Caro Valter, acabo de devorar seu Capão, outras histórias.
De cara a boa impressão despertada pela orelha da profesora Elisa Guimarães, da UFPA, minha escola numa terra deliciosa de gente interesantíssima. Deu saudade.
No Prefácio, minha única discordância ao ler "não podemos colocar o personagem em lugares (...) por onde nunca andamos". Em meus escritos tenho o hábito de imaginar meus personagens em lugares onde jamais pisei, talvez uma projeção do viajante que dorme dentro de mim. Posso citar melhor exemplo ainda: Budapeste, de Chico Buarque. O autor jamais havia estado naquela cidade, mas toda a trama se desenrola ali. Quando, por convite dos seus editores, foi conhecer a cidade, Chico admirou-se como havia encontrado lugares tão parecidos com o que imaginara, até mesmo uma rua com o mesmo nome da rua por onde passara seu estupefato herói. No caso do seu Capão, por se tratar de narrativa real, não de ficção, entendo seu ponto de vista, mas não concordo com a firmativa como absoluta.
Já a partir da Apresentação, começa uma apreensão, uma tensão sobre aquilo que leremos a seguir. E essa apreensão é justificada pela narrativa. Ambiente hostil, seres humans que agem de uma maneira que só os humanos conseguem agir. Frieza, maldade, crueldade... São ingredientes minorados pela face humana, pelas histórias, nem todas mal sucedidas, como a do cobrador que tornou-se empresário, de empregado a grande empregador. A linearidade objetiva nos faz compreender de onde vem certa parte da criminalidade.
"O quê que a polícia vem fazer aqui?", a frase do personagem justifica-se pelos esculachos sofridos por aqueles que deveriam apoiar, dar segurança e não extorquir e fazer cumplicidade com os bandidos que atormentam. Lei da selva, selva de concretos ou tijolos aparentes; lei da selva no meio da metrópole.
As frases curtas e diretas demonstram um enorme poder de síntese. Não divagam sobre o ambiente, vão direto à ferida e a cavucam, expondo os nervos de um sistema corroído. Não tiram do leitor o foco da histórias, ou melhor, histórias, todas elas. Não bastasse a linguagem das ruas, tão reais, quase palpáveis.
Espero que o autor e "Dona Elisa" não tenham levado para o litoral as noites despertadas no susto e que seus dias sejam mais tranqüilos. Moldaram-se à realidade da vizinhança para sobreviverem às catástrofes que os rodeavam, não somente por eles, mas pela segurança dos filhos que seguem o mesmo caminho, imagino eu, convivendo sem intimidade, mas contando com o respeito da marginália. Lei da selva...
Parabéns pela "reportagem" tão dura, embora quase poética, e sucesso nas vendas. Mais e mais gente precisa conhecer tal narrativa.
Abraço.
INCONFORMISMO POLÍTICA PÉ NA BUNDA LIBERDADE COTIDIANO CRÍTICA DE LADO NENHUM A NÃO SER DO LADO OPOSTO DOS PROFISSIONAIS PARTIDÁRIOS
Pesquisar neste blog e nos da lista
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Capão, outras histórias
terça-feira, janeiro 15, 2008
- Fizeram esse vídeo de sacanagem, lógico. Seria apenas uma brincadeirinha. Mas eu vi aqui a comprovação de que o medo que nós temos do desconhecido é, definitivamente, um instinto animal. O bicho-homem é que racionaliza e resolve lutar contra seus males de raíz, e isso é muito bom quando é eficaz.
