Algo que sempre me afligiu, desde menino, são os olhos de estátuas. Os das pinturas me fascinam. Os de verdade, me conquistam.
Existem algumas gangs de picaretas que viajam pelos interiores vendendo "prêmio de melhor do ano", isso o ano inteiro. Os caras chegam ao empresário com uma "pesquisa de opinião pública" e dizem que aquela empresa foi a mais votada no segmento, que oferecerão uma festa para a sociedade local para a entrega dos prêmios e que o empresário, "a título de colaboração para cobrir os gastos do evento", deverá contribui com apenas R$ 200, R$ 300, R$ 500, dependendo da cara de otário do empresário e da sede do representanto do tal instituto de pesquisa. Se o empresário não aceitar, eles vão ao concorrente mais próximo e jogam a mesma lábia. No final das contas, cinqüenta bobos compram o tal prêmio, se enfeitam de pavões e vão, com mulher e filhos, todos trajados a rigor, para o grande baile. A cara-de-pau dos pilantras é tão grande que, por exemplo, premiam uma escola como a melhor no ensino infantil, outra no ensino fundamental II e outra no ensino médio, ou um restaurante como "o melhor almoço" e outro como "a melhor janta". E os otários premiados enchem suas paredes com aqueles certificados fajutos, crentes que a freguesia não sabe que foi tudo engabelação. É como dizia um amigo meu, "quem pede para ser enganado, merece sê-lo".
Nessa minha vidinha de jurado tenho me familiarizado com as discrepâncias entre os discursos de advogados, juízes e promotores sobra o Código Penal Brasileiro. Os juízes afirmam peremptoriamente que as leis são quase perfeitas, justas e o melhor para o país; os promotores dizem que elas são brandas, embora bem feitas. Os bandidos têm benesses demais; os advogados não opinam sobre o CPB, aceitam-no e só reclamam quando seus clientes são condenados. Nesse caso acham a lei dura demais. Enquanto isso, os legisladores, oriundos das mais diversas profissões, não têm a mínima idéia do que fazer para mudá-las ou se vale a pena desprender esforços nesse sentido. Na ponta da vara ficamos nós, palhaços pagadores de impostos.
Os professores da rede estadual baiana ficaram por volta de um mês em greve. Finda a greve, a discussão agora é se os dias serão repostos ou serão descontados de seus salários. Uma vez que a lei diz que deverão ser ministrados 200 dias letivos, por que tal discussão? Os alunos que se danem se ficarão no prejuízo. É assim que os governos dizem que a educação está melhorando e que fazem de tudo para que ele se torne melhor. Soube de um caso de uma professora que pediu licença por quinze dias para acompanhar o filho num tratamento médico na capital. A diretora da escola simplesmente dispensou a turma da professora, quarta série, por quinze dias. Absurdo em cima de absurdo.
Tem algum engenheiro químico aí? estou curioso para saber de que material é feito o solado desses sapatos chiques e caros que andam por aí. Eu tinha um desse, havia usado somente duas vezes. Sábado o calcei para ir a uma formatura. Tive que sair da festa antes, a cada passo ficava um pedaço do solado no salão. O dito cujo simplesmente esfarelava sob meus pés. É a segunda vez que isso me acontece. Acho que inventaram o solado bio-degradável.
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