um ícone com um homenzinho e um..... um... um...
- Sinal de adição?
- Não, um sinal de "mais"
- Sei. Tá eu clico nele e me aparecem os campos, mas eu preencho e nada.
- No primeiro campo o senhor digita o e-mail do seu contato.
- Tudo bem, mas e se meu contato não tiver e-mail?
- Bem, aí o senhor digita um nome@outronome...
- Ah, eu minto para o programa.
- É
- Tá, já fiz, cadastrou o contato, mas onde eu coloco o número do telefone?
- Um momento.
.......................
- Não tem essa opção, senhor.
- Ué, mas não é um telefone? Como que eu não posso cadastrar os telefones de meus contatos.
- No momento a opção não está disponível.
- Você pode registrar para que alguém leia? Por favor?
- Tudo bem. Um momento......................................................
............................................................................................
.............................. ..............................................................
- Está registrado senhor. Mais alguma coisa?
- Sim,eu quero usar um aparelho, ATA, é possível? (passei mais cinco minutos explicando o que é um ATA para o atendente)
- No momento esse serviço não está disponível, senhor.
- Bem, já que eu esotu preso ao UOL e estou abrindo mão do excelente Voip do Terra, você pode registrar minha reclamação?
- Um momento......................................................
............................................................................................
............................................................................................
- Está registrado, senhor. Mais alguma coisa?
- Sim. Estou gastando pulsos de um telefone local, 4004, para esperar você registrar minhas reclamações do Voip. Quero que você registre que o UOL deveria ter um telefone Voip para atender ao suporte Voip, não faz sentido eu ficar gastando pulsos aqui, ok?
- Um momento......................................................
............................................................................................
............................................................................................
- Está registrado, senhor. Mais alguma coisa?
- Sim. Quero que você registre que os atendentes do UOL não sabem nada sobre o serviço prestado e estou perdendo um tempão para fazer minhas rclamações e só faço isso porque estou preso por um ano contratual com vocês.
- Um momento......................................................
............................................................................................
............................................................................................
- Está registrado, senhor. Mais alguma coisa?
- Sim, mas dessa vez eu não vou esperar mais, você registra se quiser ok? É que eu vou espalhar essa conversa para todos os meus contatos de e-mail para que eles saibam o quanto o UOL é ruim. Também vou ficar esse ano inteiro reclamando com vocês para melhorarem os serviços que prestam, quem mandou me fazer ficar preso por um ano inteiro a vocês. Vou dizer para todo mundo que o Voip do Terra é bem melhor e o único compromisso que faço é de informar aos meus amigos se os serviços de vocês melhorares.
- Mais alguma coisa, senhor?
- Por hoje chega, mês que vem eu ligo de novo, ok?


Cumprindo minha promessa, estou informando a vocês o quanto o Voip do UOL é ruim!

Ronaldo



____________________

O Ronaldo é meu irmão caçula. Já que ele se deu ao trabalho de alertar aos amigos, e eu acredito nele até debaixo d'água e de ponta cabeça, achei por bem alertar aos meus também, vocês.


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quarta-feira, maio 02, 2007

Post de ontem


Clauro, A Região



  • Ontem, feriado, vontade de dormir até as dez, acordo com um pipoco Às sete horas. Sabe o que é um pipoco? O som de uma bexiga estourando, é um pipoco; o barulho de uma rolha de champanhe sendo sacada, é um pipoco; um tiro, é um pipoco. Foi um tiro. Em seguida sons de uma pessoa correndo, logo seguido por outra. Mais rápido que uma tartaruga paraplégica, me levanto, curioso. Abro a janela a tempo de ver o vizinho de baixo entrando no carro enquanto gritava para a esposa "foram por ali", e, enquanto acelera, a esposa "cuidado, amor". La vai ele... E eu, "Zilda, o que houve?", "um ladrão tentou roubar aquela casa da esquina", "e quem atirou?", " o dono da casa". Menos mal. Me debrucei na janela e fiquei aguardando a volta do marido que traria as novidades. Menos de cinco minutos depois chega ele com o dono da "casa da esquina". Ora, ora, ora, boa surpresa. O dono da "casa da esquina" é um dos delegados. Podem vir outros, mas esse bandido não vai ter mais coragem de voltar, muito bom! E eu que nem sabia que tinha segurança particular.

