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terça-feira, maio 31, 2011

Maconha, porquês do não II, a resposta

MACONHA NAO2

 

No meu último post lancei o desafio aos favoráveis à descriminalização da maconha para que lançassem novos argumentos defendendo sua posição, em troca eu os rebateria. Pois, bem, parece que o desafio foi “mais ou menos”aceito. Abaixo listo seis dos comentários deixados nono blog e, em itálico, respondo-os. Mas antes gostaria de deixar aqui uma impressão empírica que tenho em relação ao comportamento dos adictos e sugiro que os nobres leitores façam suas observações nas suas ruas, e círculos de conhecidos e vejam se não tenho razão.

É muito comum o adicto andar de cabeça baixa, usar da agressividade defensiva, como se quisesse afrontar a sociedade “falsamente moralista”, os “conservadores” e os “reacionários”, ou seja, todos os que se colocam contra seus vícios. Há uma falsa timidez quando em ambientes sociais, como se demonstrassem forçosamente uma “normalidade”. A que se deve isso? À culpa, à consciência de que seus hábitos e comportamento são ilícitos.

Esse meu comentário dá-se não à toa, mas pela quase totalidade de anônimos entre os que comentaram. Escondem-se covardemente nas sombras, motivo que me levaria a ignorá-los, não antidemocraticamente, como já me acusaram diversas vezes ao rejeitar comentários agressivos, mas embasado na própria Constituição Federal que faculta a todos os cidadãos liberdade de expressão, opinião, credo etc., porém veta o anonimato. Anônimos, portanto, são ilegais, assim como traficantes o são. Mas vou dar uma colher de chá a esses maconheiros dando-lhes o prazer de uma resposta.

Deixo também a observação que os erros de ortografia, gramaticais e de digitação dos comentários aqui reproduzidos são dos próprios autores. Mantive-os como digitados em minha caixa de comentários.

 

Anônimo 1 - Como não costumo comentar em nada que leio, estou como anônimo para ser mais rapido. Meu nome é Arthur. Quero dizer que, apesar de respeitar muito a tua opinião, gostaria de expôr a minha, em relação ao teu post, e não ao assunto em si. Primeiramente, posso afirmar que tenho um vasto conhecimento na área, principalmente em termos científicos. Realmente me decepcionei FORTE com os teus argumentos, pois eu queria que fizessem sentido. Dizer que maconha MATA NEURÔNIOS é uma coisa MUITO ultrapassada! admito que deu vergonha de ler isso, coisa que minha vó diria. te desafio a me mostrar o TRABALHO CIENTÍFICO que traga tais resultados. Aproveito para te falar que essa história surgiu a partir de experimentos com macacos, que eram submetidos a mais de 6h à fumaça da maconha (sem oxigênio), então o que acontecia era que eles sofriam com a ASFIXIA e não com o THC ou os outros componentes da maconha. Outra coisa BEM importante de salientar: COMO CULPAR E JULGAR CRIMINOSO O USUÁRIO DE UMA PLANTA MILENAR QUE NASCE NA TERRA SEM QUE SEJA PRECISO A INTERVENÇÃO HUMANA? Também acho que ignorar o fato, ou melhor, argumentar em cima do fato de defensores da legalização compararem com o Alcool/tabaco um ABSURDO. É a MAIOR PROVA da FALTA DE CRITÉRIO. Por último, mesmo querendo me alongar mais, gostaria de fazer outra pergunta: sabe quantas mortes foram ASSOCIADAS A MACONHA na HISTÓRIA DA HUMANIDADE? pois então, a resposta é ZERO. Compara com os números de Alcool/tabaco. Espero ter sido claro e não desrespeitoso. Um abraço.

Arthur, algo me diz que você não é tão anônimo como gostaria de parecer, mas, devido à sua notoriedade na vida política nacional, prefere esconder-se no pseudo-pseudônimo. O “mata neurônios” que você repudia, o faz com razão. De fato, a ciência comprovou que neurônios não morrem devido ao uso da maconha, mas têm seu funcionamento químico comprometido, o que explica a lerdeza que torna-se crônica no usuário contumaz, sua crescente dificuldade de concentração e cognitiva. O fato de ser “do tempo da sua avó”, não significa que é inverídico, apenas aprofundado em pesquisas recentes.O fato da planta ser milenar, desculpa, meu caro, mas esse, sim, é argumento chulo. O trigo também é milenar, assim como a coca e o arroz, a beladona e a cevada. Não é por ser milenar e “orgânica” que é boa. Usar a folha de coca não é crime entre povos andinos que a mascam, mas é crime mundialmente reconhecido entre os que a utilizam para produzir entorpecentes, e aí? Quanto às mortes relativas à maconha, realmente, são raríssimos os casos de overdose, mas menos raras são as mortes causadas por males de uso a longo prazo, fora as mortes entre donos de boca de fumo, traficantes em guerra por território, devedores das “bocas”, pequenos produtores enxotados por plantadores da droga, principalmente no Paraguai... Morrer de maconha não significa necessariamente morrer de overdose.