- A OAB está defendendo o financiamento público de campanhas eleitorais. Se isso vier a acontecer, fico imaginando de onde sairia a grana, uma vez que temos eleições a cada dois anos. Para se ter um exemplo, no Amazonas, onde o número de candidatos é pequeno em relação aos estados mais populosos do Sudeste e Sul, a campanha esse ano está avaliada em 500 milhões de reais. Para bancar essa farra, seria necessário se criar um novo imposto, óbvio. Aí fico imaginando o nome que se daria ao monstrino, até daria uma sugestão, CPMF: Contribuição Permanete para a Manutenção da Farra. Quem é a favor argumenta que o financiamento público evitaria abuso de poder econômico e caixa dois. Pobrezinhos que nos acham ingênuos. Nada impediria, ainda mais com essa fiscalização feita por telefone que é feita no Brasil, que "amigos" do candidato fizessem uma campanha paralela, "sem o conhecimento" do candidato. Bobagem!
- Guga disse que vai se aposentar no meio do ano. Sem querer tirar sarro do cara e respeitando su passado brilhante, mas eu pensei que ele já estava aposentado há uns três anos.
- Saiu hoje no G1 que pecuaristas baianos estão enfrentando uma praga de gafanhotos e cigarrinhas que destroem os pastos. Isso é verdade e um dos culpados por essa praga é a monocultura do eucalipto em boa faixa do extremo sul do estado. Como esses bichos não vivem entre os eucaliptos, assim como os carrapatos, e as fazendas de gado estão cercadas por eucaliptos por todos os lados, as pragas se concentram nas áreas de pasto. Isso gera um aumento nos custos de produção de carne e leite o que significa que esses produtos deverão sofrer um aumentozinho. Se bem que, pelo menos a princípio, eu espero, seja apenas na microrregião, não tendo reflexo nospreços dos outros estados.
- Começamos pelo óbvio: Aécio apóia a candidatura de Alckimin à prefeitura de São Paulo. Quanto ao pacto com o DEM é outra conversa, nada que uns cargos depois não resolvam. Com Alckimin eleito, e ele teria boas chances, Aécio só teria Serra pela frente e aí veríamos a reedição da briga interna no tucanato para ver quem seria o candidato do partido para a presidência em 2010. Aécio de bobo não tem nada.
- Lobão tem como suplente o filho Lobãozinho. Como é bem do feitio da curriola de Sarney, Lobãozinho está enrolado com as leis. É acusado de sonegação de R$ 42 milhões e do uso de laranja, a empregada doméstica e mãe de seu sócio numa distribuidora de bebidas. Mesmo mais sujo que fralda de bebê cagão, nada impede que o rapaz possa assumir o lugar do pai quando esse assumir o Ministério das Minas e Energia. É mais um exemplo da benevolência da legislação brasileira para com a bandidagem.
segunda-feira, janeiro 14, 2008
- O ministro da Justiça, Tarso Genro afirmou que quem decidirá o candidato do governo em 2010 será Lula. Cá pra nós, nunca Lula definiu essas coisas. Isso faz parte da estratégia petista, desde há muito, de manter a vaidade de Lula e mexer os pauzinhos por baixo dos panos. Foi assim que Genuíno, Dirceu, o próprio Tarso, Delúbio e todos os outros da corrente mandaram e desmandaram, fizeram e desfizeram. Mantém Lula como boi de piranha, e ele adora os holofotes, e nos conchavos e negociatas decidem os rumos do partido, do governo e de tudo o mais. Quando a bomba estoura, Lula, que é quem tem mais credibilidade dentre todos diante do povão, arruma uma desculpa esfarrapada e fica tudo como dantes no reino de Abrantes. Lula é um fantoche por vontade própria, boi de piranha.
- Os jornais, tanto da net quanto televisivos divulgaram nesse final de semana uma grande descoberta da ciência: o Sol faz bem à saúde e é o responsável pela sintetização da vitamina D no organismo. Até agora estou encafifado tentando descobrir que interesse existe por trás disso. Explico porque: que nenhum alimento contém vitamina D e que os raios solares, incidindo sobre a pele, é que faz a sintetização dela, eu já sabia desde a minha quinta série e não é porque sou um gênio, mas por constar nos livros didáticos de ciências. As mães são aconselhadas, há séculos, a levarem seus bebês a pegarem um solzinho no início da manhã não é à toa. Será que a indústria de cosméticos, filtros solares, bronzeadores e que tais, sentindo a repercussão negativa dos noticiários sobre aumento no buraco na camada de ozônio, aquecimento global e mudanças climáticas está dando sinais de diminuição nas vendas?
