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sexta-feira, novembro 30, 2007


Esta é a capa do livro do Marco que acabei de receber. Minhas férias prometem serem ricas em leituras, diariamente adiadas por conta do trabalho, que se intensifica nessa época do ano. O livro do Marco é uma biografia do ator Brandão, pai do Brandão Filho, um dos pioneiros na comédia televisiva brasileira. Quem já leu diz que as gargalhadas são garantidas e inevitáveis. Então, vamos a elas. Por enquanto, só tenha a ótima impressão de um trabalho gráfico primoroso.
Por falar em livro, o meu, De Depois De Já, já está quase esgotado em sua primeira edição, ou melhor, única edição, uma vez que não farei uma segunda. Mais satisfeito do que com a vendagem, estou com as respostas que tenho recebido, tanto pessoalmente, como por telefone, e-mails e até SMS, como a que transcreverei abaixo.
Quando se lança um livro, e essa sensação é completamente nova pra mim, dois medos são inevitáveis: as críticas e a vendagem. Não é pelo dinheiro, pelo menos no meu caso já que estou vendendo a preço de custo, mas com o que fazer se eles empacarem. O que se fazer com aquele monte de papéis inúteis numa caixa lacrada? Esses medos me foram tirados da maneira mais agradável e até surpreendente possível. Em pouco mais de quinze dias, com 85% já nas mãos dos leitores e com os comentários favoráveis (alguns, não me iludo, são de amigos, portanto, suspeitos), posso dar-me por satisfeitos e até começar a pensar na sugestão de um segundo. Mas isso só ocorrerá em 2009, se ocorrer.
Esse papo ególatra deve estar sendo maçante pra vocês, mas devo confessar, o ego está deveras massageado. E como não ficaria com as manifestções como as de baixo?

Do Rayol, em seu blog:
Divulgando: O Marcos, do blog Simpatia e Esculacho, publicou o livro "De Depois de Já" e o está vendendo através do email pontes.mr@gmail.com. O cara escreve bem demais. Corram e garantam o seu.

Da Giulia, por e-mail:
Marcos!
Aqui o livro (chegou ontem), e o jegue ficou pelo caminho!
'Seo' minino, eita livrinho danado de bão... devorei, li num susto só... No sentido figurado, é claro, pois foi uma boa e grata surpresa a leitura dos contos e crônicas: despertaram sentimentos bons, de alegria, riso, interesse e até de emoção, como por exemplo no seu Retrato de Despedida (ótimo!).
Diverti-me com 'seu Jai' e com "Origens", assustei-me com "Aleivosia" (o que é filiça?), e adorei "O Dia em que o Piauí mudou o Brasil' e outros mais.
E a dedicatória, então? Especialíssima, como jamais tive (quem sabe no próximo ano arriscar-me-ei nessa empreita, pois já tenho aqui o esboço para um livrinho: já tive duas filhas, plantei diversas árvores... só falta o livro!).
Enfim, ficou um 'gostinho' de quero mais... que venham outros: estarei à espera.
E mais, bobos dos seus alunos se não aproveitarem a oportunidade de boa e agradável leitura.
Beijos,
Giulia

Da Eluiza, em sua coluna num site local:


Na noite da última quarta-feira (14) o Colégio Anísio Teixeira serviu de palco para um de seus docentes, o brilhante professor Marcos Rodolfo Pontes, lançar o seu primeiro livro - De Depois de Já – título inspirado em uma brincadeira dos seus alunos no horário do recreio. Para esta obra Marcos escolheu alguns contos como forma de expressão para fazer um primeiro contato com os seus leitores, mas ele passeia, com igual desenvoltura, também pela prosa em suas mais variadas formas: textos reflexivos, romances, crônicas e poesia, sem abrir mão da complexa Matemática, disciplina da qual é professor no referido colégio.

O evento foi prestigiado pela direção da unidade escolar, colegas, amigos, estudantes e pela imprensa, em descontraído bate-papo regado a delicioso coquetel. Vale ressaltar que o público que lá compareceu era formado, em sua maioria, por adolescentes e jovens, entre 12 a 18 anos. Achei isso lindo!

Parabéns professor Marcos! Que os próximos possam vir logo depois que os leitores do De Depois de Já, se deliciem com ele e dizer: JÁ! Estamos prontos pra outros!