O lance das mortes é uma armadilha. Quem lidou com um filho usuário ou com pacientes sabe e presencia(ou) crises psicóticas aliadas a estados depressivos com tendências suicidas. Se a maconha não provoca mortes diretamente pode, sem dúvida, provocá-las indiretamente, pelos efeitos do uso prolongado e/ou concomitante com outras drogas. Por isso, à maconha não deve ser debitada a exclusividade de um índice maior de suicídios entre seus usuários. Os usuários misturam tudo, liberando a maconha vêm as outras drogas...e os coquetéis vão ficando bombas atômicas contra o cérebro. Mistura de crack com maconha, o mix que compõe “o produto” leva solvente, ácido, talco, mármore e outros componentes menos nobres ainda. O uso de maconha com álcool é comum e conhecer os processos usados pelo organismo para metabolizar a droga é suficiente para saber porque o corpo vai à lona e pode não se levantar mais: alguns canabinóides deprimem o centro do vômito que, como se sabe, é uma espécie de defesa do indivíduo alcoolizado para eliminar o álcool do organismo; ora se o vômito não ocorre, por estar deprimido o seu centro pela ação da maconha, é lógico que o risco de morte é muito mais pronunciado.

Anônimo 2 - não consegui ler, texto muito parcial.

O que seria um texto imparcial? Aquele que defendesse a descriminalização ou um texto essencialmente científico? Este blog não tem caráter científico e em momento algum eu defenderia a droga. Desde o título já deixei claro que sou contra a droga e sua descriminalização sou, portanto, parcial, sim. Imparcialidade é para jornais e covardes, sendo que no primeiro caso ela já não mais existe.

Anônimo 3 - O problema não é se faz mal ou não...
A questão é eu poder fazer o que eu quiser, já que Deus me deu livre arbitrio...
E pesquise melhor pois a Holanda beneficiou-se com a legaliação das drogas..Se você se informar melhor, ao invés de ctrl+c ctrl+v, saberia que lá se tem a menor taxa de overdose do mundo...

Deus lhe deu o livre arbítrio para usar e a mim o livre arbítrio de repudiar o uso, o comércio e a descriminalização. Teu livre arbítrio é melhor que o meu? Fumar ou não fumar é uma questão individual, moral, mas é também uma questão ética, voltada para o coletivo: em qual sociedade o consumidor de drogas escolheu viver? No tocante à Holanda, leia isso, meu caro: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache%3Akpd7sTheqLwJ%3Awww.drugtext.org%2Flibrary%2Farticles%2F902106.htm+Dirk+Korf+against+legalizatio+of+marijuana&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br&source=www.google.com.br

Anderson - Artigo e opinião lamentáveis. Sem embasamento, repleto de preconceitos e diversas tentativas frustradas de conduzir o assunto por meio de argumentos sem fundamento. Só interessa ao traficante ver a droga na ilegalidade. Tenho vários amigos que usam maconha, e já cansei de ouvi-los dizer que se fosse vendida legalmente comprariam-na, sem medo de subir um morro ou entrar em uma favela perigosa só para comprar algo que nunca fez mal a eles ou a outros. Regular o uso e a venda da maconha é retirar uma quantia gigantesca de dinheiro das mãos dos traficantes. Enfraquecer o crime organizado, retirando sua principal fonte de renda pode evitar que o meu ou os seus filhos futuramente estejam na mira da arma de um bandido comprada com o dinheiro do trafico. Será que ninguém vê isso?
Tem mais: droga usa quem quer. Não vai ser a regulação que vai criar mais dependentes. Isso é tarefa dos pais fazer. Ensinar a seus filhos o que podem ou não fazer. A tarefa do governo é combater a violência.

Volto a usar da mesma arma do interlocutor: comentário e opinião lamentáveis. Se meus argumentos não têm fundamento, mostre-me fundamentos que rebatam os meus, argumente com fatos, dados científicos, pareceres de profissionais que tratam de drogados e estudem as conseqüências do uso da deusa cannabis. Pelo que parece, seu ambiente é prenhe de consumidores da droga, o que me leva a crer numa defesa cega dos amigos e, quiçá, de seus próprios hábitos. A “quantia gigantesca” de dinheiro das mãos dos traficantes é um exercício de futurismo sem qualquer antecedente que o comprove. Um dos achismos a que me referi no texto anterior. Não se esqueça do nosso sistema policial, judicial e carcerário viciado. Traficantes continuariam agindo ou migrariam para crimes mais violentos, jamais dariam seus lucros de mãos beijadas para o estado,e as autoridades sócias do crime continuariam cobrindo-lhes as costas. Isso aqui não é Suíça e nem tem quem regule devidamente agentes públicos bandidos.

Anônimo 4 - Por mais que os conservadores queiram "acabar" com a maconha, isso nunca vai acontecer. A milhares de anos todas as culturas das mais variadas partes do mundo usam algum tipo de "droga" para alterar a consciência.

Acabar com a maconha não é possível, isso é sabido, mas permitir que ela ocupe espaço lícito em nossa sociedade é dar o braço a torcer, é admitir a incompetência dos poderes públicos em combater sua ação nociva.As drogas ritualísticas utilizadas há milhares de anos não precisam e nem podem ocupar as ruas, não precisamos desses rituais urbanos de batalhões de gente sequelada. Ilegal e oprimida a maconha já causa muitos estragos, liberada não há qualquer estudo que tais problemas seriam minimizados.

Anônimo 5 - Marcos, vc tem uma grande parcela de razão no que disse. Porém, ao comparar o álcool a maconha e o tabaco, e igualá-los em relação ao grau nocividade, é ignorância pura.
Não há estatísticas, muito menos pesquisas que provem que a maconha dá câncer de pulmão.
E nunca ouvimos falar de alguém que bateu o carro ou espancou a mulher por causa de maconha. Não estou defendendo a maconha, pois todas estas substâncias são drogas!
Concordo que deveriam liberar tudo ou proibir tudo. Porque, sejamos realistas, o álcool e o tabaco só são lícitos, devido ao tamanho da indústria que gera bilhões e bilhões. E se o álcool fosse proibido, todo mundo iria discriminá-lo.
Não vai ser um governo através de leis, ou algum texto intelectual que vai formar minha idéia e dizer o que é certo ou errado. A vida é o melhor e maior professor!

