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domingo, janeiro 02, 2011

Meio ProUni

enem-3-hg-20100206

 

A presidente de quem recuso citar o nome, falou em ampliar o ProUni para o Ensino Médio. Houve uma grita contra no Twitter, minha maior fonte de informação política, no momento. Acredito que oposição tem mais é que se opor mesmo, mas vou me contrariar aqui. Em 2006 eu já elogiava o ProUni, um programa de promoção social através da educação, mas sem as malditas cotas racistas ou sexistas.

O ProUni provou, no decorrer dos anos, que seus opositores estavam errados. Jovens de renda abaixo da média passaram a ter acesso a faculdades que jamais poderiam pagar, sem a necessidade do malfadado crédito universitário, aquela falsa bolsa que endivida os profissionais recém formados antes mesmo deles conseguirem o primeiro emprego, e sem a necessidade de serem negros, índios, deficientes físicos ou outra aparência física qualquer discriminatória.

Como é bem sabido, as classes mais pobres têm acesso à pior qualidade de ensino, não por serem pobres, como a esquerda gosta de fazer parecer, mas por terem acesso à escola pública, um depósito de jovens alunos que não são ensinados a serem estudantes. Nem mesmo esse governo que, ate que enfim, encerrou ontem, que fez tanto proselitismo e demagogia em nome dos pobres, fez algo para melhorar, deveras, a qualidade de ensino da escola pública.

Criou o piso nacional do magistério, ótimo. Mas para que serviu isso, se não para aumentar a renda de profissionais que continuam com a mesma prática de fazer de conta que ensina? Não melhorou a qualificação dos professores e nem exigiu deles a contrapartida da qualidade a ser avaliada em provas a cada ano. Pagou melhor pelo mesmo produto mal acabado.

Construiu ou reformou escolas federais e ajudou aos estados e municípios a construir e reformar as suas. Ótimo. Mas jogou lá dentro os mesmos desestimulados e mal preparados professores de antes. Ano após ano nossa posição nossa posição nos rankings internacionais estagna ou diminui, sinal de que a tão cantada e decantada melhoria na qualidade de ensino através de investimentos é uma grande mentira. Os indicadores mostram isso claramente.

Ao manter o ministro da educação do governo anterior, a presidente demonstra que não tem compromisso com a melhoria da educação, não só pelos fatos citados acima, mas também pelas seguidas demonstrações de incompetência, despreparo e falta de planejamento que o ministro Haddad vem demonstrando nos últimos três anos. Pior, com a conivência cega e bem remunerada da Justiça.

O ProUni, além de facilitar o acesso dos pobres à educação superior, ajuda às instituições privadas que apresentam ociosidade em boa parte de suas carteiras, algumas tendo que demitir professores ou contratar gente menos qualificada. O convênio com o ProUni obriga essas escolas a terem o mínimo de qualidade, a ser avaliada pelo Enade, correndo o risco de terem o convênio rompido se as metas não forem alcançadas.

Este modelo poderia muito bem sem empregado nas escolas particulares de ensino médio. Já que a educação pública esta sucateada, falida, catatônica e sem qualquer perspectiva de melhora, jovens pobres, mas que desejam estudar, fariam uma prova para conseguirem a vaga na escola particular e fariam uma avaliação ao final do ano letivo em que deveria comprovar o mínimo de assimilação dos conteúdos determinados pelo MEC.

Ganhariam os jovens, as famílias e, talvez, até a universidade pública, que receberia alunos pobres pela sua qualificação e não somente pela cor de sua pele ou pela deficiência física.

Meu lado de oposicionista sem condescendência a esse governo, desde antes mesmo dele começar, dessa vez dá uma trégua e apóia o ProUni para o ensino médio, seja lá que nome venha a receber, exigindo, porém, a avaliação anual das escolas e estudantes conveniados para que haja, de fato e não só na propaganda, a melhoria gradual de nossa educação.

Ah, diriam alguns, mas aí os donos das escolas ficarão ainda mais ricos. E daí?, pergunto eu. Sou um capitalista e gosto de ver as pessoas fazerem fortuna através do trabalho qualificado, do esforço e do investimento. Nenhum dono de escola, se a fiscalização for séria como deve ser, fará fortuna sem ser testado. O resto é choro de quem não consegue enriquecer e nutre esse ranço esquerdista contra os bem sucedidos.

 

©Marcos Pontes

14 comentários:

Dr Evil disse...

A ideia e boa, nunca neguei. O problema e que a qualidade das escolas e pessima. O aluno se forma e nao esta apto a concorrer no mercado de trabalho com gente formada em escolas boas. E uma ilusao. Uma tapeacao. Da do de ver quem estuda tanto e recebe um diploma que so serve para enfeitar a parede da sala.

Tô-de-Olho disse...

Eu concordo com você, o ProUni par ao Ensino Médio seria uma forma de favorecer aos alunos, enquanto a educação se encontra sucateada, mas ela deve ser melhorada também. Ficaremos de olho.

CHUMBOGROSSO disse...