Da Rebecca, no Orkut:


tem que começar a escrever outro livro logo pq já to quase acabando...ushdushdhsuhdsh
serio hein..
quero outro
ushdshdushudhushdhshd

ate mais..

beju :D


Da Kátia, também pelo Orkut:

Oi meu querido !
Obrigada pelo livro, só que não tive o direito de ler ainda li o começo pq tive que brigar com as meninas, todo dia elas lêem o livro e dão risadas, quando elas cansarem de ler é q vou ler. beijos


Da Chimene, também elo Orkut:
Parábens pelo livro!Que este seja o primeiro de muitos. Adorei lê-lo!
Que saudade de você e das suas maravilhosas aulas!
Um beijo.

Do Ronaldo, por SMS:
Teu livro tá fazendo sucesso. Aqui é uma merda encomendar. Diz o valor e o frete que vamos mandar o dinheiro para, pelo menos 3.

Desculpem a encheção de saco, mas foi a maneira de agradecer a todos que se manisfetaram e dar por encerrado o assunto por aqui. Os vinte restantes, se não forem vendidos, ainda posso doar a alguma biblioteca ou presentear os amigos no Natal.


quinta-feira, novembro 29, 2007



  • Piadinha número 1: Brasil faz parte do grupo de países com alto índice de desenvolvimento humano. A conclusão é que o mundo está uma lixeira.

  • Piadinha 2: Bush promove conferência pela paz em Israel. É como colocar a Ku Klux Klan pra tomar conta de quilombo.

  • Ontem um navio petroleiro pegou fogo na Bacia de Campos. Deve ser a deixa para o governo federal anunciar a descoberta de uma nova jazida gigantesca.

  • Só nas duas últimas semanas foram noticiadas as mortes de quatro turistas no Brasil. A bandidagem deve estar fazendo curso de atualização para a Copa de 2014.

  • Difícil elogiar alguma coisa de Lula, mas gostei dele dizer que a greve de fome do bispo que se opõe à transposição do São Francisco é problema dele. Lula já cedeu uma vez à chantagem do bispo. Sem querer entrar no mérito da questão, programas de governo não podem parar por causa de um sujeito. Gostaria que ele tomasse atitudes semelhantes em relação aos marginais dos ditos "movimentos sociais", como o MST, mas aí deve ser pedir muito.

  • O PT assumiu o governo da Bahia, mas nada mudou. No caso da educação, por exemplo, continua a mesma bagunça. O calendário escolar criado pela Secretaria da Educação e que deveria ser cumprido por todas as escolas, previa o fim das aulas em janeiro de 2007. No decorrer do ano fez-se uma greve de quase dois meses, os professores não compensaram as aulas perdidas, não tiveram desconto nos contra-cheques e as aulas terminarão no início de dezembro. Educação de qualidade é balela de palanque, na hora da verdade a zona é a mesma. Depois vem um monte de gente defender cotas para oriundos de escolas públicas nas universidades federais. Palhaçada!

  • Por falar em educação, uma orientadora educacional de uma escola particular de Niterói foi à delegacia prestar queixa contra uma menina de 12 anos. A criança teria entrado no site da escola e, na sessão "fale conosco" teria chamado a orientadora de vagabunda. Uma criança dessas deve dar ordens aos pais.

  • Pesquisa da Fundação Perseu Abramo afirma que 91% dos petistas acreditam que o partido não superou a crise. Pior é saber que 100% dos brasileiros ainda não superaram o PT.