- Uma amiga petista me mandou um e-mail otimista com o projeto de lei que prevê a criação da bolsa-aborto. Esse benefício, de um salário mínimo, seria ofertado para a mulher que ficar grávida depois de um estupro até que a criança faça dezoito anos. Os autores do projeto, que ela não cita no e-mail, justificam a medida por acharem que ela é bem mais benéfica que o aborto. Quer dizer, um bandido estupra, a vítima engravida e todo brasileiro se torna mantenedor da criança? Hoje descubro mais um projeto de bolsa: o bolsa-prenha. Toda menor de idade grávida terá direito a uma bolsa de 50 reais, podendo ser majorada para 100 reais se a pequena prenha comprovar que está matriculada e estudando. Esse projeto é da deputada federal Jusmari Oliveira, do PR-PA. Quer dizer, essa jovem pode ter pai e mãe que não lhe dão orientação sexual, dá uma trepadinha escorada nos muros da escola depois da aula, emprenha e todo cidadão brasileiro se torna mantenedor de sua cria mal criada? O que vejo de comum entre os dois projetos, além do assistencialismo oficial, é a punição a qualquer cidadão que caia na besteira de nascer no Brasil. O estuprador e o pai irresponsável podem ficar tranqüilos, não terão que pagar pensão, o brasileiro idiota está aqui para sustentar seus filhos, independentemente de ele próprio, o contribuinte, ter dez filhos famintos em casa. O pior é que esses dois projetos podem ser aprovados, para a danação geral da nação. E olha que nem falei nas fraudes que poderão acontecer.
A Luma me passou essa meme (a cada dia inventam uma nova...). "Como está sua área de serviço?". Taí. Uma foto que tirei do nascer do Sol na Costa Dourada no final de 2007 e os ícones "meus documentos", "meu computador", "meus locais de rede", "lixeira", "internet explorer", "Adobe Reader 8", "Avast! Antivírus", "Google Updater" (que estou conhecendo e tentando descobrir suas vantagens), "Picasa 2", "Windos Live Mail" que é a ferramenta que estou usando agora para postar no blog, simples e com recursos suficientes para um manicaca como eu, "atalho para Skype", "Aulete digital" um dicionário, se não excelente, muito bom que o G1, portal de notícias da Globo, está ofertando de graça e, como eu costumo escrever com um dicionário ao lado, esse Aulete é uma mão na roda, "CCleaner", "eMule Plus", "Flock" que é um filho do Fire Fox que tenho usado bastante, "Irfan View" o meu manipulador de imagens preferido, "Velox", "Windows Live Mail" que é meu e-mail para os chatos e pouco íntimos, o oficial e predileto é o Gmail, e "WLinstaler". Missão cumprida, Luma, mas não passarei adiante. Quem quiser, dê continuidade.
sábado, janeiro 12, 2008
Vodu
O Mata Azul era um daqueles milhares de restaurantes de beira de estrada que proliferam Brasil a dentro. De ninguém sabe onde uma povoação foi-se formando ao seu redor. Atraídos pelos caminhões e, aos poucos, os carros de passeio, começaram a brotar do chão borracheiros, mecânicos, vendedores ambulantes que seguem os ônibus onde quer que eles vão, mascates... O casario brotava de madeira, depois o de tijolos sem engenheiro ou arquiteto, apenas argamassa e suor.