Comparar maconha a álcool e tabaco não foi invenção minha, muito pelo contrário, é um dos principais argumentos de quem defende a legalização da droga. Não me impute a responsabilidade da argumentação alheia. A citei como resposta e não como defesa antecipada. Quanto à agressividade no organismo quem pode afirmar são os cientistas, não correrei esse risco, mas, fato, nunca vi um bêbado assaltar, matar ou furtar as coisas da própria família para comprar uma garrafa de cachaça, já para comprar um “beck” ou uma “carreirinha”, isso é mais comum do que nevar nos Alpes. Também não creio que o governo e as leis devam se meter nas decisões pessoais, se o cara quiser fumar maconha, problema dele, mas optar por isso, deve estar ciente que é crime, que em nada contribui para o engrandecimento da sociedade, de sua própria família, da cultura, da erradicação dos outros males do planeta.

 

©Marcos Pontes

segunda-feira, maio 30, 2011

Maconha, porquês do não

maconha

 

Aludo a uma parábola futebolística, de que é grande adepto o ex-presidente (que continue ex para todo o sempre), para reafirmar minha posição em relação à volta de Fernando Henrique Cardoso na mesma semana em que ressuscitaram o ex de triste memória.

Pelé soube a hora de parar, embora só o tenha feito após a quarta despedida. Depois dele a despedida de jogadores de grande nome tornaram-se grandes acontecimentos, com jogos de seleções, amistosos de amigos de fulano contra inimigos de sicrano e tal e coisa. Alguns não souberam parar, como Romário, que esperou o corpo dizer que não conseguia mais dar dois passos sem ser vítima de contusão. Pois na política também há de saber o momento de parar.

FHC é respeitadíssimo dentro e fora do Brasil, inclusive pelos asseclas de Lula, que, por recalque, inveja ou coisa melhor a fazer não perdem a oportunidade de comparar os dois, como se fosse possível comparar carneiro com camelo, mas perdeu a boa oportunidade de calar-se no que se refere à descriminalização da maconha, idéia que ele já defendia quando ainda ocupava o Palácio do Planalto e adjacências.

Em 2009, numa blogagem coletiva no dia 26 de junho, Dia Internacional de Combate às Drogas, postei o texto abaixo em que justificava minha posição, que, a despeito dos muitos e mesmos argumentos dos defensores da descriminalização, não mudou um milímetro. Pelo contrário, achei até novos argumentos que acrescento no final do texto.

Completamente Contra

Na história é comum encontrarmos mentiras repetidas tantas e tantas vezes e com mais convicção e detalhes a cada vez, que acabam se tornando verdades. Principalmente porque preferimos receber as informações mastigadinhas, de modo a não termos que pensar, e cheia de detalhes e argumentos, que não tenhamos que pesquisar. Mesmo que os tais argumentos sejam falaciosos.

Qual a cidade que não tem a “loura do cemitério”? A fórmula da Coca-Cola contém cocaína; Hitler está vivo e morando na Argentina; Elvis também está vivo e escondido, cansado do assédio dos fãs e da imprensa; qualquer coisa que passe pelo Triângulo das Bermudas é transportado para outra dimensão; João Paulo II assassinou João Paulo I ou algo do gênero; a CIA assassinou Marilyn a mando dos mafiosos; Xuxa viu duendes... Aliás, é capaz de aparecer gente por aqui que acredita em, pelo menos, uma das lendas acima. Normal.

Em relação Às drogas, seu consumo. Comercialização e efeitos, também não são poucos os mitos e achismos, alguns defendidos com convicção por ignorância ou interesses pessoais, repetidos e aumentados até que se tornem verdades irrefutáveis. Algumas dessas teorias, sempre acrescidas de “profundas bases científicas”, são usadas pelos defensores da legalização e/ou da descriminalização do uso e/ou do tráfico de substâncias psicotrópicas. Como sou careta das antigas, cheio de princípios éticos e morais herdados de uma educação mais ou menos conservadora, me oponho tanto à descriminalização quanto à legalização e me permito rebater vários argumentos dos droguistas, mesmo que sejam apenas com meus próprios achismos, já que eles vêm cheios de achismos alheios.

A propósito, sou contra também a descriminalização do usuário. Se eu comprar um relógio roubado, legalmente sou receptador e tão criminoso quanto o ladrão. Pois se a produção, tráfico comercialização de várias drogas é ilegal, ilegal também é que as consome e banca os crimes anteriores. O consumidor das drogas ilegais e o receptador do relógio roubado.

1. A maconha é uma droga leve.

“O THC tem uma propriedade bem curiosa, gruda em algumas moléculas das paredes dos neurônios de animais, até mesmo do homem, tais moléculas são conhecidas como receptores de canabinóides, quando ocorre a ligação o receptor opera sutis mudanças químicas dentro da célula, mas não se sabe dizer ao certo quais são elas.“(http://www.brasilescola.com/drogas/maconha.htm)

O THC se liga aos receptores neuronais responsáveis pelo controle da dor e se influencia diretamente no sistema nervoso central, não pode ser considerada uma droga leve, pra início de conversa. E por não ser leve, já é sabido que ele destrói neurônios de forma irreversível por serem justamente os neurônios que não se regeneram (alguns se regeneram, ao contrário do que se cria até há alguns anos).

