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terça-feira, novembro 02, 2010

Mea culpa

mea

 

Eu sou um injusto que tenta se justo e no meu senso de justiça defeituoso, perco a mão. Por sorte, tenho bons leitores, poucos, mas bons, que me mostram que exagero nos meus comentários, que perco o peso da mão nas minhas críticas, que minhas ofensas são injuriosas.

Alguém, ou mais do que um alguém, uma multidão de escritores de auto-ajuda, já disseram que só os grandes de caráter dão a mão à palmatória, admitem a culpa e pedem desculpas. Pois bem, quero ser um dos grandes.

Peço desculpas por ter atentado incontáveis vezes contra os propósitos nobres do PT que nasceu democraticamente misturando metalúrgicos do ABC Paulista e intelectuais da PUC com o mais nobre propósito de reduzir as injustiças sociais, elevarem a moral depauperada dos brasileiros menos favorecidos economicamente e alavancarem o país à elite mundial - embora a palavra elite seja justamente repugnada pelo partido por conta dos riquinhos mimados que exploram a mão de obra barata e analfabeta para se locupletarem.

Peço desculpas por ter lançado farpas, ou melhor, lanças contra as lideranças esquerdistas do país, homens e mulheres valorosos que jamais labutaram em causa própria, mas sempre com os olhos voltados para o bem comum. Se alguns desses líderes socialistas amealharam fortuna, foi devidamente. Se seus filhos também conseguiram seus pés de meia milionários, mesmo tendo o mínimo de escolaridade em alguma faculdade particular de qualidade duvidosa (aliás, duvidosa apenas para a elite intelectualizada da USP) é porque são jovens esforçados no trabalho diário, inteligentes, sagazes e capazes de gerirem com sucesso seus empreendimentos particulares, longe de qualquer influência de seus pais nas negociações comerciais.

Peço desculpas por ter falado mal das coligações que em muito acrescentam para a melhoria das comunidades Brasil a dentro. O Rio de Janeiro, por exemplo, só vem vencendo a violência urbana, melhorando sensivelmente seus índices de criminalidade, graças à união firme do PT do nobilíssimo presidente Lula com o impoluto PMDB do magnânimo governador Sérgio Cabral, justamente reeleito em primeiro turno numa clara demonstração de reconhecimento da população fluminense à administração primorosa dos últimos quatro anos.

Peço desculpas pela minha ranzinzice preconceituosa contra os pobres brasileiros que pouco se informam não devido à preguiça intelectual ou à má qualidade do telejornalismo nacional, mas por culpa da elite – novamente ela, a elite, o câncer social que corroi os intestinos de nossa sociedade tão violentamente aviltada por essa burguesia podre – que, por meio de patrocínio, obriga os telejornais a usarem palavreado fora do vocabulário do brasileiro comum.

Peço desculpas pelo meu machismo imbecil que não poupou críticas abusivas contra a então candidata e hoje presidenta eleita Dilma Rousseff. Não tendo qualquer argumento que denegrisse sua tão apregoada e comprovada competência e honestidade no trato da coisa pública, resolvi agredi-la gratuitamente apenas pelo fato de ela ser mulher. Sou um troglodita ultrapassado com os ranços dos coronéis nordestinos do início do século vinte.

Mea culpa, mea máxima culpa por todas as tentativas de enlamear a moral, a probidade e o caráter irretocáveis de nossos administradores atuais e de todos os que nos governarão nos próximos quatro anos. Independentemente dos nomes que o excelentíssimo e imaculado senhor José Dirceu escolher para comporem o ministério de nossa excelentíssima presidenta Dilma Simpática Católica e Sorridente Rousseff, tenho certeza que nada teremos com que nos preocupar, nós, brasileiros comuns que nada temos que nos meter a criticar a administração pública regida por homens e mulheres experientes e honestos.

Porra nenhuma!

Não peço desculpas por nada e muito menos aos leitores insatisfeitos.

Lamento, amigos e amigas, mas este blog é escrito para expressar minhas idéias e não conteúdo programático de qualquer partido ou aula de etiqueta e boas maneiras.