Uma das primeiras edificações foi de um negro calado, cabelos já grisalhos e que pouco falava o português. Por não conseguirem entender seu nome, Toussaint Dessalines, não demorou a receber o apelido de Tutu. Os poucos e depois muitos moradores chamavam-no de gringo, uns diziam que era “americano” (para os poucos letrados, todo estrangeiro é “americano” ou, simplesmente “gringo), outros mais “estudados”, talvez por terem concluído o primário, identificavam o sotaque alemão ou argentino. Não desconfiavam que Tutu era haitiano, fugido de seu país para não acabar no paredão de Papa Doc, não por questões políticas, mas porque combatia o vodu que o ditador utilizava para aterrorizar os adversários, que Tutu chamava de “vodu negro”, praticando o “vodu branco”.
Toussaint fazia os despachos para qualquer cidadão que o procurasse, desde que não tivesse a intenção de ferir outras pessoas e gratuita e prazerosamente quando era para desfazer um feitiço ou uma praga rogada por Papa Doc ou seus feiticeiros particulares.
Tendo sua cabeça colocada a prêmio, embarcou clandestino num navio que partia para a Colômbia. Mas era perto demais de seu país, os braços longos do déspota o alcançariam com facilidade naquele litoral. Embrenhou-se na mata, caminhou dias, comeu raízes e carne de macacos, cobras e aves, qualquer ave. O muito dinheiro que levava no embornal, economias angariadas por anos, de nada serviam naquele inferno de insetos, umidade e calor. Atravessou rios, subiu e desceu montanhas, abriu picada no peito e na força do facão cego do qual não se separava e hoje se encontrava pendurado na parede da sala como um troféu.
Sem relógio ou calendário, perdendo a conta dos dias há muito, não sabe por quanto andou e nadou sem ver viva alma humana. As animais que pôde, separou do corpo e comeu a carne. Um dia, já quase entregando os pontos e se deixando morrer, deu-se naquela estrada. Amolou o facão numa pedra e com ela raspou a barba e cortou a cabeleira já enorme e cheia de nós. Precisava estar o mínimo apresentável quando encontrasse civilização. E tudo o que viu parecido com civilização foi aquele restaurante de paredes de madeira recém pintadas de azul.
Ressabiado, entrou e pediu um copo com água em seu francês acreoulado.
- Eau, s’il vou plaît.
- Coméqueé?, Radovânio levaria o resto da vida contando para os amigos como aquele homem havia aparecido por ali com a língua enrolada e falando “ou, sivuplé”.
Também não entendendo a interrogação do balconista, Toussaint fez-se entender por gestos.
- Água? Tu tá querendo água?, esforçava-se para entender e atender o visitante.
- Oui! Água!, foi a primeira palavra em português aprendida pelo haitiano.
Tomada a água, meteu a mão no bolso, onde havia tomado o cuidado de separar algumas cédulas de gourde.
- Ê, moço, esse dinheiro não serve aqui, não.
Enquanto falava, Radovânio gesticulava abanando as mãos em negativa e empurrava a cédula de volta ao dono. Sem entender as palavras, mas compreendendo a negativa dos gestos e a cara desgostosa do homem que o atendia, Toussaint retirou o restante das muitas cédulas da bolsa mostrando-as para o vendedor, deixando claro que só tinha iguais àquela que apresentara.
- Não vou cobrar a água, não, moço. Falava e gesticulava Radovânio. A palma da mão voltada para baixo e os dedos abanando de dentro para fora, como se enxotam os animais, indicava a porta.
Sem arredar pé, Toussaint alisava a barriga e apontava para a boca, o mundialmente conhecido sinal de que tinha fome.
- E vai pagar com o quê? Esse dinheiro não paga nada aqui. Nem sei que dinheiro é esse.
A necessidade ensina o sapo a pular. Percebendo a rejeição de Radovânio, o negro correu para uma vassoura e fez arremedos de que varria o salão, que limpava a mesa, arrumava a cadeira... O dono do restaurante compreendeu. O visitante se propunha a trabalhar para pagar a comida com trabalho. Como se encontrava sem ajudante e a mulher o deixara, de jeito nenhuma iria para aquele lugar nenhum, viver no meio do mato por conta de um restaurante que sequer sabia se teria clientela, a troca foi aceita.