Como se isso tudo fosse pouco, a Cannabis sativa tem passado por um processo de “melhoria” genética que a tornou potencialmente muito mais perigosa do que aquele fumada nos anos 60 como símbolo de renovação da mentalidade mundial. Bah!

2. A legalização diminuiria a violência porque os traficantes querem a legalização.

Cascata. O traficante pode ser a favor da legalização pró forma porque esta legalização seria um salvo conduto do governo para que ele continuasse praticando o que antes era crime, só que com a chancela do Estado. Todos os crimes praticados antes da legalização seriam anistiados, o que faria do traficante de ontem um honrado cavalheiro pagador de impostos hoje.

Mas voltemos à violência. A parte legalizada recolheria impostos, como todo negócio legal, mas o governo ficaria com uma parte muito grande do negócio, o que levaria a um mercado negro em que o traficante ficaria com todo o lucro. Isso já ocorre hoje com o tabaco e o álcool, por exemplo, obras legalizadas, mas que contam com um enorme tráfico, principalmente via Paraguai.

O Estado permitiria a comercialização e a produção das drogas ou seriam criados laboratórios e plantios também legalizados? É para isso que o cidadão que não consome drogas, um percentual esmagadoramente maior do que os consumidores, pagam impostos, para ser criada um “ministério dos bacanas”? Isso causaria protestos e, provavelmente, não passaria no Congresso.

Paralelamente a isso, os policiais, juízes, parlamentares e demais autoridades que se corrompem para darem cobertura a traficantes, e elas são muitas, não ficariam satisfeitas com a perda desse ganha-pão e partiriam para outro tipo de crime. Isso ocorre hoje, por exemplo, como ocorreu em São Paulo e Rio de Janeiro, onde as polícias investiram pesado contra os sequestros. Os sequestradores viraram cidadãos legais? Não, migraram para outro tipo de crime, como tráfico de drogas e assaltos a bancos ou assaltos a condomínios de luxo. A legalização e consequente fim da corrupção por esse motivo, levaria os bandidos a partirem para outra modalidade de crime ou ao próprio mercado negro.

3. Na Holanda os crimes diminuíram com a legalização.

Bobagem. A Holanda nunca esteve nas estatísticas de violência ou produção de drogas. O país era fim de linha, um país de consumidores, não de produtores. Aliás, hoje é um país produtor de ecstasy, que é uma droga sintética e não produto “natural” ou substrato direto como o haxixe, o ópio e outras drogas manufaturadas diretamente de um vegetal.

A Holanda não é comparativo econômico ou social para o Brasil. Vivemos realidades diferentes em todos os campos. Independentemente disso, o que se vê na Holanda atual é um questionamento sobre os ganhos e perdas que a legalização trouxe. O país virou destino dos bichos-grilos europeus, o que tem causado sérios problemas na rede de saúde pública e no tratamento dos adictos.

Há muita coisa na internet sobre isso, basta procurar um pouquinho para se informar. Seria cacete colocar tudo aqui.

4. Maconha não vicia.

Isso nem merece comentários mais alongados. Qualquer um com mais idade que um préadolescente conhece pelo menos uma pessoa que “fuma socialmente” seu charo. Que seja. Então, desafie esse xinxeiro social a ficar três dias sem dar um tapa e vai ver um sujeito subindo de costas pelas paredes.

Os especialistas que o digam, tem gente muito mais capacitada a descerrar o assunto, mas que a bicha vicia, vicia.

5. Maconha é natural, por isso é saudável

Poderia listar aqui algumas dezenas de substâncias 100% naturais que matam sem muito trabalho: curare, veneno de viúva negra, "todesstuhl" (a toxina de cogumelos venenosos), tetratoxina. Oxalato de cálcio, toxialbumina, alguns alcalóides, glicosídeo cianogênico (encontrado na mandioca brava), saponino (encontrado em hera), … O THC não mata, mas é veneno, é substância tóxica, é peçonha. Se pode aliviar as dores de doentes como cancerosos, por exemplo, pode causar ainda mais males em quem não precisa dele como remédio. É remédio que mata a longo prazo.

São muitos os argumentos dos defensores das drogas e todos eles são refutáveis, menos aquele do usuário que, defendendo causa própria, defende a legalização porque acha as drogas boas. Se é uma questão de gosto, não há como discutir. Assim também não aceito que refutem esse meu argumento: droga não presta, é uma merda e deve ser coibida de todas as formas, inclusive por repressão policial, criminalização do usuário, mesmo ele sendo considerado um doente, mas é também o financiador do crime, e proibição total, geral e irrestrita de qualquer substância psicotrópica, a não ser as utilizadas como medicamentos legalizados e com controle rígido da vigilância sanitária, ministério da Saúde e todos os organismos públicos responsáveis pela farmacologia e medicamentos nacionais.

6. Haveria superlotação de presídios se se mantivesse a criminalização do usuário

Não é necessário que o usuário seja colocado em mesmo presídios que traficantes e assassinos. Já que os defensores da descriminalização titulam os usuários de doentes, pois que se lhes dê tratamento. Que sejam criadas colônias penais e laborais, bem ao feitio das clínicas particulares, em que o interno tem de trabalhar, seja na roça, em carpintaria, em oficinas de arte ou artesanato, produzindo para manter-se ocupado com algo útil e para ajudar a manter os custos da internação.

Não são poucos os crimes que o usuário financia, do tráfico aos assassinatos de gangues em guerra pelo domínio de territórios ou na cobrança de dívidas dos usuários mal pagadores. Indiretamente, já por conta do vício, não são raros os usuários que praticam roubos e furtos para se autofinanciarem.