Sábio comentário, amigo.
Fazer oposição, significa combater o que está errado e é nocivo ao interesse público.
Aplaudir o que é bom, independentemente da origem, nos diferencia, porque o interesse da Nação deve prevalecer sobre o partidário.
Feliz 2011 para o Brasil.

Anônimo disse...

FRAUDE NAS ELEIÇÕES DE 2010

http://wikileaks-brasil.blogspot.com/2010/11/democracia-hackeada-como-o-pt-fraudou.html?spref=tw

Zinha_09 disse...

Vou pedir licença ao amigo Chumbo Grosso e repetir suas palavras, "copiar" seu comentário!
Realmente,temos que aplaudir o que é bom,independentemente da origem...
Temos que aplaudir,estimular e ampliar as boas ideias,desde que ela tragam benefícios a todos.
Parabéns pelo Post. Mto bom.

Sonia disse...

Se a oposição não for inteligente, nem merece ser considerada oposição efetiva.
Saber se opor é também uma prova de consciência política e cidadania.
Dizer que é contra apenas porque é uma idéia vinda de um partido com o qual você não compactua com a ideologia é atestado de burrice e acaba por te deixar no mesmo patamar deles.
Mas, voltando ao assunto principal do texto, acredito que o ProUni é uma das poucas coisas boas que existe na Educação brasileira.
Minha filha mais velha ganhou bolsa do ProUni e isso foi bastante importante pra nós.
Só que, ele está hoje atrelado ao ENEM, que já utiliza o sistema de cotas, o que faz do sistema ProUni, indiretamente, um participante da seleção por cotas.
No meu entender, ele já acolhe os estudantes de Ensino Médio a partir do momento que abre suas vagas prioritariamente aos egressos do ENEM. Então, apesar de uma boa idéia, me parece redundância demagógica de nossa PresidAntA.

Anônimo disse...

E o PROUNI para Faculdade serve?
Alunos saem com o diploma e nada aprendem.
Sou mais a linha do Estado de São Paulo: ETEC e FATEC. Ensino técnico de qualidade, dali já se sai com uma profissão.
O resto é bobagem.

Adao Braga disse...

Se o modelo das escolas particulares é tão bom, a ponto de ser elogiado, copiado e financiado, porque não adotar na escolas públicas?

- O dinheiro do ProUni seria suficiente? É só fazer as contas.

Fica parecendo que, o que falta à educação é tão somente recurso financeiro. Atualmente, os investimento do Governo aumentaram muito em vários setores, saúde, educação e segurança. No entanto, os resultados são pífios.

Não concordo com o ProUni, e duvido da eficiência do programa. Se a solução da educação é o ProUni, na saúde seria o governo contratar o plano de saúde bradesco?

Luciano A.Santos disse...

Olá Marcos,

Sou um "filho do ProUni", e tenho que discordar dos amigos que alegam que "alunos do ProUni estão fadados ao despreparo, a terem simplesmente um diploma pendurado na parede". Cada um sabe o que faz daquilo que aprende: se decido não fazer nada, nada faço, oras! Como disse, cursei a faculdade com uma bolsa integral do ProUni e, graças ao que na faculdade aprendi, consegui, ainda no 4º semestre, ser aprovado em um concurso público. Sem o ProUni ainda estaria tentando ser aprovado em uma faculdade pública - UNESP, provavelmente - tendo que lutar contra a concorrência desleal daqueles que sempre estudaram em escola particular.

Ah, o comentário ficou grande demais, rsrs. Abraços.

Ítalo de Paula disse...

Discordo em partes nessa ideia de "prouni" para ensino médio. Se vamos descaradamente privatizar a educação, que as cargas tributárias que pagamos em peso para termos esses serviços de forma gratuita sejam diminuídos.

Não consigo entender essa "conivência" do brasileiro que se conforma em pagar duas vezes pelo mesmo serviço.

Dionisio disse...

Um colega disse que dar chance a um pobre, pra que frequente uma escola particular, "das boas" (sim, porque tem um monte por aí, que não valem nada) é aplicar dinheiro bom em coisa ruim. Porque ele durante o tempo em que foi diretor de uma escola particular propiciou um programa de inserção social, que dava 4 bolsas integrais para pessoas de baixa renda (esssas coisas de gente idealista) a cada semestre e mais de 20 bolsas parciais de 50%. Colégio com contraturno voltado para artes, esportes e língua estrangeira. Pasmem que a grande maioria do pessoal com bolsa integral não obtinham rendimento satisfatório (tipo na faixa de 3 mal sucedidos para 1 que conseguia aprender), e os de bolsas parciais já tinham um rendimento percentual bem melhor, inclusive com vários deles conseguindo passar em vestibulares concorridos.
Parece (é só uma hipótese) que as pessoas tem que sentir o peso financeiro para poder valorizar alguma coisa, seja ela a educação ou as demais necessidades de sobrevivência.
Eu penso que pagar, com dinheiro do contribuinte para que alunos que deveriam estar no sistema de ensino público passem para o sistema particular não só é uma forma de canalizar recursos públicos para o setor privado, como também é uma forma de fragilizar o já abalado sistema público de ensino. Se for pra ser assim, que se entreguem de uma vez as escolas públicas para o setor privado através de licitações e que o setor privado prove que é capaz de melhorar o sistema de ensino.
Outra forma de melhorar o que tá aí, penso que seria a não gratuidade do ensino. Ou seja, mesmo que público o ensino não deveria ser totalmente gratuito. Deveriam de haver contribuições a serem dadas pelos pais para que o aluno continue na escola. Uma forma de fazer com os pais valorizem a escola e cobrem também dos diretores e professores para que cumpram suas funções de educadores, além desse dinheiro servir para reforçar atividades pedagógicas diferenciadas.