Por muito tempo o escambo era a relação entre os dois. Nas horas vagas Radovânio ensinava o português necessário para o ajudante: arroz, feijão, água, prato, copo, talher... E lhe dava almoço e janta, o que sobrasse dos clientes ocasionais. Por sua vez, Touissaint varria, lavava a louça, limpava os banheiros, atendia a freguesia, cozinhava aprendendo a usar os temperos locais, com menos pimenta do que era hábito em seu país.
Nas horas vagas o haitiano usava as ferramentas do patrão e derrubava mata e serrava tábuas, aos poucos ia construindo sua casinha. Depois da casa levantada, ocupou-se da horta. Cercou o terreiro e aproveitava as sementes que sobravam na cozinha do restaurante. Tomate, cebolinha, coentro, mamão, pimentão... Não demorou muito para tornar-se fornecedor de vegetais para Radovânio.
Ia se independendo até o dia em que deixou de vez trabalho de faz-tudo. Já haviam outras casas e comércios instalados. Tutu aumentou seu quintal e sua horta, passava a ser fornecedor verduras e legumes para todas as casas. Já não precisava mais caçar e colher para comer. O tempo, porém, era pouco para cozinhar. Agora quem precisava de auxiliar era ele. Roçar, adubar, semear, regar, tratar dos besouros e lagartas, tudo aquilo tomava muito seu tempo. Passou a comer no Mata Azul.
Todo dia sentava-se à mesma mesa, comia, descansava uns minutinhos, pagava pelo prato e voltava para a lida.
A população aumentava dia a dia. Crianças nasciam, homens envelheciam e todos, vez por outra, adoeciam. Relembrando seus tempos de curandeiro, passou a encomendar ervas aos caminhoneiros, passava a ser o médico. Por isso admirado e respeitado.
Anos e anos na roça, recebendo a visita dos doentes e sentando-se à mesma mesa para as refeições.
O negócio de Radovânio também crescia. O povoado e os passantes lotavam o lugar.
Um dia, casa cheia, Toussaint encontrou sua mesa ocupada, assim como as demais. Escorou-se no balcão e esperou. Vagou a mesa. Quando se dirigia a ela, Radovânio o impediu.
- Espera aí, Tutu, tem cliente na sua frente.
Tutu sabia que não era verdade. Tentou argumentar, mas foi ignorado pelo ex-patrão que o empurrou com a mão no peito e, cheio de mesuras, levou para a mesa dois caminhoneiros recém chegados.
O haitiano não discutiu, não reclamou, nenhuma reação. Saiu do restaurante e limpou os pés no carpete da entrada, ciscando para dentro da casa, coisa que normalmente se faz ao entrar, não ao sair. Ao mesmo tempo que ciscava, retirava um pozinho marrom do bolso da calça e o jogava no tapete, atirando-o depois para o lado de dentro com os pés.
Da rua, quem passava pela porta de sua casa o ouvia cantando uma música esquisita em língua desconhecida.
No dia seguinte houve um acidente com a cozinheira do Mata Azul, queimadura grave. No segundo dia um cliente contraiu uma infecção intestinal após almoçar e morreu mesmo após tomar um chá feito por Tutu. No terceiro dia o novo ajudante de Radovânio tropeçou nas próprias pernas derrubando toda a refeição no peito de um matador que estava de passagem para fazer um servicinho numa cidade próxima. O pobre rapaz foi assassinado com um tiro na testa. No dia seguinte, uma pernamanca do teto arrebentou e parte do telhado despencou sobre uma das mesas, ocupada por uma família que se dirigia para uma pescaria, nenhuma vítima fatal, mas um tremendo prejuízo para o dono que teve que pagar as despesas médicas da família machucada. No quinto dia o restaurante não abriu, não havia dado tempo para se consertar o telhado. No sexto dia, novo incêndio. O fogão a lenha rachou e as brasas se espalharam pelo chão de madeira já seca depois de anos de uso. Não deu tempo sequer para que os baldes de água que todos os vizinhos traziam afobados fossem jogados nas chamas. O fogo espalhou-se como se num palito de fósforos.