Ah, diriam os meus opostos, está aí mais um motivo para a descriminalização, acabariam os traficantes. Bom, a isso eu já respondi no item 2.

7. O álcool e o tabaco são tão ou mais nocivos do que a maconha

Aí acontecem dois fenômenos típicos da falta de argumentação e do relativismo esquerdista: a relativização em si e a justificativa de um erro com a prática de outro. O próprio governo de FHC, em que José Serra era ministro da Saúde, houve guerra cerrada contra o tabagismo, que persiste ainda hoje e não digo que esteja errada, e campanhas sólidas contra o alcoolismo, a venda de bebidas para menores e várias outras medidas efetivas ou subliminares relativas à questão. Grande ganho para o país, mas enquanto o ministro remava num rumo, o presidente ia na contra-maré.

Quanto a qual droga ser mais nociva, não há qualquer estudo científico comparativo, o que a ciência afirma é que as três drogas são nocivas, matam, causam prejuízos pessoais, sociais e familiares, além dos já amplamente conhecidos prejuízos financeiros. Essa argumentação é típica de crianças que chamadas de feias rebate, “feio é tu” ou “tu é mais feio que eu”. Se são todas nocivas, que sejam banidas todas.

Um caráter que jamais aparece nas pesquisas científicas e na sua divulgação alarmante pela imprensa é o caráter genético da predisposição, talvez por ser algo ainda muito difícil de mesurar, mas os cientistas sérios, mesmo sabendo da existência da pré-disposição genética à adicção, não se arriscam a determinar seu percentual de influência. É mais ou menos como dois amigos encontrarem-se diariamente após o expediente para tomarem uma cervejinha. Um dia um deles percebe que esta rotina está lhe fazendo mal e para de beber enquanto o outro não domina aquilo que tornou-se vício e já não consegue ser dominado. O segundo tem a predisposição à dependência que o outro não tem.

Mais itens poderiam ser acrescidos a esta lista, mas, se é que alguém chegou até aqui, ninguém teria paciência de ler tanto, mas, aos contrários aos meus argumentos, desafio: coloque nos comentários seus pontos a favor da descriminalização que terei prazer de rebater um a um. Já perceberam que minha posição é irremovível, né? Pois vamos ao debate, pois. Abrir as pernas para viciados e traficantes é, antes de qualquer coisa, assinatura de atestado de incompetência em enfrentar os males prévios e posteriores ao vício pelos governos, governantes e apaniguados.

Ah, antes que eu me esqueça, maconheiro é um bicho chato pra caralho!

 

©Marcos Pontes

sábado, maio 28, 2011

Você é vitima, coitadinho


Certo dia eu e o Almirzinho fomos visitar um amigo comum, o Mário, que tinha um filho com dois anos e pouco de idade, o Pedro. Mário e Almirzinho eram músicos e eu arriscava escrever algumas letras de vez em quando. Sentados em cadeiras na varanda discutíamos música, cantávamos alguma coisa enquanto o Pedro brincava ao redor, pulando, correndo, gritando, coisas de um quase bebê. Num determinado momento o Pedro tropeçou e caiu aos pés do Almirzinho. De pronto levantou-se e já se preparava para voltar às suas peraltices, mas o Almirzinho, com aquele tom de voz que costumamos usar com as crianças, meio tatibitati, como se o consolasse, começou com um “tadinho do Pedrinho. Chora não, bebê, não foi nada, só um tombinho”. O Pedro não ameaçava chorar, pelo contrário, queria era voltar às brincadeiras.

Sem tocá-lo, o Almirzinho continuou: “ô, dodói, Pedrinho. Num chora, se der um beijinho passa, logo, logo para de doer. Ai que peninha...”. E insistia que o garoto havia se machucado. Aos poucos vimos o sorriso sumir do rosto do Pedro, sua boca arqueando-se para baixo, as lágrimas vindo aos olhos. Quanto mais o Almirzinho a consolava, mais a criança passava a sentir pena de si. Não demorou, Pedrinho abriu o berreiro, se jogou no colo do Almirzinho e o deixou afagá-lo para consolar a dor que não sentia.

A cada tentativa da esquerda de vitimizar partes da sociedade, me lembro desse episódio. Que no Brasil sempre houve desequilíbrio social, racismo, discriminação contra velhos, deficientes físicos, índios, macumbeiros e outros muitos grupos, isso é sabido, embora disfarçado ao longo da história. Para minimizar isso algumas leis foram criadas, outras aperfeiçoadas, a mais famosa delas a Lei Afonso Arinos que tornou crime o racismo – volto a dizer que não concordo com essa terminologia por não reconhecer raças nos seres humanos. Raça é a humana, o resto são etnias.

