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domingo, janeiro 16, 2011

Solidão Palaciana

alvorada

Alguém já disse que o poder é solitário, sem querer minimizar a solidão de quem o exerce, assim como, bem lá no fundo, a de quem está em posição de destaque político, artístico ou esportivo, filosoficamente diria eu que viver é solitário.

O tuiteiro amigo @kubipinheiro08 sugeriu que eu escrevesse sobre a solidão que a presidente encarará no Palácio do Jaburu. Imagino que o caro amigo estivesse se referindo ao Palácio da Alvorada, uma vez que o Jaburu é residência oficial do vice presidente e neste, muito provavelmente, a presidente não será bem vinda nos próximos quatro anos; enquanto que o Palácio da Alvorada é a residência oficial do(a) presidente. A bem da verdade, crieo que o vice também não será persona gratíssima na residente da presidente. Bom, talvez o @kubipinheiro08 tenha referido-se ao Palácio do Jaburu qurendo referir-se à jaburu que ocupará o Palácio da Alvorada, mas aí seria muita maldade nossa, dele e minha.

Os dois tornaram-se uma chapa mais por imposições políticas do que por afinidade de idéias.

Lula havia construído a vice às custas da propaganda farta e de seus vontades impostas, precisava solidificar o nome dela às custas dos companheiros políticos. Nessas horas, os amigos mais propícios para apoiá-lo nessa tarefa eram justamente os desafetos de um passado não muito longínquo, o PMDB. O mesmo PMDB chamado de pelego, pelo finado e esquecido Lula dos anos 80, do Sarney, chamado de ladrão pelo mesmo Lula, juntamente com sua famiglia e partidários. O temerário Temer foi apenas o nome escolhido pelos cardeais venais do PMDB, não houve qualquer interferência da candidata situacionista na escolha desse nome.

Melhor dizendo, talvez a candidata, Poe exclusão, deva ter escolhido o nome que lhe daria, teoricamente, menos dor de cabeça no caso de uma vitória. Mas, brasileiros leitores de jornais e revistas, quantas vezes vimos a dupla mandatária se reunir, fazer declarações conjuntas, defenderem publicamente o mesmo programa governamental ou assumir qualquer compromisso com a nação? Eu não lembro de nenhuma.

A solidão que a presidente encarará no Palácio da Alvorada será minimizada pelas visitas das altas horas, que não aparecem nos jornais, seja porque a imprensa dorme, seja por “pedidos” – e eu não quis dizer chantagem ou compra de silêncio. Amigos, ou amigas, principalmente, a visitarão diante do silêncio das manchetes e até acho isso normal. Pelas suas convidadas especiais para as solenidades da posse e para o primeiro baile do seu império, percebe-se que suas influências perseveram por todos esses anos e é natural que sejam constantes em seus momentos íntimos. Já a solidão que a acompanhará no Palácio do Planalto é mais preocupante.

A Casa Civil, encabeçada pelo ex-ministro e deputado eleito de moral maculada por atitudes nada éticas, amorais e ilegais, pode ser tomada como o parachoque da presidente, é o crivo do que e de quem deve chegar a ela ou não. Contudo, com o corporativismo petista e seu projeto de poder bem maior que seu projeto de governo, muitos dos que chegarão ao gabinete do terceiro andar ocupado pela presidente levarão propostas de lobbies, negociatas. Não devem ser poucos os companheiros a fim de favores presidenciais que acessarão o gabinete sem a intimidade pessoal, apenas por indicações dos líderes partidários, gente nada confiável que a própria presidente, calejada no trato com esse tipo de gente, da qual ela também já foi uma cabeça, sabe que não pode dar-lhes confiança demais, confessar seus dissabores, discutir seus planos ou dar esperanças. É a pior das solidões, do tipo em que se dá no meio da multidão.

No Palácio da Alvorada um exército de 75 serviçais será mais confiável que a centena de visitas diárias ao Palácio do Planalto. Na Alvorada as amigas terão entrada franqueada sempre que a moradora as convidar, enquanto que no Planalto as visitas serão amigas de outros amigos, gente de segunda, terceira ou totalmente desqualificada categoria.

 

©Marcos Pontes

5 comentários:

Anônimo disse...

O poder é solitário, mas para Dilma parece que será ainda mais. A relação entre ela e os políticos aliados, sobretudo o PMDB, tende a ser tensa. Mesmo com o PT creio que presidenta terá problemas. Com a oposição, pelo que vemos, talvez tenha maior integração. Vamos ver como Dilma se sai desta primeira prova no governo. Não pode eximir-se da culpa do governo anterior. Esperemos.

Zinha_09 disse...

Sabe,Marcos, "solidão" é a última coisa que acho que incomoda a "Favorita do Ignoracio"...

Como ela é mandona, exigente, perfeccionista, acredito que prefira ficar sozinha p/organizar seu mandato! Dizem que ela tem o diabo nos cascos de braba! rsrs

Acho que ela não vai fazer mta questão de ficar rodeada de amigos não!

Se assim fosse, ao longo da vida, creio q ela teria tratado a todos c/ mais respeito, que é o mínimo q os amigos merecem,né não?

Acho que ela vai mais é curtir a vida reservada! Ainda mais c/ aquelas duas figuras excêntricas (mãe e avó) que vivem c/ ela...
Abçs

Aparecido disse...

Não me lembro, nem nos governos militares, de um presidente tão recluso em sua própria intimidade.

O risco é que, sem ter com quem partilhar amenidades, acabe por distribuir infelicidades.

Beatriz disse...

Marcos, para esse sentimento de solidão creio que a presidentA precisaria ter uma alma menos materialista , menos ideológica. voltar-se pra dentro e se permitir esse sentimnto, esse começo de auto-análise é insuportável para marxistas gramscianos, leninistas. eles são como máquinas. no primeiro sintoma pegam em armas e/ou livros e saem barbarizando.

Ronald disse...

Caro Marcos, quanto ao acordo com o PNDB, o amigo se esuqceu de citar os preciosos minutos no horário gratuíto - pago por nós - em poder od PMDB.

Quanto a solidão, liga não, tem um monte de neguinho puxa saco que adora ser xingado e maltratado e, como para isso ela é eficiente...