De sua varanda, sentado na cadeira de balanço, Toussaint olhava a cena de desespero com um sorriso leve nos lábios ocupados com um cachimbo fumegante.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
- Edison Lobão nas Minas e Energia? Isso está a cara do Sarney, de quem Lobão sempre foi fiel escudeiro. Qualquer partido mais responsável, se é que isso existe, exitaria em pegar esse ministério às vésperas de um apagão anunciado e negado, mas com a cara-de-pau dos peemedebistas, o que vale é o cargo e as verbas. O povo é apenas um detalhe.
- Por incompetência, falta de profissionalismo e de criatividade, já estão discutindo uma nova CPMF. Aí vem a pergunta inevitável: se o imposto for criado, os impostos e taxas que foram reajustados para compensar a perda da antiga CPMF recuarão? Algo me diz que não. Esse governo é o mais guloso que a república já conheceu e o mais perdulário também.
- As contas energia elétrica deverão sofrer um reajuste alto. A justificativa é o baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas. E as ditas tarifas sociais, também aumentarão? Lógico que não, afinalde contas são as classes mais pobres que bancam o governo nos votos. Isso significa que a classe média, mais uma vez sustentará as ditas políticas sociais, que eu prefiro chmar de assistencialismo oficializado.
- Olha só as entidades e intelectuais que assinaram o manifesto apoiando os aumentos de impostos: D. Tomás Balduíno, da Comissão Pastoral da Terra; D. Demétrio Valentim, da Comissão de Justiça e Paz da CNBB; João Pedro Stédile, do MST; Plínio de Arruda Sampaio; Fernando Morais; Marcelo Crivella... Mais seis motivos para eu ser contra.
- Sarckozy já está com um aumento enorme em sua impopularidade, na França. O pior é que nem é por causa de sua linha política, mas por causa da namorada. Os franceses não têm aceitado bem o fato do presidente namorar uma italiana. Estão nacionalizando o amor. Agora, cá pra nós, essa Carla Bruni deve ser o que as revistas de fofoca chamariam de maria-holofote. A mulher namorou o Eric Clapton, em quem deu um chifre para ficar com Mick Jagger que teve seu casamento de 21 anos com Jerry Hall acabado por causa da escapadela. Depois ela namorou Donald Trump, Kevin Costner, também divorciado depois da traição... Pelo visto, ela agora promoverá o divórcio de Sarckozy com seu país. Mulher perigosa.
- Ponto para Chávez! Até Bush, mesmo contrariado, teve que aplaudir el loco. Depois daquele carnaval que acabou em frustração, em dezembro, dessa vez, na surdina Chávez conseguiu o regate de duas reféns das Farc. E Oliver Stone nessa parada? Nas imagens divulgadas, não vi o sanguessuga. Foi triste ver a cara do diplomata brasileiro tentar diminuir o mérito chavista diante das câmeras. Meu medo é que a troca dos reféns tenha sido por armas ou algo do gênero. Chávez é capaz de tudo.
- Que São Paulo é uma cidade muito rica, todo mundo sabe, mas o Estudo potencial Econômico da Cidade de São Paulo, encomendado e divulgado pela Fecomercio-SP, é surpreendente. O estudo compara que se a cidade, não o Estado, basta a cidade, fosse um país, seria o 47º mais rico do mundo, o 6º mais rico da América Latina, ao lado do Chile. A cidade tem PIB superior a 94% de todas a Região Nordeste. São números impressionantes.