Há décadas é permitido ao cidadão recorrer à justiça sempre que se sentir ultrajado, discriminado, ofendido, caluniado, difamado ou injuriado, mas não basta à esquerda conscientizar as potenciais vítimas, cada um de nós, de seus direitos legais, tem de vitimizar-nos, de preferência em grupos, para que seu intento tenha mais notoriedade e os resultados massificados. É como se chegasse a um negro, por exemplo, e insistisse na idéia de que ele é discriminado, mesmo que o indivíduo jamais tenha sentido-se excluído. “Meu querido afroamericano, a sociedade o discrimina”, aí o cara diz “não, jamais fui discriminado. Sempre fui bem tratado, estudei na mesma escola em que muitos outros negros e brancos estudaram, tive as mesmas oportunidades e tentei minha ascensão social em igualdade de condições”. Porém, a esquerda insiste, “não, querido, isso é apenas o que a elite branca permite que você ache. Hoje você é apenas um diretor da empresa, por que não é o presidente, ao invés daquele branco europeu? Porque ele é favorecido pela cor da pele”. O negro ainda não vê assim, insiste, “o currículo dele é melhor que o meu, ele tem doutorado em Harvard, tem vinte anos mais de experiência que eu, está há dez anos a mais que eu na empresa, é justo que ele presida, um dia talvez eu chegue lá”. Mas a coitadização ideológica não se deixa vencer com essa argumentação e continua insistindo, tanto argumenta e mostra seus fatos que o negro começa a duvidar de que o processo é transparente, passa a crer que por trás das aparências há uma manipulação conspirativa para usá-lo como escada para que a elite branca se promova às custas de seu suor negro. Por fim, cede. Percebe que jamais será alguém sem o respaldo humanitário da esquerda maravilhosa e torna-se mais um militante do socialismo redentor.

Esse exagero fictício repete-se deveras no dia a dia. Dividindo a sociedade em guetos, negros-vítimas, índios-coitados, mulheres-ultrajadas, pobres-explorados, gays-massacrados, crianças-bulinadas, wiccas-incompreendidos e dezenas de outras minorias são cooptadas com a argumentação de que são todos vítimas dos que estudaram, se esforçaram, aproveitaram as oportunidades que o sistema lhes deu e, meritocraticamente, assumiram a gerência das empresas, da produção e do país.

Com esse exército à paisana, mas uniformizados como os coitadinhos, a esquerda avança galgado na empatia que demonstra pelos fragilizados.

Termos como “releitura” e “desconstrução” tornam-se populares por meio de artistas cooptados, jornalistas e lideranças comunitárias, mas nada mais são do que a demonstração de que o que já existia tem de ser destruído para que a nova ordem se fixe. As minorias que, somadas, tornam-se o quase todo, são o apoio do qual é retirada a capacidade de análise imparcial, lobotomizada, crédula por ter suas fraquezas e inferioridade expostas na insistência do coitadismo de que fizeram com que acreditassem serem vítimas.

Mas nem só com idéias compram-se consciências, há a necessidade material, e aí surgem os programas sociais, as bolsas, os empregos, as assessorias, as ONG, o apoio estatal, as leis discriminatórias às avessas, o poder não meritório dado às vítimas que, revanchistas e raivosas, tornam-se elite, mas continuam no discurso vazio contra as elites. Palavras de ordem são plantadas na mídia e gente que se diz tão culta e capacitada as repete como verdades absolutas.

Usando da força da insistência dos discursos repetitivos, a esquerda ganha simpatia e manda e desmanda. Seus chefes fazem fortuna usando a igualdade social, contando com a desculpa repetida pela sua convicção delirante e desonesta na ilusão de que as palavras mudarão a realidade. Premissa que não sustenta um minuto de suas vidas que ao contrário do que afirmam não se encarna em discurso mas na experiência vivida.

©Marcos Pontes e Beatriz Mecozzi Moura



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terça-feira, maio 24, 2011

Revolução ofídica

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A Revolução Francesa tinha como objetivo destruir a monarquia e instalar a república, Isso qualquer estudante do ensino médio sabe, ou deveria saber, dada a péssima qualidade da educação nacional.

Para chegar lá, os republicanos teriam como primeira etapa destruir toda a simbologia monarquista. O propósito era o bem comum? Teoricamente, sim, mas o populacho foi o exército gratuito utilizado para levar a cabo os desejos da burguesia ambiciosa que jamais chegaria ao comando da nação.

Contra a monarquia também fez-se também a revolução bolchevique, em 1917, e várias outras revoluções em tempos e locais distintos ao redor do globo. Em alguns casos a figura imperial foi deveras substituída pelos presidentes e primeiros ministros, em outros o monarca de coroa foi substituído por oligarcas com faixa presidencial. Em comum havia a guerra civil e a mortandade de compatriotas. Em nome de uma causa, a manipulação dos insatisfeitos por meio de propaganda, promessas e uma imagem de sensíveis na luta contra a opressão, a miséria e a obsolescência da máquina estatal divulgadas pelos candidatos a assumirem o poder.

Os Estados Unidos e seus aliados, insatisfeitos com a postura do Eixo destruíram o Japão e o reconstruíram à sua imagem e semelhança, o mesmo na Coréia do Sul, Alemanha Ocidental, Vietnã do Sul, também em épocas diferentes, mas utilizando o mesmo método: a guerra.

Pacientemente, seguindo a nova tática gramsciana, a esquerda também preparava sua revolução, hoje em pleno curso, silenciosa e paulatina, sem sangria, mas com a semelhança da destruição de símbolos antigos e pré-estabelecido propósito de reconstruir o mundo ao seu jeitinho.

Todos os líderes mundiais estão de acordo com essa tática, têm conhecimento dos tentáculos vagarosos, longos e múltiplos que, à imagem dos filmes de terror B dos anos 50, passam por baixo da porta para estrangular suas vítimas na surdina? Não. A maioria deles são apenas instrumento de mentes bem mais argutas, preparadas e calculistas. Lula e Dilma, por exemplo, não têm a malícia e nem a prepotência de Putin, que restabelece mansamente a república soviética, sem comunismo, mas com todos os vícios que o antigo regime tinha em que havia uma pirâmide encimada pela casta política e economicamente privilegiada, algo completamente oposto à pregação de Marx.

