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terça-feira, novembro 23, 2010

“Ricos, mas capados”

trabalhadores em pintura

A frase reproduzida no título é do filósofo Olavo de Carvalho, o terror dos comunistas brasileiros, porta bandeira dos conservadores e um direitista incompreendido, ou até desconhecido, pela direita de botequim. Ela é uma referência aos empresários, mormente os de grande porte – significa fortuna – que bancam a esquerda por razões diversas.

O que levaria um grande capitalista como Abílio Diniz ou Guilherme Leal se juntar aos socialistas, bancar parte de suas campanhas e até candidatar-se com eles, como fez Leal? Ou o Paulo Skaf, ex-presidente da FIESP, a organização que reúne os maiores capitães da indústria nacional, se filiar ao Partido Socialista Brasileiro?

Para entender, há de se fazer vasta pesquisa antropológica, sociológica, econômica e psicológica, algo que não sou capaz de fazer em curto prazo e ninguém seria capaz de explicar em apenas uma lauda, espaço que me dou para que a leitura não seja tão cansativa. Mas, resumindo a análise profunda e muito bem embasada do Olavo de Carvalho, essas pessoas sofrem de “loucura revolucionária”.

Além desses senhores, intelectuais, artistas e intelectualóides, como Gabriel Garcia Márquez, Chico Buarque, Oscar Niemeyer ou Paulo Coelho, não necessariamente na ordem respectiva, tendem a romantizar as guerras contra qualquer regime institucionalizado, colocando seus atores como gente do povo, sujeitos comuns e injustiçados que “deram a volta” no regime opressor, para usar um jargão comum empregado por essa gente.

Seja na vida real, seja nas artes, esses “heróis populares” sempre foram vestidos com áurea coroa de paladinos dos injustiçados, de Robin Hood, o bom ladrão, que roubava dos ricos e dava aos pobres, passando por Lampião, Leonardo Pareja, a Che Guevara, um pequeno burguês, “paranoitizado” pelos muitos livros e armado de atrativos físicos e discurso engajado.

Roger Green Lancelyn, autor de Robin Hood, era um pesquisador de mitologia grega, do Egito antigo, tema sobre os quais escreveu, além da histórias do Rei Arthur, um monarca com espírito socialista. Inglês de posses e notoriedade nos meios acadêmicos, estudante e professor em Oxford, Lancelyn, muito provavelmente, não teve contato próximo com a miséria pecuniária se seus concidadãos, um pouco diferente de Buarque, Niemeyer e Coelho, ou mesmo de Márquez, homens de países miseráveis, cercados por favelas, crimes, tráfico de drogas, assassinatos e políticos corruptos. A semelhança está na romantização dos marginais.

A obra poética e literária do Chico está prenhe – palavra que aprendi com ele na letra de “Jorge Maravilha”, lá na minha infância – de heróis marginais ou o que passaram a chamar de antiherói, a partir de Macunaíma, do Mário de Andrade. “O Meu Guri”, o protagonista de Estorvo, os bichos de Saltimbancos, o Malandro da Ópera e até Lily Braun, uma mal amada cantora de cabaré, são alguns dos marginalizados envergando as vestes de heróis populares idealizados por Chico. Mas Chico, filho e sobrinho de intelectuais de alta cepa, não conhece mais de malandragem do que a dos jogadores do seu Politeama. E como ele, via de regra, artistas, escritores e intelectuais não conseguem ver o macro, tomam pequenos exemplos como exemplos prontos e acabados, empatizam-se com esses seres idealizados por criatividade ou visão distorcida, mas não conseguem ver todos os lados do ambiente em que se contextualizam. Inventam santos sobre a carcaça de pecadores.

A tudo se permite aos artistas e eles, em suas paranóias, crentes que suas invenções são reais, despejam sobre os incautos uma verdade mentirosa.

E os milionários empresários, onde se incluem? No exército dos covardes.

Por medo das retaliações que, historicamente, os esquerdistas aplicam contra seus opositores logo que conquistam o poder ou por negociarem seu sucesso futuro, entregam-se nos braços dos vermelhos.