Dionisio disse...

Um colega disse que dar chance a um pobre, pra que frequente uma escola particular, "das boas" (sim, porque tem um monte por aí, que não valem nada) é aplicar dinheiro bom em coisa ruim. Porque ele durante o tempo em que foi diretor de uma escola particular propiciou um programa de inserção social, que dava 4 bolsas integrais para pessoas de baixa renda (esssas coisas de gente idealista) a cada semestre e mais de 20 bolsas parciais de 50%. Colégio com contraturno voltado para artes, esportes e língua estrangeira. Pasmem que a grande maioria do pessoal com bolsa integral não obtinham rendimento satisfatório (tipo na faixa de 3 mal sucedidos para 1 que conseguia aprender), e os de bolsas parciais já tinham um rendimento percentual bem melhor, inclusive com vários deles conseguindo passar em vestibulares concorridos.
Parece (é só uma hipótese) que as pessoas tem que sentir o peso financeiro para poder valorizar alguma coisa, seja ela a educação ou as demais necessidades de sobrevivência.
Eu penso que pagar, com dinheiro do contribuinte para que alunos que deveriam estar no sistema de ensino público passem para o sistema particular não só é uma forma de canalizar recursos públicos para o setor privado, como também é uma forma de fragilizar o já abalado sistema público de ensino. Se for pra ser assim, que se entreguem de uma vez as escolas públicas para o setor privado através de licitações e que o setor privado prove que é capaz de melhorar o sistema de ensino.
Outra forma de melhorar o que tá aí, penso que seria a não gratuidade do ensino. Ou seja, mesmo que público o ensino não deveria ser totalmente gratuito. Deveriam de haver contribuições a serem dadas pelos pais para que o aluno continue na escola. Uma forma de fazer com os pais valorizem a escola e cobrem também dos diretores e professores para que cumpram suas funções de educadores, além desse dinheiro servir para reforçar atividades pedagógicas diferenciadas.

Esyath disse...

Marcos,


nooooooooossa ah quanto tempo não venho aqui não é?
Estava com saudades de lê-lo. Adorei o post, pois você foi franco e extremamente convincente.
Eu sou totalmente a favor do PROUNI. Na universidade que me formei, conheci uma garota que só conseguiu cursar Direito graças a este programa, pois aqui o que mais acontece é que as universidades públicas (federal e estadudal) são lotadas por playboys e patricinhas que tiveram acesso a uma boa educação em escolas particulares e aí o pessoal pobre praticamente sem chance alguma, fora que vamos combinar, mesmo a educação pública melhorando consideravelmente nunca hevrão vagas suficientes!
Agora eu pensei que a Presidente estivesse se referindo à escolas técnicas profissionalizantes.
Vai ver entendi mal.
Eu amo o capitalismo, sem ele uim operário sem dedo do qual você não gosta jamais teria chegado a Presidência... Ele permite que gente como a minha mãe que morou no interior atrás de um curral de boi e andava a pé desde as 4 da manhã para chegar as 6 e meia na escola tivesse a chance de se formar, se tornar médica e crescesse pessoal e profissionalmente.
"Yes, we can!"

Acho que estou bem otimista! Deve ser porque é começo de ano.... rsssss

Beijos (Des)conexos!

FELIZ 2011!

Esyath disse...

Marcos,


nooooooooossa ah quanto tempo não venho aqui não é?
Estava com saudades de lê-lo. Adorei o post, pois você foi franco e extremamente convincente.
Eu sou totalmente a favor do PROUNI. Na universidade que me formei, conheci uma garota que só conseguiu cursar Direito graças a este programa, pois aqui o que mais acontece é que as universidades públicas (federal e estadudal) são lotadas por playboys e patricinhas que tiveram acesso a uma boa educação em escolas particulares e aí o pessoal pobre praticamente sem chance alguma, fora que vamos combinar, mesmo a educação pública melhorando consideravelmente nunca hevrão vagas suficientes!
Agora eu pensei que a Presidente estivesse se referindo à escolas técnicas profissionalizantes.
Vai ver entendi mal.
Eu amo o capitalismo, sem ele uim operário sem dedo do qual você não gosta jamais teria chegado a Presidência... Ele permite que gente como a minha mãe que morou no interior atrás de um curral de boi e andava a pé desde as 4 da manhã para chegar as 6 e meia na escola tivesse a chance de se formar, se tornar médica e crescesse pessoal e profissionalmente.
"Yes, we can!"

Acho que estou bem otimista! Deve ser porque é começo de ano.... rsssss

Beijos (Des)conexos!

FELIZ 2011!