Zapatero é outro exemplo de esquerdista ofuscado pelo brilho do poder, mas apenas uma ferramenta nas mãos daqueles que, à imagem de Greenhalgh, Mangabeira Ünger, Frei Betto e outros muitos cérebros pensantes da esquerda brasileira, mexem os cordéis que fazem seu títere andar, pular, falar ou fingir de morto.

Pregar contra as instituições religiosas seculares, levantando a bola das novas teologias e inúmeras religiões é uma faceta muda para as grandes massas desse avanço gramsciano da nova ordem que vem se estabelecendo calcada no politicismo correto.

As forças armadas, mundo a fora são outras vítimas de campanhas contumazes; o ensino tradicional é bombardeado pelas novas pedagogias como, por exemplo, o tão enaltecido construtivismo dos anos 90, hoje já demonstrado ser uma farsa. Destruir a escola tradicional ao invés de aperfeiçoá-la não é à toa, mas parte do plano.

Teoria conspirativa? Não, conspiração de fato.

Destruir as gramática, como o episódio amplamente divulgado e discutido dos livros espalhados pelo MEC em mais de 4000 escolas públicas em que se encontram erros absurdos de regras gramaticais também não é à toa. “Destruamos o que é velho para construirmos tudo novo, inclusive a gramática, que deve ser escrita pelo povo, não por letrados, cultos e acadêmicos estudiosos. O estudo é coisa pequeno burguesa, elitista, não serve para nós, povo oprimido e vítima dos senhores da indústria”, pode ser assim traduzido o discurso desses senhores e se os olhos e ouvidos lerem as entrelinhas, é exatamente isso que vai encontrar.

Estudo, ciência, tradicionalismo, mérito, ética, moral, religiosidade e o que mais houver de estabelecido na cultura mundial há de ser arruinado, assim, sem valores, metas e lideranças, os esquerdistas revolucionários aparecerão em cena fantasiados de salvadores do planeta, braços dados com as minorias que vêm cooptando, sejam negros, gays, evangélicos, ecologistas, feministas e qualquer outra classe ou categoria que aceite vestir a carapuça de vítimas e oprimidos históricos. Não será de estranhar que a nova revolução francesa nasça em França, esquerdista de longa data e primeiro refúgio de ditadores depostos no decorrer das várias décadas do século 20, e de comunistas banidos por ditaduras de direita.

Como a primeira revolução francesa, a revolução bolchevique, a reconstrução japonesa, a nova revolução começa pela destruição dos símbolos dos regimes atuais, a diferença é que não se faz isso pela força das armas, mas com a força da pena, que é muito mais forte e permanente do que a força da espada, como já ensinara Voltaire e Gramsci assimilara muito bem, transmitindo essa assimilação e seu emprego prático e paciente aos dissimulados que aplicam isso ideologicamente hoje. Se o sangue jorrar, será no final do processo, quando a maioria de hoje estará tão fragmentada que as “minorias” unidas a esfacelarão facilmente.

O novo não significa necessariamente o melhor, aliás, muita coisa nova é infinitamente inferior em qualidade e conteúdo do que seus similares de algumas décadas atrás. Toda a vigilância contra a manipulação individual e das massas é porca diante da ardilosa revolução tácita que avança sorrateiramente.

 

©Marcos Pontes

domingo, maio 22, 2011

Mudar para ficar igual

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O que será mudado na reforma política? Muito pouco e somente aquilo que não prejudique os políticos, em primeiro lugar; seus partidos, na sequência; o governo federal, que tem o apoio da maioria do parlamento; os governos dos estados, porque assim os políticos poderão discursar que ajudaram seu estado quando na verdade estarão ajudando seus governadores; e, se sobrar tempo, argumento e alguma pouca vergonha, os eleitores.

Ricardo Berzoini colocou-se contra o voto distrital. Por que? Porque na capital, onde ele está domiciliado politicamente, a concorrência eleitoral é enorme, uma briga de foice no escuro. Aí ele pode ir pedir votos no terreiro do vizinho, lá pelos interiores, onde a concorrência se dilui e candidato que não tem grana não consegue fazer campanha. Com a máquina petista se alastrando e ele, Berzoini, galgado à condição de um dos cardeais do partido, lhe sai barato fazer campanha em todo o estado, do litoral a Lins, da fronteira com Minas à divisa como Paraná. Passando o voto distrital, Berzoini teria que ficar restrito à capital e seus trezentos mil candidatos, diluindo sua influência.

Citei Berzoini, mas o mesmo vale para todo coronel político de qualquer estado. Na Bahia, por exemplo, José Carlos Aleluia, deputado federal não eleito senador na última campanha e hoje sem cargo eletivo, jamais colocou os pés no sul do estado, salvo como papagaio de pirata de ACM, vez por outra, mas, mesmo derrotado, teve muitos votos na região entre Camacã e Teixeira de Freitas. A força da televisão, números fáceis de decorar e cabos eleitorais espalhados fazem com que a propaganda fixe-se na cabeça do eleitores mais desavisado, aquele que não pesquisa sobre o passado dos candidatos,e assim Berzoini e Aleluia são votados por eleitores que sequer sabem que apito eles tocam.

Explica-se porque PT e DEM defendem alguns mesmos pontos que em nada ajudariam o cidadão. Podem não ajudar o eleitor, mas não arranha o status quo dos políticos e é isso que vale, no final das contas.