  • Aho que vou ter que passar um ano saindo de casa somente para ir ao trabalho. Cada vez que saio, encontro algum canddato pedindo minha ajuda em sua campanha, meu voto, meu compromisso. Já não aguentando mais esse assédio, estou sendo curto e grosso, o que significa que devo perder alguns amigos até a eleição de 2008. Ontem estava à num restaurante, quase todas as mesas ocupadas, quando aparece um médico candidato a prefeito e amigo de longa data, embora nada íntimo. Acompanhado da mulher, me cumprimenta, senta-se à minha mesa e blá-blá-blá, confirma sua candidatura e pede que eu o ajude na campanha. Pombas! Eram trinta mesas, cheia de gente importante na cidade, por que justo eu o escolhido? Por mais de três horas ficamos nesse papo de política e eu lhe falando todas as minhas verdades sobre políticos, sua postura como cidadão e médico, suas chances, como deveria proceder para ter alguma esperança de sair eleito. Eu não resisto, falar de política é um prazer, mas, no máximo, ficar como lua parda, nada de comprometimento direto, não por covardia, mas por descrença total no ser candidato. Depois de alguns chopps vou ao banheiro. No caminho sou chamado a uma mesa. Lá estão o doutor advogado, sua esposa professora e ex-gerente regional de educação, sua irmã professora porra-louca e um negrão grandão. Adivinhem que eles queriam? Que eu paticipasse da campanha da esposa para a vereança. "Tem tempo, a gente conversa. Mas vou logo avisando, eu não escolho candidato por amizade ou tapinhas nas costas, eu quero plataforma". O negrão é o marqueteiro da professora e já me convida para fazer partena elaboração dessa plataforma. nunca havia visto o sujeito antes, mas me encheu de elogios e blá-blá-blá 2. Ué, ele querem me convencer ou querem que eu monte seu projeto? Se eu monto um projeto, ele é meu, não há qualquer garantia que ela o siga se eleita. Em outras palavras, pura prosopopéia flácida para bovino adormecer.

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terça-feira, novembro 27, 2007

Desilusão Havaiana


Teobaldo nutria por Ziluê um amor inexplicável. Nunca haviam conversado, não sabia o telefone um do outro ou sequer sabiam seus gostos, mas o frio na coluna e o embrulho na boca do estômago eram constantes è simples lembrança dela.

Tinham como amigos comum um casal que se casaria em fevereiro, vésperas do carnaval. Adevardo, o noivo, prático e farrista, idealizara a festa de recepção aos convidados como um baile de carnaval: decoração havaiana com cenário de papelão e plástico, vodca a rodo, bebidas tropicais a base de frutas e com sombrinhas de bambu, petiscos à vontade. Ambiente propício para o embebedamento geral.

Durante toda a festa Teobaldo vigiava Ziluê à distância. Via o alvo dos seus suspiros emborcar as taças e saracotear pelo salão. A moça nem percebia um assédio ou outro de algum solitário, sua festa resumia-se às bebidas e à dança, mais desenvolta e espalhafatosa depois de cada drinque. Não se passaram muitas as horas, mas as doses, sim, e suas passadas já não conseguiam ser retilíneas, o que fez o zeloso Teobaldo aproximar-se para o socorro que se fizesse necessário. E não demorou.

Ziluê entonteceu, ficou pálida, ensaiou um desmaio no meio do passe de uma música de axé. Antes que fosse ao chão teve o amparo dos braços do admirador, que a levou para um banco do jardim, abanou-a com uma folha de bananeira retirada da decoração, assistiu a seu vômito sem cara de nojo, trouxe uma garrafinha de água mineral para que ela deglutisse o gosto ruim e ouviu suas lamúrias de bêbada.

A moça falava o quão era infeliz, que se apaixonara pelo profesor de química da faculdade, mas não era correspondida; que para fazer ciúmes ao mestre tomara Caléfolas como namorado, justamente o mais feio, mais burro e sem graça colega da turma; que Caléfolas era feio e burro, mas tinha uma cantada infalível; que perdera sua pureza para Caléfolas; que depois de empanturrar-se, lamber os dedos e passar língua nos lábios, Caléfolas a abandonara; que engravidara; que fora expulsa de casa pelo pai, velho e conservador bedel da prefeitura; que, desempregada e sem poupança, fizera um aborto para não colocar no mundo uma criança sem pai e sem futuro; que morava num quartinho de pensão e vendia pules do jogo do bicho para manter-se; que gastava tudo em roupas para causar uma boa impressão e talvez ser beliscada pela sorte de um bom marido ou de um bom emprego, o que viesse primeiro estaria bem.

Teobaldo a levou em casa e prometeu-se nunca mais beber.


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Este conto também não está no livro De Depois De Já, que, por sua vez, já está quase encerrado (pontes.mr@gmail.com).

segunda-feira, novembro 26, 2007


Novaes, Jornal do Brasil, RJ


  • Eis a capa do livro do Valter Ferraz que acabo de receber. Mais um pra minha lista de livros de blogueiros a ler nessas férias. Por falar em livro de blogueiros, restam apenas 20 exemplares do meu, quem quiser o seu, adiante-se (pontes.mr@gmail.com). Gus, Letícia, Marlene e Chimene, os seus já estão a caminho. Heber, continuo aguardando seu endereço.