Os bolcheviques soviéticos já ensinavam a usar do capital dos capitalistas para instaurarem suas ditaduras. Não existe comunismo sem capital e os grandes capitalistas, ricos, mas sem culhões, cedem às pressões para manterem seu status quo. Vendem-se em troca de nada, deixam-se manobrar e não conseguem coragem para enfrentar a fera socialista voraz e sedenta de fortuna. Acham-se seguros atrás de seu capital e a inviolabilidade – como se isso fosse possível num governo do qual faz parte Antonio Palocci – de seus negócios não conhecendo ou tentando não ver os exemplos dos muitos figurões dos negócios que foram mantidos atuantes e aumentando a fortuna em regimes ditatoriais como o socialista soviético e o nazista hitleriano apenas enquanto faziam o jogo dos ditadores.

Atualmente essa manipulação vem sendo feita pelo governo bolivariano de Hugo El Loco Chávez, que se apóia nos encagaçados milionários para aumentar seu poder destrutivo.

A massa proletária, desempregada, sem estudo e sem saúde não é formada de heróis, apenas é composta por manobráveis ignorantes pelos artistas, intelectuais e ditadores.

 

(Obrigado à @BeatrizMMoura pelo tema)

 

©Marcos Pontes

9 comentários:

Beatriz disse...

Grande texto. Um dos melhores que já li sobre o caso. São pessoas que brincam com a linguagem, invertem os termos, dizem que coisas que não se equivalem são a mesma. Ex: capitalismo é tão ruim quanto socialismo. Confundem a figura de linguagem com a figura literal. Intelectuais que mentem. apóiam Pol Pot (Chomski) que ao se desiludirem com seus protegidos, qdo o impacto dos fatos os desmascara eles entram no desconstrucionismo e dizem nada saber. caem no ceticismo porque se existir verdade eles são criminosos. desconstrucionismo é defesa psicopatológica pra fugir dos próprios crimes.

Qdo a coisa aperta...eles saem cpom o clássico: não sabemos mais o que é a realidade. Camaleõs psicopáticos.

é por aí, Marcos...não é apenas discutindo CPMF, propostas econômicas que se faz oposição. Tá mais do que na hora de uma oposição moral.

Anônimo disse...

Um Quelonio para Eunapolis! Joaozinho Trinta meu caro! Intelectual gosta de miséria. Pobre gosta de luxo!

@MyrianDauer disse...

Não seria também um pouco de vontade de estar ao lado do poder?

Ivo Santos Cardoso disse...

A meu ver, a maior necessidade, especialmente dos intelectuais que emprestam voz e voto a ditadores de todas as nuances é de consciência de que plantam sementes dos espinhos que amanhã poderão ferir a própria carne. E a do próximo. A história está cheia de exemplos.
Na falta de melhor decisão, de maior coragem para gerir seus bens de modo a não empobrecer ainda mais a seus empregados e subalternos - toda uma classe de necessitados -, tentam enganar-se (ou defender-se) apoiando radicais e paranóicos, iludindo-se de que assim aumentam o alimento do pobre.
Um virtualismo que pode sair muito caro: feijão, pão, leite são apenas parte de uma vida decente. Moralidade também conta.

Ivo Santos Cardoso disse...

A meu ver, a maior necessidade, especialmente dos intelectuais que emprestam voz e voto a ditadores de todas as nuances é de consciência de que plantam sementes dos espinhos que amanhã poderão ferir a própria carne. E a do próximo. A história está cheia de exemplos.
Na falta de melhor decisão, de maior coragem para gerir seus bens de modo a não empobrecer ainda mais a seus empregados e subalternos - toda uma classe de necessitados -, tentam enganar-se (ou defender-se) apoiando radicais e paranóicos, iludindo-se de que assim aumentam o alimento do pobre.
Um virtualismo que pode sair muito caro: feijão, pão, leite são apenas parte de uma vida decente. Moralidade também conta.

Michel Vieira disse...

Belo texto! Se possível dê uma olhadinha no meu Blog:
www.novatrincheira.blogspot.com
Abração

Anônimo disse...

não sei se elogio o texto ou o comentário da Beatriz...enfim, sem delongas...tanto a comentarista qto o escritor dilaceraram em forma de escrita as tripas desta gente podre, imunda e sórdida... pobre povo que se mantem como cordeiros..enquanto os lobos os come pelas pernas..

Brasigrega disse...

Excelente artigo. Estes intelectuais de "meia tijela", falam do alto de seus castelos...Até parecem que sabem o que fome e injustiça social!!! Ideologia barata, sem substância e longe da realidade.
Um abraço

Tom disse...

Eu não poderia dizê-lo melhor!
Muito obrigado por expressar aquilo que eu sempre pensei, meu caro!
Abração!