Fui serrista? Não! Fui antilulista, antipetista e antidilmista, logicamente anti qualquer coisa ou pessoa ou coligação referente a essas coisas.

Não parti para a ofensa pessoal e nem esculachei a aparência física dos governantes, mas a aparência moral, a propaganda mentirosa, a incompetência gerencial e o caráter canhestro, esses eu não poupei e nem pouparei daqui por diante.

Lamento a dureza, mas a porta de saída para os insatisfeitos é aquela ali no canto, a com uma estrela vermelha.

 

©Marcos Pontes

7 comentários:

Vanessa disse...

Marcos, vc é muito divertido. Vivemos numa democracia, não é isso que todo mundo repete como um mantra por aqui? Cada um carrega a bandeira e a canga que quiser. Entendo que seja antilulista. Aliás, entendo perfeitamente. O que não entendo é sua defesa ao indefensável, a política neo liberal de FHC criada com os mesmos propósitos do populismo de Lula. Só mudam os nomes, o que todos eles querem é o Poder.

Adao Braga disse...

Ah! Não gostei do The End! Mas, posso ignorar o final do texto. A parte ironica me agradou!

Comungamos de certas tendências, ideias, e penso que também de principios morais, éticos, ideologias e outros valores.

TonMoura disse...

Tô contigo, não por seres meu irmão (coisa que me dá ainda mais orgulho), mas por seres autêntico e honesto. Você sabe que no meu blog eu não falo só em política, mas também não me calo quando precebo alguma injustiça. Ontem a Rede Globo, que todo político derrotado culpa pela sua derrota, e que os PTistas afirmaram ser inimiga do PT e a favor do Serra, mostrou quem sempre foi, num sessão super-puxa-saco só faltou redigir a carta de canonização da Dilma. A Globo sempre foi do lado de quem está no poder, independente do partido, porquê? Matemática Financeira! Quem são os patrocinadores dos programas de horário nobre? Petrobrás, Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES. Nem eu, que sou mais bobo, me atreveria a falar mau de quem tá colocando dinheiro no meu bolso! Se bem que prefiro ficar com o bolso vazio a receber dinheiro de qualquer um, mas os brasileiros não são assim, querem mais é se dar bem, não importa com quem.

Beatriz disse...

Muito bem!
Você tem posições retas. Claras. Não precisa agradar ninguém. nem precisa de amiguinhos que na primeira diverg~encia saem com dedinhos em riste. Ah, Marcos adorei.
até pra ser irõnico há que ser virtuoso, honesto.
E que tudo mais vá pro inferno.

Beatriz disse...

Gostei do tom do Tom! Família porreta essa Moura

Helder Melo disse...

Cara, e se eu te dissesse que é muito pior que isso?
http://www.olavodecarvalho.org/semana/100803dc.html
http://homemculto.wordpress.com/2010/07/23/juiz-odilon-de-oliveira-fala-de-pcc-farc-foro-de-sao-paulo/#comment-4660
É só juntar os pontinhos!
Tá certo botar a xilogravura mesmo, os caras aqui no nordeste votaram por suas conveniências mesmo. (sou do Ceará)

Marcos disse...

Caro homônimo, permita-me cumprimentá-lo entusiasticamente pelo brilhantismo e pela coragem com que você escreveu esta que, indubitavelmente, foi uma das melhores postagens que já tive o imenso prazer de ler neste belo espaço (senão a melhor), onde primam a inteligência e a integridade de caráter - atributos infelizmente hoje tão raros no imenso e multifacetado mundo da blogosfera. Parabenizo-o pelo excelente texto, que, deixe-me dizer, lamento não ter sido eu a escrevê-lo. Sou um leitor atento e fiel de suas palavras, concordo em gênero, número e grau com grande parte delas e admiro a lucidez com que você as expressa. Lucidez esta que falta (e muito) aos blogs petralhas - quiserámeos nós que apenas nos blogs e não, como é de conhecimento geral, também no governo da anarcosindicoplutocriminocracia lulo-petista. Você é uma voz dissonante no cenário atual, o que é ao mesmo tempo, uma honra e uma missão. Mais uma vez parabéns pela coragem e pelo talento e um forte abraço.