  • Dados da Datanalisis: 44,6% dos venezuelanos são contra as reformas que iriam a plebiscito no próximo dia 2; 30,8% são a favor. Apenas 29,4% da população se diz chavista. Talvez ainda possamos ter alguma esperança na sanidade de nossos irmãos do noroeste.

  • O beiçudo Chávez fez beicinho porque o presidente colombiano o afastou das negociações com as Farc. Diz-se ofendido, o coitadinho. Ora, ora, ora, quer dizer que o presidente de um país autônomo tem que confiar num ególatra apenas porque esse se ofereceu pra ajudar? Cá pra nós, ajuda desse camarada a gente não deve aceitar nem pra desatolar o carro. Mais cedo ou mais tarde ele vai cobrar, e com juros.

  • O maluco-mor da América Latrina, ou melhor, Latina, pensando com a cabeça do dedão do pé esquerdo, é capaz de querer vingar-se ajudando a armar as Farc. Se ele fizer isso, estará cavando uma cova muito funda para si mesmo. Pai Marquinhos de Ogum está prevendo cheiro de carbureto no ar, muito em breve.

  • Um vestibulando teve sua prova no concurso da UFRJ porque seu telefonecelular tocou. Vamos por partes: 1. O bobo não sabe que não pode entrar com celular no local da prova e, se for inevitável, esse deve ser desligado e entregue a um fiscal? Marcou bobeira e agora só lhe resta chorar; 2. Seria caro para o fiscal ter um pouquinho de bom senso, recolher o celular, dar um pito no estudante descuidado e devolver o aparelho após o final da prova? Tem gente que vira Nero com um pouquinho só de autoridade.

  • Ciúme e inveja são sentimentos naturais, mas exitem para serem negados. Ninguém admite que os tem impunemente.

  • O PT negou premptoriamente a existência de mensalão, Lula disse que nada sabia, Zé Dirceu foi defenestrado e continua clamando inocência. O partido, antes tão combativo, agora está totalmente sem moral para cobrar apuração e punição do mensalão mineiro que envolve seu pior adversário, o PSDB. Mais uma moeda de troca para a aprovação da CPMF. A existência do mesalão mineiro, que ninguém mais duvida que existiu, nem a Velhinha de Taubaté, é, por extensão, a comprovação de que houve um mensalão federal.

  • Foi só falar em Copa e os maus presságios já começaram. Com a tragédia da Fonte Nova dá pra imaginar como estão os demais estádios mais antigos do país em se tratando de conservação.

sábado, novembro 24, 2007

Eu


Horse, de Slowinski, daqui.


Sou aquele que passeia entre as nuvens em sentido contrário ao do vento. Sou o que molha os pés no rio e os cabelos na chuva. Sou o que coleciona amigos e descarta os inimigos. Sou o que trata olho nos olhos e destrata com o dedo na cara. Sou mais um que mente por amor e fala verdades dolorosas, se não as absolutas, as minhas. Não coleciono dinheiro e, muito menos, dívidas. Leio o que não me interessa e jogo fora o que me faria crescer. Não sou Peter Pan, mas também não sou Capitão Gancho ou Sininho. Gosto de flores, mas não tenho jardim, nada que exija meus cuidados me interessa. Eu disse nada e não ninguém. Egoísta talvez; talvez indisciplinado consciente. Posso tomar sopa de pedra com prazer e torcer o nariz para finas iguarias. Cortas os cabelos, aparar as unhas e escanhoar a barba são torturas; tomar banho, um prazer. Sei quando é hora de falar e quando devo calar, por isso faço o contrário. Transgrido para viver. Calor, fome, barulho e burrice me irritam, assim explico porque não vou à praia. Música me agrada; amontoado de notas musicais, não. Poesia me agrada; amontoado de versos desconexos, não. Inclusive os meus. Gosto de crianças, mas jamais teria filhos. Filmes de terror são como um prato à base de peixe: se não for muito bem feito, é horrível, sem meio termo. Não sou solitário, vivo em minha péssima companhia e isso me agrada. Antes mal acompanhado do que só. Jamais me suicidaria, não por amor à vida, mas pela curiosidade no futuro. Se só existem o certo e o errado, teimo em providenciar o talvez. Posso ser leal até o fim ou um traidor inescrupuloso. Sou movido a Sol, mas prefiro a Lua, Não escrevo por gostar ou por achar que tenho talento, apenas por ser menos chato do que praticar esporte.

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