O mais absurdo dos absurdos é o ressuscitamento do voto vinculado, tão criticado pelo PT, MDB e as oposições do final da ditadura. Percebendo que perderiam as eleições nos últimos estertores dos generais, a situação de 82 criou o voto vinculado que consistia na obrigatoriedade do eleitor em votar em candidatos do mesmo partido, do rabo às tetas, de governador a vereador. Se não procedesse assim, o voto seria cancelado. O PDS contava com o grande número de anulações como aliado para não levar a lavagem que, mesmo assim, ocorreu. Pois o mesmo PT, em mais uma demonstração de sua arrogância, dissimulação e falta de moral política, lançou a idéia do voto em lista e a defende na reforma política. Pois o tal voto em lista nada mais é do que o voto vinculado em sua versão muito piorada.

O voto vinculado da ditadura era mais democrático que o voto em lista do PT que, graças a Deus, ainda conta com a discordância de parte dos seus aliados. No voto vinculado o eleitor poderia escolher seus candidatos, desde que fossem do mesmo partido; no voto em lista defendido pelo PT, o candidato não escolheria os candidatos, mas a lista. Por gostar do candidato A, teria de levar todos os demais na carona da lista em que o candidato A se encontra. É muito pior do que o tal suplente a senador, um sujeito que não recebeu um voto sequer, mas pode assumir o cargo se o titular for impedido. A propósito, isso também não deverá ser mudado. Por que? Basta dar uma pesquisadinha em quem são os suplentes dos manda-chuvas do Senado atual: o senador João Pedro (PT-AM), suplente do senador Alfredo Nascimento (PR-AM), voltou a exercer o mandato no lugar do titular, que assumiu o Ministério dos Transportes; os senadores Edison Lobão (PMDB-MA) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) assumiram os Ministérios de Minas e Energia e da Previdência Social, respectivamente. Assim, Edison Lobão Filho (PMDB-MA) exercerá o mandato do pai por ser o primeiro suplente da chapa e Paulo Roberto Davim (PV-RN) substituirá Garibaldi Alves; Aloizio Mercadante (PT-SP) assumiu o Ministério da Ciência e Tecnologia e Ideli Salvatti (PT-SC), o Ministério da Pesca e Agricultura. O suplente de Ideli, Luiz Carlos João (PT-SC), tomou posse na última segunda-feira (3) para completar o mandato da senadora. Já o suplente de Mercadante, José Giácomo, ainda não entrou em contato com a Mesa Diretora para tomar posse (texto retirado do site do Senado). Aqui citados apenas os suplentes que assumiram a titularidade no início dessa legislatura, mas a quase totalidade dos senadores tem um parente, marido, filho, como suplente. Por que eles quereriam mudar as regras em que sempre saem ganhando?

O financiamento de campanha, outro ponto que deverá passar, poderia até ser uma solução para a corrupção, se: 1. Os políticos fossem honestos; 2. Não fosse criado um imposto ara esse financiamento. A bem da verdade, tal imposto ainda não foi cogitado publicamente, mas conhecendo a esquerda, ávida por dinheiro como ela é, não me surpreenderá se o governo, aprovada o financiamento público, crie essa taxa; 3. Não sejam desviados recursos para privilegiar os candidatos que corromperem os responsáveis pela liberação dessa verba ou para privilegiar os próprios responsáveis pela liberação que farão fortuna por conta da candidatura dos outros. Ah, mas aí estou sendo pessimista demais. Sim, estou, mas isso porque já sou vacinado contra a imoralidade e a desonestidade crônicas na administração pública do Brasil, independentemente de quem o esteja administrando.

O financiamento público, que passaria a ser o único financiamento legal, não impediria que algum “amigo” de candidato lhe desse o presentinho de alguns out-doors, uns milhares de panfletos e cartazes, a “simpatia” de algum apresentador de televisão famoso ou um cantorzinho brega e bem popular. Como um dos maiores problemas da máquina estatal é a falta de fiscalização, os desmandos com dinheiro público e caixa dois longe dos olhos dos fiscais tornariam ainda mais podre a política mal cheirosa com que temos que conviver.

E quantos candidatos apareceriam sem qualquer esperança de elegerem-se, principalmente dentro dos municípios, apenas de olho na bolsa-corrupto? E quem proibiria qualquer cidadão filiado de candidatar-se se até fichas podres se elegem sem qualquer empecilho?

A proporcionalidade de votos para vereadores e deputados é outra coisa incompreensível para o eleitor comum e sem explicação democrática. Como explicar que um sujeito que teve um voto se eleger enquanto um outro com 100 votos não? Casos assim não são raros. A cada eleição vemos relatos do tipo. E um voto não é exagero, isso ocorreu com uma vereadora de, não lembro que cidade, de Sergipe. Outro exemplo é o do Tiririca, para pegar um caso bem conhecido. Do alto de seus mais de um milhão de votos, o deputado federal levou mais cinco com ele, candidatos que não teriam se elegido se fossem computados somente os votos absolutos.

E qual o interesse em se manter esse sistema? Simples. Os partidos mais populares, como PT, PMDB, DEM e PSDB elegeriam mais gente, uma vez que os votos em legenda, além do efeito Tiririca, colocariam nas assembléias estaduais, na Câmara Federal e das câmaras municipais os caronistas, gente que se pendura na popularidade de uns e na força da legenda para se elegerem. Não fosse a proporcionalidade, muita gente que está empossada sequer teria chegado perto da legislatura.

Os velhos vícios manter-se-ão e novas aberrações, como o voto em lista, serão incorporados à nova legislação eleitoral. Mexe-se na lei para manter privilégios, aumentar o balcão de negócios e afastar ainda mais o desejo popular das realizações fisiológicas dos eleitos. Muito carnaval para pouco samba é o que se delineia na reforma política que se desenha e que todos discursam ser premente.

 

©Marcos Pontes