  • Ontem resolvi conhecer o tal Second Life, que está virando coqueluche no Brasil (coqueluche? Pô, ninguém tem mais coqueluche!). Aquele negócio deve viciar. Apaguei rapidinho o cadastro que havia feito. Sem falar que o troço é pago. Tô fora!

  • Lendo os jornais ontem (putz! esse post tá parecendo consultório de dentista: só notícias de ontem):

- Natal: menor de 16 anos mata a enterra padrasto;

- Aracaju: rapaz que matou duas crianças tem 17 anos e não 19, como foi noticiado;

- Santa Catarina: menor de 16 anos mata amigo a pauladas na nuca;

- Porto Velho: adolescente pratica assalto com arma de brinquedo;

- Lugar que não me lembro: casal de adolescentes mata e enterra bebê.

Não me venham dizer que escola recupera esses doentes. Não me venham com papo de medidas sócio-educativas.

Como disse o senadorzinho do DEMônios: "cadeia não recupera bandido, e ruas, recuperam?"


  • Esse povo de Washington é engraçado. O presidente invade dois países de uma só vez, levando à morte milhares de locais e mais de 3000 soldados estadunidenses e os cidadãos fazem cara de paisagem; a cafetina revela sua lista de clientes e o país entra em polvorosa. Quer dizer que nos EUA fazer sexo é mais grave que fazer guerra?

  • Quando você liga para o moto-táxi, eles te mandam uma moto. Quando você liga para o rádio-táxi, eles te mandam um rádio?

  • O leo, quando era meu aluno, namorava uma italiana. Ele pasou no vestibular da Unicamp e ela passou em Viçosa. A distância destruiu o namoro. Ele passou a namorar uma alemã. Depois de um ano, o namoro fracassou. Agora está namorando uma japonesa. Ganhou o apelido de pinto da ONU. O pai já avisou, se ele começar a namorar uma boliviana será deserdado.

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terça-feira, maio 01, 2007

Untitled


Descobri o blog do Jean



  • Tem coisa mais capitalista do que cobrar aluguel por uma cova em cemitérios?

  • A compra da Editora Abril pela sul africana Naspers está dando muito trabalho ao Ministério Público. A Naspers, que foi o porta-voz do apartheid, se utilizou de empresas fantasmas, registradas no Brasil, sem sede ou empregados, para intermediar a compra. A Abril, endividada até o último anúncio de Veja, a ex-melhor revista brasileira e em plena decadência, seria comprada por R$ 900 milhões. No corporativismo da imprensa, somente a Bandeirantes tem falado sobre o assunto, o que está lhe custando um processo judiciário por parte da Abril.

  • Preparem os bolsos! Hoje aumenta, em todo o teritório brasileiro, o preço do gás butano. O engraçado é que só aumentará o preço do gás produzido no Brasil, o boliviano continua com o mesmo preço. Dá pra entender? Os bolivianos arrumam confusão conosco e, como de praxe, nossos cidadãos é que pagam o preço.

  • Os pais, abnegados, suam sanguem para dar a seus filhos a melhor escola para que se tornem competitivos quando entrarem no mercado de trabalho. Ficam felizes e satisfeitos ao perceberem que o rebento deu conta do recado e passou entre os melhores no vestibular de uma universidade federal. Orgulhosos, abrem o jornal e dão de cara com a foto e nome da criança, só que na página policial: Quadrilha vende vagas em universidades! Aquelas crianças preparadas para o futuro cedem aos apelos do dinheiro fácil, do caminho mais curto e, ao invés de tornarem-se os excelentes profissionais que prometiam, tornam-se presidiários. É de cortar os pulsos com gilete cega e enferrujada.

  • Por que será que a cada quadrilha de colarinho branco desmascarada no Brasil, os líderes são sempre advogados?

  • Meda! Muita meda! Pela segunda vez o governo estadunidense revela relatório acusando o Brasil de não combater o terorismo internacional. Vai que Bush resolve voltar ao Brasil, só que na condição de presidente imposto desse quintal? Pombas, tô velho demais para encarar uma luta armada.


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